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sexta-feira, 21 de Novembro de 2014

A pouca vergonha não tem limites

A partir da tarde ontem até meia manhã de hoje (21 novembro de 2014) deu para percebermos mais uma vez que a pouca vergonha neste país não tem limites. Porque, havia «folga orçamental», toca privilegiar os políticos coitadinhos que ganham tão pouco e têm sido tão fustigados com a pesada austeridade.
Tudo bem que um político, deputado da nação, que não representa o povo, mas corre loucamente em nome do vil metal, tenha reparado nessa «folga orçamental», por isso, toca propor que as «subvenções vitalícias para os deputados» sejam repostas. Pois, porque não foi feita a proposta para distribuir por quem menos tem? - Não era isso que se esperava de partidos políticos responsáveis ao serviço do seu povo...  
O que surpreende e indigna sobremaneira é que os principais partidos da nação (PSD e PS) se unam como irmãos gémeos para votar a favor uma medida que os beneficia e que achem justa uma desigualdade destas, a votem favoravelmente, quando foram eles que aprovaram leis muito lesivas para todos os pensionistas, aumentaram todos os impostos para valores insuportáveis, fizeram atingir a taxa de desemprego até valores impressionantes, cortaram nas prestações sociais indiscriminadamente, condenaram o sangue novo da população para a emigração e para o desespero... Eis o retrato de Portugal de Norte a Sul e Ilhas.
Foram estes dois principais partidos que colocaram o nosso povo na miséria, porque estratificaram o povo desta maneira, uma parte é pedinte, a outra vai partilhando o pouco que resta com imensa dificuldade e meia dúzia cada vez mais podre de rica, incluindo a cambada de alguns políticos bens instalados na babugem do Orçamento de Estado e na cama do partido onde foram bafejados pela sorte. Sorte, vamos indo. Pelo que salivaram, lamberam botas e bajularam os chefes.
Não tem limites a pouco vergonha. Está a circular a notícia que o afanado deputado acaba de retirar a proposta da gamela do orçamento. A polémica rebentou na sociedade portuguesa, ainda bem, porque se a vergonha não anda pelos lados da Assembleia da República, é bom que seja a opinião pública a reclamar pudor e bom senso.
Aos partidos políticos mais uma vez se percebe como funcionam. São um grupo de gente com sorte, escrupulosa perante os seus proventos, que enriquece à conta dos nossos impostos e que perderam todo o sentido de Estado e que pouco ou nada se importam com o povo. Reina à mais crua insensibilidade. Uma podridão generalizada.
Mais uma vez ainda aludimos ao «Triunfo dos Porcos» de George Orwell: «Todos os animais são iguais, mas há animais mais iguais do que outros». Os políticos de hoje fazem jus a esta máxima de forma descarada e sem um pingo de vergonha.

quarta-feira, 19 de Novembro de 2014

O paradoxo da realeza de Jesus

Comentário à missa deste domingo
Domingo XXXIV tempo comum, Domingo de Cristo Rei do Universo
A solenidade de Cristo Rei coincide com o último Domingo do Tempo Comum ou com o último Domingo do Ano Litúrgico da Igreja. O Ano da Liturgia da Igreja não coincide com a organização temporal do Ano Civil. O início do ano, para a liturgia da Igreja não começa no primeiro de Janeiro, mas no primeiro Domingo do Advento, tempo de quatro Domingos que antecedem o Natal, como preparação efectiva desse grande acontecimento que é o Nascimento do Salvador.
O reinado ao avesso que Cristo assume encerra toda a vontade de Deus em querer salvar toda a humanidade. Este Reino é a herança de Deus dada aos homens desde que a fraternidade seja assumida com amor, sobretudo, em relação aos mais fracos da sociedade.
A realeza de Cristo, é totalmente diferente daquela que é assumida e exercida pelos reis deste mundo. Como podemos reparar Cristo não é em nenhum momento um rei todo poderoso, rodeado de exércitos ávidos de combate e de poder. Pelo contrário, dirá com veemência: «o Meu Reino não é deste mundo». Antes, é o Rei dos famintos, dos que têm sede de justiça, dos peregrinos, dos sem roupa, dos doentes e dos presos.
Como vemos Cristo Rei? – A nossa vida deverá estar em sintonia com esta realeza diferente que Cristo nos revela. Por isso, reparemos em que podemos realmente perceber e viver essa dimensão fundamental da fé cristã. Ele é Rei. Mas um rei que não se coaduna com as injustiças sociais, pessoais e institucionais. E a sua morte na Cruz é o resultado da sua acção contra tudo o que não promove a dignidade da vida e do amor entre os homens. É o preço a pagar pela sua radical preferência pelos desafortunados deste mundo.
Jesus é Rei de um Reino outro, onde o entendimento entre todos emerge como o resultado da fraternidade e da partilha. O Reino de Jesus não está de acordo com a mentalidade da cultura onde predomina o mais forte sobre o mais fraco. Neste Reino, não podem existir pacificamente os lugares da morte e do sofrimento nem podem ser tolerados os caminhos da pobreza e da miséria. Se ainda existem, então, será necessário fazer surgir outros valores e outros caminhos que proporcionem o bem estar igual para todas as pessoas.
O Papa Francisco, tem procurado iluminar o nosso coração e o nosso pensamento com a nova linguagem do amor e da misericórdia, de tal forma que daqui criou um verbo «Misericordiar»: «A misericórdia de Deus nos salva. Não nos cansemos jamais de anunciar no mundo inteiro esta mensagem de alegria», tuitou o Papa Francisco no dia 17 de agosto de 2014. A partir daqui faz todo o sentido a oração de S. Gregório de Nazianzo: «Enquanto nos é dado fazê-lo, visitemos Cristo, cuidemos de Cristo, alimentemos Cristo, vistamos Cristo, hospedemos Cristo, honremos Cristo. E não só com a nossa mesa, como alguns fizeram, nem só com os unguentos, como Maria Madalena, nem somente com o sepulcro, como José de Arimateia, nem só com as coisas que servem para a sepultura, como Nicodemos que amava Cristo só a meias, e nem só, finalmente, com o ouro, o incenso e a mirra, como já tinham feito, antes destes, os Magos. Mas, pois que o Senhor de todos quer a misericórdia e não o sacrifício, e uma vez que a misericórdia vale mais do que milhares de gordos cordeiros, ofereçamos-lhe precisamente esta nos pobres e naqueles que são abatidos até ao chão» (S. Gregório de Nazianzo, Discurso 14, 40).
A interpelação de Jesus insiste que a verdadeira realeza reside no paradoxo da grandeza do amor de Deus em nós que se partilha com os irmãos, sobretudo com os pobres, os débeis, os desprotegidos. A questão é esta, o egoísmo, o fechamento em si próprio, a indiferença para com o irmão que sofre, não têm lugar no Reino de Deus. Quem insistir em conduzir a sua vida por esses critérios ficará à margem do Reino.

terça-feira, 18 de Novembro de 2014

Decálogo sobre o que não se deve dizer às crianças

Um pediatra listou 10 coisas que não devemos dizer as crianças. Vale a pena ler, já que isto pode influenciar (e muito!) na personalidade delas.

1 – Não rotule o seu filho de pestinha, chato, lerdo ou outro adjectivo agressivo, mesmo que de brincadeira. Isso fará com que ele se torne realmente isso.

2 – Não diga apenas sim. Os nãos e porquês fazem parte da relação de amizade que os pais querem construir com os filhos.

3 – Não pergunte à criança se ela quer fazer uma actividade obrigatória ou ir a um evento indispensável. Diga apenas que agora é a hora de fazer.

4 – Não mande a criança parar de chorar. Se for o caso, pergunte o motivo do choro ou apenas peça que mantenha a calma, ensinando assim a lidar com suas emoções.

5 – Não diga que a injecção não vai doer, porque você sabe que vai doer. A menos que sejam gotas, diga que será rápido ou apenas uma picadela, mas não engane.

6 – Não diga palavrões. O seu filho vai repetir as palavras de baixo calão que ouvir.

7 – Não ria do erro da criança. Fazer piada com mau comportamento ou erros na troca de letras pode inibir o desenvolvimento saudável.

8 – Não diga mentiras. Todos os comportamentos dos pais são aprendidos pelos filhos e servem de espelho.

9 – Não diga que foi apenas um pesadelo e mande voltar para a cama. As crianças têm dificuldade de separar o mundo real do imaginário. Quando acontecer um sonho mau, pesadelo, acalme o seu filho e leve-o para a cama, fazendo-lhe companhia até dormir.

10 – Nunca diga que vai embora se não for obedecido. Ameaças e chantagens nunca são saudáveis.

segunda-feira, 17 de Novembro de 2014

Microclima eclesiástico

Papa Francisco, homilia Casa Santa Marta:

«Microclima» uma palavra muito bem conhecida de quem vive numa região como a nossa, a Madeira, onde ouvimos dizer com frequência esta palavra quando o assunto se refere ao clima. Porque considero esta expressão «microclima eclesiástico» muito bem aplicada, acho oportuno publicar a seguinte notícia da Agência de Notícias Aleteia.org, sobre a homilia do Papa Francisco na Casa Santa Marta do dia 17 de novembro, a propósito da cura do cego de Jericó do relato de São Lucas.
 
O Papa Francisco afirmou hoje que a Igreja vive em todas as épocas a tentação de olhar para Jesus esquecendo de ver Nele o pobre que pede ajuda, fechando-se em um “microclima eclesiástico”, ao invés de se abrir aos excluídos sociais. O Papa falava em sua homilia na Casa Santa Marta, comentando a passagem evangélica do cego de Jericó.

O cego – explicou o Papa – representa “a primeira classe de pessoas” que povoa a narração do evangelista Lucas. Um homem que não contava nada, mas que “tinha sede de salvação”, “de ser curado”, e que, portanto, grita mais forte do que o muro de indiferença que o circunda, “para bater à porta do coração de Jesus”. A este homem se opõe o círculo dos discípulos, que querem calá-lo para evitar que incomode e, assim afastar “o Senhor da periferia”.
“Esta periferia não podia chegar ao Senhor, porque este círculo – mas com muita boa vontade, hein – fechava a porta. E isso acontece com frequência entre nós, fiéis: quando encontramos o Senhor, sem que percebamos, se cria este microclima eclesiástico. Não só os padres, os bispos, mas também os fiéis: ‘Mas nós somos os que estão com o Senhor’. E de tanto olhar para Ele, não olhamos para as suas necessidades: não olhamos para o Senhor que tem fome, que tem sede, que está na prisão, que está no hospital. ‘Aquele Senhor não, pois é um marginalizado’. E este clima nos faz tão mal”.
A seguir, o Papa descreveu o grupo dos que se sentem eleitos pelo Senhor e que, por isso mesmo, querem afastar qualquer pessoa que posa incomodá-Lo – inclusive as crianças. Essas pessoas, observou, esqueceram e abandonaram o primeiro amor.
“Quando na Igreja os fiéis, os ministros se tornam assim... não eclesial, mas ‘eclesiástico’, de privilégio de proximidade ao Senhor, têm a tentação de esquecer o primeiro amor, aquele amor tão bonito que todos nós recebemos quando Ele nos chamou, nos salvou. Esta é uma tentação dos discípulos: esquecer o primeiro amor, ou seja, esquecer inclusive as periferias, onde eu me encontrava, e também me envergonhar disso”.
Há ainda o terceiro grupo nesta narração: o povo simples, que louva a Deus pela cura do cego. “Quantas vezes – afirmou o Papa – encontramos pessoas simples, quantas idosas que caminham, com sacrifício, para rezar em um santuário de Nossa Senhora”. “Não pedem privilégios, mas somente graça”. É o “povo fiel”, que “sabe seguir o Senhor sem pedir qualquer privilégio”, capaz de “perder tempo com Ele” e, sobretudo, de não esquecer a “Igreja marginalizada” das crianças, dos doentes, dos prisioneiros. O Papa então conclui:
“Peçamos ao Senhor a graça de que todos nós, que temos a graça de sermos chamados, de jamais nos afastar desta Igreja; de jamais entrar neste microclima dos discípulos eclesiásticos, privilegiados, que se afastam da Igreja de Deus, que sofre, que pede salvação, que pede fé, que pede a Palavra de Deus. Peçamos a graça de ser povo fiel de Deus, sem pedir ao Senhor qualquer privilégio que nos afaste de Seu povo".
(Rádio Vaticano)

sábado, 15 de Novembro de 2014

Sonhos meus palavras nossas

Para o fim de semana. Sejam felizes, façam os outros felizes.
Palavras ditas e contadas como na reza do terço
agora e na hora da nossa morte
mas que entremeado retém a incerteza do sonho
assim na terra como no céu
e ambos são a memória dos dias
que este círculo fecunda no amor
e na viagem que se diz para sempre
na sublime entrega da eternidade.

Nisto as miríades das estrelas cintilantes
fizeram mais este céu infuso no coração
desta vida que se engrandece sobre a água
que faz cheias nos rios que serpenteiam
o coração da vida como as lágrimas de Ísis
quando chorava as cheias do Nilo impetuoso
desta visão oceânica que nos desvela
o horizonte sem fim da imensidão do tempo.

Mas são sempre as palavras que se buscam
e nos buscam para nascermos todas as manhãs
neste encanto desencontrado por vezes
e vamos saboreando os frutos
todos os dias sem que nos fique
a lembrança do gosto deles.

Ah! o que será todo esse percalço do mundo aqui
perante a glória de me ver rodeado
com muitíssimos céus por todo lado.
José Luís Rodrigues 

sexta-feira, 14 de Novembro de 2014

A ganância dourada corrompeu outra vez

Vistos gold
O que são estes vistos gold? – É isto: autorização de residência para investimento (ARI) em Portugal. Quer ainda mais dizer a meu ver que são um meio de entrada de gente rica em Portugal para fazer investimentos. Sim gente rica, porque se for um pobre coitado que venha para Portugal à procura de trabalho (coisa também muito rara entre nós), é tratado como um criminoso. 
Resumidamente, o visto gold é uma autorização para entrada e residência em Portugal, atribuído a cidadãos não naturais da União Europeia ou residentes fora do Espaço Schengen a troco de um investimento financeiro avultado ou criação de emprego. Aparentemente algo interessante e importante para economia do país. Mas o que dizer sobre o que anda na cabeça de quem pretende enriquecer facilmente, rapidamente e que se abancou na cadeira das decisões…
Eis então um mundo cão, feito do avesso, um país feio, que já foi sobejamente denunciado não ser para gente.
Por causa destes vistos gold, a Polícia Judiciária deteve esta quinta-feira 11 pessoas - incluindo altos quadros do Estado - por suspeitas de corrupção, branqueamento de capitais, tráfico de influência e peculato, no âmbito de uma investigação sobre atribuição de vistos gold. Quem desejar saber mais sobre este el doirado do investimento com base nestes vistos em Portugal que vá ler aqui.
Mais uma vez nos vemos confrontados com a desgraça de um país que se desmorona, não porque lhe falte vontade de andar para frente ou que lhe falte memória brava de gente que construiu uma história de mais de oito séculos, nada disso, falta-lhe hoje gente séria, gente honesta que não se deixa perverter por dinheiro fácil, dinheiro sujo que vem à mão sob as malhas da corrupção. É disto que se trata a vida de Portugal hoje.
Para onde vais país, onde a podridão parece ter-se generalizado, onde não parece encontrarmos almas puras, que se recusam entrar nos esquemas sujos da ilegalidade, da subversão da honestidade e da dignidade? – Não haverá ninguém que marque a diferença, que não se enlameie na fossa asquerosa da miséria humana que vai semeando estes mecanismos à conta da riqueza podre em nome da ignóbil corrupção.
Estamos perante a imagem de um país à deriva, onde o salve-se quem puder está à solta sem rei nem roque. As leis se existem não são para gente que rouba à grande, mas para os pobres coitados que agonizam à fome que os obrigou a roubar um pão em qualquer supermercado para matar a fome. Não há punição para gente gold, que se pavoneia em gravatas de marca pelas ruas onde escorre a vil miséria dos altos roubos.
Não vamos lá assim desta forma, precisamos de arrepiar caminho, combater a corrupção com todos os meios e com todas a forças, para que a dignidade seja restabelecida a este pobre país tomado de assalto por meia dúzia que se acha no direito de fazer o que bem entende mesmo que isso nos custe o sofrimento e a morte de um povo que foi enganado e que às vezes desgraçadamente se deixa enganar.
Este luxo de andarem impunes os senhores finos da corrupção tem que levar um travão e as leis devem ser aplicadas sem piedade nenhuma. É um país que está em causa, é um povo que merece dignidade e um futuro que esperamos que seja límpido e justo para quem escolher viver nesta porção de terra à beira mar plantado. 

quinta-feira, 13 de Novembro de 2014

A vinda de Jesus e os nossos talentos

Domingo XXXIII do Tempo Comum, 16 novembro de 2014 
O ladrão, quando quer assaltar uma casa, nunca avisa em que dia ou hora vai chegar. Não diz nada e vem a horas escusas, que ninguém espera, para poder contar com o sono, a falta de prevenção e a guarda enfraquecida. Assim será também a segunda vinda de Jesus. 
O primeiro advento de Jesus foi bem badalado, pelas miríades de anjos celestiais, pelos pastores, pelos magos do Oriente, mas a segunda vinda será sem aviso prévio (Mt 24, 43; II Pe 3, 10; I Tes 5, 2-6). O Senhor Jesus virá como o ladrão de noite. Ninguém sabe quando, embora saibamos que, de certeza, Ele vai voltar. Dessa hora, dia e ano só o Pai do céu sabe.
Se alguém soubesse esse mistério, preparar-se-ia nessa altura e isso seria uma hipocrisia sem valor, e Jesus não poderia realizar o objectivo da surpresa.
Deus quer que não descuremos a guarda e estejamos preparados todos os dias e horas, portanto, não durmamos como os demais, mas vigiemos e sejamos sóbrios.
Estaremos prontos para partir com Jesus, no dia e hora em que Ele voltar? Só os que estiverem preparados serão levados para estarem para sempre com Ele, no lugar onde não há mais dor, lágrimas, guerra e tristeza.
Preparemo-nos agora para nos encontramos todos um dia com Deus, hoje, amanhã ou quando Ele vier. Não importa saber o momento dessa vinda. O mais importante para Deus é viver preparado como se Ele viesse hoje e trabalhar com fidelidade como se Ele só viesse daqui a 50 anos.
Pois bem, como preparar-se para essa vinda? - Através de muitas formas e mediante as muitas atitudes positivas que podemos escolher para nossa vida. A vida material não pode resumir-se a uma preparação para a morte. Deus pede-nos muito mais. Não precisamos de andar constantemente com o pensamento na morte, mas devemos ocupar o pensamento e a vida com tudo o que ela tem de bom para nós próprios e para os outros.
A volta de Jesus será o clímax desta vida e o início de uma vida ainda melhor para cada cristão fiel. Presenciar essa volta e esse novo começo deve ser o objectivo de todo cristão - para si mesmo e para seus irmãos. Nós aguardamos esse acontecimento com alegria? Queremos realmente que ele aconteça? Devemos responder positivamente não só com os nossos lábios ou as nossas mentes, mas também com as nossas vidas. Devemos viver como filhos da luz e ajudar os nossos irmãos e irmãs a andarem connosco na luz de Deus. Esta esperança no futuro, que em Deus, será sempre glorioso, dá sentido à vida presente. Assim, os cristãos não são uns desesperados agora, mas contagiam o mundo para a esperança e para a certeza de que o futuro que nos espera não é de condenação, mas a alegria da festa do amor de Deus em plenitude.
Neste sentido Jesus no Evangelho manifesta claramente de como devemos esperar a vinda de Jesus. Em primeiro lugar não deve assistir-nos qualquer sombra de medo e depois fazer todo o empenho para fazer frutificar os «bens» que Deus confia a cada um, os chamados talentos. E a seguir «condena» aqueles a quem Deus entregou talentos, mas tomados pelo medo instalam-se no comodismo, na apatia e não foram capazes de fazer render os dons de Deus e privaram a humanidade dos frutos que tais bens vinham proporcionar.
Todos nós devemos ser responsáveis e com toda a honestidade assumir cumprir os nossos deveres com dignidade, com a consciência de que por mais pequena que seja a tarefa, ela contribui para a beleza do mundo e da vida. Já a Madre Teresa de Calcutá tinha ensinado assim que «por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota». Que a vida de cada um de nós seja um hino ao bem fazer em cada dia, para que aquilo que somos faça sorrir alegremente todos os que são bafejados com as nossas acções. Que nada nos faça enterrar os talentos.