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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

A luz de São Francisco Xavier para início da semana

Perante a inquietação que nos rodeia, que até conduz a uma certa solidão e desencanto, descubro entre os livros esta mensagem de São Francisco Xavier. Apreciem com prazer e rezemos juntos isto que ele nos segreda interiormente:
«Diz à Igreja que o seu coração, a sua luz e a sua força é Jesus Crucificado Ressuscitado, Deus Feito Homem, o Vivente, o Vencedor da morte e do pecado. E que, por isso, o segredo da vida em santidade, da comunhão fraterna, do entusiasmo apostólico, da coragem para estar no mundo sem ser do mundo vem de dentro: da experiência do encontro com Jesus; e não de fora: da idade e número dos fiéis, da força do dinheiro, do poder ou da técnica.
Diz à Igreja que tem uma missão bela e imprescindível: a de mostrar a todos o rosto de Deus-Amor e de ajudá-los a deixarem-se envolver no mistério do amor de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Diz às pessoas, sedentas de sucesso, que o encontro com o Ressuscitado, em vez de diminuir o encanto da vida, é condição essencial para que o homem descubra e viva em toda a beleza e grandeza a existência humana, como o testemunharam S. Paulo e Santo Agostinho.
Diz aos cristãos que deixem um cristianismo medíocre e rotineiro; que aspirem como S. Paulo a estar-com-Cristo-sempre-mais; e que sirvam e amem Cristo nos pobres e nos pecadores.
Diz aos sacerdotes que louvem o Senhor pela sua vocação e se deixem enamorar e marcar pela Cruz de Jesus. Assim perceberão a grandeza da sua missão e a urgência de, para evangelizar, cultivarem, entre outras, 'as virtudes da obediência, castidade, humildade, paciência, amor ao próximo'.
Diz aos jovens que tenham a lucidez e a coragem de abrir o seu coração a Jesus, procurando-o na comunhão da Igreja, que é o seu Corpo, certos que o resto virá por acréscimo». (In Rostos de Esperança, Paulinas 2010).

sábado, 7 de novembro de 2015

A terra que nos fez

Para o nosso fim de semana. Sejam felizes sempre sem prejudicar ninguém.
Quanto desejo rasgar-te para plantar
A força do poema nas tuas entranhas.
Andam a remover torrões na hora solar
E neles as tenras raízes sem artimanhas,
Advinham a fome saciada do desejo
Que é o fruto da colheita nas palavras
Que nos meus singelos versos antevejo.

No pomar maduro suculento e doce
Não tem dono o aroma sobre o monte,
Vem como respiro de Deus sem posse.
Nas manhãs as folhas são uma fonte,
Do sereno frio da noite quanto sofre
O abandono de cada um à sua sorte
E o insecto sobre a fruta nunca dorme.

Nos sonhos sem sentido,
Um poema à luz encante
É dom e amor repartido.
Sobre as árvores se levante
Esta fé naquele dia ferido
É força que à uva o vinho se adiante.

Veio depois o amigo aliado
Em cada imagem sempre vem
Um bago doce que foi dado
Desse mistério do prado
Resta o poema que este sabor tem.

Agora sei da terra que nos fez
A palavra veio e eu resolvo
Na criação fecunda talvez
Seja seguro o chão do povo
Esta é a hora de um mundo novo.
José Luís Rodrigues

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Os livros a Avareza e Via Sacra do Vaticano

A partir desta quinta feira (5 de novembro) estão nas bancas em Itália dois livros que rapidamente serão bestsellers. Tratam de assuntos confidenciais violados, de misérias e de pecados de ordem financeira que campeiam a mais alta estrutura da Igreja Católica, o Vaticano.
Todo o esforço do Papa Francisco para credibilizar a Igreja e para fazer passar a ideia de que a Igreja Católica retoma o seu verdadeiro espírito do Evangelho, sofrem um duro rombo com este ambiente de escândalo e pecado. Para quem tem os pés bem assentes na terra, nada disto é surpresa nem muito menos se deixará abalar se considerar que onde há humanidade há pecado, onde há dinheiro há corrupção e onde falta fé Deus não entra para dar lugar ao mundanismo absoluto. Porém, esperemos que as forças de Francisco e a certeza de que pode ser possível uma Igreja outra, onde reine a seriedade e os valores do Evangelho, não esmoreçam com as misérias agora postas a nu. A história da Igreja Católica está cheia de miséria, mas também cheia de virtude, que apesar de tudo sempre foi capaz de superar a tragédia que parecia vir a acontecer.
O livro «Avareza», de Emiliano Fittipaldi, fala de fundações criadas para fins caritativos transformadas em sucursais económicas para aquisições de luxo e divulga o vasto património imobiliário do Vaticano espalhado não só por Roma, mas também em Itália, França, Grã-Bretanha e Suíça.
Num outro livro, «Via Sacra», de Gianluigi Nuzzi (que em 2012 divulgou os documentos roubados pelo mordomo de Bento XVI), são revelados relatórios secretos e gravações não autorizadas do próprio Papa durante uma reunião em que Francisco lamenta o aumento de funcionários na estrutura vaticana e mostra-se irritado pela derrapagem nas contas.
Lembro que na segunda-feira passada, o Vaticano anunciou a detenção de monsenhor Lucio Angel Vallejo Balda e de Francesca Chaouqui, respetivamente secretário e membro da Comissão relativa ao estudo e orientação sobre a organização das estruturas económico-administrativas da Santa Sé (COSEA), instituída pelo Papa em julho de 2013 e posteriormente dissolvida, após cumprir o seu mandato.
Sabendo da publicação dos dois livros o porta-voz de Santa Sé, padre Federico Lombardi, afirmou em comunicado à Comunicação Social o seguinte sobre as novidades bibliográficas: «Seria necessário ter a seriedade de aprofundar as situações e os problemas específicos, para reconhecer o muito que é completamente justificado, normal e bem administrado, incluindo o pagamento dos devidos impostos», refere o padre Federico Lombardi.
A seguir considerou que, «o caminho da boa administração, da correção e transparência, continua e avança sem incertezas. Esta é, evidentemente, a vontade do Papa e não falta no Vaticano quem colabore com ela, em plena lealdade e com todas as suas forças», refere o porta-voz.
Também considero que fazem falta livros e trabalhos aturados sobre o imenso trabalho que a Igreja faz em favor dos pobres em todo o mundo. A seriedade que a assiste em tantos dos seus membros que honestamente canalizam para os fins a que estão destinados os donativos que lhe são confiados. Há uma enorme preocupação nos milhares ou milhões de católicos preocupados em serem cidadãos de pleno direito, pagando os seus devidos impostos a tempo e a cumprirem todas as leis dos países onde vivem. 
A miséria está espalhada por todo o lado. Mas à máquina administrativa da mais alta instância da Igreja Católica, exige-se seriedade e honestidade, para que daí venha o exemplo para toda a Igreja e para todas as estruturas do mundo inteiro onde há necessidade de serem administrados os bens monetários ou outros.
Que Deus nos ajude e que o Espírito Santo nos guie.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Mais importante do que dar pode ser dar-se

Pequena reflexão para ajudar a interiorizar quem vai à missa no fim de semana...
Dar coisas é fácil. Mas, mais importante do que dar é preciso dar-se. Este é o grande desafio que as leituras da missa deste domingo nos lançam. O que dá do que lhe sobeja, nada lhe custa, o que dá nas suas necessidades, é mais custoso e parece que diante de Deus tem mais valor. Os escribas de antes e de agora, gostam de destaque social e de muitas palmas, depois das benesses que vão fazendo. Nada disso Jesus valoriza, para grande desconcerto destes.
Perante esses desejos de louvores, Jesus faz sobressair a atitude do pobre que dá, embora dê pouco, mas fá-lo com interioridade e discretamente. Quantos exemplos destes encontramos pela vida fora. Não vamos deixar de salientar que felizmente encontramos pessoas que têm muitos bens e praticam dádivas com generosidade e discretamente, mas outros há que desejam ser bajulados e paparicados porque deram alguma coisa.
O desprendimento não é um valor fácil de se viver. Muita gente, na sua penúria sabe governar a sua vida de tal forma que chega para si, para os seus e ainda lhes sobra para partilhar com os outros. Uma certeza há, a quem muito dá, nada lhe falta. Com Deus é assim.
O primeiro texto da missa deste domingo prova que Deus dá à humanidade, especialmente, os simples, os humildes e os pobres vida em abundância. Todos os dias somos confrontados com propostas de vida fácil e de felicidade garantida para sempre, mas, quase sempre tais aliciamentos nos conduzem ao desencanto, à frustração, à escravidão, à dependência, à desilusão… Não é à volta de muito dinheiro, do carro, da casa, do tacho que conseguimos sabe Deus como, menos à volta do currículo académico que ostentamos, das palmas e honras que nos são atribuídas que devemos construir o que queremos ser. Só a descoberta do sentido da vida e a verdadeira felicidade nos liberta de toda a forma de escravidão.
Neste sentido, o Papa Francisco deu-nos esta frase maravilhosa: «Quantos desertos tem o ser humano de atravessar ainda hoje! Sobretudo o deserto que existe dentro dele, quando falta o amor a Deus e ao próximo, quando falta a consciência de ser guardião de tudo o que o Criador nos deu e continua a dar».
Tudo o que é deste mundo se não está ao nosso serviço faz de nós criaturas submissas e vergadas à vontade alheia. Escravos mesmo. Deus não deseja isso para nós, porque não nos quer desgraçados, mas libertos e felizes.

O conservadorismo contra a Igreja de portas abertas

Destaque de um extraordinário artigo de Francesco Peloso no site DOMTOATAL: «As tropas ultratradicionalistas não aguentam: o papa que veio do fim do mundo não as agrada, nunca lhes agradou, para dizer a verdade, só que agora o ruído de fundo, o descontentamento que se sentia como um rumor à distância, explodiu.
O papa não é católico, acusam elas, é quase um herege, melhor; elas se aproximam, assim, das clássicas posições sedevacantistas dos lefebrvianos, a Fraternidade São Pio X, que continua sendo, para muitos deles, um ponto de referência.
O ponto de inflexão foi o Sínodo sobre a família ou, melhor, os dois Sínodos: por muito tempo, a ala conservadora mais intransigente cultivou o objetivo de frustrar o projeto reformista do papa que colocava fora de jogo a doutrina concebida como ideologia: quem está em regra está dentro; todos os outros estão fora. Nada de misericórdia, nada de amor de Deus, nada de acolhida: portas fechadas, e não se fala mais disso». LER AQUI
Mas, no entanto, «Além disso, não há revolução que não crie conflitos, e o papa sabe muito bem disso. Assim, o próximo Sínodo poderia ter como tema – sugeriu o cardeal Óscar Rodríguez Maradiaga, próximo do pontífice – a descentralização da Igreja, ou seja, a potencialização do papel das Conferências Episcopais nacionais, das dioceses individuais, dos sínodos continentais. Uma Igreja capaz de discutir sobre tudo, portanto, em que o papa seria a garantia da unidade. Em tal projeto certamente há pouco espaço para os ditames da Cúria vaticana».
E mais ainda, melhor do que ninguém sabe o Papa Francisco do que se está a passar e denuncia-o com clareza: «Por fim, o papa deu um golpe indireto, mas bem mirado, nos seus detratores, falando de Dom Óscar Arnulfo Romero, o bispo assassinado por grupos armados de extrema direita em El Salvador em 1980 e que se tornou símbolo da luta evangélica contra a opressão dos mais pobres.
O seu martírio, disse o papa, continuou até mesmo depois da morte: "Uma vez morto – eu era um jovem sacerdote e fui testemunha disso – ele foi difamado, caluniado, sujado. O seu martírio continuou até mesmo por parte dos seus irmãos no sacerdócio e no episcopado. Eu não falo por ter ouvido falar. Eu ouvi essas coisas."
Em suma, Bergoglio começa a tirar algumas pedras dos sapatos e se prepara, enquanto isso, para o Jubileu da Misericórdia». 
Nota da redação: Quanto a nós, continuemos firmes na esperança e que a convicção da oração nos anime na certeza que a «revolução» do Papa Francisco está no caminho de Deus e que se alimenta do Seu Espírito. É esta a luz da nossa oração pelo Papa.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Cheias no Algarve são a fúria da natureza demoníaca

Calvão da Silva ainda quentinho como ministro a prazo, arregaçou as mangas e vai por aí abaixo enfiado nas galochas até Albufeira, Quarteira e Boliqueime pisar a lama para dizer ao país o seguinte sobre a abundância de chuva que os céus derramaram sobre estas terras do Sul do país: é a «fúria demoníaca da Natureza»; é que «Deus nem sempre é amigo».
Ministro Calvão da Silva, ficamos esclarecidos quanto ao catolicismo que o assiste. Mais ainda ficamos seguros que veio «do fundo do tacho», como denunciou Constança Cunha e Sá na TVI24, aliás, com a melhor classificação que ouvi nos últimos tempos. Passos Coelho rapou-o no fundo do tacho, para ter um tacho, que lhe dá importância e manifestar o quanto revela o que ele cresceu a partir da pobreza, «é alguém», é um exemplo a seguir, porque foi pobre e agora é rico, explicou meio gago a um comerciante aflito que não tinha seguro que cobrisse a tragédia do seu negócio.
Porque será que todos os governos nos últimos tempos têm que ter alguém que é uma anedota? – Deve ser para suavizar a crise e a austeridade… Porque é sempre melhor ser apertado a rir do que a chorar.
Vamos ao que interessa. Para ficar bem na foto da sua solidariedade com os desgraçados, enterrou-se na lama e descobriu o bode expiatório das cheias, o verdadeiro culpado. Há nisto «A fúria da natureza que não foi nossa amiga. Deus nem sempre é amigo, também acha que de vez em quando nos dá uns períodos de provação». Ridículo e anedótico. Como é fácil invocar o além para atribuir as culpas da ganância do aquém.
Calvão da Silva com esta manifestação exacerbada de fé podia antes de ser tão ridículo, recorrido à reflexão do Papa Francisco que afirma o seguinte na Encíclica «Laudato Si» (Louvado Sejas): «Esta irmã clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. Crescemos a pensar que éramos seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la. A violência, que está no coração humano ferido pelo pecado, vislumbra-se nos sintomas de doença que notamos no solo, na água, no ar e nos seres vivos» (nº 2). Bingo.
Não critico nada que Calvão da Silva tenha assumido ser crente em Deus, que seja um fervoroso católico e que traga para a sua vida política as suas convicções de fé. Devia ser um princípio elementar, ninguém ter que esconder as suas convicções de fé. Às vezes encontramos umas hesitações ridículas e até uma certa vergonha anedótica daquilo que se é em termos de crença e de defesa de valores religiosos.
Porém, ninguém deve ser ridículo. A fé defende-se com inteligência. Deve-se ser cauteloso nas afirmações que se faz, para ser ridículo e anedótico, como foi este ministro.
Deus está com todas as vítimas da desgraça de Albufeira e de Quarteira, como está em todas as vítimas das tragédias que se vão dando por esse mundo fora todos os dias. Não se atribua as responsabilidades das asneiras que se vai fazendo neste mundo à «fúria demoníaca da natureza» nem muito menos para ao facto de algumas vezes «Deus não ser amigo». Não se trata disso. Trata-se de não se usar e abusar das coisas da natureza e quando a natureza busca aquilo que lhe pertence, achamos que o abusador ou explorador é a natureza e Deus. «Deus é sempre amigo» e está presente nas vítimas de todo o mal que há neste mundo, morre e ressuscita em cada vítima e exige responsabilidade a todos, para que o mundo seja cuidado respeitosamente em função de todos, para que a todos seja reconhecida dignidade para viverem o melhor possível na alegria e na festa que a vida pode ser. Havendo tragédias, à humanidade é pedida solidariedade e vontade para arrepiar caminho, não voltando a cometer as mesmas asneiras se ficar provado que a tragédia resultou disso mesmo.
Este foi mais um exemplo entre tantos outros que se vai contando por todo o lado, onde a fúria da natureza se volta contra a humanidade, porque a inteligência deu lugar à ganância e à loucura que se pode tudo mesmo até roubar os espaços que pertencem às forças da natureza. Há regras que são invioláveis e as que pertence à natureza deviam ser absolutamente sagradas.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

O pior lugar da morte está dentro de cada um de nós

Dia dos Fiéis Defuntos…
Morrer é «ir para a casa do Pai/Mãe», exatamente, como pediu o Papa João Paulo II no leito da doença e da morte, quando antevia todas as possibilidades para prolongar a vida neste mundo. Restava «a casa do pai», livre de todo o sofrimento e da morte. Sabendo antecipadamente que aí sim, o lugar da vida verdadeira, segundo o ensinamento do grande Apóstolo São Paulo.
De que Pai se fala quando se fala de «ir para a casa do pai»? - O Pai da verdade suprema, que nos ama e chama para si aqueles que nós amamos muito. Este Deus, como se de uma crueldade aparente se tratasse, tira-nos o melhor que o mundo tem, mas não é assim, dado que Ele é grande e cheio de amor. Mas, colhe para si os melhores, porque precisa deles para outros rumos e outras tarefas. De modo nenhum podemos ser egoístas e não permitir o andamento da vida de acordo com o Seu Criador. E como nos ensina o teólogo Alemão Hans Urs von Balthasar, fica-nos esse convite para a esperança e para a fé: «Os que amam são os que mais sabem de Deus». Por isso, Deus é amor e quem ama não morre. Mas vive eternamente. Não permitamos que o sombrio lugar da morte, cheio de hipocrisia e às vezes de tantas falsidades, não nos tolhe a lucidez com o medo e nos faça viver sob os tremores da morte que tanto travam os passos da vida.  
Vinícius de Morais:
A morte vem de longe
Do fundo dos céus
Vem para os meus olhos
Virá para os teus
Desce das estrelas
Das brancas estrelas
As loucas estrelas
Trânsfugas de Deus
Chega impressentida
Nunca esperada
Ela que é na vida
a grande esperada!
A desesperada
Do amor fratricida
Dos homens, ai! dos homens
Que matam a morte
Por medo da vida!