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Domingo, 3 de Junho de 2012

O corvo e mordomo do papa

Jornal da Madeira, 3 de Junho de 2012
Eu, abaixo assinado, padreco da Diocese do Funchal confesso 20 pecados que me acusa a consciência livre e o pensamento solto do amor à verdade e à justiça… Confesso:
1.   Ter estudado «graças à Igreja, às esmolas dos cristãos que vão às missas ou fazem doações, em moeda ou outra espécie, que não importa agora escalpelizar» (dito por Glberto Teixeira no pasquim Jornal da Madeira 3 de Junho de 2012) – se este escriba do regime soubesse quanto sacrifício passou a minha família para educar e preparar os filhos para a vida, nunca diria semelhante coisa. E pelo que sei e observo todas as famílias que deram sacerdotes à Igreja Católica passaram pelas mesmas dificuldades e sacrifícios.
2.  Não aceitar que um Jornal dito de católico, feito por gente que se diz católica, como é o caso deste escriba, se dedique à ofensa, ao boata e a aplicar nomes de calhau a uma parte de madeirenses, só pelo facto de não alinharem pela mesma bitola do poder e pensarem de modo distinto da maioria que tomou de assalto a Madeira, pretensamente legitimada com eleições. As maiores ditaduras também tinham eleições…
3.  Nunca ter votado no PPD-PSD da Madeira e não ter pregado no altar que devemos votar no partido das setinhas apontadas para o céu. Confesso, não ser humilde e não ser protetor do povo a esse nível como deseja e exalta esta crónica desvairada;
4.  Não estar a pactuar com os rios de dinheiro dos contribuintes gastos com o pasquim chamado Jornal da Madeira e que serve para ofender muitos madeirenses que sonham e trabalham por uma Madeira para todos; confesso ser um reles padreco que entende que tal balúrdio de milhões poderia servir para criar emprego ou quiçá matar a fome e vestir algumas famílias que neste momento estão lançadas na valeta dessa tragédia;
5.  Nunca ter abandonado cerimónias religiosas para participar em atos político-partidários do regime;
6.  Ter passado este fim-de-semana a pedir nas missas roupa para uma criança (menina) de 6 anos que não tem nada para vestir e não é uma criança que vive nos Himalaias, mas é filha da Madeira nova (felizmente, o meu apelo produziu solidariedade em abundância);
7.   Ter que colocar uma vez por mês um grande cesto junto ao altar para recolher alimentos para enviarmos às famílias pobres das nossas paróquias, por sinal aconteceu este fim-de-semana, a generosidade foi grande;
8.  Estar a ajudar famílias que precisam de medicamentos, de roupa e alimentação, porque não têm emprego, estão com fome e estão nus;
9.   Não gosto da nomenclatura do regime aplicada à Madeira, «Madeira velha e Madeira nova»;
10. Não alinho com os meus colegas e com os bispos quando se colocam ao lado do poder político, contra o Evangelho e contra Jesus Cristo, pois, estão mais interessados em dinheiro e salamaleques dos poderosos deste mundo;
11. Não tenho simpatia nenhuma pela ofensa barata, que chama nomes baixos, como é o caso desta crónica deste catolicíssimo confesso. Não gosto de católicos que se gabam de o ser na praça pública, mas que não se lhes vê nada que seja em prol do Evangelho que não pactua com bajulice e contra a injustiça;
12. Não gosto da igreja que se verga às coisas deste mundo, para ser paparicada e subsistir no comodismo das riquezas;
13. Não gosto de católicos tipo «corvos» que se servem do lugar que ocupam, isso sim, à conta da «canga» de impostos que estes governantes impuseram ao povo indefeso;
14. Não gosto de «mordomos do papa», que se servem da proximidade do poder e depois saltam para a praça com ofensas graves contra quem pensa de modo distinto do status estabelecido;
15. Não gosto de um Jornal da Madeira, que sobrevive à conta dos impostos de todos nós e à conta da moral católica e publica textos contra a Igreja Católica e contra os seus padres;
16. Estes artilheiros do regime sentem que há uma viragem, os tempos correm contra si, por isso, toca a disparatar contra tudo e contra todos. Os ratos são assim;
17. Também confesso não alinhar com uma hierarquia que se deixa encantar com migalhas oferecidas pelo regime, onde se pavoneia um bispo em álbum de fotografias, num mísero caderno do pasquim Jornal da Madeira que eufemisticamente se denomina de «Pedras Vivas»;
18.  Não alinho com o boato e com a ofensa rasteira de quem não tem nada para fazer e se submete a ser escriba de coisa de nada, bajulando o chefe com baixarias e misérias de quinta categoria;
19. Também confesso ter feito o exercício de ao invés de ler este miserável texto com o nome de «padrecos», coloquei vários nomes: «escriba»; «fariseu»; «artilheiro»; «jornalista de meia tigela»; «bajulador»; «labe botas»; «beato»; «católico»… E tantos outros nomes que a imaginação entender fermentar;
20. Por fim, sejam devolvidos à procedência todos estes epítetos que não merecem senão o maior dos desprezos. Entendo que se encaixam na perfeição na criatura que entendeu escrevê-los contra uma grande maioria dos padres da nossa Diocese do Funchal…
E ainda um pecado final: confesso ter sido tolerante em nome da liberdade de expressão, ter permitido que a distribuição gratuita do Jornal da Madeira aos domingos seja feita nas igrejas onde sou pároco. Então, será assim, seguindo a dica de alguns colegas, a partir de hoje, em nome da sanidade mental, de quem vem à missa a estas igrejas ficará privado de tão ilustre prosa... Paciência, vou tentar esclarecer as pessoas e pedir que recolham esse pasquim noutros sítios, porque numa igreja não merece estar um vendilhão de coisa nenhuma, um fariseu que ofende o bom nome da Igreja Católica da Madeira, que apela à violência e ridiculariza uma porção enorme de madeirenses.
José Luís Rodrigues

A Madeira Velha e a Madeira Nova

Nota: Texto de opinião publicado no Diário de Notícias na secção «Sinais dos Tempos» (03/06/2012). Alguns escribas do regime da dita »Madeira Nova» em decadência, não gostam do que digo e escrevo. Paciência. «Não há machado que corte a raíz ao pensamento» e por muito que se tenha feito ou  faça pela nossa querida Madeira, ninguém é dono de nada deste mundo. Morremos todos e levamos só a roupa no corpo...

Destaque do Dnotícias:Deixemos esta música entre velha e nova e concentremo-nos numa Madeira única para todos...

Este contra pesar entre «velha» e «nova» aplicado à Madeira está a tornar-se gasto demais e irritante. Já não suportamos mais este discurso que pretende ensaiar um maniqueísmo que empacota uns dentro da caixa velha e outros dentro da caixa nova. Esta música está gasta e já cansa.
A Madeira merece mais do que estar apenas entre esta dicotomia. O povo que a habitou e habita merece mais do que apenas estar entre estes binómios depreciativos que a desqualificam. Foi a política partidária pura e dura que inventou estes pobres e reles adjetivos para a nossa amada Madeira. Sim, porque o conceito mais frustrante de política está mais que concretizado entre nós. Repare-se, «Politicus est professio ex sumo currrency ex los uber quod suffragium ex los pauper, gratia servo ut los unos ex los alius» (Política é a arte de obter dinheiro dos ricos e votos dos pobres, com o fim de proteger a eles e os outros). Onde é que já vi isto?
Mas vamos ao que admiro das duas Madeiras. Não deixarei de elencar também o que repudio em ambas. Apenas alguns exemplos para ajudar a reflexão. Obviamente, que deixamos espaço para o rol de cada um.
A maioria da população ativa da Madeira de hoje é filha da Madeira velha. Esta dita Madeira velha, criou-nos a todos, fez a história possível dadas as circunstâncias, mas quiçá alicerçou muito daquilo que hoje nós podemos contemplar e saborear. Admiro desse tempo o respeito, a união familiar, a fidelidade à palavra dada e aos compromissos, a fé em Deus e nas capacidades humanas, as regras que se acertavam de boca em boca quanto à lavoura e à convivência comunitária, o amor ao trabalho mesmo que fosse duro e cruel, a persistência e paciência diante dos desafios da natureza, a veneração pela vida em todas as suas etapas, a solidariedade entre famílias e vizinhança, a revolta perante as injustiças e tanta outra coisa que esta tal Madeira velha tem para nos ensinar.
Mas, repudio dessa Madeira velha, a injustiça que foi o poder que endeusava alguns (o vigário, o professor/a, o senhorio, o político, o médico…) e a submissão do vilão, que carregava às costas o que lhes imponham em nome de um Deus que «amava» a pobreza, a paciência e a vingança. Não se louva a emigração que destroçava as famílias e empobrecia ainda mais a comunidade madeirense. Tudo isto que fazia da vida «um vale de lágrimas», deve ser repudiado e desejar-se que nunca mais exista entre nós.
Vamos agora à dita Madeira nova. Admiro e saboreio exaustivamente desta Madeira, a qualidade de vida que podemos usufruir. As vias de comunicação que nos aproximaram uns dos outros, a luz elétrica e a água canalizada que chegou a todas as casas, a educação que se tornou um direito de todos, o bem-estar em geral que a todos beneficiou…
Mas, ao lado disto repudio, algumas coisas que se perderam. O respeito é o principal deles. Mais educação e esclarecimento deviam ter feito homens e mulheres mais empenhados no trabalho e na luta pelo bem comum. A mentira e o atropelo dos outros não deviam ser regras para ter sucesso. A luta desenfreada pelo dinheiro não devia existir tanto e não devia ser o principal da vida. Então temos comunidades pouco solidárias, famílias divididas, jovens deprimidos e sem horizontes de futuro que se entretêm com atividades inúteis, consumir álcool e promiscuidade sexual. A emigração voltou em força e lança para fora de nós o melhor do nosso futuro, os mais qualificados e a gente mais nova…
Por fim, repudio, toda a política da partidarite que dá mau exemplo no lugar mais nobre da Madeira nova, eufemisticamente apelidado de «Casa da Democracia» (Assembleia Regional da Madeira). E deixemos esta música entre velha e nova e concentremo-nos numa Madeira única para todos.
José Luís Rodrigues

Sábado, 2 de Junho de 2012

A felicidade

A felicidade é um estado permanente que não parece ter sido feito, aqui na terra, para o homem. Na terra, tudo vive num fluxo contínuo que não permite que coisa alguma assuma uma forma constante. Tudo muda à nossa volta. Nós próprios também mudamos e ninguém pode estar certo de amar amanhã aquilo que hoje ama. É por isso que todos os nossos projectos de felicidade nesta vida são quimeras.
Aproveitemos a alegria do espírito quando a possuímos; evitemos afastá-la por nossa culpa, mas não façamos projectos para a conservar, porque esses projectos são meras loucuras. Vi poucos homens felizes, talvez nenhum; mas vi muitas vezes corações contentes e de todos os objectos que me impressionaram foi esse o que mais me satisfez. Creio que se trata de uma consequência natural do poder das sensações sobre os meus sentimentos. A felicidade não tem sinais exteriores; para a conhecer seria necessário ler no coração do homem feliz; mas a alegria lê-se nos olhos, no porte, no sotaque, no modo de andar, e parece comunicar-se a quem dela se apercebe. Existirá algum prazer mais doce do que ver um povo entregar-se à alegria num dia festivo, e todos os corações desabrocharem aos raios expansivos do prazer que passa, rápida mas intensamente, através das nuvens da vida?
Jean-Jacques Rousseau, in 'Os Devaneios do Caminhante Solitário'.

Nota: Eis tudo o que importa, ser feliz... E este é a principal vocação que Deus nos dá, pois faz parte absoluta da sua vontade em relaçãoa todos nós. Um bom fim de semana para todos.

Sexta-feira, 1 de Junho de 2012

As crianças

A todas as crianças do mundo. Especialmente, as que padecem o abandono do essencial que as faz o melhor tesouro do mundo. O amor e o carinho da mãe e do pai...

- Apresentaram-lhe, então, umas crianças, para que lhes impusesse as mãos e orasse por elas, mas os discípulos repreenderam-nos. Jesus disse-lhes: «Deixai as crianças e não as impeçais de vir ter comigo, pois delas é o Reino do Céu.» E, depois de lhes ter imposto as mãos, prosseguiu o seu caminho. (Mateus 19, 13-15)
- Como crianças recém-nascidas, ansiai pelo leite espiritual, não adulterado, para que ele vos faça crescer para a salvação, se é que já saboreastes como o Senhor é bom. (1 Pedro 2, 1)

Algumas proposições sobre crianças

A criança está completamente imersa na infância
a criança não sabe que há de fazer da infância
a criança coincide com a infância
a criança deixa-se invadir pela infância como pelo sono
deixa cair a cabeça e voga na infância
a criança mergulha na infância como no mar
a infância é o elemento da criança como a água
é o elemento próprio do peixe
a criança não sabe que pertence à terra
a sabedoria da criança é não saber que morre
a criança morre na adolescência
Se foste criança diz-me a cor do teu país
Eu te digo que o meu era da cor do bibe
e tinha o tamanho de um pau de giz
Naquele tempo tudo acontecia pela primeira vez
Ainda hoje trago os cheiros no nariz
Senhor que a minha vida seja permitir a infância
embora nunca mais eu saiba como ela se diz.

A rua é das crianças
Ninguém sabe andar na rua como as crianças. Para elas é sempre uma novidade, é uma constante festa transpor umbrais. Sair à rua é para elas muito mais do que sair à rua. Vão com o vento. Não vão a nenhum sítio determinado, não se defendem dos olhares das outras pessoas e nem sequer, em dias escuros, a tempestade se reduz, como para a gente crescida, a um obstáculo que se opõe ao guarda-chuva. Abrem-se à aragem. Não projetam sobre as pedras, sobre as árvores, sobre as outras pessoas que passam, cuidados que não têm. Vão com a mãe à loja, mas apesar disso vão sempre muito mais longe. E nem sequer sabem que são a alegria de quem as vê passar e desaparecer.

In Secretariado da Pastoral da Cultura

Oração de Edith Stein sobre o Espírito Santo


Num clima místico, poucos meses antes da sua deportação para Auschwitz, nasce uma das mais belas orações de Edith Stein. Um hino ao Espírito Santo. Foi o seu “último pentecostes”.

I
Quem és tu,
Doce luz que me preenche
e ilumina a obscuridade do meu coração?
Conduzes-me como a mão de uma mãe
E se me soltasses,
não saberia nem dar mais um passo.
És o espaço que envolve todo meu ser e o encerra em si.
Se Fosse abandonado por ti
cairia no abismo do nada,
de onde tu o elevas ao Ser.
Tu, mais próximo de mim que eu mesmo
e mais íntimo que minha intimidade,
E, sem dúvida,
permaneces inalcançável e incompreensível,
E que faz brotar todo nome:
Espírito Santo — Amor eterno!
Pentecost Quilt, Linda Schmidt
II
Não és Tu
O doce maná
que do coração do Filho flui para o meu,
alimento dos anjos e dos bem aventurados?
Aquele que da morte à vida se elevou,
Também a mim despertou a uma nova vida
Do sono da morte.
E nova vida me doa
Dia após dia.
E um dia me cumulará de plenitude.
Vida de minha Vida.
Sim, Tu mesmo,
Espírito Santo, – Vida Eterna!
III
Tu és o raio
que cai do Trono do Juiz eterno
e irrompe na noite da alma,
que nunca se conheceu a si mesma?
Misericordioso e impassível
penetras nas profundezas escondidas.
Se ela se assusta ao ver-se a si mesma,
Concedes lugar ao santo temor,
princípio de toda sabedoria
que vem do alto,
e no alto com firmeza nos unes à tua obra,
que nos faz novos,
Espírito Santo — Raio penetrante!

IV
Tu és a plenitude do Espírito
e da força
com a qual o Cordeiro rompe o selo
do segredo eterno de Deus?
Impulsionados por ti
os mensageiros do Juiz
cavalgam pelo mundo
e com espada afiada separam
o reino da luz do reino da noite.
Então surgirá um novo céu
E uma nova terra,
e tudo retorna ao seu justo lugar
graças a teu alento:
Espírito Santo — Força triunfante!
Pentecost, Alexander Sadoyan
V
Tu és o mestre construtor da catedral eterna
que se eleva da terra aos céus?
Por ti vivificadas as colunas se elevam
Para o alto e permanecem imóveis e firmes.
Marcadas com o nome eterno de Deus
se elevam para a luz
sustentando a cúpula,
que cobre, qual coroa,
a santa catedral,
tua obra transformadora do mundo,
Espírito Santo — Mão criadora!
VI
Tu és quem criou o claro espelho,
Próximo ao trono do Altíssimo,
como um mar de cristal
aonde a divindade se contempla amando?
Tu te inclinas
sobre a obra mais bela da criação,
e resplandecente te ilumina
com teu mesmo esplendor.
E a pura beleza de todos os seres,
Unida à amorosa figura da Virgem,
tua esposa sem mancha:
Espírito Santo — Criador do Universo!


VII
Tu és o doce canto do amor
e do santo recato,
que eternamente ressoa
diante do trono da Trindade,
e desposa consigo os sons puros de todos os seres?
A harmonia
que une os membros com a Cabeça,
onde cada um encontra feliz
o sentido secreto de seu ser,
e jubilante irradia,
livremente desprendido em teu fluir:
Espírito Santo — Júbilo eterno!

Quinta-feira, 31 de Maio de 2012

A Santíssima Trindade - o Mistério sem definição


Comentário à Missa do próximo domingo
3 de Junho de 2012

 Santíssima Trindade
Quem é a santíssima Trindade? - Quando falamos da Santíssima Trindade, é do nosso Deus que falamos. E quer dizer essencialmente três. O Deus dos cristãos é trinitário, isto é, constituído por três pessoas: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.
O Deus Filho, é o Deus enviado pelo Pai, revela o Pai plenamente e envia o Espírito Santo, que é o resultado do amor entre o Pai e o Filho. Isto é, mostra-nos o rosto verdadeiro do Pai. Um Pai amoroso que não desiste de salvar toda a humanidade (podemos lembrar aqui a famosa Parábola do Filho Pródigo).
O Filho, foi enviado pelo Pai para anunciar a Boa Nova da justiça ou da salvação de toda a humanidade, Ele é o rosto visível do amor que informa a Trindade. Será da boca do Filho que recebemos a promessa do envio do Espírito Santo, o outro Deus da Trindade.
Este Deus, o Espírito Santo, é Aquele que vem depois de Jesus para acompanhar todas as Ações humanas em favor da causa de Deus. Ele é o Espírito da verdade e da justiça. Ele nos guiará para a verdade plena. Porque o Espírito Santo pode ser definido como aquele que unifica as três pessoas da Trindade, Ele é o nome do amor de Deus.
Mas, nunca serão os pensamentos e as palavras humanas que traduzirão este mistério. Porque a Santíssima Trindade, é o nosso Deus. E se falamos de Deus, falamos de um grande mistério. Um mistério, que nos acompanha e abraça constantemente em todos os momentos da vida. Todas as tentativas para a açambarcar este absoluto, redundaram em asneira terrível contra quem experimentou essas investidas. Este Deus é e basta. Já Moisés desejou uma definição concreta, mas não a teve. Basta o mistério e a definição indefinida, «o Eu sou Aquele que sou envia-te…». Face a esta vontade de Deus, contemplemos o mistério e deixemos a nossa vida mergulhar neste mistério indizível, único que nos é dado acolher.
Por isso, conta-se que alguém ao passear sobre um caminho de muita poeira reparou que se formavam atrás de si dois pares de pegadas na poeira, mas, nalguns momentos reparou que estavam atrás de si apenas um par de pegadas. Na sua oração, confidenciou esse episódio da sua vida a Deus. Deus respondeu-lhe que um dos pares de pegadas era Dele que o acompanhava sempre. Mas esta pessoa diz a Deus: "Mas para onde foste quando eu mais precisava de ti"? Porque, o segundo par de pegadas desaparecia quando ele sentia mais dificuldades e quando tinha mais problemas na sua vida. Deus respondeu-lhe: "Nessas ocasiões, Eu carrego-te ao colo"! Deus é essa realidade que está sempre presente e que nos carrega ao colo quando as contingências da poeira da vida se tornam mais difíceis de suportar.
José Luís Rodrigues
(Imagens Google)

Quarta-feira, 30 de Maio de 2012

Os padres e a política partidária

O Papa Bento XVI disse o seguinte falando sobre o não envolvimento dos padres na política ativa/partidária, insistindo que tal tarefa deve ser destinada especialmente aos fiéis leigos: «é necessário evitar a secularização dos sacerdotes e a clericalização dos leigos». Em ambos os campos sempre se encontra gente mais papista que o papa.
Muito bem. Estou muito de acordo com a proibição da Igreja Católica que impede os padres de se candidatarem a cargos públicos à boleia dos partidos políticos, quando tal aconteceu entre nós, os padres tomaram a opção de abdicar da função clerical para assumirem a candidatura com clareza…
Tudo isto é aceitável e penso que há um consenso muito grande em todos os quadrantes sociais e religiosos.
No entanto, a Igreja Católica não impede ninguém de exercer a sua cidadania, participando a todos os níveis na vida da cidade. O padre, pelo facto de ter assumido esta condição ou função, tem direito a voto, paga impostos, está inserido na vida da cidade como qualquer cidadão, por isso, assiste-lhe o direito de participar com a sua reflexão, a sua opinião e o seu contributo para uma melhor convivência social.
Muitos entre nós admiram-se quando alguém se destaca a este nível. Porque, simplesmente pensa e partilha o seu pensamento com os demais. Não parece ter direito a tal, se reflete em sentido contrário ao pensamento geral, se não vai com o que dita a maioria e não subscreve o poder dominante, então, mete-se na política partidária. Uma lógica totalmente errada e sem sentido nenhum.
Assim sendo, então afira-se a mesma bitola para o Papa quando fala, os bispos. E não se descure tantas outras situações de colagem clara com os poderes dominantes. Por exemplo, o que será entre nós a Igreja Católica Diocesana conviver em parceria com o poder político partidário atual dominante para publicarem um jornal? A presença dos representantes políticos partidários em cerimónias religiosas e representantes de figuras religiosas em atos públicos com bênçãos e até algumas vezes utilizando a palavra para louvarem os feitos realizados pelo poder político? O que dizer das meias palavras, os silêncios estudados, os gestos calculados para não melindrar suscetibilidades políticas? – Apenas estas questões para nos fazer pensar e nos obrigar a não ver as coisas só e unicamente num sentido...
Para sermos honestos com o pensamento coloquemos, então, a verdade em todas as vertentes para que não sejamos injustos, não prejudiquemos a liberdade de expressão e a assunção do pensamento que pode revelar-se de importância crucial para uma sociedade mais humana e mais justa.
A título de curiosidade este blogue, «O BANQUETE DA PALAVRA», registou ontem uma fasquia bastante generosa em termos de visitantes: 898 visitas. Obrigado a todos os que vieram ao banquete, se degustaram com prazer o «alimento», muito bem, se não se «alimentaram» ou se não vos satisfez este alimento, tudo bem na mesma, passem adiante, há mais blogues com «alimentos» de toda a ordem, neste domínio passa fome quem quer.
José Luís Rodrigues
(Imagem Google)