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sábado, 23 de maio de 2015

Fogo da palavra

Para o nosso fim de semana. Sejam felizes sempre sem prejudicar ninguém.
O espírito que não se vê
pinta os sons e a paisagem
nos tons multiformes das cores
que se inspira no quadro
dos campos onde caíram
todas as sementes do amor
cuja propriedade da terra
ofereceu para nós a estética das flores.

O espírito que não se ouve
faz ecoar a poesia da fé
que ressoa firme harmoniosa
pela sinfonia do abraço
que as mãos seguram
na firmeza que arde
até à eternidade.

O espírito que não se cheira
por nenhum aroma definido
pelos amigos dentro do fogo
no lugar que construímos
pela paixão.

O espírito que não se toca
nem se agarra por nenhum dono
é incontido e fecundo
como o tempo das sementes
dormindo engolidas pelo vento
nos beirais das casas novas e velhas
edificadas pelos tijolos
da liberdade.

Simplesmente o espírito misterioso
desde sempre em toda a criação
das coisas e das palavras
como o sangue que paciente
sem se ver
reanima as feridas pelos canais do ser.
José Luís Rodrigues

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Pentecostes: o escondido que transforma a vida

Comentário à missa do domingo de Pentecostes, 24 de maio de 2015
A origem do Pentecostes está intimamente ligada à Páscoa, celebrando-se sete semanas depois da Páscoa, quer dizer, no 50º dia após a Páscoa e, por isso, a tradução grega chamou-lhe Festa do Pentecostes ou festa do Quinquagésimo Dia.
No Antigo Testamento hebraico era designada festa das (sete) Semanas. Era a festa da colheita do trigo, enquanto a da Páscoa era a das primícias da cevada. "Depois, contarás sete semanas, a partir do momento em que começares a meter a foice nas searas. Celebrarás então, a Festa das Semanas, em honra do Senhor." (Dt 16,10-12).
Inicialmente, tal como a Páscoa, o Pentecostes ligava-se à fertilidade dos campos. Com a história de Israel passou a ligar-se ao dom da Lei no monte Sinai, daí os rabinos lhe chamarem a Festa do Dom da Lei (mattan Torá).
No tempo da primeira comunidade cristã, Jesus enviou o Seu Espírito (o Espírito Santo) precisamente na semana em que se celebrava a festa do Pentecostes. A descida do Espírito sobre os Apóstolos aconteceu no meio de fenómenos semelhantes à "descida" da Lei no monte Sinai, com o ruído de trovões, o fogo dos relâmpagos, fumo, sismo (Act. 2,1-4 e Ex 19,16-19). O Espírito de Jesus, que desce sobre o novo povo, é a nova Lei dos cristãos, mas este Espírito só desce depois do conhecimento da Palavra de Jesus. Concluindo, o Pentecostes é a festa do Espírito de Jesus, que nos vem da Sua Palavra conhecida, vivida, anunciada."                 
Para nós cristãos, a vida não teria sabor se não fosse a dinâmica do Espírito Santo. A Igreja seria uma simples organização de homens e mulheres com interesses mundanos. As celebrações litúrgicas seriam manifestações de diversão ou para entreter os tempos livres. Esses momentos efusivamente celebrativos aos acontecimentos e aos santos, sem Espírito Santo, seriam apenas lembranças de memória do passado, que há tempo passaram pela morte. Os diversos grupos que formam a Igreja seriam estruturas sem alma que promoviam a rivalidade e a concorrência. Os membros da Igreja, seriam penas funcionários que buscavam o poder pelo poder. A sede de protagonismo ou a fama do mundo seriam as únicas motivações pelas quais todos corriam de forma desmedida e sem escrúpulos. As palavras da Igreja seriam iguais a todas as palavras pronunciadas pelas outras organizações do mundo. A caridade seria solidariedade sem alma e sem abnegação desinteressada que só o Espírito Santo enforma. O diálogo Igreja mundo seria pura diplomacia interesseira com vista a ser pura propaganda.
Uma infinidade de coisas que a Igreja é e faz que sem o dinamismo do Espírito Santo seriam puro activismo concorrencial mais interessado na promoção de alguns e pouco aberto ao bem comum, isto é, sem interesse nenhum pela salvação de toda a humanidade.
Assim sendo, no dia de Pentecostes, descobre-se a universalidade do projecto de Deus - o milagre das línguas nos Actos dos Apóstolos e a proclamação de São Paulo sobre a diversidade, são provas dessa pretensão de Deus.
A mensagem da Igreja, com a força do Espírito Santo, é o eco profético atento à realidade da vida da humanidade, que denuncia e apela para a paz e para a libertação de tudo o que violenta a dignidade da vida. E a vivência cristã de cada baptizado, com a força do Espírito Santo, torna-se sinal e luz para o mundo, empenhada na construção de uma realidade cada vez mais justa e fraterna para todos. Tudo o que não seja isto dentro da Igreja e em cada crente, peca gravemente contra o dinamismo do Espírito Santo.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

As diferenças não enganam e são reveladoras

Só para nos fazer pensar um pouco...
Imagem 1: para este evento quase não é necessária polícia. Tudo decorre com a maior tranquilidade e paz. A ordem impõe-se naturalmente. Mas os que compõem esta imagem são considerados pouco inteligentes, seguidistas, ignorantes, pobres de espírito, fanáticos… Entre outros cognomes que a sociedade douta de hoje sempre procura considerar e presentear quem busca o sentido da vida ou consolo para as limitações que a vida deste mundo oferece.
Imagem 2: Alias que são três imagens... Polícia por todo o lado. Desordem total. Destruição devastadora. Fumos esquisitos. As luzes são estranhas. Violência não falta com pancadaria a torto e a direito. Lixo espalhado em todos os cantos e recantos das ruas. Pessoas embriagadas. A linguagem só se entende quando rasteja pelo calhau, porque não falta o insulto a toda a família, à autoridade, aos árbitros, às mães, às esposas e aos filhos. O ambiente geral esotérico, histérico e metálico, mas também é desolador e constrangedor. Porém, As pessoas destas imagens, a sociedade de hoje, considera serem gente esclarecida. Aqui não há fanáticos, mas adeptos contentes a festejar.
Uma nota mais: não queria de forma nenhuma estar aqui a fazer este tipo de comparação. Mas fez-me refletir no quanto andamos errados, o quanto somos cegos perante a realidade e o quanto andamos desviados do essencial, não considerar todas as coisas como necessárias à formação integral da pessoa humana. A arrogância perante as coisas redunda em violência. Tudo pode servir para crescer saudavelmente. Por isso, precisamos de dar o devido valor a todas as coisas da vida para que o crescimento e a educação de cada pessoa se faça em todas as suas vertentes. Pensemos nisso.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Violência gera violência

«A violência semeia mais violência». Os primeiros a saberem disso devem ser os agentes da autoridade. Uma análise muito interessante sobre a violência e especialmente, sobre o espancamento de um pai e um avô diante do filho e do neto. Leitura imperdível… AQUI
É muito triste que se nos fique estas imagens de uma noite que se queria de festa. «O que deveria ter sido uma noite para lembrar foi uma noite para esquecer» (Pedro Santos Guerreiro).

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Para o dia da comunicação social que se assinala domingo

Dada a limitação de espaço para a crónica do próximo domingo no Dnotícias, sobrou-me estas letras, por isso, adianto-as como aperitivo...
Hoje o mundo abundantemente bafejado por variada comunicação, facilmente confunde-se educação com informação. O Papa Francisco alerta para esse dado e afirma que o desafio que hoje se nos apresenta, é aprender de novo a narrar, não nos limitando a produzir e consumir informação, embora esta seja a direcção para a qual nos impelem os potentes e preciosos meios da comunicação contemporânea. A informação é importante, mas não é suficiente, porque muitas vezes simplifica, contrapõe as diferenças e as visões diversas, solicitando a tomar partido por uma ou pela outra, em vez de fornecer um olhar de conjunto».
Finalmente, a família é uma «comunidade comunicadora». Uma comunidade que sabe acompanhar, festejar e frutificar». Assim, a «família mais bela, protagonista e não problema, é aquela que, partindo do testemunho, sabe comunicar a beleza e a riqueza do relacionamento entre o homem e a mulher, entre pais e filhos. Não lutemos para defender o passado, mas trabalhemos com paciência e confiança, em todos os ambientes onde diariamente nos encontramos para construir o futuro». As famílias de hoje precisam que o seu «alimento» principal seja a verdade do amor, a bondade da misericórdia e do perdão e a beleza da alegria, para que a felicidade não continue a ser uma utopia inatingível para tanta gente.

sábado, 9 de maio de 2015

O caminho da vida

Singelo poema para o fim de semana... Sejam felizes sem prejudicar ninguém.
Para longe vai a minha palavra,
sem ressonância neste caminho que faço.
Nele morro em cada dia e me despeço,
até ao dia em que definitivamente
dele para sempre desapareço.
Mas como sei que não conta em nada
para ninguém se alguma vez tropeço,
fico sereno e calmo liberto sem freio,
para que brote em força,
a beleza desta via que saboreio.

O caminho da vida,
vai sem que pouco ou nada seja visto.
Nele e por ele fui e sou eu,
transfigurado sob o peso do risco,
que nas curvas existenciais revelaram,
outros cantos e sons pela canção.
Tudo se ouvia na certeza de se ver mortal,
até ao dia em que desta sensação
se mostrou ser sem sentido todo o medo
que nos perverte a criatividade
de ser gente.
Pois é para sempre no coração,
da realidade da luz que cintilou,
que nos deu sem eu saber
o muito infinito porque tanto nos amou.

José Luís Rodrigues

quinta-feira, 7 de maio de 2015

O sentido da vida e a vitória do amor

Comentário à missa deste domingo VI Tempo Pascal, 10 de maio de 2015
A Palavra de Deus é viva e eficaz. Todos os momentos da vida podem ser iluminados por esta Palavra que Deus proclama. Não são estas ou aquelas formas de viver que dão consistência à Palavra de Deus. Isto é, não é este esquema, esta forma de vida ou aquela opção pessoal, que predefine a Palavra que Jesus nos envia. A Palavra de Deus está para a vida toda e para todos os modos de existir assumidos com amor e para o amor. Nada nem ninguém se pode considerar plenamente iluminado ou totalmente consagrado pela Palavra de Deus, porque Deus não permite aprisionamentos ou domínios desta ou daquela opção de vida. Somos chamados a guardar a Palavra com amor e não a possuí-la com arrogância.
O Espírito - o outro nome que também diz o amor - tem a função de nos convocar para o desafio do acreditar, não para a condenação ou para o abismo da morte sem retorno possível. Por isso, o caminho da fé iluminado pelo Espírito Santo, encontrará sempre o sentido pleno, porque, mediante essa luz far-se-á a descoberta do amor a Jesus e a Deus Pai que o Filho nos revela com o Seu ensinamento e com a Sua acção.
"Não fostes vós que me escolhestes; foi eu que vos escolhi e destinei…". Esta frase é muito interessante, porque a nossa vida muitas vezes está inquieta e perturbada com as artimanhas do quotidiano e com a procura de um Deus ao nosso modo. O Deus de Cristo está aí no mais simples da vida a chamar e a convocar para o amor. Dessa forma nos escolhe e nos destina.
Porém, continuam a ser tantos os momentos em que nos sentimos fora do amor, porque julgados pelos olhares desconfiados dos outros, com ar de desprezo e de repúdio, por qualquer razão banal; as palavras sem espírito e ocas que nos dirigem, que nos condenam e nos fazem ficar tristes, revelam-se uma injustiça, muitas vezes, que ao invés de levantarem, ainda fazem sofrer mais; as falsidades de palavras animadoras e elogiosas, mas que por detrás nos afundam numa traição sem escrúpulos e sem qualquer sombra de respeito; o Espírito de vingança que tantas vezes nos ataca como se fosse alimento para viver com o prazer de ver os outros na mais pura miséria; a mesquinhez das aparências, como se isso fosse o mais importante da vida e da fé; a mediocridade do vazio de tantas situações que nos provocam um sorriso de compaixão; as invejas, são outra tendência desumana e anti cristã que poderão perturbar a nossa mente e o nosso coração…
Mas, infelizmente, embora, sendo tantas as coisas da vida que nada têm a ver com o amor e que poderão inquietar e intimidar o nosso coração, a esperança é nesses momentos a melhor das virtudes, porque o amor tudo vence. Não há outro caminho para o sentido da vida e não há outro modo de construir o mundo senão fazer a descoberta do amor apaixonado.