Convite a quem nos visita

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

A fraternidade é um valor esquecido

Este texto de opinião, publicado pela IMISSIO, é muito bom. Faz uma análise certeira sobre os valores que nortearam a humanidade nos últimos séculos, centrando o pensamento na questão basilar da Revolução Francesa: «A igualdade, a liberdade e a fraternidade». A igualdade e a liberdade foram assumidas como categorias políticas e reclamadas como valores essenciais para a convivência humana nos últimos dois séculos. Porém, a fraternidade foi remetida ao esquecimento. Segundo esta análise, a fraternidade urge como valor essencial para o século XXI, que não pode continuar votado ao esquecimento. Aliás, considero que não vejo alternativa para os graves problemas do mundo de hoje senão que se tenha que passar também pela via da fraternidade. Obviamente, que não será como um milagre que solucione todos os problemas, mas nenhuma solução será possível se não estiver recheada com o valor da fraternidade. O texto que se segue aponta elementos reflexivos que nos autorizam perfeitamente esta convicção. A não perder. 
Texto de IMISSIO (06/02/2016
A fraternidade: um antídoto para a alienação, para a crise e para o terror
Em muitos aspectos, as primeiras décadas do século XXI foram uma repetição de políticas autoritárias, do desejo de conquista e de vingança, de ideologias políticas alienadas (nazismo, socialismo, marxismo, etc) que marcaram o final do século XIX e a primeira metade do século XX. Parece que o ser humano não aprendeu com todo o horror vivido no século XX e, por isso, no século XXI ele está repetindo, em níveis e escalas diferentes, os mesmos erros e as mesmas políticas autoritárias desse século.
Não se deseja apresentar uma solução mágica, fácil e rápida para esse complexo sistema de crises, erros e de problemas. No entanto, apresenta-se a fraternidade como uma real possibilidade de ser um antídoto para o amplo conjunto formado pela alienação, pela crise e pelo terror. Um conjunto que, como uma sombra negra e maligna, assombra o século XXI.
A fraternidade é um nobre princípio que afirma que todo ser humano, imagem do Criador, deve ser solidário, procurar compreender e ajudar o seu semelhante. Essa ajuda vai desde as tarefas do cotidiano, passando por problemas (doença, prisão, loucura, viuvez, criação dos filhos, aconselhamento matrimonial, etc) até chegar aos níveis mais distantes do cotidiano, como, por exemplo, os refugiados das guerras do Oriente Médio, a fome na África, a juventude drogada e alienada na Europa e nos EUA e outros. Trata-se de um princípio, o ser fraterno, que está estabelecido desde os gregos antigos, com a noção de ajuda mútua dentro da Pólis, passando pela pregação de Jesus Cristo e pelo cristianismo, até chegar à modernidade com a revolução francesa (1789-1799), a qual tinha como lema a celebre frase: “Liberdade, igualdade, fraternidade”.
Como demonstra o jurista Lafayette Pozzoli “Liberdade, igualdade, fraternidade” foram princípios interpretados pela revolução francesa politicamente, marcando a história do Ocidente moderno. Enquanto a liberdade e a igualdade foram assumidas como categorias políticas, a fraternidade teve outro destino. Enquanto a liberdade foi o tema político do século XIX, a igualdade foi o tema central das preocupações das políticas e das ideologias do século XX, a fraternidade foi reduzida a um segundo ou terceiro plano, não sendo central nos debates políticos, filosóficos e jurídicos do mundo moderno. É por isso que o pensador Antonio Maria Baggio afirma que a fraternidade é o princípio esquecido dentro do mundo moderno.
Por si só a fraternidade não poderá resolver os graves problemas e crises vividos pelo homem e pela sociedade moderna. No entanto, é necessário que a fraternidade deixe de ser o princípio esquecido. O mundo moderno só irá superar a alienação, a crise e o terror se tiver a coragem de voltar a pensar, a refletir e, acima de tudo, experimentar novamente a fraternidade. O clamor do Apóstolo Paulo, quando afirma que o ser humano deve ter e estar cheio de “misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. Suportai-vos uns aos outros” (Colossenses 3, 12), deve novamente ecoar dentro do coração do ser humano. Sem a experiência da fraternidade será difícil construir um mundo melhor, melhor do que foi as duas grandes guerras mundiais e todo horror vivido ao longo do século XX.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

O sabor da terra

Para o nosso fim de semana. Sejam felizes sempre sem prejudicar ninguém.
Todos os meus dedos mergulharam
destemidos a profundidade da terra
resultava que parecia uma guerra
que as bombas tinham estilhaçado
naquele ribombar destrutivo de loucura.

Não. Não era guerra...
Tinha sido a escavadora da esperança
que as mãos traduziram no húmus removido
para que fosse mais uma vez plantada
com alegria a energia escondida da vida
que cada planta testemunha
naquela hora em que é ainda criança.

Mais tarde nesse canteiro enfeitado
no momento determinado
sem contar as horas anteriores
e sem que se saiba qual essência milagrosa
nasceram pujantes folhas e flores.
Por isso este deslumbramento profundo
fez em mim um sorriso do tamanho do mundo.
José Luís Rodrigues

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Lançar as redes no mar da vida

Pequena reflexão para quem vai à missa (e não só) no fim de semana. Este é o domingo V tempo comum...
Em Jesus nada está perdido. Tudo tem uma saída. Por isso, no mesmo lugar onde os Discípulos tinham pescado toda a noite sem apanharem nada, Jesus vai mandar que de novo Pedro deite as redes, e parece que a grande quantidade de peixe pescado foi tal que as redes se romperam, segundo o testemunho de Lucas.                          
O medo abateu-se sobre Pedro e os companheiros perante o atuar de Deus pela mão de Jesus. A palavra de Jesus soa vibrante até ao fundo da alma: «não temas». É uma coisa terrível o «ter medo» perante as coisas extraordinárias que Deus realiza. Queremos Deus no nosso coração, mas Deus «mete medo». A seguir vem o medo perante a vida e as coisas deste mundo. Um «monstro» que se instala no coração das pessoas. Todo o medo mata o pensamento e a liberdade de ação. O medo atrofia a caridade, a partilha e pode não deixar que o amor seja o principal sentimento vivido por cada um de nós perante a missão que nos foi confiada neste mundo. Livrar-se de todo o género de medo que nos persiga, é um desafio muito importante a ser vencido, para que a vida seja uma felicidade.
A abundância de peixe nas redes que Jesus mandou deitar ao largo significa como será grande a Igreja ou a comunidade dos cristãos que Jesus pretende levar a efeito, como realidade do encontro que se reúne para a salvação e para a interajuda, para que a ninguém falte pão sobre a mesa, roupa para se abrigar e casa para realizar a paz no encontro com a família.
Quem tem medo ou quem vive no medo não aceita Jesus como salvador e muito menos acolhe a Deus como Pai da misericórdia infinita. O medo não pode comandar a vida nem pode ser a única forma de educar para a vida. Infelizmente, ainda encontramos muitas famílias onde o medo é o único caminho de entendimento. Os esposos dirigem a sua casa com base no medo mútuo. Os filhos convivem com o medo de não agradarem os pais e por isso deixam de formar a sua personalidade e a sua história pessoal. As sociedades são tomadas pelo medo quanto ao futuro, a política partidária impõe domínio sobre os cidadãos impondo limites à liberdade de expressão e intolerância quanto ao contraditório e não se inibe de vociferar todo o género de ameaças contra a crítica. O medo da diferença e da diversidade tomou conta da vida de hoje.
O Deus que Jesus nos apresenta não é o Deus da derrota e da morte, mas o Deus das apostas duplas em todos e em cada um. Os medos são naturais e podem surgir no nosso coração a qualquer momento. Porém, se a nossa confiança em Cristo se revelar uma convicção segura, em nenhum momento nos deixaremos vencer. Neste sentido, não valem as certezas nos nossos planos pessoais nem muito menos valerá apregoar que sabemos tudo e que diante dessas certezas nada mais há que fazer. Jesus prova-nos ao contrário, há sempre uma possibilidade, mesmo até nos piores momentos ou circunstâncias da vida.
O medo para o cristão não existe. Jesus tira-nos do medo e remete o nosso coração e o nosso pensamento para a fé e para esperança. Não há outro caminho para conseguir êxitos na vida. Quem se pensa orgulhosamente só, está perdido e não vai muito longe. Mas quem se considera aberto ao encontro da fraternidade, vencerá todos os medos e chegará plenamente ao lugar de Deus Pai. Isso basta para ser a pessoa mais feliz do mundo e ser causa de felicidade para os outros. 

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Dez dicas contra a depressão

Deve ser assustador o número de pessoas que carregam o fardo pesado da depressão. A venda de antidepressivos dispara. É bem revelador a quantidade enorme de pessoas que nós vamos encontrando no dia a dia de rosto caído, sem vontade de sorrir nem muito com vontade, ânimo e esperança para fazer e refazer a sua vida. Está para provar se a maioria dos suicídios e até quiçá todos não derivam de um estado de depressão temporário ou crónico. Não me admiraria nada que a todas as mortes provocadas, esteja associada essa doença do foro psicológico, que afeta todas as fachas etárias. Encontrei na Agência Aleteia estas dez dicas que se forem vividas por todos nós podem ajudar a não cair na desgraça da depressão e quem sabe se mesmo depois de ter sido atingido por tamanha fatalidade, não resultarão para na cura, se forem postos em prática. Aqui estão, não deixem de ler e partilhar com alguém que esteja a carregar a cruz terrível da depressão.  
 1: Pense no seu bem-estar
Isso não quer dizer que deva tornar-se um egocêntrico, mas que precisa de dar um pouco mais de atenção à sua vida, para tudo aquilo que acontece à sua volta. Não menospreze nada que faça parte de si. Cuide-se.
2: Faça o que ama e, acima de tudo, aprenda novas coisas
Precisa ocupar o seu tempo com coisas que lhe agradam – música, livros, desporto, filmes, amigos – e que lhe façam pensar em coisas boas e agradáveis. Mas não se prenda a isso. Vá explorar novas oportunidades e aprender novas habilidades – tocar um instrumento, aprender uma nova língua – que com certeza lhe trarão muita alegria e sentimentos de satisfação.
3: Não tenha medo de errar
Ou não pense que tudo aquilo que faz está errado. Confie mais em si mesmo e arrisque mais. Ninguém é perfeito. As pessoas erram a todo momento. A diferença entre elas é que algumas nem reconhecem que erraram e fingem que nada aconteceu, enquanto outras – como é o seu caso – culpam-se e ficam desanimadas consigo mesmas. Deve reconhecer o erro e ver o que pode fazer para não repeti-lo. Aprenda e aceite que errar é humano. Pense sempre que é um ser humano.
4: Não se culpe por tudo
Esta dica relaciona-se um pouco com a dica anterior. É a velha história de que errar é humano. E é mesmo. Então para quê culpar-se? Quando nos arrependemos de verdade de um erro, podemos contorná-lo e seguir em frente. Sempre haverá novas possibilidades para aqueles que se arrependem, reconhecem e, acima de tudo, aprendem com os seus erros. Cada queda que levamos serve para nos ensinar novas lições. Se culpar é o mesmo que envenenar a própria alma. Esse sentimento só nos mata aos poucos.
5: Pense positivo e prepare-se para o pior
Esta dica é importante, porque a depressão promove sentimentos muito negativos e desanimadores. Não ceda a tais sentimentos. Sei que não é fácil. Precisa cultivar bons pensamentos e preparar-se para o pior, afinal nem sempre tudo ocorre como imaginamos. Ter esperanças, mas estar preparado para o retorno que pode ser negativo, nos ajuda a ser muito mais resilientes, ou seja, a superar muito melhor qualquer perda ou trauma que possa ocorrer na nossa vida.
6: Não leve a sério tudo o que dizem
Aprenda com as críticas. Geralmente, quem está numa crise tende a dar ouvidos a tudo o que as pessoas dizem. Abalam-se facilmente e não podem ouvir nenhuma crítica que desabam ainda mais. Tenha consciência de uma coisa: nem tudo o que os outros dizem realmente tem valor. Muitos só querem te prejudicar ainda mais. Seja mais autoconfiante. E quando receber críticas, analise com calma e veja se tem fundamento. Existem críticas que realmente vêm para o nosso benefício. Só nos cabe aceitá-las e corrigi-las para que possamos nos tornar pessoas cada vez melhores.
7: Aceite desafios
Saia da sua zona de conforto. Sei que é muito bom sentir segurança, mas é necessário nos permitir correr riscos, fazer coisas novas, experimentar novos sabores, viver novas experiências. Quando saímos da zona de conforto, percebemos o quão somos capazes de crescer e evoluir. Deixamos de ter aquele medo e aquela crença de que não somos capazes. Por que somos sim.
8: Esqueça os padrões que a sociedade impõe
Cada um é que sabe o que é melhor para si. E ponto final.
9: Procure rir mais de si mesmo
Deixe de ficar se autocriticando e pensando que deveria ser perfeito. Esqueça a perfeição. Olhe para si mesmo e para as suas trapalhadas e aprenda a rir disso. Garanto que a sua vida se tornará muito mais leve.
10: Ame
Permita-se amar. Não se isole no seu próprio mundo. Existem tantas pessoas esperando um minuto que for para estar consigo. Ame. Ame e ame.
In Aleteia

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

O Orçamento de Estado 2016

Não sou economista. Sou padre diocesano. Não devia estar a meter-me nestes assuntos mundanos. Devia falar de assuntos do céu, do além. Alguns rematam logo por aqui para fazerem recuar de dizer alguma coisa aqueles que não estejam formados nos assuntos térreos como são estes da economia.
Muita razão assiste a quem pensa desse modo, porque se repararmos bem não estudei o suficiente sobre uma matéria tão complexa e tão precisa como se revela muitas vezes os assuntos económicos. Porém, a escola da vida vai ensinando que sempre gerimos algumas coisas que implicam receita e despesa. Por aí aprende-se alguma coisa neste âmbito.
Mas não esqueço que Fernando Pessoa considerou: «Mais do que isto / é Jesus Cristo / que não sabia nada de finanças / nem consta que tivesse biblioteca». Não gosto de pegar nas palavras, venham de onde vierem, de forma absoluta. Vejamos, pela frase do poeta da «Mensagem», se alguém me considerar inábil para falar de economia, o que até pode ser verdade, outros, poderiam também considerar que não devia sequer aproximar-me de um livro ou até de uma biblioteca.
Mesmo assim tendo em conta as muitas razões para estar quieto no que diz respeito ao Orçamento de Estado 2016, escrutinar os números e outros considerando de ordem técnica, coisa que não me compete nem muito menos o sei fazer. Porém, posso engendrar alguns considerandos sobre o que está envolto quanto à forma como o orçamento do meu país tem que ser elaborado. Não é aceitável que tenha que ser de uma fora tão submissa, tão humilhante para o governo e para o país inteiro.  
Não pode ser aceitável, que tenhamos que ir ao encontro dos mercenários (os famosos eurocratas) da Europa, que duvido que saibam de finanças, como cordeirinhos pedinchar o aval sobre o orçamento que orienta a vida do nosso país. Estes funcionários do capitalismo selvagem sabem muito de economês e de dinheiro a rodos fruto da escarnação dos povos, isto é, não parece, pensarem que existe povos que precisam de viver com dignidade.
A coisa funciona assim, logo no início vai o esboço. Espera e desespera por um sim ou por um não. Eles é que sabem. A seguir negoceia-se ao abrigo de condições que eles impõem com pouca ou nenhuma margem de cedência. Até que por fim resulta não naquilo que podemos fazer, mas naquilo que eles entendem que devemos fazer. Esta «porra» do «Portugal bom aluno» foi a expressão mais irritante que se inventou para nos qualificarem na Europa.
Mas as coisas não são iguais para todos. Quem pode, porque é considerado grande, bate o pé e diz que não aceita. Os eurocratas tremem. Portugal não pode fazer isso. É pequeno. Não tem voz. É «bom aluno».
Ora façam-me um favor, batam o pé e aceitemos o que for razoável e imponhamos o que podemos fazer, face às condições criadas pela irresponsabilidade destes mercenários que comandam a Europa neste momento. Não podemos vender a nossa dignidade. Somos um povo digno. A nação mais antiga da Europa. Por isso, temos uma memória histórica para defender. Temos um povo que não se vergou às forças exteriores no passado, porque tem que fazê-lo agora...
O Papa alertou e bem para o seguinte: «Assim como o mandamento “não matarás” define um limite a fim de salvaguardar o valor da vida humana, hoje temos que dizer “tu não” para uma economia de exclusão e desigualdade». A economia que comanda a Europa neste momento, porque tem que saciar a ganância desenfreada de agiotas inumanos, caminha para o descalabro social, porque tem como princípio basilar a desigualdade e a exclusão. Tudo isto reflete-se nas políticas económicas desiguais que são impostas aos vários estados que compõem a União Europeia. As políticas de luta contra a pobreza são mínimas ou zero. O tratamento que é dado aos refugiados que chegam à Europa em que resulta senão que alimenta a xenofobia e a prostituição. Assim não…
Tenho uma enorme simpatia e respeito pelo ideal europeu. Mas não me revejo neste momento numa Europa que perde os valores humanistas, iluministas e cristãos que inspiraram os pais da União Europeia.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Mosquitos geneticamente modificados podem estar na base da propagação do vírus Zika

É o que dá mexer no que está quieto. Se for verdade, é muito grave...
Joaquim Semeano  •  Saúde
E se o agora famoso vírus Zika tiver sido originado pela libertação, na natureza, de mosquitos geneticamente modificados?
Enquanto a comunidade internacional especializada nestas questões epidémicas vai preparando mais uma vacina, outros cientistas procuram saber exatamente quais as causas do fenómeno que aterroriza, para já, o continente americano. E uma das hipótese levantadas é a de uma possível consequência de uma medida tomada em 2012, pela empresa britânica Oxitec, que libertou na natureza um grupo de mosquitos OGM com o objetivo de reduzir a população global dos mosquitos que tradicionalmente veiculam vírus como o da dengue, do Zika ou do chikungunya. É que, coincidência das coincidências, a região do Brasil onde se iniciou agora a propagação do Zika é exactamante aquela onde em 2012 aconteceu a do dengue e onde foram depois lançados os mosquitos OGM...
Segundo estes cientistas, a sub-espécie de mosquitos que transporta o Zika e o dengue é basicamente a que foi libertada pela Oxitec, com as variações OGM. E tudo deveria ter corrido bem se não tivesse acontecido algo inesperado, à boa maneira das ficções de Hollywood: os mosquitos da Oxitec, machos, deveriam criar uma prole que morreria antes de ser perigosa, devido à manipulação feitas nos seus genes; isto, desde que o antibiótico tetraciclina não estivesse presente, pois ele tem a capacidade para substituir o DNA geneticamente modificado. Ora, a tetracicilina pode ser encontrada na natureza, no solo, nas águas superficiais; da mesma forma, alguns especialistas admitem que, na natureza, os mosquitos OGM podem ter sido ingeridos por outros animais ou ter sofrido mutações inesperadas.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

O país do burro carrega duro e ainda agradece

Fui ler com mais atenção a seguinte notícia, depois da pancada valente que a Antena 1 me aplicou logo pela manhã, sobre a cabeça que até me deixou atordoado. Diz o seguinte: «O Governo liderado por Pedro Passos Coelho aprovou em outubro o aumento do salário de três membros do conselho de administração da entidade reguladora da aviação civil em cerca de 150%». A seguir especifica que a «decisão do anterior Executivo a remuneração mensal do presidente Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC), subiu de 6030 euros para 16.075, o salário do vice-presidente aumentou de 5499 euros para 14.468 euros e o da vogal passou de 5141 euros para 12.860».
Mas afinal o que é isto? - Para uns não falta dinheiro a rodos, para outros nunca há e a única opção que lhes é oferecida é a morte.
Isto lembra-nos ainda mais que estamos num país de gente nada séria. Não servem, muitos dos governantes, sequer para gerir um galinheiro. À sua mão as galinhas morrem todas de certeza, senão todas pelo menos a maioria.
Não vale a pena mais lembrar as desgraças da saúde, isto é, o pandemónio em que se tornaram muitos dos nossos hospitais, a desgraça da educação e o sofrimento em que estão mergulhadas muitas famílias portuguesas por causa do desemprego e da recusa da Segurança Social, porque não tem verba para apoiar as famílias que o país votou à miséria.
Por estas e por outras, os portugueses barafustam entre portas, nos cafés entre dentes e cada um para si vai remoendo a sua revolta, enquanto estes governantes loucos vão fazendo a folha à maioria e colocando no melhor dos mundos quem teve a sorte de nadar no quentinho dos serviços que dão sorte, porque fazem fretes aos inúteis e irresponsáveis que o povo elegeu para governar.
Enquanto tivermos um povo que passa a segunda feira inteira a falar de árbitros, de jogada assim ou assado na última jornada de futebol e da crispação artificial entre treinadores, este país não se endireita. Quando se berra a plenos pulmões por causa destas questões, existirá sempre uns governantes que à socapa farão valer as piores medidas contra o seu povo. Os responsáveis por este descalabro é todo o povo que perdeu a vontade de se reconhecer como povo com dignidade e não tem ânimo para lutar contra a injustiça.
É caso para dizer carrega burro e não te esqueças de agradecer a dádiva.