Convite a quem nos visita

sábado, 10 de outubro de 2015

Ensaio das origens

Para o nosso fim de semana. Sejam felizes sempre sem nunca prejudicar ninguém.
Num risco apenas os homens fizeram
a serpenteante vereda com pés descalços
útil na beira dos poços e nos abismos
a cortar poios e paredes para todos
no meio de cerejeiras, pereiros e pereiras
mas também vegetação daninha
silvados, carquejas, urzes e fenos…
Mas porém os meus passos em volta
viram o sol e a chuva bater no rosto
andante nos lombos e nos vales
do sítio da Cova Grande ou Pequena
da Achada de Cima e de Baixo
nos lados do Pomar Novo onde nasci
quando na estação devida os melros cantaram
que estes dias foram o melhor do tempo
porque os vi serenos poisar na minha mão.
José Luís Rodrigues

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Prémio Nobel da Paz 2015

 O prémio Nobel de 2015, vai se entregue a uma organização que tem o seguinte nome: «Quarteto do Diálogo Nacional da Tunísia».
Melhor é impossível. Deixa de fora toda a catrefada de políticos que todos os anos são apontados para receberem este galardão. Tantas vezes responsáveis por grandes injustiças a fazerem tanto mal a este mundo. São eles responsáveis de governos que alimentam o negócio das armas e políticas de austeridade que conduzem o seu povo e outros povos à miséria em nome do vil metal, o dinheiro.
Por isso, ainda bem que tanto o ano passado como este ano a Academia Sueca, está a considerar figuras menores e instituições, isto é, menos conhecidas. Em 2014, os vencedores do Nobel da Paz foram o indiano Kailash Satyarthi e a paquistanesa Malala Yousafzay, "pela sua luta contra a supressão das crianças e jovens e pelo direito de todos à educação". Este ano vemos ser contemplado um grupo de pessoas pela sua luta em nome da paz e da democracia plural na Tunísia. Por isso ficou dito: «pela sua decisiva contribuição para a construção de uma democracia pluralista no país durante a revolução de 2011». Só posso dizer, BRAVO. E que continuem com o espírito de São Francisco de Assis como reza a seguir a sua oração. Que outros grupos com o mesmo espírito floresçam em todo o mundo, é para isso que serve este prémio.
Oração da paz - Oração de S. Francisco de Assis
Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz;
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé;
Onde houver erros, que eu leve a verdade;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei com que eu procure mais consolar,
que ser consolado;
Compreender, que ser compreendido;
Amar, que ser amado;
Pois é dando que se recebe;
É perdoando, que se é perdoado;
E é morrendo que se vive para a vida eterna.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Parece que eu gosto desta confusão

Só porque ela é democrática. Resultou da vontade popular. Quem não gosta não entende patavina de democracia. Aos autores envolvidos nesta trama, pede-se que sejam verdadeiramente dramáticos, que assumam as suas responsabilidades, dialoguem cada lei, cada medida, cada palavra, cada atitude que implique o bem comum.
Este é um momento importante para o nosso país, eu diria sem qualquer tremeluzir de vergonha que é um momento de graça, um dom dos céus. Porque veio pôr à prova como anda o espírito democrático da nação. A ver vamos se os principais responsáveis para uma solução nesta denominada confusão, estão a altura das suas responsabilidades. O eleitorado enviou essa mensagem, ela deve ser respeitada e tomada a sério.
Pelo lado do inábil Presidente da República pouco ou nada se espere. Já demonstrou não ter percebido nada nem muito menos está disposto a respeitar a vontade popular. A este só lhe importa o que vê. Não faz leituras, não se compromete, não suja as mãos, faz de conta que decide, fica calado perante a gravidade das coisas, empurra para os outros o que implique compromisso. Deste Presidente da República alguém já disse e parece ser verdade: «só aumenta a confusão». Há muito tempo que sei deste filme e vejo-o em muitos espelhos que vieram do Algarve para cima.
Porém, diante das várias conversações vou encontrando algum divertimento. É irónico que aqueles que seriam a fonte da instabilidade se tenham convertido agora no bordão da estabilidade, porque os salvadores naturais dessa estabilidade não conseguem por si sós segurar o bem deste mundo. Pela boca morre o peixe. Por aí se vê a inteligência do eleitorado e a lição que procurar passar aos políticos.
Por isso, quando digo que sou tomado pelo acesso de que «parece que gosto desta confusão», justifico-me na frase de Albert Einstein: «No meio da confusão, encontre a simplicidade. A partir da discórdia, encontre a harmonia. No meio da dificuldade reside a oportunidade». Tomara termos um Presidente amigo dos portugueses e que tomasse a sério esta realidade. Mas não contem que dali venha algo de bom para nós. Esperemos por último que outros imbuídos de alguma lucidez abdiquem de interesses mesquinhos e se coloquem ao dispor do interesse comum que traga benefícios para todos os portugueses.
Esta é uma oportunidade que deve ser tomada seriamente por todos. Porque esta situação veio demonstrar que o sistema democrático tem múltiplas possibilidades desde que o diálogo não seja dispensado por nenhuma força que o compõe.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

«Os medíocres da comunicação social mandam no jornalismo»

Bravo amigo Calisto pela denúncia... Texto brilhante sobre a morte prematura e súbita do jornalista Luís Miguel França, pode ser lido AQUI na íntegra.
Destaco o seguinte: «Podem dizer que esta hora dolorosa, em que todos estamos em choque, não deve ser profanada com a invocação de comportamentos reles da realidade terrena. Pois eu entendo que há criaturas sem direito a passar impunes quando os seus expedientes malvados provocam efeitos dramáticos como aquele que estamos a viver. Luís Miguel acaba de morrer. Já sem cartão de jornalista de televisão. Mas nós sabemos onde reside a origem desta tragédia que nos mata também a todos, um pouco.
Miguel teve tempo de se afirmar, em nossa opinião, como o melhor pivot da televisão madeirense de sempre, incluindo os bons do antigamente e os bons da actualidade. E conhecemos todos os pivots da RTP-M desde o dia inaugural. Conhecemos os primeiros a aparecer, os continuadores, as esperanças e os mitos. O que dizemos está nos arquivos da verdade. Para quem não conheça, é só consultar»
Paz à sua alma. Que sirva a sua prematura partida desta vida para fazer pensar este mundo de ideias pequenas que nos rodeia. Daqui expresso os meus sentidos cumprimentos à Basília Pita e à sua filha Sofia.  

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Já chegamos à Madeira

Ganhou quem estava previsto ganhar, a coligação Pàf. Foi pena não terem sido vencidas as sondagens, exatamente como desejei e procurei contribuir.
Não venham agora dizer que o povo é masoquista, não serve nesta hora inventar eufemismos para justificar derrotas ou ganhos. A democracia é assim mesmo, ganham uns perdem outros. Os eleitores são soberanos. Mais ainda de nada contribui inventar análises que justifiquem esta ou aquela opção do eleitorado, só porque não está de acordo com a nossa opção ou a que desejamos mais que tivesse acontecido. A maturidade democrática mede-se pela capacidade de acolher a decisão da maioria. Desta vez, como tem sido nas outras, comigo, será novamente assim.
Porém, não me livro de olhar o que aconteceu ontem a partir desta análise que a minha atenção me provoca. Agora podemos também a partir da Madeira saborear com um certo gozo o que aconteceu lá para os lados do Continente. Não foram as poucas vezes que durante 40 anos do lado de lá do Atlântico fomos considerado um povo imbecil, só porque foi votando consecutivamente no PSD do Alberto João. Bastava entrar nalgum táxi em Lisboa para ouvir impropérios contra a Madeira, porque votava sempre no mesmo.
Tudo isto para perguntar-se o seguinte: e agora Portugal Continental? Em quem votaram? – Nos mesmos, aqueles que prensaram durante 4 anos o povo português com uma austeridade desumana, que deixava boquiaberta a Troica, que considerava não ser necessário espezinhar tanto.
A questão a meu ver é esta, a maioria votou sob um engano, colocassem coligação PSD/CDS e logo veríamos este partidos seriam cilindrados. O engano estratégico resultou. Porém, obviamente, que tudo isto deixa perplexos os cidadãos mais conscientes e informados sobre todas as questões da governação e mais ainda deixa estupefacta a opinião pública europeia, especialmente, aqueles países que foram intervencionados como nós, mas que na hora da verdade manifestaram o seu desgosto nas urnas imprimindo outras opções de governação, alguns deles até bem radicais e surpreendentes. Pois então, estúpida e imbecil era a Madeira. Não consideram irritante e insultuosa a expressão: «Já chegamos à Madeira»? Agora sim, podem aplicá-la por aí, porque face a este contexto só nos faz sorrir de gozo.
Nisto tudo a maior derrota vai para o nosso país e o seu povo, que faz isto mergulhar na instabilidade. Aliás, nada que nos venha a surpreender, o país fica como está a maioria dos portugueses, que há muito experimenta a instabilidade derivada dos pesados sacrifícios a que foi votada.
Quanto à derrota do PS, deriva da divisão interna que o norteia desde sempre e que foi intensificada desde a saída do Seguro. António Costa enredou-se na estratégia da coligação, que soube manter a chama de que quem ia ser julgado nestas eleições era o PS e o seu líder. A restante oposição ajudou à festa.
Os corvos que vivem dos tachos políticos e que não sabem fazer mais nada na vida senão andar instalados em cargos à conta dos partidos, é melhor que tenham em conta que face a este domínio conjuntural onde o vosso PS foi a vítima, com o António José Seguro, a PàF teria a maioria absoluta. Com isso então é que veríamos o quanto seria desastroso para o nosso país e para o seu povo uma governação absoluta destes Pàf’s.
Na Madeira. Nada de especial. Apenas o BE surpreende positivamente. O PSD perde pouco e o CDS muito, era mais que previsível depois de ter sido notório o terem passado a perna ao Rui Barreto. Sai José Manuel Rodrigues entra Rui Barreto. É assim a vida. O PS não descola e continua a fazer festa com pouco. 

sábado, 3 de outubro de 2015

Se os olhos

Para o nosso fim de semana. Sejam felizes sem prejudicar ninguém.
Se os olhos são vista
Faz-nos sonhar o futuro.
Se os olhos são luzes
Faz-nos cintilar na alegria.
Se os olhos são flores
Faz-nos sorrir todas as cores.
Se olhos são frutos
Faz-nos saborear a vida.
Se os olhos são eco
Faz-nos ecoar a esperança.
Se os olhos são partilha
Faz-nos pão amassado de amor.
Se os olhos são dom
Faz-nos um sentido que é Deus.
Se os olhos são compaixão
Faz-nos sentir o perdão.
Se os olhos são reflexo
Faz-nos livres para a conquista.
Se olhos são um engenho
Faz-nos a felicidade uma arte.
Se olhos são brilho quotidiano
Faz-nos curados do pessimismo.
Se os olhos são aparência
Faz-nos liturgia da sinceridade.
Se os olhos são paisagem
Faz-nos comunicação do mistério.
Se olhos são um quadro
Faz-nos o centro da miragem.
Se os olhos são horizonte
Faz-nos ser possível na terra o céu.
Se olhos são visão solene
Faz-nos esta perspectiva ser perene.
José Luís Rodrigues

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

A ditadura das sondagens

O debate político nesta campanha como seria de esperar não existiu, porque os partidos políticos não quiseram e a lógica da luta pelo poder também não alinha por aí. É algo que os cidadãos responsáveis consideram ser muito importante, os partidos políticos ávidos de tachos e loucos pelo poder não lhes interessa nada o debate das ideias e muito menos o escrutínio das propostas e das suas opções no exercício do poder se forem eleitos.
Por isso, tivemos o domínio diário das sondagens, que serviam para os líderes partidários alinhavarem as inutilidades que debitavam nos seus inúteis discursos nos comícios e arruadas. Também foram o prato principal dos comentadores dos diversos órgãos de informação.
As sacrossantas sondagens foram impondo, cada uma mais certa que a outra, que estivámos aí no empate técnico entre duas forças partidárias ou que havia uma subida ou descida de um ponto, dois ou mais deste partido ou daquele. O que tivemos foi antes um festim que redundou numa pobreza generalizada. Porque todos foram tomados pela loucura das sondagens. Elas foram o centro da campanha eleitoral. Tomaram conta de tudo.  
Por isso, podemos dizer que temos a nova ditadura das sondagens, que na noite eleitoral, espero, que todas tenham uma clara derrota para bem da saúde democrática e para o nosso equilíbrio mental. Não há outra forma de combater este estado de coisas senão por aí, pela lucidez e responsabilidade dos cidadãos eleitores. Espero por essa maturidade democrática no dia das eleições. Pode ser esperar muito, mas prefiro estar assim.  
A comunicação social, obviamente, que fez o seu trabalho, mas também dominada por esta loucura das sondagens diárias, fez um frete aos partidos políticos e permitiu que não fossem escrutinadas como deviam as propostas e as promessas de cada um. Quem se lembra do pé para a mão de uma promessa, mesmo que estapafúrdia, feita por qualquer partido político? – Estou assim, não me lembro de nenhuma.
Portanto, vamos muito mal para estas eleições. Até à hora de segurar o extenso boletim de voto vamos com a maior das incertezas e ofuscados por tantos números e por tantas seguranças que as sondagens foram ditando ao longo destes dias e que os comentadores foram desbravando como se fossem uma escritura dominadora do futuro que eles viram cristalinamente.
Perante este contexto, vamos por algumas horas abstrairmo-nos desta poluição, centrarmos a nossa análise naquilo que temos vivido e decidir com verdadeira consciência. Precisamos de derrotar todas as sondagens para que nos centremos na verdade democrática contra todas as tentativas que nos querem impor, que sujam a sanidade metal e condicionam as nossas vidas com ruídos que não servem para nada. Acordemos e não permitamos que nos comandem os dias com miséria em cima de miséria.