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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Colhe um dia de cada vez

Assim homenageio todos os que gastam algum tempo a ler este Banquete da Palavra. Sejam felizes sem prejudicar ninguém e acolham o ano novo com esperança. Semeemos a paz e tudo virá depois com valor acrescentado. Um abraço fraterno e amigo para todos... 
Trilhos novos nos dias do momento
Que se encadeiam solenemente
Um após outro no fio do tempo.

Esta hora da vergôntea podada
É o olhar e a visão do sonho novo
Redimido o que foi em cada ferida sarada.

Os olhos fixam-se no fruto maduro
Está escondido o fermento da esperança
E sem hesitar desvela destemido o futuro.

Os passos no agora são o que auguro
Mesmo com a insegurança no incerto
Cada momento fica o que somos é tudo.

É eterna a hora que não para nós já vemos
Mesmo que confesse frágil a existência nossa
Semeia e colhe no dia em que vivemos.
José Luís Rodrigues

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

O que é a Paz?

Cuidado que a azafama do final do ano velho pode perturbar o que se deseja celebrar no dia 1 de janeiro do ano novo. Por isso, não esqueçam que se trata do Dia Mundial da Paz.
A paz é uma realidade interior e exterior que toda a humanidade procura. Alguns autores separam uma paz da outra, mas outros, numa perspectiva mais conciliadora, entendem que uma não é sem a outra.
A doutrina da Igreja Católica sobre esta matéria, também entende claramente que a paz exterior é fruto da paz interior. Ou seja, uma não é sem a outra, estão ambas as dimensões da paz ligadas entre si. Santo Agostinho, no Livro 19 da «Cidade de Deus», deu-nos a primeira definição de Paz, que vai influenciar todas as definições posteriores: «A Paz de todas as coisas é a tranquilidade na ordem». Depois procurou exemplificar com nove casos, que vão desde «a paz da alma racional» à «paz dos cidadãos», passando pela «paz doméstica». Em tudo, há que fixar e lidar com dois elementos cruciais: a harmonia e a ordem.
A primeira é a tranquilidade desejada nesse estado de alma que todas as criaturas anseiam. E a ordem, como diz Santo Agostinho, é «a disposição que segundo as semelhanças e diferenças das coisas confere a cada uma o seu lugar». Assim sendo, definiremos, a paz interior como a tranquilidade do espírito individual, proveniente da ordenação das coisas do mundo e da vida. Sem deixar de mencionar que os aspectos da consciência em comunhão de amizade com Deus, com os homens e com o Universo, são elementos essenciais para esse pleno encontro com a harmonia interior da pessoa.
A segunda, que é a paz exterior (social) será a boa e tranquila convivência com todas as coisas para tal ordenadas. Esta é a paz que Deus quer oferecer a todos.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Vence a indiferença e conquista a paz

«Vence a indiferença e conquista a paz». É o título da mensagem para o quadragésimo nono dia mundial da paz, o terceiro do pontificado de Francisco, dia 1 de janeiro de 2016.
A indiferença em relação às chagas do nosso tempo é uma das causas principais da falta de paz no mundo. A indiferença hoje é muitas vezes ligada a diversas formas de individualismo que produzem isolamento, ignorância, egoísmo e, por conseguinte, falta de compromisso. 
O aumento das informações não significa por si só aumento de atenção aos problemas, se não for acompanhado por uma abertura das consciências no sentido solidário; e para esta finalidade é indispensável a contribuição que, além das famílias, podem dar os professores, todos os formadores, os agentes culturais e os meios de comunicação, os intelectuais e os artistas. 
A indiferença só pode ser vencida enfrentando juntos os desafios. A paz deve ser conquistada: não é um bem que se obtém sem esforços, sem conversão, sem criatividade e confronto. Trata-se de sensibilizar e formar ao sentido de responsabilidade relativo a questões gravíssimas que afligem a família humana, como o fundamentalismo e os seus massacres, as perseguições por causa da fé e da etnia, as violações da liberdade e dos direitos dos povos, a exploração e a escravização das pessoas, a corrupção e o crime organizado, as guerras e o drama dos refugiados e dos migrantes forçados. 
Esta obra de sensibilização e formação considerará, do mesmo modo, também as oportunidades e possibilidades para combater estes males: o desenvolvimento de uma cultura da legalidade e a educação ao diálogo e à cooperação são, neste contexto, formas fundamentais de reacção construtiva.
Quem desejar ler na íntegra o texto do Papa Francisco pode carregar a partir da AQUI...
Destaco o seguinte: «Vivendo nós numa casa comum, não podemos deixar de nos interrogar sobre o seu estado de saúde, como procurei fazer na Carta encíclica Laudato si’. A poluição das águas e do ar, a exploração indiscriminada das florestas, a destruição do meio ambiente são, muitas vezes, resultado da indiferença do homem pelos outros, porque tudo está relacionado. E de igual modo o comportamento do homem com os animais influi sobre as suas relações com os outros, para não falar de quem se permite fazer noutros lugares aquilo que não ousa fazer em sua casa».

Deus

Brilhante reflexão de Tolentino Mendonça sobre Deus. Ler AQUI
Destaque: «O que é que distingue a experiência crente? Talvez apenas isto: compreender que somos procurados, que a nossa fome de verdade é já encontro, que a nossa carência de absoluto é já contacto com o infinito. Quando falamos sobre Deus damos razão à frase do “D. Quixote” que garante: não é a estalagem quem mais nos ensina, mas sim a estrada».

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Os Santos Inocentes de ontem e os de hoje

Da boca dos pequeninos e das criancinhas de peito preparaste um louvor para ti” (Mt 21,16).
No dia 28 de dezembro, a Igreja celebra os Santos Inocentes, ou seja, o martírio das crianças de Belém e arredores, massacradas por ordem de Herodes, que desejava matar o menino Jesus (Mt 2,16-18).

I. O ódio de Herodes
Herodes, chamado “o Grande”, vê-se incomodado pela notícia do nascimento do rei dos judeus, a quem os Magos procuravam para adorar e oferecer presentes. Como os Magos não voltaram a Jerusalém para lhe dizer quem era o Menino, Herodes decreta a morte de todos os meninos de até dois anos de idade, da cidade de Belém. Hoje há tantas vítimas do ódio e da vontade de domínio de alguns que vivem  insaciáveis quanto ao poder e que não olham a meios para saciar as suas fomes pessoais, que tantas vezes são meros caprichos irrelevantes.
II. Morrem por causa de Jesus
Jesus veio para dar-nos a vida, mas ainda não era chegada a hora da sua Paixão e Morte. No lugar do Menino Jesus, que foge para o Egipto com José e Maria, morrem as crianças de Belém. Derramam o seu sangue por Cristo, que veio para derramar o seu sangue por elas. Hoje, são imensas as vítimas inocentes que morrem diariamente porque não podem ser baptizadas e nem sequer pronunciar o nome: Jesus.
III. Ainda não falam, e já proclamam Cristo
“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos” (Jo 15,13). Os Santos Inocentes ainda não sabem falar, mas dão testemunho de Cristo pela sua morte. Nós, hoje, devemos falar de Cristo, viver como Cristo, mas sobretudo viver em Cristo e morrer com Cristo.
IV. Os sofrimentos dos pais
As crianças de Belém morreram contra a vontade dos seus pais, que deploraram a matança dos seus filhos decretada por um rei tirano. Toda a matança de inocentes é uma barbaridade. Tantas vezes as mães destes inocentes carregarão uma culpa para a vida inteira sem que nenhuma mediação humana possa purificar essa culpa. Hoje, são imensas as mães que se encontram privadas do convívio dos seus filhos, porque lhes foram tirados dos braços, para serem vítimas inocentes da loucura dos adultos perversos.

V. Os soldados executores
Herodes não matou os bebés pessoalmente. Ordenou que soldados os matassem. Estes, embora vissem a monstruosidade da ordem do rei, preferiram obedecer-lhe, talvez por receio de receberem algum castigo. Hoje não são os governantes em pessoa quem pratica abortos e outras formas de morte de inocentes que este mundo apresenta. Eles têm os seus executores. Por exemplo, os nossos hospitais que se converteram em lugares de morte por causa da irresponsabilidade, dos cortes financeiros e simplesmente porque alguém que devia cumprir o seu dever e não cumpre. Há mortes a acontecerem todos os dias e a todas as horas à nossa volta que podia ser evitadas...
VI. O valor do sangue
Nenhuma terra se envergonha de ter mártires. Roma não tem que se envergonhar por ter sido o local do martírio dos apóstolos Pedro e Paulo. A terra de Belém e seus arredores só têm que se gloriar de ter entre os seus habitantes as crianças massacradas pela crueldade de um tirano. O sangue delas é sangue de bênção e de vida. Mas, a situação muda totalmente quando se trata do sangue derramado em virtude de umas leis injustas, medidas desumanas aprovadas por parlamentares eleitos pelo povo e por governos reconhecidos pela comunidade local e internacional. Hoje há disto em quase todos os países do mundo.
VII. A inocência dos mártires
Os mártires de Belém morreram sem terem cometido qualquer pecado. Morreram na inocência própria da infância. Hoje, há fetos que são mortos deliberadamente, uma enxurrada de campanhas para corromper e roubar a inocência a tantas crianças inocentes, tantas vítimas da pedofilia de loucos criminosos que até podem ser pais, padrastos, madrastas, padres e tanto maluco que a sociedade gera por todo o lado. E não esqueçamos as tantas vítimas da fome, da guerra e da pornografia.
VIII. As crianças que sobram
Se Belém tivesse, ao tempo de Cristo, cerca de mil habitantes, talvez tenham morrido uns quarenta meninos. Na mente de Herodes, tais crianças não fariam falta. Poderiam morrer, contanto que, entre eles, estivesse o rei dos judeus, que ameaçava o seu trono. Também hoje se pensa que as crianças podem ser descartadas e que até podem ser abusadas. A mentalidade infelizmente não parece ter mudado muito quanto a este dado. A mentalidade que há gente que sobra continua a marcar a mente em todos os tempos, porque se continua a promover a morte como medida para satisfazer os caprichos de alguns, mesmo que isso implique cercear a vida dos inocentes.
IX. As crianças, imagem de Deus
O desejo supremo do demónio é matar a Deus. Como Deus é imortal, ele investe contra a imagem de Deus, que é a humanidade. Por isso, o demónio é “homicida desde o princípio” (Jo 8,44). Entre os homens, os que mais e melhor reflectem a imagem de Deus são as crianças. Isso explica o desejo insano de matá-las a qualquer custo. O que fez Herodes na época de Jesus, já havia sido feito pelo Faraó no Egipto há mais de mil anos. E hoje, o massacre repete-se em tantos lugares que deviam ser geradores de vida com dignidade, mas afinal convertem-se em antecâmaras da morte, especialmente, de inocentes crianças no mundo inteiro.

Adaptado de um texto do Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Natal

Sejam felizes e isso basta para fazer valer a vida e o mundo…
Nasceu a paz
a inocência nos foi dada.
É Mistério da aliança
que fecunda o mundo
cria a esperança.
Diz é Natal. Diz é Festa.
Melhor ainda é o sentido,
cantem as nossas almas.
Se depende da boa vontade,
nada está perdido.

Sejam estes os sonhos teus e meus,
és crente, ateu, agnóstico, anti Deus…
Não nos importam tais definições,
se no mundo não existir matança.
Para nós basta que pulse nos corações,
o brilho comovente de uma criança.
José Luís Rodrigues

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Os pequenos nadas

Para nos ajudar a criar o «espírito natalício», que é o melhor presente de Natal...
Numa tira de banda desenhada, uma criança contava a uma amiga que, para este Natal, tinha pedido aos seus pais que não lhe oferecessem presentes, mas antes «espírito natalício», e que eles tinham ficado desconcertados, sem entender nem saber o que fazer. A pergunta deve provocar em nós a pergunta: o que é o «espírito de Natal?» - Acho que pode ser o seguinte... Feliz Natal e Boas Festas para todos os leitores do Banquete da Palavra.
Há pequenos nadas que têm grande influência sobre as pessoas: sobre os seus actos, sobre o seu relacionamento, sobre a sua vida toda.
Marta casou-se e a mãe ofereceu-lhe entre outra coisas, uma pequenina caixa vermelha, de cor desgastada pelo uso.
Colocou-a numa prateleira da cozinha e pediu várias vezes ao marido que não a abrisse porque continha umas ervas secretas oferecidas pela mãe, que davam cozinhados saborosos.
É claro que estas recomendações aguçavam imenso a curiosidade do marido, que sempre que passava junto da caixinha lhe lançava um olhar guloso de saber o que estava lá dentro.
Marta, sempre que cozinhava ou confecionava algum bolo abria a pequena caixa, metia a mão e em seguida, como arte mágica, aspergia sobre a carne ou o peixe ou a massa do doce em preparação... Mas o marido nunca via sinais de ervas sobre a comida, que era sempre esplêndida, como aliás reconhecia toda a gente que lá comia.
Certo dia, Marta adoeceu e o marido levou-a ao hospital onde ficou internada. Quando ele regressou a casa, procurou no frigorífico alguma coisa para comer. Levantou o olhar para a caixinha misteriosa. Não resistiu à tentação. Pegou nela com todo o cuidado. Abriu receosamente. E ficou espantado. Não continha ervas nenhumas, nem sinais delas. Apenas viu no fundo um papelinho dobrado.
Abriu-o cautelosamente e reconheceu logo a caligrafia da sogra.
E sentindo um calafrio de emoção leu a frase lá escrita: «Marta, a tudo o que fizeres acrescenta uma pitada de amor!»
Descobriu então o segredo que fazia saborosa e feliz a vida naquela casa humilde...
E vale a pena cada um de nós adoptar este segredo miraculoso: juntar uma pitada de amor - de devoção, de generosidade - a tudo o que fazemos: na vida familiar, na vida profissional, em todas as dimensões da nossa vida...
Mário Salgueirinho