“Da boca dos pequeninos e das criancinhas de peito preparaste um louvor para
ti” (Mt 21,16).
No dia 28 de dezembro, a Igreja celebra os Santos Inocentes, ou seja, o
martírio das crianças de Belém e arredores, massacradas por ordem de Herodes,
que desejava matar o menino Jesus (Mt 2,16-18).
I. O ódio de Herodes
Herodes, chamado “o Grande”, vê-se incomodado pela notícia do nascimento do
rei dos judeus, a quem os Magos procuravam para adorar e oferecer presentes.
Como os Magos não voltaram a Jerusalém para lhe dizer quem era o Menino,
Herodes decreta a morte de todos os meninos de até dois anos de idade, da
cidade de Belém. Hoje há tantas vítimas do ódio e da vontade de domínio de
alguns que vivem insaciáveis quanto ao poder
e que não olham a meios para saciar as suas fomes pessoais, que tantas vezes
são meros caprichos irrelevantes.
II. Morrem por causa de Jesus
Jesus veio para dar-nos a vida, mas ainda não era
chegada a hora da sua Paixão e Morte. No lugar do Menino Jesus, que foge para o
Egipto com José e Maria, morrem as crianças de Belém. Derramam o seu sangue por
Cristo, que veio para derramar o seu sangue por elas. Hoje, são imensas as
vítimas inocentes que morrem diariamente porque não podem ser baptizadas e nem
sequer pronunciar o nome: Jesus.
III. Ainda não falam, e já proclamam Cristo
“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos” (Jo
15,13). Os Santos Inocentes ainda não sabem falar, mas dão testemunho de Cristo
pela sua morte. Nós, hoje, devemos falar de Cristo, viver como Cristo, mas
sobretudo viver em Cristo e morrer com Cristo.
IV. Os sofrimentos dos pais
As crianças de Belém morreram contra a vontade dos seus pais, que
deploraram a matança dos seus filhos decretada por um rei tirano. Toda a
matança de inocentes é uma barbaridade. Tantas vezes as mães destes inocentes
carregarão uma culpa para a vida inteira sem que nenhuma mediação humana possa
purificar essa culpa. Hoje, são imensas as mães que se encontram privadas do
convívio dos seus filhos, porque lhes foram tirados dos braços, para serem
vítimas inocentes da loucura dos adultos perversos.
V. Os soldados executores
Herodes não matou os bebés pessoalmente. Ordenou que soldados os matassem.
Estes, embora vissem a monstruosidade da ordem do rei, preferiram obedecer-lhe,
talvez por receio de receberem algum castigo. Hoje não são os governantes em
pessoa quem pratica abortos e outras formas de morte de inocentes que este
mundo apresenta. Eles têm os seus executores. Por exemplo, os nossos hospitais
que se converteram em lugares de morte por causa da irresponsabilidade, dos
cortes financeiros e simplesmente porque alguém que devia cumprir o seu dever e
não cumpre. Há mortes a acontecerem todos os dias e a todas as horas à nossa
volta que podia ser evitadas...

VI. O valor do sangue
Nenhuma terra se envergonha de ter mártires. Roma não
tem que se envergonhar por ter sido o local do martírio dos apóstolos Pedro e
Paulo. A terra de Belém e seus arredores só têm que se gloriar de ter entre os
seus habitantes as crianças massacradas pela crueldade de um tirano. O sangue
delas é sangue de bênção e de vida. Mas, a situação muda totalmente quando se
trata do sangue derramado em virtude de umas leis injustas, medidas desumanas aprovadas
por parlamentares eleitos pelo povo e por governos reconhecidos pela comunidade
local e internacional. Hoje há disto em quase todos os países do mundo.
VII. A inocência dos mártires
Os mártires de Belém morreram sem terem cometido qualquer pecado. Morreram na
inocência própria da infância. Hoje, há fetos que são mortos deliberadamente,
uma enxurrada de campanhas para corromper e roubar a inocência a tantas
crianças inocentes, tantas vítimas da pedofilia de loucos criminosos que até
podem ser pais, padrastos, madrastas, padres e tanto maluco que a sociedade
gera por todo o lado. E não esqueçamos as tantas vítimas da fome, da guerra e
da pornografia.
VIII. As crianças que sobram
Se Belém tivesse, ao tempo de Cristo, cerca de mil habitantes, talvez tenham
morrido uns quarenta meninos. Na mente de Herodes, tais crianças não fariam
falta. Poderiam morrer, contanto que, entre eles, estivesse o rei dos judeus,
que ameaçava o seu trono. Também hoje se pensa que as crianças podem ser
descartadas e que até podem ser abusadas. A mentalidade infelizmente não parece
ter mudado muito quanto a este dado. A mentalidade que há gente que sobra
continua a marcar a mente em todos os tempos, porque se continua a promover a
morte como medida para satisfazer os caprichos de alguns, mesmo que isso
implique cercear a vida dos inocentes.
IX. As crianças, imagem de Deus
O desejo supremo do demónio é matar a Deus. Como Deus é imortal, ele investe
contra a imagem de Deus, que é a humanidade. Por isso, o demónio é “homicida
desde o princípio” (Jo 8,44). Entre os homens, os que mais e melhor reflectem
a imagem de Deus são as crianças. Isso explica o desejo insano de matá-las a
qualquer custo. O que fez Herodes na época de Jesus, já havia sido feito pelo
Faraó no Egipto há mais de mil anos. E hoje, o massacre repete-se em tantos
lugares que deviam ser geradores de vida com dignidade, mas afinal convertem-se
em antecâmaras da morte, especialmente, de inocentes crianças no mundo inteiro.
Adaptado de um texto do Pe. Luiz Carlos
Lodi da Cruz