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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

O Planeta Terra está moribundo

É assim. O mundo está em mutação rápida de mais. Não é que o mundo e a natureza estarem em mudança constante que me faça surpreender. Está em alteração climática, porque se implementou um sistema de desenvolvimento humano todo ele baseado na exploração predatória das matérias primas que a natureza fornece.
Por isso, reparemos na ironia desta notícia: «A Cimeira do Clima que está a decorrer em Paris obrigou a deslocar à capital francesa cerca de 50 mil pessoas, entre participantes oficiais e outros colaterais (empresários, activistas, estudantes, jornalistas, etc.), de 195 países. Esta gente toda deslocou-se sobretudo de avião, o que representa uma "pegada de carbono" da ordem das 300 mil toneladas de CO2 em emissões para a atmosfera». Dá muito que pensar... Todo o sistema está mal, porque sacrifica o planeta e coloca sobre ele um elevado custo.
Mais adiante a mesma notícia refere que «Ao serem queimados, cada um destes 102 milhões de litros de combustível libertou para a atmosfera 9,5 quilos de dióxido de carbono (CO2). Tudo somado, os aviões que voaram para Paris por causa da Cimeira do Clima terão libertado cerca de 287,5 mil toneladas de CO2 para a atmosfera, calcula o especialista.
A isto ainda há que juntar as emissões de hotéis, restaurantes, espaços de lazer e as deslocações de carro e táxi entre aqueles estabelecimentos e os locais das reuniões.
Ainda que pareça uma enormidade, o número calculado é apenas uma gota nas emissões anualmente produzidas pelo mundo inteiro: representa apenas 22 segundos do total das emissões globais». São impressionante estes cálculos.
Neste sentido, embora ajudem nalguma coisa o rol de cimeiras que já conta o mundo sobre as alterações climáticas, que pouco ou nenhuns efeitos têm produzido para travar a desgraça, mais importante seria investir forte nas energias renováveis e fazer uma aposta muito acérrima e séria na educação de todos os cidadãos do mundo. E a par de tudo  isto, seria necessário fazer uma mudança de paradigma quanto ao desenvolvimento que temos vindo a seguir.
O problema é universal, o remédio tem que ser nesse âmbito. E não basta pensar e ficar à espera que a solução venha dos governantes, não virá seguramente, estão amarrados pelos grandes interesses económicos e pelas políticas consumistas que têm que levar a cada em cada um dos seus países para saciarem a fome do lucro cego da alta finança que os sustenta. A solução tem que vir dos cidadãos, dos povos e da humanidade inteira. A pressão tem que vir daí e a mudança de comportamentos também fará o seu caminho. Assim, deverá ser, porque está provado que o desenvolvimento baseado no consumo desenfreado não faz bem ao Planeta Terra e está mais que provado que não faz a humanidade ser mais feliz..
Obviamente, que o progresso humano tem que continuar. Mas que seja todo ele baseado na educação para a paz contra todas as formas de violência que têm conduzido a humanidade para o absurdo da barbárie. E também deve ser importante cada pessoa por si ganhar uma consciência ecológica, que a faça respeitar o meio ambiente, poupar os recursos naturais e usá-los com medida, recusar o consumo cego e lutar pela paz, suscitando à sua volta um clima de saudável convívio para que a vida se desenvolva com a qualidade desejada, porque conduz à alegria da felicidade e à festa da fraternidade.
Todos somos responsáveis pela situação moribunda do Planeta Terra e todos devemos ser também o remédio para salvarmos da morte «a mãe terra» que nos sacia o corpo e alma. É disso que se trata quando falamos de uma «casa comum» a ficar em ruínas.

sábado, 28 de novembro de 2015

A vingança

Para o fim de semana. Sejam felizes sempre sem prejudicar ninguém.
é um sopro incandescente
asa veloz que não pensa
nunca foi nobre
todas vezes é inútil
encegueira todo o horizonte
quando cospe copiosamente
em chama o ódio feio
dando conta que o sujeito
dessa tenebrosa ação já morreu
para sempre.
José Luís Rodrigues

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

A vigilância e a vinda

COMENTÁRIO O A MISSA NO 1º DOMINGO DO TEMPO DO ADVENTO - ANO C
É este o Tempo do Advento, aquele tempo que nos prepara para o encontro com o homem, empoeirado, de barbas raladas e grandes, passando ao lado de um rio, que está ali diante de todos nós. E Ele da outra margem faz-nos um aceno afetuoso, certo que em nós existe abertura suficiente para acolher uma graça, um dom ou uma possibilidade de redenção. É isso o Natal.
O Tempo do Advento, são as quatro semanas que antecedem o Natal. Uma das palavras fortes deste tempo, é a palavra vigiar e de preparação para uma vinda, uma chegada de alguém que vem aos nosso encontro, revelar-nos a salvação e o caminho melhor que nos conduz à felicidade.
As palavras «vigiar e vinda» são interessantes, porque nos convidam a olhar a realidade da vida e do mundo com esperança, como algo seguro que nos mostra uma luz verdadeira, nem que seja ao fundo túnel desta existência carregada de tantos pesadelos difíceis de encarar. Eles são a crise, a austeridade, o desemprego, o empobrecimento, a fome, a guerra/terrorismo e tudo o que nos rodeia de menos bom que não abre horizontes razoáveis para o futuro de todos nós, especialmente, as crianças e os jovens. Porém, nada pode ser o fim, está sempre lá no fundo a luz da salvação, basta confiar e acreditar na pessoa que nos aponta nessa direção, Jesus Cristo.
Este é o tempo da expectativa do «ainda não», mas que nos remete para a certeza do «já» presente na história. Neste contrabalançar expectante, descortinamos vias de possibilidades sempre novas que nos conduzem ao nascimento da vida em cada pessoa que não hesita em abrir-se ao sublime da vida transcendente. Essa é a vida revelada pelo nascimento do Filho de Deus.
Neste tempo de preparação vigilante, somos chamados a dizer não a tudo o que ofusca a luz. Não a todo o género de violência, a todo o desrespeito pelos outros, às crises que nos cerceiam a liberdade e nos remetem para o medo do futuro, não aos gastos desnecessários para o Natal, não ao individualismo e ao carreirismo tolo que gera muita injustiça, não à veneração do ego como valor da atividade frenética que caracteriza o nosso tempo, não à espiritualidade privatizada e solitária...
Eis o tempo em que devemos procurar uma luz que nos torne mais solidários, mais amigos uns dos outros, para que o nosso contributo de mundo melhor seja um desafio que tomamos a peito todos os dias. Porque, o Natal, ou faz da humanidade uma família ou nunca passará de uma festa que enche o olhos e nada mais. Que este tempo nos faça tomar a sério a sabedoria africana que diz: «Uma pessoa torna-se pessoa através de outras pessoas». A vigilância e a espera da vinda devem levar-nos sempre à construção do Bem-Comum.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

A profanação da Eucaristia

Não me lembro qual foi o professor que nas aulas do curso de Teologia insistia que as hóstias consagradas estavam acima de qualquer profanação. O Santíssimo Sacramento, pelo seu altíssimo valor, supera qualquer desrespeito ao elemento do pão usado na Eucaristia. Por isso concluo que a profanação da Eucaristia só acontece se alguém proclamar que há profanação. Só há profanação quando alguém admite que tal aconteceu.
Daí o meu espanto perante esta proclamação do arcebispo de Pamplona: «Profanação gravíssima que ofende a fé, sentimentos e prejudica a liberdade religiosa», porque um «artista» utilizou 240 hóstias consagradas para executar uma «obra de arte». E vai mais longe o Arcebispo de Pamplona e bispo de Tudela, Francisco Perez, convocou para esta quarta-feira (hoje) duas missas de reparação em resposta à exposição sacrílega «Desenterrados» do artista Abel Azcona, que utilizou mais de 240 hóstias consagradas para escrever a palavra «pederastia» num projeto denominado «Amém».
Melhor publicidade não podia ter a «dita profanação», a exposição. Obviamente, que os promotores da exposição não esperavam outra coisa senão mesmo uma reação acutilante e empolgante da entidade eclesiástica. Daí que a publicação da ofensa veio dar mais projeção e contribuir para que mais público venha ver a exposição. A coisa religiosa quando dá polémica vale ouro. Neste caso não será diferente.
Alguns dirão que quem não se sente não é filho de boa gente. É verdade. Mas não será melhor fazer valer outra atitude diante de uma realidade que se pretende ser divina? – Porque se trata de uma realidade divina deve estar muito acima de qualquer profanação ou ofensa deste mundo. Bastava dizer isso. Assim, mantenho a ideia de que em relação à Eucaristia e em relação a todas as coisas consideradas sagradas ou consagradas, o que isso é e representa está muito, mas mesmo muito acima de qualquer desrespeito que alguém entenda infligir. Até porque em cada missa podem estar as piores pessoas do mundo, mas não deve isso significar que a dimensão divina que esse gesto representa venha a ser beliscado. 
Deus é maior do que tudo e a ninguém designou para definir o que O ofende a partir de elementos materiais. Até porque o «corpo de Deus» é profanado todos os dias nas vítimas da violência, no desrespeito das crianças inocentes, nos indefesos marginalizados que este mundo todos os dias profana votando ao sofrimento e à morte, só porque se organizou de forma injusta e não se importa nada com o bem comum. É por causa destas profanações que eu gostava que se organizasse missas de reparação. 
O mais interessante desta suposta profanação, era saber se a ofensa está verdadeiramente no facto de terem sido roubadas (profanadas) hóstias ou se a ofensa a advém da denúncia que a «obra» do «artista» pretende escarrapachar? – Tomou-me esta dúvida.   

terça-feira, 24 de novembro de 2015

A felicidade

Para ler saboreando... Deus compensa sempre as falhas da natureza e as contrariedades que a vida deste mundo oferecem.
Nada tem mais impacto e mensagem do que um facto real e vivo. A vida oferece-nos momentos de angústia, de dúvida, de dor e de desespero. Algumas vezes sentimo-nos sós, desanimados, pensando ter perdido “o endereço da esperança”. 
São momentos de sofrimento que atingem todas as pessoas, mesmo as mais poderosas, as mais ricas, as mais belas. Encontramos este estado de alma num dos maiores compositores musicais de todos os tempos: Luís Beethoven, nascido em Bonn, na Alemanha.
A sua infância e adolescência cresceram num ambiente de carência afectiva. Sua mãe morreu muito jovem e seu pai morreu de alcoolismo.
Beethoven começou muito cedo a sentir uma surdez progressiva, que o deixava abatido e irritado. Usava umas cornetas acústicas aplicadas nos ouvidos para conseguir ouvir. Trazia consigo um caderno de anotações em que as pessoas escreviam o que desejavam comunicar-lhe.
Mas, notando que as pessoas não o acolhiam nem o ajudavam, o compositor passou a isolar-se completamente. Caiu em profunda depressão, quer pela doença que avançava, quer pela morte de um príncipe seu benfeitor, que lhe pagara os estudos. Chegou mesmo a redigir um testamento, dizendo que iria suicidar-se. 
A ajuda que mais o encorajou veio-lhe de uma moça cega que morava na mesma pensão modesta para onde Beethoven se transferira. Mas ela o comovia quando lhe gritava repetidamente: “eu daria tudo para ver uma noite de luar”. Beethoven emocionava-se e reflectia : “afinal eu posso ver. Posso escrever as minhas pautas musicais “. A vontade de viver renasceu e, para dar alegria àquela moça amiga, criou uma das suas mais belas composições: “Sonata ao luar!” Já completamente surdo compôs o “Hino à alegria”, exprimindo a sua gratidão a Deus por não ter caído na tentação do suicídio e pela graça de encontrar aquela jovem invisual. Quantas vezes a infelicidade de outros poderá ser alavanca da nossa alegria, da nossa realização, da nossa felicidade!                                           Mário Salgueirinho

Tenho medo do homem de um só livro

 Admirável figura...
Tomás de Aquino: 
Dê-me, Senhor,
agudeza para entender,
capacidade para reter,
método e faculdade para aprender,
sutileza para interpretar,
graça e abundância para falar.
Dê-me, Senhor,
acerto ao começar,
direção ao progredir
e perfeição ao concluir.
Quem foi
São Tomás de Aquino foi um importante teólogo, filósofo e padre dominicano do século XIII. Foi declarado santo pelo papa João XXII em 18 de julho de 1323. É considerado um dos principais representantes da escolástica (linha filosófica medieval de base cristã). Foi o fundador da escola tomista de filosofia e teologia.
Tomás de Aquino buscou utilizar a filosofia grecolatina clássica (principalmente de Aristóteles) para compreender a revelação religiosa do cristianismo.
Nascimento
São Tomás de Aquino nasceu na cidade de Roccasecca (Itália) em 1225.
Morte
São Tomás de Aquino morreu na cidade de Fossanova (Itália) em 7 de março de 1274.
Principais obras
- Scriptum super sententiis
- Summa contra gentiles (Suma contra os gentios)
- Summa theologiae (Suma Teológica)
Frases
- "O primeiro degrau para a sabedoria é a humildade."
- "Tenho medo do homem de um só livro."
- "Para aqueles que têm fé, nenhuma explicação é necessária. Para aqueles sem fé, nenhuma explicação é possível."

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Quando o fundamentalismo é católico

Pois, já não deveria existir... Mas existe. O fundamentalismo também às vezes vem dos meios católicos. Vamos a vinte momentos onde podemos considerar quando o fundamentalismo é católico.
1. Quando há gente pretensamente com muita fé e anunciar que têm Jesus no coração, considerando-se por isso melhores que toda a gente. Tudo inventam para menosprezar o trabalho dos outros e alimentam-se da intriga ou da maledicência irresponsavelmente sem que tenham em conta o mais elementar princípio de educação, que é respeitar os outros;
2. Quando só esses tais consideram que só o que fazem é que está bom e serve a fé, o que os outros fazem e vivem, porque não lhes permitiu brilharem, não serve para nada;
3. Quando há gente que se convenceu que só eles é que sabem o que é a fé e podem por isso designar onde está ou não Jesus, pois, se outra coisa lhes escapou e sai do seu fechado pensamento, deve ser banido;  
4. Quando vemos que a prática religiosa não corresponde nada com a prática da vida social, profissional e familiar;
5. Quando não há lugar para o diferente e para a diversidade;
6. Quando semeiam o medo face ao mundo e às suas sempre plurais nuances;
7. Quando não temos lugar para refugiados. Já temos pobres e sem abrigo que chegue;
8. Quando só dizem obedecer ao Papa quando Ele fala de fé, mas reagem negativamente se o Papa desafia à militância contra a injustiça e à luta pelo bem comum da humanidade;
9.Quando são compassivos e quase compreensivos perante o terrorismo que resulta do fundamentalismo islâmico;
10. Quando apontam que a religião deve ser folclore e sentimentalismo apenas;
11. Quando fazem das igrejas por onde saltitam redutos do proselitismo;
12. Quando não há espaço e momento nenhum para descortinar vestígios de Deus nas expressões culturais da humanidade;
13 Quando se faz verdade absoluta as mentiras que proclamam em nome das fezadas que alimentam para ganharem dinheiro e darem nas vistas;
14. Quando já são santos aureolados e se convenceram que lhes nasceu asas nas costas, não passam pelo pecado, porque pecadores são só os outros;
15. Quando passam a vida a dizer mal de tudo e de todos os que não fazem parte do seu grupo;
16. Quando consideram que as asneiras que fazem e dizem é a suprema sabedoria e que estão sempre inspirados pelo divino;
17. Quando descobriram que sem eles o mundo não avança e alimentam-se da inveja que se expressa no dizer por dizer asneiras contra o trabalho dos outros;
18. Quando fazem da religião uma pastilha elástica, enquanto dura o doce aguentam bem e os que proporcionam o doce são postos nos cornos da lua, mas quando o doce acaba, são remetidos ao inferno como se fossem os piores diabos;
19. Quando a vida deixa de ser um prazer para ser vivido na liberdade, sem que nenhuma mediação de Deus oprima;
20. Quando a «misericórdia deixou de estar na base do ser cristão» (Papa Francisco) e vivem dominados pelo pensamento único e, por isso, não permitem a criatividade ou a ousadia do Evangelho que é sempre Nova para cada tempo novo que a história sempre nos vai revelando;
Desventurados sejam todos aqueles e aquelas que se alimentam desta massa tenebrosa. Mesmo assim... Rezemos e lutemos contra o fundamentalismo, que não luta com bombas e balas, mas luta contra as palavras do rancor e do ódio. O veneno que continua a destruir o mundo e a humanidade.