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quinta-feira, 17 de Abril de 2014

Quinta feira Santa da Ceia

Para nos ajudar a celebrar o Banquete da grande amizade de Deus por nós...
Faz-se carne o Verbo de Deus um dia
Nunca deixando de ser divino
E lançando a semente do Evangelho
Chega até nós a fraternidade na Eucaristia.

O pão molhado dado ao discípulo
Fez a traição da entrega ao poder do mundo
O Salvador que antes de ser vítima fez-se amigo
E para todos terá dito em cortante serenidade:
Sou pão vivo descido do céu.

Para o tempo fica um corpo em alimento
Mais o Sangue bebida da seiva da vida
Que se tomada em cálice de amor aprecia
Vive para sempre a humanidade que se renova
Quando deste pão e deste vinho se sacia.

In illo tempore nasceu o nosso companheiro
Nesta Ceia no Pão faz-se banquete
Na morte jaz como preço elevado do resgate
Mas em glória é oferta solene da plenitude.

Agora temos a hóstia que sacia em felicidade
Mistério que desvela à fé a eternidade
Ah! Ainda são tenebrosos os gritos da dor
Que os inimigos da vida infligem injustamente
Porém, na Missa o Santo Sacrifício salva sempre.

Ao Deus que é Um revelado em Trindade
Dêmos graças e louvores solenes em todo o dia
A todos derrame bênçãos e graças de Vida eterna
Para que os caminhos se façam vividos na alegria
E que não falte o sentido da redenção que vença
O sofrimento e a morte que no mundo ainda aconteça.
José Luís Rodrigues

quarta-feira, 16 de Abril de 2014

A Páscoa Cristã é uma celebração de três dias

Breve explicação sobre os próximos dias que assinalam a celebração da Páscoa Cristã...
 TRÍDUO PASCAL
O tempo quaresmal continua até Quinta-Feira Santa.  A partir da Missa vespertina da Ceia do Senhor começa o Tríduo pascal, que abrange a Sexta-Feira da Paixão do Senhor e o  Sábado Santo, tem o seu centro na Vigília Pascal e conclui-se com as Vésperas do Domingo da Ressurreição. Nele se torna presente e se realiza o mistério da Páscoa, isto é, a passagem do Senhor deste mundo para o Pai. Com a celebração deste mistério, a Igreja, por meio dos sinais litúrgicos e sacramentais, associa-se em íntima comunhão com Cristo.
Missa da Ceia do Senhor
Nesta Missa a Igreja propõe-se comemorar aquela última Ceia, na qual o Senhor Jesus na noite em que ia ser entregue, tendo amado até ao fim os seus que estavam no mundo, ofereceu a Deus Pai o seu Corpo e Sangue sob as espécies do pão e do vinho, os entregou aos Apóstolos para que os tomassem, e lhes mandou, a eles e aos seus sucessores no sacerdócio, que os oferecessem também. Toda a atenção da alma deve estar orientada para os mistérios que sobretudo nesta Missa são recordados, a saber, a instituição da Eucaristia, a instituição da Ordem sacerdotal e o mandamento do Senhor sobre s caridade fraterna.
Sexta-feira da Paixão do Senhor
Neste dia em "Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado", a Igreja, meditando a Paixão do seu Senhor e adorando a Cruz, comemora o seu nascimento do  lado de Cristo e intercede pela salvação do  mundo inteiro.
Sábado Santo
No Sábado Santo a Igreja permanece  junto ao sepulcro do Senhor, meditando na sua Paixão e Morte, e na sua descida à mansão dos mortos, e esperando na oração e no jejum a sua Ressurreição.
Vigília Pascal. Noite Santa
Segundo uma antiquíssima tradição, esta noite deve ser comemorada em honra ado Senhor, e a Vigília que nela se  celebra, em memória da noite santa em que Cristo ressuscitou, deve considerar-se a "mãe de todas as vigílias", pois nela a Igreja se mantém de vigília ª espera da ressurreição do Senhor e a celebra com os sacramentos da iniciação. Desde o início a Igreja celebrou a Páscoa anual, solenidade das solenidades, principalmente com uma vigília nocturna. Com efeito, a Ressurreição de Cristo é o fundamento da nossa fé e da nossa esperança, e, por meio do Baptismo e da Confirmação, fomos inseridos no mistério pascal de Cristo: mortos, sepultados e ressuscitados com Ele, com Ele também havemos de reinar. Esta Vigília é também expectativa da vinda do Senhor.

terça-feira, 15 de Abril de 2014

A memória na experiência humana

Jornalista Fátima Campos Ferreira.
O tema desta semana foi sobre a Memória. Muito bem escolhido. 
Uma reflexão muito pertinente. Vi o programa e por isso subscrevo este texto de João J. Vila-Chã...

O «Prós & Contras» desta noite foi dedicado ao tema da Memória. Vi nele serem ditas coisas muito interessantes, válidas e, de facto, úteis também. Lamento, porém, não ter visto algo mais sobre a «memória da Memória», ou melhor, sobre o próprio sentido que a memória tem no âmbito da nossa experiência humana mais global. Para os cristãos, e portanto para todas as Igrejas, a Semana Santa, por definição, pode ser encarada como a Semana da Memória. Falar da Memória implica, certamente, tratar da sua dimensão neuro-psicológica e afectiva, literária e política. Mas não nos deveríamos esquecer igualmente da dimensão filosófica e teológica do problema. Nesta Semana, ou nas próximas, mais de dois biliões de seres humanos são chamados a fazer um extraordinário exercício de memória, convidados a recordar de uma forma espiritualmente viva, e ritual, a memória de um Drama que, entre todos, não tem igual. Refiro-me, claro, ao Drama que foi, e é, o da Paixão e Morte de Jesus Cristo; ou seja, refiro-me à Anamnese da nossa própria salvação. Nesse sentido, sou de opinião que não há discurso sobre a Memória que fique completo até que de um tal discurso faça parte a acção ritual em que se expressa a dimensão religiosa da experiência humana. A temática do último «Prós e Contras» foi, pelo seu enorme interesse e relevância, muito bem escolhida. Mal-grado ter sentido a falta de elementos que reputo de fundamental importância para uma abordagem complexiva do problema, não deixo de felicitar a Jornalista Fátima Campos Ferreira e as pessoas que ao Programa foram como convidadas. Mas lamento, para além da excessiva duração desta particular edição do programa, a falta de uma voz, a ser escolhida, certamente, entre os filósofos e os teólogos que ainda há em Portugal, que a este «Prós & Contras» pudesse ter sido capaz de expressar, e com isso ajudar a compreender, aquela dimensão que a todo e qualquer discurso humano, mas especialmente ao mediático, aporta um sentido mais autêntico de completude e, claro, de exigível complexidade. O «Prós & Contras» desta noite foi dedicado ao tema da Memória. Vi nele serem ditas coisas muito interessantes, válidas e, de facto, úteis também. Lamento, porém, não ter visto algo mais sobre a «memória da Memória», ou melhor, sobre o próprio sentido que a memória tem no âmbito da nossa experiência humana mais global. Para os cristãos, e portanto para todas as Igrejas, a Semana Santa, por definição, pode ser encarada como a Semana da Memória. Falar da Memória implica, certamente, tratar da sua dimensão neuro-psicológica e afectiva, literária e política. Mas não nos deveríamos esquecer igualmente da dimensão filosófica e teológica do problema. Nesta Semana, ou nas próximas, mais de dois biliões de seres humanos são chamados a fazer um extraordinário exercício de memória, convidados a recordar de uma forma espiritualmente viva, e ritual, a memória de um Drama que, entre todos, não tem igual. Refiro-me, claro, ao Drama que foi, e é, o da Paixão e Morte de Jesus Cristo; ou seja, refiro-me à Anamnese da nossa própria salvação. Nesse sentido, sou de opinião que não há discurso sobre a Memória que fique completo até que de um tal discurso faça parte a acção ritual em que se expressa a dimensão religiosa da experiência humana. A temática do último «Prós e Contras» foi, pelo seu enorme interesse e relevância, muito bem escolhida. Mal-grado ter sentido a falta de elementos que reputo de fundamental importância para uma abordagem complexiva do problema, não deixo de felicitar a Jornalista Fátima Campos Ferreira e as pessoas que ao Programa foram como convidadas. Mas lamento, para além da excessiva duração desta particular edição do programa, a falta de uma voz, a ser escolhida, certamente, entre os filósofos e os teólogos que ainda há em Portugal, que a este «Prós & Contras» pudesse ter sido capaz de expressar, e com isso ajudar a compreender, aquela dimensão que a todo e qualquer discurso humano, mas especialmente ao mediático, aporta um sentido mais autêntico de completude e, claro, de exigível complexidade. O «Prós & Contras» desta noite foi dedicado ao tema da Memória. Vi nele serem ditas coisas muito interessantes, válidas e, de facto, úteis também. Lamento, porém, não ter visto algo mais sobre a «memória da Memória», ou melhor, sobre o próprio sentido que a memória tem no âmbito da nossa experiência humana mais global. Para os cristãos, e portanto para todas as Igrejas, a Semana Santa, por definição, pode ser encarada como a Semana da Memória. Falar da Memória implica, certamente, tratar da sua dimensão neuro-psicológica e afectiva, literária e política. Mas não nos deveríamos esquecer igualmente da dimensão filosófica e teológica do problema. Nesta Semana, ou nas próximas, mais de dois biliões de seres humanos são chamados a fazer um extraordinário exercício de memória, convidados a recordar de uma forma espiritualmente viva, e ritual, a memória de um Drama que, entre todos, não tem igual. Refiro-me, claro, ao Drama que foi, e é, o da Paixão e Morte de Jesus Cristo; ou seja, refiro-me à Anamnese da nossa própria salvação. Nesse sentido, sou de opinião que não há discurso sobre a Memória que fique completo até que de um tal discurso faça parte a acção ritual em que se expressa a dimensão religiosa da experiência humana. A temática do último «Prós e Contras» foi, pelo seu enorme interesse e relevância, muito bem escolhida. Mal-grado ter sentido a falta de elementos que reputo de fundamental importância para uma abordagem complexiva do problema, não deixo de felicitar a Jornalista Fátima Campos Ferreira e as pessoas que ao Programa foram como convidadas. Mas lamento, para além da excessiva duração desta particular edição do programa, a falta de uma voz, a ser escolhida, certamente, entre os filósofos e os teólogos que ainda há em Portugal, que a este «Prós & Contras» pudesse ter sido capaz de expressar, e com isso ajudar a compreender, aquela dimensão que a todo e qualquer discurso humano, mas especialmente ao mediático, aporta um sentido mais autêntico de completude e, claro, de exigível complexidade. O «Prós & Contras» desta noite foi dedicado ao tema da Memória. Vi nele serem ditas coisas muito interessantes, válidas e, de facto, úteis também. Lamento, porém, não ter visto algo mais sobre a «memória da Memória», ou melhor, sobre o próprio sentido que a memória tem no âmbito da nossa experiência humana mais global. Para os cristãos, e portanto para todas as Igrejas, a Semana Santa, por definição, pode ser encarada como a Semana da Memória. Falar da Memória implica, certamente, tratar da sua dimensão neuro-psicológica e afectiva, literária e política. Mas não nos deveríamos esquecer igualmente da dimensão filosófica e teológica do problema. Nesta Semana, ou nas próximas, mais de dois biliões de seres humanos são chamados a fazer um extraordinário exercício de memória, convidados a recordar de uma forma espiritualmente viva, e ritual, a memória de um Drama que, entre todos, não tem igual. Refiro-me, claro, ao Drama que foi, e é, o da Paixão e Morte de Jesus Cristo; ou seja, refiro-me à Anamnese da nossa própria salvação. Nesse sentido, sou de opinião que não há discurso sobre a Memória que fique completo até que de um tal discurso faça parte a acção ritual em que se expressa a dimensão religiosa da experiência humana. A temática do último «Prós e Contras» foi, pelo seu enorme interesse e relevância, muito bem escolhida. Mal-grado ter sentido a falta de elementos que reputo de fundamental importância para uma abordagem complexiva do problema, não deixo de felicitar a Jornalista Fátima Campos Ferreira e as pessoas que ao Programa foram como convidadas. Mas lamento, para além da excessiva duração desta particular edição do programa, a falta de uma voz, a ser escolhida, certamente, entre os filósofos e os teólogos que ainda há em Portugal, que a este «Prós & Contras» pudesse ter sido capaz de expressar, e com isso ajudar a compreender, aquela dimensão que a todo e qualquer discurso humano, mas especialmente ao mediático, aporta um sentido mais autêntico de completude e, claro, de exigível complexidade. 

João J. Vila-Chã, in Ask a Jesuit (João J. Vila-Chã)

segunda-feira, 14 de Abril de 2014

Quando os erros são úteis

É óbvio que é uma gralha. Mas é muito grave, logo por ser na primeira página. Revela desleixo acima de tudo e que para os lados do jornalismo oficial, o mais pretensamente «correcto» que se pratica em Portugal, não há revisão nenhuma. É o que dá convencer-se que se está incólume aos erros e que só quem erra são os outros. Mesmo assim, dado que o erro de primeira página aparece, esperemos que os «podres» se convertam tanto os de dentro tanto os de fora da Igreja Católica.

sábado, 12 de Abril de 2014

Canto da luz do sol

Para o fim de semana. Sejam felizes!
Vai de alto a baixo um sorriso andante
Astro suave de um pensamento.
Nave eterna do mistério vivo
Entreaberto na penumbra do sentimento
Suavidade da luz brilhante desta vida
Sentida aqui e agora no abraço do teu olhar
Antes e depois daquele momento que a tua voz ergueu.

Nestas palavras desejei aferir um nome
Uma pessoa que se desvela
No escorrer deste tempo presente.
É este o embalo do ter conhecido o tempo e a hora.
Naquele momento que nós quisemos.
Porém veio o sol e fez dia na paz que verte no campo
E o eterno da luz em nome da fé das folhas secas
Diz-me tudo no chão que passo neste agora seguro da vida.

sexta-feira, 11 de Abril de 2014

A ditadura do pensamento único

«A ditadura do pensamento único mata a liberdade dos povos e das consciências» – isto foi o principal da mensagem do Papa Francisco na Missa desta quinta-feira (9-42014) na Capela da Casa de Santa Marta. 
Uma ideia muito interessante, muito actual e que se aplica a todos os lugares da vida deste mundo, mas principalmente, no nosso país e na nossa região. Mas, a nossa igreja também não sai limpa desta constatação. Por isso, reparemos na forma como o Papa faz a denúncia: «E quando na história da humanidade vem este fenómeno do pensamento único, quantas desgraças. No século passado nós vimos todas as ditaduras do pensamento único que acabaram por matar tanta gente... “Hoje deve-se pensar assim e se tu não pensas assim, não és moderno, não és aberto ao diálogo ou pior ainda”. Tantas vezes dizem alguns governantes: ‘eu peço uma ajuda financeira’; ‘mas se tu queres uma ajuda tens que pensar assim e deves fazer esta lei e outra ainda... Também hoje existe a ditadura do pensamento único e esta ditadura é a mesma desta gente: pega nas pedras para lapidar a liberdade dos povos, a liberdade da gente, a liberdade das consciências, a relação da gente com Deus. E hoje Jesus é crucificado outra vez» (Papa Francisco, 10 abril de 2014)... 
Magnifica e acutilante denúncia. Aplica-se em todos os lugares do poder. A Igreja em primeiro lugar, que também funciona com estas ideias bem presentes, quando faz as suas nomeações, quando concede títulos e cargos honoríficos, não o faz por mérito nem muito menos tendo em contas os perfis e a obediência ao serviço do Evangelho. Mas muitos são escolhidos porque pensam pouco ou porque não sabem o que é pensamento próprio e livre, os que dizem sempre ámen mesmo que estejamos diante de um erro colossal e prejudicial para a Igreja. 
O amiguismo vai fazendo o seu caminho e temos hoje muitos bispos e muita outra gente que está em determinadas funções que se vê a quilómetros de distância que não serve para aquilo que foi nomeado, mas chegaram lá porque se puseram a jeito e souberam escolher muito bem de quem deviam ser amigos. 
Esta lógica não é de maneira nenhuma a do Evangelho, mas doutrina pura e dura dos fariseus e dos doutores da lei, que Segundo o Papa Francisco essa gente errou porque retirou os mandamentos do coração de Deus. Eles pensam que tudo se resolve na observância dos mandamentos – sublinhou o Papa – mas estes não são uma lei fria porque nascem de uma relação de amor. Mas o coração está fechado para isto. O farisaismo: «É um pensamento fechado que não está aberto ao diálogo, à possibilidade de que haja uma outra coisa, à possibilidade de que Deus nos fale, nos diga como é o seu caminho, como fez com os profetas. Esta gente não tinha escutado os profetas e não escutava Jesus» (Papa Francisco, 10 abril de 2014).
Ora, esta lógica está por todo o lado e também se aplica à vida social e política. Os partidos políticos funcionam da mesma forma. Os governos fazem-no de forma descarada. Todos sabem de muitos exemplos. Não necessito de apontar nada em relação àquilo que se vai passando no nosso país e na nossa região que se desgovernou precisamente por causa desta desgraça. 
Por isso, no mito de Sófocles, na magnífica «Antígona», diz-se já e muito sobre a inquietação do Papa ao proclamar no ponto alto do diálogo o seguinte quando fala Hémon, um dos personagens da Antígona que diz alto e bom som: «Quem julga que é o único que pensa bem, ou que tem uma língua ou um espírito como mais ninguém, esse, quando posto a nu, vê-se que é oco».

quinta-feira, 10 de Abril de 2014

A lógica deste mundo continua a fazer vítimas inocentes

Domingo de Ramos, 13 de abril de 2014          
O Domingo de Ramos abre a Semana Santa. Relembramos e celebramos a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, poucos dias antes de sofrer a Paixão, Morte e Ressurreição. Este domingo é chamado assim porque o povo cortou ramos de árvores, ramagens e folhas de palmeiras para cobrir o chão onde Jesus passava montado num jumento. Com folhas de palmeiras nas mãos, o povo o aclamava «Rei dos Judeus», «Hossana ao Filho de David», «Salve o Messias»... E assim, Jesus entra triunfante em Jerusalém despertando nos sacerdotes e mestres da lei muita inveja, desconfiança, medo de perder o poder. Começa então uma trama para condenar Jesus à morte e morte de cruz.
O povo aclama-O cheio de alegria e esperança. Pois Jesus como o profeta de Nazaré da Galiléia, o Messias, o Libertador, certamente para eles, iria libertá-los da escravidão política e económica imposta cruelmente pelos romanos naquela época, e religiosa, que massacrava a todos com rigores excessivos e absurdos.
Mas, essa mesma multidão, poucos dias depois, manipulada pelas autoridades religiosas, O acusaria de impostor, de blasfemar, de falso messias... E incitada pelos sacerdotes e mestres da lei, a mesma multidão, exigiria de Pôncio Pilatos, governador romano da província, que o condenasse à morte. Por isso, na celebração do Domingo de Ramos, proclamamos dois Evangelhos, o primeiro, que narra a entrada festiva de Jesus em Jerusalém fortemente aclamado pelo povo e depois o Evangelho da Paixão de Jesus Cristo, onde são relatados os acontecimentos do julgamento de Cristo. Julgamento injusto com testemunhas compradas e com o firme propósito de condená-lo à morte. Eis, então, Jesus vítima da aristocracia do seu tempo, toda junta para O sanear.
Todas as vezes que qualquer pessoa humana é tramada na sua dignidade pela lógica do poder opressivo, vemos «outro Jesus» a ser banido ou violentado na sua dignidade. Que a memória de Jesus nos desperte para a luta contra todas as injustiças dos poderes loucos deste mundo que continuam a fazer vítimas em todo o lado.