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terça-feira, 12 de janeiro de 2016

A chave para abrir portas é a misericórdia

A revolução de Francisco continua...
«O Nome de Deus é Misericórdia», nome do livro que nos dá mais um contributo para que a Igreja abra os braços a todas as realidades da vida... Leitura a não perder. Diz o Papa Francisco que quando está diante de reclusos sente que ele próprio também merecia estar preso. Uma das revelações do novo livro do Papa, que é editado na terça-feira.
Hoje terça-feira é lançado em todo o mundo o mais recente livro do Papa Francisco, "O Nome de Deus é Misericórdia", resultante de uma longa entrevista com o jornalista Andrea Tornielli.
Ao longo de vários capítulos, Francisco analisa o conceito de misericórdia, tema central do seu pontificado e a que recentemente decidiu dedicar um jubileu extraordinário, que começou a 8 de Dezembro, prolongando-se até Novembro deste ano.
No livro, do qual a Renascença publica aqui alguns excertos, Francisco escreve que o sentimento de vergonha diante da misericórdia de Deus é uma graça, compara os conceitos de pecado e de corrupção, dizendo que não são sinónimos, e confessa que quando está diante de reclusos sente que ele próprio também merecia estar preso.
Pode ler aqui alguns excertos do livro, que é lançado mundialmente na terça-feira, em simultâneo em 86 países. Em Portugal, a edição está a cargo da Planeta.
A vergonha é uma graça
“Posso ler a minha vida através do capítulo 16 do livro do profeta Ezequiel. Leio aquelas páginas e digo: mas tudo isto parece escrito por mim. O profeta fala da vergonha, e a vergonha é uma graça: quando alguém sente a misericórdia de Deus, tem uma grande vergonha de si próprio, do seu pecado.
(…)
Aquele texto de Ezequiel ensina a sentires-te envergonhado, faz que te possas envergonhar: com toda a tua história de miséria e de pecado, Deus permanece fiel a ti e ajuda-te a levantar. Sinto isso.
(…)
Penso no padre Carlos Duarte Ibarra, o confessor que encontrei na minha paróquia a 21 de Setembro de 1953, no dia em que a Igreja celebra o São Mateus apóstolo e evangelista. Tinha dezassete anos. Senti-me recebido pela misericórdia de Deus quando me confessei com ele. (…) Morreu no ano seguinte. Ainda me lembro que depois do seu funeral, quando regressava a casa, me senti como se tivesse sido abandonado. E chorei muito naquela noite no meu quarto. Porquê? Porque perdera uma pessoa que me fazia sentir a misericórdia de Deus.”
- do capítulo I
Merecia estar preso
O Papa é um homem que precisa da misericórdia de Deus. Disse-o sinceramente, inclusive perante os prisioneiros de Palmasola, na Bolívia, perante aqueles homens e aquelas mulheres que me receberam com tanto afecto. Relembrei-os de que também São Pedro e São Paulo estiveram presos. Tenho um especial carinho pelos que vivem na prisão, privados da liberdade. Fiquei muito ligado a eles, por esta consciência do meu ser pecador. De cada vez que entro numa prisão para celebrar uma missa ou para uma visita, tenho sempre este pensamento: porquê eles e não eu? Devia estar aqui, merecia estar aqui. A sua queda poderia ser a minha, não me sinto melhor do que os que tenho perante mim. Por isso repito e rezo: porquê ele e não eu? Poderá impressionar, mas consolo-me com Pedro: renegara Jesus e apesar disso foi escolhido.
- do capítulo IV
A Igreja como hospital de campanha
Porque existe o pecado no mundo, porque a nossa natureza humana está ferida pelo pecado original, Deus que nos doou o seu Filho, só se pode revelar como misericórdia.
Deus é um pai zeloso, atento, pronto para acolher qualquer pessoa que dê um passo ou que tenha o desejo de dar um passo na direcção de casa. Ele está ali a observar o horizonte, espera-nos, está já à nossa espera. Nenhum pecado humano por muito grave que seja pode prevalecer sobre a misericórdia ou limitá-la.
Acompanhando o Senhor, a Igreja é chamada a transmitir a sua misericórdia a todos os que se reconhecem pecadores, responsáveis pelo mal praticado, que se sentem necessitados de perdão. A Igreja não está no mundo para condenar, mas para permitir o encontro com aquele amor visceral que é a misericórdia de Deus. Para que isso aconteça, repito-o muitas vezes, é necessário sair. Sair das igrejas e das paróquias, sair e ir procurar as pessoas onde elas vivem, sofrem, esperam. O hospital de campanha, a imagem com a qual gosto de descrever esta situação “Igreja em saída”, tem a característica de estar onde se combate: não é a estrutura sólida, dotada de tudo, onde se vai curar as pequenas e grandes doenças. É uma estrutura móvel, de primeiros socorros, de intervenção imediata, para evitar que os combatentes morram. Pratica-se a medicina de urgência, não se fazem check-up especializados. Espero que o Jubileu Extraordinário faça emergir cada vez mais o rosto de uma Igreja que redescobre as entranhas maternas da misericórdia e que vai ao encontro de muitos “feridos” necessitados de compreensão, perdão, amor e de serem ouvidos.
- do capítulo V
Pecado v. Corrupção
A corrupção é o pecado que em vez de ser reconhecido como tal e de nos tornar humildes, se ­tornou sistema, torna-se um hábito mental, uma forma de vida. Não sentimos necessidade de perdão e de misericórdia, mas justificamo-nos e aos nossos comportamentos. (…) O pecador arrependido, que depois cai e recai no pecado por motivo da sua fraqueza, encontra novamente perdão quando reconhece que necessita de misericórdia. O corrupto, por sua vez, é aquele que peca e não se arrepende, aquele que peca e finge ser cristão, e com a sua dupla vida provoca escândalo.
(…)
Embora muitas vezes se identifique a corrupção com o pecado, na realidade trata-se de duas realidades diferentes, apesar de interligadas. O pecado, sobretudo se reiterado, pode levar à corrupção, mas não quantitativamente – no sentido que um determinado número de pecados não fazem um corrupto –, quando muito qualitativamente: criam-se hábitos que limitam a capacidade de amar e levam à auto-suficiência. O corrupto cansa-se de pedir perdão e acaba por acreditar que não deve pedir mais. (…) Uma pessoa pode ser uma grande pecadora e no entanto pode não ter caído na corrupção. Aludindo ao Evangelho, penso no exemplo das figuras de Zaqueu, de São Mateus, da samaritana, de Nicodemo, do bom ladrão: nos seus corações pecadores todos tinham alguma coisa que os salvava da corrupção. Estavam abertos ao perdão, o seu coração pressentia a sua fraqueza, e isto foi a abertura que permitiu entrar a força de Deus. O pecador, ao reconhecer-se como tal, de alguma forma admite que aquilo a que aderiu, ou adere, é falso. Por sua vez, o corrupto esconde aquilo que considera o seu verdadeiro tesouro, aquilo que o torna escravo, e disfarça o seu vício com a boa educação, arranjando sempre uma forma de salvar as aparências.
- do capítulo VII
In Rádio Renascença

sábado, 9 de janeiro de 2016

Mutação

Para o o nosso fim de semana. Sejam felizes sem prejudicar ninguém.
Os nomes soltam-se nos caminhos
onde passava os meus desejos
quando chovia esperança pela mão
na violenta correnteza do vento norte
porque vi num sobressalto
as plantas tremeram com esta fusão.

Muitas vezes vi grilhões 
aprisionarem o campo liso
e o medo quando nos prende
a uma condição a leveza do sorriso.

Os sons, os tons, todas as sensações
que descansam na proa do tempo
mesmo que apenas sentido neste presente
só porque ousamos deixar guiar para sempre
a luz serena deste pensamento.
José Luís Rodrigues

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Quando a notícia é o drama

Os tempos continuam difíceis para muita gente. Os dramas são em catadupa. Cada dia um pior que o outro. Vamos tendo conta disso pelos meios de comunicação social. Entre nós o suicídio está a ganhar contornos de calamidade, embora silenciosa. É preocupante que tenhamos que saber quase diariamente entre nós de pessoas de todas as idades, que o único caminho que encontram para resolver os seus problemas, mesmo que sejam extremamente bicudos, tenha que ser o suicídio.
Andamos muito mal neste domínio. Muita coisa que temos e fazemos, falham redondamente no que diz respeito à transmissão de valores ou à perda deles... O que falhou? O que falta?
Obviamente, que fico chocado com o drama que se passou ontem (dia de Reis, 6 janeiro de 2016) no Lombo de São João na Ponta de Sol. Ninguém de bom senso vê uma barbaridade destas com ânimo leve e os pensamentos à volta desta tragédia são completamente confusos.
Um drama que os nossos tempos consideram ser necessário noticiar. Assim fizeram vários órgãos de comunicação social regionais e nacionais. Porém, chamou-me a atenção o facto de perante as câmaras de televisão as pessoas estarem a chorar amargamente. A notícia sobre o drama converteu o drama na notícia. O que nos interessantes que os vizinhos venham chorar para a televisão? O que adianta ao caso? – Se vermos pessoas a chorar por causa dos dramas humanos é assim tão importante, vão aos cemitérios onde todos os dias não falta a criatividade à volta de choros e gritos de toda a ordem.  
A meu ver não seria necessário tanto. Pasmar em silêncio com as câmaras em punho gravando o choro e a expressão dramática dos populares chocados com a desgraça da vizinha, não me parece que acrescente mais nada à notícia.
É grave que este aproveitamento se faça, porque quando o drama se converte na notícia facilmente a opinião pública faz claramente os seus juízos de valor. Uns serão bons outros serão maus. As circunstâncias, as causas e todos os meandros passados e presentes deixam de existir. Não gosto nada que a sociedade, a minha sociedade, esteja a caminhar assim. E muito mau será que quem tem o dever de informar não tenha esta preocupação.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

O poder das lágrimas

As lágrimas do presidente dos Estados Unidos da América foram notícia. Por isso, são a notícia. Mas que não as convertamos em pérolas arrancados do coração do mar. Nem muito menos estas lágrimas fazem dormir as flores, sob o vento frio ao longo da costa dos Estados Unidos, quer a costa que se estende para os lados do Pacífico quer a costa que sobe pelo lado do Atlântico Sul passando pelo Golfo do México até ao gélido Ártico.
Não foram poucos os autores que fizeram os seus personagens chorarem nos penhascos de Half Dome ou nos penhascos de Kalaupapa, no Havaí, onde passeavam em lágrimas. Estes penhascos continuam áridos e inóspitos sob o céu ameaçador que cobre o mundo inteiro, onde a floresta das armas cresce pujante, correspondendo cada vez mais à sede e fome insaciável da ganância e do ódio que mata a sangue frio tantos inocentes.   
O presidente chora. Os famosos também choram. Sabem o que é a dor. Sabem o que é o sofrimento. Sabem que as armas matam pessoas todos os dias neste mundo carregado de armas mortíferas… Sabem que uma mãe e um pai com um filho morto nos braços experimentam um sofrimento indescritível. Ninguém terá dúvidas quanto a tudo isto.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sabe que no seu país as armas ressoam alto e têm semeado a morte contra tantos inocentes. As lágrimas do presidente são uma admiração, porque anunciou em lágrimas medidas, contornando a frequente vontade dominadora do Congresso Norte americano que se opõe às medidas agora anunciadas para dificultar a venda de armas. Merece por isso o nosso aplauso, porque concordamos com o presidente que «não estamos aqui para discutir o último massacre, mas para tentar evitar o próximo», disse com as lágrimas a escorrerem no rosto.
Porém, deve também fazer chorar este presidente e os do mundo inteiro, não só quando nos seus países morrem massacradas 20 crianças, mas também pelos milhares delas que morrem todos os dias no Afeganistão, Paquistão, Iraque, Líbia, Palestina, Síria, entre tantos outros países. Trata-se de encontrar medidas universais que ponham fim a todo o género de violência.
Porque não podemos agora aplaudir o presidente dos Estados Unidos que inteligentemente consegue contornar o poder do Congresso para implementar quatro medidas contra o comércio das armas no seu país, mas ao mesmo tempo o mesmo presidente, dá cobertura a massacres pelo mundo fora, permitindo a venda de armas a grupos terroristas sanguinários ou apoiando governantes sem escrúpulos que ordenam massacres contra o seu próprio povo. Enquanto tal não acontecer, as lágrimas do presidente Obama e de qualquer governante com responsabilidade em assuntos de armas de qualquer país, converter-se-ão sempre em lágrimas de crocodilo.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Luz para o ano de 2016 para o ser cristão católico

Uma reflexão que nos ajuda a buscarmos o mais importante para que deixemos bem claro qual é o testemunho do ser cristão católico. Pode ser lida AQUI esta brilhante reflexão. Obrigado Orlando de Carvalho.
Destaco o seguinte: «Penso num homem leigo que dedicou parte da vida a uma comunidade paroquial e termina a vida sozinho numa ala hospitalar sem qualquer cuidado da comunidade que serviu.
Penso nos padres e leigos caluniados dentro das suas comunidades e penso nos que são injustamente encobertos dos seus crimes.
Cristão não é o que batendo a mão no peito grita a sua fé eterna e inabalável. Cristão é o que proclama o Evangelho e mostra o Reino dos Céus com o testemunho da sua vida quotidiana.
Penso nas famílias das crianças da catequese que, convencidas que os catequistas são trabalhadores remunerados, nem uma flor oferecem a quem tanto dá aos seus filhos ou netos». Bravo...

FALECEU O PADRE ISIDRO RODRIGUES

O Padre ISIDRO RODRIGUES, sacerdote diocesano da Diocese do Funchal, faleceu no dia 03 de Janeiro, durante manhã, no hospital do Funchal. Tinha 85 anos de idade, e era natural de São Martinho, concelho do Funchal. Nasceu no dia 15 de Maio de 1930, era filho de Feliciano Baptista Rodrigues e de Iria da Silva Baptista. Foi baptizado no dia 29 de Maio de 1930 e confirmado a 27 de Setembro de 1936. Depois do percurso formativo no Seminário foi ordenado diácono a 14 de Março de 1959 e Sacerdote, no dia 15 de Agosto do mesmo ano.
Dentro dos serviços eclesiásticos que desempenhou, na Diocese do Funchal, destacamos os seguintes:
- Coadjutor e Pároco das Paróquias da Piedade e do Espirito Santo:
de Outubro de 1959 a Janeiro de 1962.
- Pároco da Paróquia da Madalena do Mar:
de Janeiro de 1962 a Março de 1968.
- Pároco da Paróquia do Faial:
de Março de 1968 a Janeiro de 1975.
- Pároco da Paróquia de Santana:
de Janeiro de 1982 a Setembro de 1999.
- Pároco da Madalena do Mar:
de Setembro de 1999 a Setembro de 2009.
A sua vida de serviço do Evangelho deixou um testemunho de pastor e de fidelidade à Igreja, nomeadamente no acompanhamento espiritual dos fiéis que lhe estavam confiados, e sobretudo na sua vida dedicada ao ensino e à educação, em várias escolas onde lecionou.
A Diocese agradece o seu serviço presbiteral à Igreja e sua dedicação de pastor ao Povo de Deus.

FUNERAL
O Senhor Bispo do Funchal, D. António Carrilho, presidirá à eucaristia de corpo presente, na Igreja Paroquial de São Martinho, de onde o Padre Isidro era natural, na quarta-feira, dia 06 de Janeiro, pelas 11h00. Após esta celebração seguirá o cortejo fúnebre para a Igreja Paroquial da Madalena do Mar, onde será celebrada a Eucaristia, pelas 15h00, seguida de funeral para o cemitério daquela paróquia, segundo vontade expressa pelo próprio. O corpo do Rev.do Padre Isidro Rodrigues estará em câmara ardente, a partir das 10h30, na Igreja Paroquial de São Martinho.
Que o Senhor o receba na Sua Paz!
Secretaria Episcopal,  Diocese do Funchal, 04 de Janeiro de 2016

sábado, 2 de janeiro de 2016

Um Deus que nasce para nos fazer renascer

O dia da Epifania é, tradicionalmente chamado, o Dia de Reis.
A Epifania é o reconhecimento dos direitos messiânicos de Jesus de Nazaré por não-judeus, é a manifestação de Jesus ao mundo pagão.
Uma tradição mais tardia falou de Reis Magos, aplicado a estes sábios que vieram do Oriente adorar o Menino, e pretendeu com isso, provavelmente, reforçar a glória de Jesus Cristo.
Este menino, que nasceu não tem dono. Foi enviado por Deus ao mundo por meio de uma mulher, para toda a humanidade. A grande mensagem que nos fica deste Dia dos Reis resume-se a esta novidade: Deus nasce não apenas para alguns mas para todos os homens.
O Deus Menino é a luz celeste (Ouro) que se abaixa até ao mais fundo da humanidade para a elevar para o alto (Incenso); e é o Deus santo e fonte de santidade (Mirra) que pretende santificar não apenas um povo mas todos os homens e mulheres do mundo.
É surpreendente e quase comovedora esta abertura de Deus e arrasa todas as tentativas de apropriação de uma realidade que não pertence a ninguém, porque não é deste mundo. Vem do lugar santo de Deus para elevar e divinizar todos os homens. Não será em descabido lembrar que Santo Ireneu confirmou que em Jesus nós tornamo-nos «deuses», isto é, divinizou-se a humanidade.
A Epifania é o outro nome pelo qual se redescobre o acontecer de Deus e para que essa luz nos ilumine a fé e a esperança como caminho que nos leve à relação de amor com todos os que se cruzam na nossa vida. 
A mensagem da paz e do amor, sinal do presépio, são ecos de Deus que ressoam do Seu coração para todos os recantos deste mundo sedento de salvação. Deixemos, pois, Deus acontecer e manifestar a sua graça a todo o mundo, que pelo nosso empenho se renova para o bem universal. 
Trata-se de um Deus que se faz pequenino, para nos fazer a todos grandes para o amor. Por isso, que se inscreva esta certeza: «Sempre que nasce uma criança é sinal de que Deus ainda acredita no ser humano». Nós precisamos também de acreditar verdadeiramente nisso para valorizarmos «o melhor do mundo», que são as crianças segundo o enorme pensamento poético de Fernando Pessoa.