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segunda-feira, 27 de abril de 2015

Uma ternura espantosa

As crianças são a imagem mais fidedignidade de Deus…
O Papa recebeu em audiência, nesta segunda-feira (27/04), no Vaticano, a Rainha Sílvia da Suécia, acompanhada por alguns familiares e pela comitiva real.
Sua Majestade informou o Papa sobre as atividades que ela promove na Suécia em favor das crianças. O Papa aproveitou a ocasião para manifestar a sua gratidão pelo acolhimento oferecido pela Suécia aos refugiados e deslocados. 

sábado, 25 de abril de 2015

abril das águas mil

Para o nosso fim de semana. Sejam sempre felizes sem prejudicar ninguém. 25 de abril sempre...

Isso mesmo onde se escreveu na água em abril
a liberdade tecida nas malhas do pensamento
de um povo oprimido sem pão em todas as idades
que testemunhavam as casas sem luz primaveril
além da obscuridade negra e branca do sofrimento
estampada na paisagem sombria e feia das cidades. 
Veio abril...

então soaram os cravos enfeitando os canhões
e as armas dos homens que gritavam covardia
calaram as balas a libertação do tempo naquele dia
quando se viu um povo solto em jubilosa alegria. 
E veio a esperança depois...

de ser feito o caminho de água revolta ademais
semeou-se o sonho e o desejo sempre novo
para um país de todas as horas onde se plantasse
a felicidade como flores nos canteiros dos beirais. 
E no entanto o povo...

passado o tempo desse abril de bravos
nem tudo são rosas nem muito menos cravos
são também ainda a dureza da fome
parida pela desigualdade escandalosa
que os verdugos do tempo lhe dão o nome
e acarinham como se fosse dádiva saborosa.
Diante de vil necessidade...

precisamos de gente grande na palavra
que se anuncia justiça fermento honestidade
da massa que no silêncio humilde
constrói vida nova pela coragem da verdade
da paz enorme que o sorriso da criança
contagia pelas artérias da liberdade. 
E renovo o propósito...

hoje chove a angústia e sopra o vento do sofrer
não preocupam as palavras cínicas
bem vestidas nos corredores do poder
são sinal dos tempos e doença
- ai como dói o troar pensado da indiferença.
José Luís Rodrigues

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Um consolo para os tempos da crise

Crise? Qual crise?!
A língua portuguesa continua rica...
A crise...
Os padeiros não têm massa
Os padres já não comem como abades
Os relojoeiros andam com a barriga a dar horas
Os talhantes estão feitos ao bife
Os criadores de galinhas estão depenados
Os pescadores andam a ver navios
Os vendedores de carapau estão tesos
Os vendedores de caranguejo vêem a vida a andar para trás.
Os desinfestadores estão piores que uma barata
Os fabricantes de cerveja perderam o seu ar imperial
Os cabeleireiros arrancam os cabelos
Os futebolistas baixam a bolinha
Os jardineiros engolem sapos
Os cardiologistas estão num aperto
Os coveiros vivem pela hora da morte
Os sapateiros estão com a pedra no sapato
As sapatarias não conseguem descalçar a bota
Os sinaleiros estão de mãos a abanar
Os golfistas não batem bem da bola
Os fabricantes de fios estão de mãos atadas
Os coxos já não vivem com uma perna às costas
Os cavaleiros perdem as estribeiras
Os pedreiros trepam pelas paredes
Os alfaiates viram as casacas
Os almocreves prendem o burro
Os pianistas batem na mesma tecla
Os pastores procuram o bode expiatório
Os pintores carregam nas tintas
Os agricultores confundem alhos com bugalhos
Os lenhadores não dão galho
Os domadores andam maus como as cobras
As costureiras não acertam as agulhas
Os barbeiros têm as barbas de molho
Os aviadores caem das nuvens
Os bebés choram sobre o leite derramado
Os olivicultores andam com os azeites
Os oftalmologistas fazem vista grossa
Os veterinários protestam até que a vaca tussa
Os alveitares pensam na morte da bezerra
As cozinheiras não têm papas na língua
Os trefiladores vão aos arames
Os sobrinhos andam "Ó tio, ó tio"
Os elefantes andam de trombas...
 
SÓ OS POETAS CONTINUAM COMO SEMPRE...  TESOS MAS MARAVILHOSOS! 

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Somos todos filhos de Deus

O Bom Pastor
Comentário à missa domingo IV Tempo Pascal, 26 abril de 2015 
O 4º domingo da Páscoa é considerado o «domingo do Bom Pastor», neste preciso domingo a liturgia propõe uma passagem do capítulo 10 do Evangelho de São João, no qual Jesus se apresenta como «Bom Pastor». Este é o tema central para a nossa reflexão e celebração neste dia.
O mais importante é que com esta ideia do «Bom Pastor», sentimo-nos todos filhos de Deus. Esta filiação radica em Jesus, que veio ao mundo para realizar a obra maior da história humana. Nós, humanidade englobada neste processo, somos agora membros desta grande família de Deus. Os filhos de uma fraternidade que marcha a partir do Deus revelado por Jesus Cristo e que caminha na História em direcção à eternidade que se encontra na «casa» deste Deus. Por mais desgraçados que sejamos, não somos órfãos nem muito menos «filhos das varas verdes», mas filhos no Filho do Deus revelado na história humana.
Nós precisamos e é bom que nos digam sempre que somos filhos de Deus. A solidão que o sofrimento desta vida provoca precisa de uma palavra que nos anime na esperança de uma realidade consoladora a partir de um Deus que nos ama como seus filhos.
Por isso, São João desafia-nos a estender os braços, como faz o Bom Pastor com as suas ovelhas, a todos os recantos da vida. Onde a doença consome a vida e debilita o corpo, podemos aquecer o coração dessas vítimas com a nossa palavra de esperança e tocar bem fundo com esta certeza, o nosso Deus é um Deus Pai-Mãe da humanidade inteira e ama de modo especial todos aqueles e aquelas que experimentam a dor como alimento desta vida.
Podemos nós lutar contra a injustiça, que o nosso mundo alimenta e dá como alimento a tantos irmãos nossos. A nossa filiação divina devia encorajar-nos e escandalizar-nos contra tudo o que não promova a vida em todo o seu esplendor. Tudo o que seja contra a felicidade devia receber de nós uma luta constante.
Somos filhos de Deus e nesta condição devemos estar atentos a tudo o que não é felicidade. Deus deseja que tomemos consciência da nossa condição e logo depois colocá-la em prática, deixando o nosso egoísmo e comodismo de parte para nos devotarmos à vida partilhada para o bem de todos.
Por fim, termino com uma breve explicação sobre o sentido da filiação de Jesus e a nossa condição de filhos de Deus.
Em última instância Deus é nosso pai-mãe, porque é nosso criador. Mas de criaturas de Deus passamos a filhos adoptivos de Deus pelo Baptismo. Somos, portanto, propriedade de Deus, somos filhos adoptivos de Deus, por isso mesmo, filhos amados de Deus. No Antigo Testamento usa-se para o povo de Israel a expressão «Filho de Deus» (Ex 4,22) e cada um dos seus membros como «Filho de Deus» (Dt 14,1). No Novo Testamento, São Pedro proclama Jesus como Filho do Deus vivo (Mt 16,16). Porém, Jesus parece preferir chamar-se de «Filho do Homem», que equivale a «Messias» (Mt 26,64). Jesus está unido ao Pai pela filiação divina, mas ele quis ser igual a nós em tudo, menos no pecado. Por isso, ele, nascendo de Maria, é o «Filho do Homem» também. Assim, por ser verdadeiro homem ele pode nos libertar do pecado e garantir para nós a filiação divina também. Há uma frase que resume bem a salvação que Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, nos trouxe. A frase é esta: «O Filho de Deus se fez homem, se fez Filho do Homem, para que o homem fosse filho de Deus». 

terça-feira, 21 de abril de 2015

A desumana humanidade

Magnífica imagem. 
Acrescento uma legenda a esta luta hercúlea pela sobrevivência: é preciso salvar esta humanidade desumana. Uma vergonha às portas de uma Europa que deixou há muito de ser para pessoas. Converteu-se numa fortaleza velha... Acorda Europa, por favor!
 
«É necessário enfrentar juntos a questão migratória. Não se pode tolerar que o Mar Mediterrâneo se torne um grande cemitério! Nos barcos que chegam diariamente às costas europeias, há homens e mulheres que precisam de acolhimento e ajuda. A falta de um apoio mútuo no seio da União Europeia arrisca-se a incentivar soluções particularistas para o problema, que não têm em conta a dignidade humana dos migrantes, promovendo o trabalho servil e contínuas tensões sociais. A Europa será capaz de enfrentar as problemáticas relacionadas com a imigração, se souber propor com clareza a sua identidade cultural e implementar legislações adequadas capazes de tutelar os direitos dos cidadãos europeus e, ao mesmo tempo, garantir o acolhimento dos imigrantes; se souber adoptar políticas justas, corajosas e concretas que ajudem os seus países de origem no desenvolvimento sociopolítico e na superação dos conflitos internos – a principal causa deste fenómeno – em vez das políticas interesseiras que aumentam e nutrem tais conflitos. É necessário agir sobre as causas e não apenas sobre os efeitos» (Papa Francisco, Discurso no Parlamento Europeu em Estrasburgo - 25 novembro de 2014).

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Apelo aos políticos da nossa terra


Hoje é um dia especial para a nossa terra. Realizadas as eleições regionais, chega o dia e a hora da tomada de posse do governo formado pelo partido mais votado. Outra vez governo do PPD-PSD com maioria absoluta encabeçado por Miguel Albuquerque. Nada de novo debaixo do sol, tudo como se previa.
Algumas coisas vão se alterar profundamente, é normal que assim seja, mas não se diga que estejamos perante um «novo ciclo», porque efectivamente até prova ao contrário, não estamos. Há sim uma continuidade denominada de «renovação» com um grande número dos mesmos que andam na política há muitos anos.
Convém lembrar que nada se alterou em termos sociais. A miséria continua derrama sobre as mesas de milhares de madeirenses. Nem a cidade que não temos, pintada de flores e mulheres bonitas por estes dias consegue a apagar essa chaga.
Por isso, aos novos e velhos políticos que hoje assumem funções governativas e os outros que se vão sentar na casa de democracia, a Assembleia Regional, é legítimo fazer-se um apelo.
Todos sabemos que não há políticas e políticos milagreiros. Ninguém faz milagres, é um dado mais que evidente para todos. Mais ainda se sabemos que a realidade de hoje é da mundialização. O mundo está interdependente e mais ainda nós dependentes do Governo Central, porque foram os últimos anos na Madeira de uma irresponsabilidade grave, que nos deixa dependurados a uma dívida pública astronómica. Por isso, aos governantes novos e velhos pede-se engenho e arte para que a justiça e a preocupação com o bem comum prevaleçam sobre qualquer interesse privado ou de grupo.
O principal apelo que se deve fazer é que com base nesta ideia da mundialização, nós não nos tornemos ainda mais dominados pela ideia da ilha. O isolamento provocado pela arrogância, o insulto e a ideia banal de que somos auto-suficientes até à hora de estender a mão para pedir dinheiro, não pode existir mais. Precisamos de muito espírito aberto à diferença e quebrar as divisões e toda animosidade que estes últimos anos geraram na sociedade madeirense. É preciso acabar com o pensamento único, encomendado aos escribas de serviço do regime que amordaçaram a liberdade de expressão e manietaram completamente a criatividade e o caminho da crítica, aliás, um bem fundamental no espírito da democracia.
Muita atenção à igualdade. As divisões, criam conflitos e miséria que se instala em toda a parte. Não pode continuar a prevalecer a ideia de que quem está na política fica cada vez mais rico. Tem todos os direitos e benesses. A maioria da população é o resto que deve simplesmente contribuir a todo o custo para alimentar estes eleitos. Um mundo com ricos cada vez mais ricos, pobres mais miseráveis. Isto não pode continuar. Não é da justiça que assim seja. Não é humano. Não faz da democracia um caminho simpático para todos. Ajudem a organizar a nossa terra de forma diferente. Não se esqueçam da partilha, mesmo que não se importem muito com a competitividade, que já demonstrou até à saciedade ser a face negra do capitalismo. Não tenham medo de pensar, falar e propor medidas que tenham como fundo a solidariedade, contra a minoria dos interesses dos privilegiados.
Senhores governantes, lembrem-se que a beleza de uma cidade, de um país e de uma região não está apenas em ter monumentos e jardins  esplendorosos, estruturas desportivas de ponta, festas luxuosas com muitas iguarias típicas e com desfiles de flores, mulheres e crianças bonitas... A beleza da nossa região resplandece quando a população tem habitação condigna para viver, quando há emprego para todos, quando a saúde está garantida sem que tenhamos listas enormes de gente à espera de uma cirurgia ou lhes falta camas e outros elementos necessários para ser tratada nos hospitais ou quando vai à farmácia e tem condições monetárias para aviar as suas receitas.
A beleza da nossa região está na possibilidade das nossas crianças e jovens puderem ir para a escola sem fome e aí encontrarem um ambiente saudável de convivência humana, familiar, porque sem violência e com todos os meios necessários para estarem seguros aprendendo os valores e adquirindo sabedoria para o seu e nosso futuro, porque a nossa escola, afinal, permite trabalho a sério, lazer para todos, para que aí possam crescer felizes e despertarem para o sentido da dignidade de virem a ser cidadãos verdadeiramente empenhados na construção do bem comum.
A beleza da nossa região está no seu povo quando está feliz, porque lhe foi proporcionada a possibilidade de ter tempo para trabalhar, para o lazer e desabrocha com dignidade para a vida, à luz das medidas justas que os políticos eleitos souberam implementar.
A beleza de uma região está na ausência de ter que estender a mão à caridade para matar a fome. Acabem com o oceano de instituições de caridade que proliferam nos últimos anos como cogumelos entre nós. Ponham fim a este estado de pedincha onde uma larga maioria pede e a outra anda mais que esfolada a pagar impostos astronómicos e quase mensalmente ser perseguida à porta dos supermercados para dar esmolas para os pobres. Não, isto não embeleza o nosso povo e a nossa região!
Senhores governantes não fiquem fechados nos seus confortáveis escritórios e nos espaços oficiais que o cargo vos permite, venham ao encontro das pessoas, procurem saber do que falta na casa daqueles que ficaram sem emprego e que têm filhos para criar. Vão aos nossos hospitais e comecem a vossa caminhada pelas urgências até às enfermarias, onde estão muitos conterrâneos nossos a sofrer. Não tenham medo das pessoas e não se fechem debaixo da auréola da importância do poder, permitam que a realidade se vos imponha e não deixem de se comover com ela se for o caso.
Fica este apelo singelo e que o dia de hoje seja de facto o dia D, não para um partido político, para o grupo dos governantes e para toda a máquina que se tem alimentado do bolo do orçamento regional, mas para todo o povo da Madeira. Esta é a nossa esperança, mesmo que tenha alguma ingenuidade à mistura. O sonho comanda a vida e a vida sem sonho é miséria cruel.

sábado, 18 de abril de 2015

Somos sal

Poema para o fim de semana. Sejam felizes sempre sem prejudicar ninguém...
O balanço sereno
que a suavidade da brisa
permitiu
numa hora qualquer
desta vida
disse-nos que o sentido
se reclinava
para sempre no sol
incandescente da palavra
do poema do amor.

Foi aí que percebi o quanto nos toca
a ideia do amor quando somos sal
tempero na maresia junto da margem
que a encosta íngreme permitiu
entra a linha de água e a terra
lá longe na origem do criador
quando as águas foram e vieram
e contornaram as rochas do mundo.
José Luís Rodrigues