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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Olhar os outros como eles são e não como nós queríamos que fossem

Terceiro dia da unidade 2017 (tirado de Fraternitas Movimento AQUI) 
A unidade dos cristãos
18 a 25 de janeiro 2017 – Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

20 de janeiro de 2017 - terceiro dia da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos: texto bíblico, meditação, questionamento e oração
Tema do DIA 3
Não conhecemos ninguém à maneira humana, mas com os olhos e o coração de Deus que reconcilia (2.ª Carta aos Coríntios 5, 14-20)

Oração
Deus, Pai, Filho e Espírito Santo,
és a origem
e o objetivo de todas as coisas vivas;
perdoa-nos quando só pensamos em nós mesmos
e ficamos cegos por causa de nossos próprios padrões;
abre os nossos corações e os nossos olhos;
ensina-nos a ser amáveis, acolhedores e generosos,
para que possamos crescer na unidade que é dom teu.
Amém.
- Meditação
O encontro com o Senhor Jesus Cristo transforma tudo. Paulo teve essa experiência quando ia para Damasco prender cristãos. Pela primeira vez ele pode ver Jesus como Ele realmente era: o Amor que não julga, mas salva o mundo.
Então, o seu ponto de vista mudou. E deixou de julgar os outros usando critérios religiosos ou meramente humanos.
Se continuarmos a dizer «Deus não quer isso» como condenação e não para corrigir ou aconselhar é porque ainda não nos encontrámos com Cristo. Fazemos coisas ou proclamações «em nome do Senhor». Quando, no fundo, o que pretendemos é impor um Deus à nossa imagem e segundo o nosso entendimento.
Somos chamados a ver os outros como Deus os vê, sem desconfiança, sem preconceito, sem usar a Bíblia como um código de leis, mas como uma exortação à reconciliação permanente.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

O silêncio de Deus perante a cruel perseguição

Crítica de cinema
1. Estreou entre nós o filme «Silence» de Martin Scorcese. É um filme que está a suscitar algum debate na comunicação social. Obviamente, que merece ser bem escalpelizado e a reflexão deve ser feita em todos os seus contornos. Já vi o filme. Gostei muito e fez-me pensar em vários elementos que até não são novidade, principalmente se considerarmos que o tema principal do filme prende-se com o sofrimento e o silêncio Deus perante a crueldade que uns homens aplicam contra outros homens em nome de uma divindade ou por causa dessa mesma divindade. O filme «Silêncio» foi também estreado no Vaticano no dia 29 de novembro de 2016 para um grupo de Jesuítas.

2. O filme trata da grande perseguição aos cristãos no Japão no século XVII. Baseou-se no livro com o mesmo nome do escritor japonês Shusaku Endo, publicado em 1966, que conta a história de padres jesuítas enviados em missão ao Japão no século XVII, num contexto de perseguição à fé cristã. Andrew Garfield – o intérprete do Homem-Aranha nos últimos filmes do herói – interpreta o padre Sebastião Rodrigues, Adam Driver – de Lincoln e Star Wars: O Despertar da Força – faz o papel do padre Francisco Garupe e Liam Neeson – famoso pelo papel de protagonista em A Lista de Schindler e pela voz do leão Aslan na trilogia As Crónicas de Nárnia – interpreta o padre Cristóvão Ferreira. O filme é um velho sonho de Scorsese, que o desenvolve há 28 anos. A produção começou 2009. A história é ficcional, mas inspira-se na vida real de Cristóvão Ferreira, um padre jesuíta que viveu entre 1580 e 1650 e que negou a fé cristã depois de ser torturado durante a perseguição aos cristãos no Japão. O cristianismo chegou ao Japão em 1549, através do missionário jesuíta São Francisco Xavier.

3. Porém, o filme tem muito que se lhe diga. Não podemos pegar nas suas várias nuances e avalia-las ligeiramente com os parâmetros da nossa mentalidade. Penso que será útil que vos destaque aqui os elementos que mais me tocaram onde centrei a minha reflexão. Vejamos: a) o silêncio de Deus face ao sofrimento humano, ainda mais se provocado cruelmente por homens contra outros homens; b) a fé «numa verdade» a qualquer preço; c) a evangelização sem inculturação não resulta; d) até que ponto a apostasia não é também uma exigência de Deus quando ela quebra a corrente da crueldade e restitui a liberdade? (…). São estes os itens que considero essenciais para que façamos um leitura sobre o filme «Silêncio».

4. Quanto ao silêncio de Deus perante o sofrimento é um tema antigo. Conta-se que um dia, em Auschwitz, um grupo de judeus levou Deus a julgamento. Acusaram-no de crueldade e traição. Como Job, não encontravam consolação nas respostas comuns ao problema do mal e do sofrimento no meio daquela obscenidade. Não conseguiam arranjar desculpa nem circunstâncias atenuantes para Deus e, por isso, consideram-no culpado e, em princípio, merecedor da pena de morte. O rabino pronunciou o veredito. Depois, olhou para cima e disse que o julgamento estava encerrado: eram horas da oração da tarde. Outro aspeto, um dia, a Gestapo enforcou uma criança. Até os SS se sentiam incomodados perante a perspetiva de enforcarem um rapazinho diante de milhares de espectadores. A criança que, recorda-se Elie Wiesel, tinha o rosto de “um anjo de olhos tristes”, estava calado, extremamente pálido e quase calmo ao subir para o patíbulo. Atrás de Wiesel, outro preso perguntou: “Onde está Deus? Onde está Ele?” A criança levou meia hora a morrer, enquanto os presos eram obrigados a olhar para ele. O mesmo homem perguntou outra vez: “Onde está Deus neste momento?” E Wiesel ouviu uma voz dentro de si que o fez dar a seguinte resposta: “Onde está Ele? Ei-lo - está a ser enforcado no patíbulo”. Não é fácil compreender, somos humanos. Até porque o silêncio de Deus tantas vezes é ensurdecedor e no filme podemos ver muitos desses momentos de silêncio ensurdecedor.

5. A fé «numa verdade» a qualquer preço e a evangelização sem inculturação não resultam. Aliás fica bem clara a evidência desse fracasso num dos diálogos entre o padre Sebastião Rodrigues e o intérprete japonês nomeado pelo temível «inquisidor» japonês, o governador de Nagasáqui. Felizmente, hoje esta não é a nossa mentalidade, mas não seria a do século XVII. A morte em nome da fé contra a apostasia era considerado um «bem», porque se acreditava que após o martírio, a entrada no «paraíso» seria direta. Esta mentalidade hoje não faz sentido. Nenhuma fé é considerada um bem absoluto, mas um dom que em todas as circunstâncias conduz à vida e à luta pela sua dignidade. Se a fé fere ou tira a vida não serve para nada. A fé é geradora de vida, nunca motivo de morte. Não se impõe a ninguém, mas é proposta que entra sempre pela via do diálogo com tudo o que encontra no caminho. Daí a ideia da inculturação e o fim das verdades absolutas.

6. Por fim, pergunto: até que ponto a apostasia não é também uma exigência de Deus quando ela quebra a corrente da crueldade e restitui a liberdade? – No momento da apostasia do padre Sebastião Rodrigues esse confronto fica bem claro na voz que se ouve como diálogo interior entre Deus e o padre Rodrigues. Com isto se conclui, que a fé não pode senão ser uma realidade que liberta do sofrimento e que pode ser negada desde que isso traga um bem maior, neste caso, o fim da perseguição de inocentes. Até chego a esta pergunta extrema, sentir-se-á Deus beliscado na sua divindade ou na sua substância, se em nome da vida e do fim da crueldade, que alguém o negue? – Estou seguro, pelo que sei do Deus em que acredito, que até isso nos permite, porque a Sua opção é sempre pela vida absolutamente e sem condições.

Unidade dos cristãos - Deus é família

Segundo dia da unidade 2017
18 a 25 de janeiro 2017 – Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

19 de janeiro de 2017 - segundo dia da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos: texto bíblico, meditação e oração:
Oração
Deus nosso Pai,
em Jesus Cristo nos libertaste para uma vida
que vai além de nós mesmos;
orienta-nos com teu Espírito
e ajuda-nos a orientar nossas vidas
como irmãs e irmãos em Cristo,
que viveu, sofreu, morreu e ressuscitou por nós,
e que vive e reina para todo sempre.
Amém.

- Meditação
Se a nossa vida fosse apenas nascer, alimentar-nos, divertir-nos, trabalhar para isso, procriar e morrer neste mundo, seríamos egoístas. E mesmo o que fizéssemos para a felicidade dos outros teria como motivação a nossa satisfação pessoal.
Deus, que é amor, é família. Ao criar-nos, colocou em nós o gérmen da felicidade que aumenta quando partilhada. E, o Senhor Jesus Cristo, ao morrer e ressuscitar por cada um de nós, deu-nos o maior exemplo do poder doador de vida que há no amor.
Todavia, seja antes de Cristo, seja depois de Cristo, a sociedade têm vivido em solidão, em egoísmo, em exploração e descarte de uns pelos outros.
Fiéis ao Pai que nos criou, ao Filho que nos deu exemplo e ao Espírito que alimenta em nós o Amor, os cristãos, na comunhão dentro da sua Igreja e na comunhão com as demais Igrejas, com as demais religiões e com todas as pessoas sem religião, são chamados a desenvolver formas de vida comunitária inspiradas no Evangelho.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

O Reino de Deus para os nossos dias

Domingo III Tempo comum. Reflexão para quem habitualmente participa na missa no fim de semana, mas não só...
1. O Reino de Deus, na Bíblia, designa um governo ou domínio em que tem Deus por soberano ou governante. É sinónimo de teocracia. Segundo o Génesis, os primeiros humanos rebelaram-se deliberadamente contra a soberania de Deus. O Reino Milenar de Cristo é subsidiário do Reino de Deus.

2. Segundo uma outra interpretação teológica, o Reino de Deus é o Projecto Criador de Deus a realizar neste Mundo e que consiste na plena realização da Criação de Deus, finalmente liberta de toda a imperfeição e compenetrada por Ele.

3. É interpretado também como o estado terminal e final da salvação, onde os homens irão transcender-se e viver eternamente com Deus. Lá, a lei do amor incondicional a Deus e ao próximo é finalmente instaurada definitivamente. Não haverá mais tempo, mais sofrimento, mais conflitos, mais ódio, e o céu e a terra unem-se finalmente. Embora Deus seja Todo-Poderoso, Ele quer que nós, humanos, dotados de inteligência e razão, participemos de um modo recíproco, livre e voluntário no Projecto Criador de Deus, o maior de todos os projectos que o mundo jamais viu, englobando todos os tempos, todos os povos e todos os seres do Universo.

4. Seguindo este pensamento, esta missão torna-nos verdadeiros parceiros de Deus, com muita liberdade e simultaneamente muita responsabilidade. Isto quer dizer que nós temos o poder e a capacidade de acelerar a vinda do Reino de Deus com a nossa fé e esperança em Jesus Cristo e com as nossas boas acções.

5. para os tempos de hoje desejamos fazer um Reino de Deus que seja o nosso reino, onde todos têm lugar e vez à mesa do Pão. Onde a paz não seja um desejo todos os dias adiando. Onde a justiça se torna a norma de conduta das sociedades. Onde ninguém estende a mão porque é mendigo, mas tem o seu trabalho e ganha o seu pão como fruto do seu empenho, o seu suor e o seu esforço. Onde ninguém tem necessidade de emigrar porque o seu país não lhe dá oportunidade de integração. Onde aqueles que fogem da violência e da fome são acolhidos como semelhantes e irmãos. 
6. Onde ninguém chora porque está a ser explorado. Onde ninguém sofre porque não tem remédios nem mãos amigas que tratam. Onde ninguém é raptado. Onde ninguém é violado ou objecto de comércio. Onde os idosos não são descartados. Onde as subidas ou descida das ações de qualquer empresa não são mais importantes que um idoso. Um não há «uma economia que mata» (Para Francisco). Onde não há gente maior e gente menor. Mas apenas e só irmãos que se respeitam por que todos iguais na dignidade e no valor da vida.

7. Por isso, o Reino de Deus que acredito, cabe todos e, afinal, todos são olhados e tidos como realidade da presença de Deus e por conseguinte carne da nossa carne que precisa de amor, de compreensão e da ternura do encontro. É este o reino de Deus que o Evangelho de Jesus anuncia.

Unidade dos Cristãos

Tirado de Fraternitas Movimento - Aqui
18 a 25 de janeiro 2017 – Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos
18 de janeiro de 2017 - primeiro dia da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos:
Oração
Deus nosso Pai, 
em Jesus nos deste Aquele que morreu por todos;
Ele viveu a nossa vida e morreu a nossa morte.
Concede que nós sejamos para os outros
e os outros sejam para nós,
irmãos e irmãs,
por reconhecimento do que Jesus fez por nós e por eles,
e, assim, 
pelo Santo Espírito
nos tornemos um só na fraternidade.
Amém.

- O pastor alemão Dietrich Bonhoeffer, que morreu num campo de concentração, escreveu: «Sou um irmão para outra pessoa através daquilo que Jesus Cristo fez por mim e para mim; a outra pessoa tornou-se uma irmã para mim através do que Jesus fez por ela.» 

Cristãos estacionados na Igreja

1. Ser cristão não é fácil. Ser católico é mais fácil. Ser cristão implica estar sempre inquieto, requer uma força de vontade para seguir e pôr em prática o ideal de Jesus Cristo, que não é nada pêra doce. Ser católico é mais fácil, porque aquieta a consciência com meia dúzia de orações, umas devoções, umas bênçãos, umas idas à missa todas as semanas ou algumas vezes no ano, tocar e beijar as imagens dos santos e de Nossa Senhora, rezar nas aflições, ir a Fátima pedir milagres e algumas vezes rezar o terço...

2. O Papa Francisco na missa de ontem exortou os católicos a se tornarem cristãos a sério e a levarem «uma vida corajosa» contra a preguiça que invade tantos que estão «estacionados» na Igreja. Acrescenta Francisco que «E quando digo cristãos, digo leigos, padres, bispos… Todos. E como existem cristãos estacionados! Para eles, a Igreja é um estacionamento que protege a vida e vão adiante com todas as garantias possíveis». Tantas vezes dá para pensar assim e ainda muito pior se considerarmos que muitos estacionam nas igrejas para engendrarem tudo o que podem contra os outros, mostrarem o que valem, porque fora dela não seriam nada e ninguém olharia para eles. Nada contra isso, até ao momento em que essas atitudes se tornam campo de batalha para a exclusão, a maledicência e o deitar abaixo quem não consideram pertencer ao redil. Há um dando de narcisos dentro da Igreja, que o Papa Francisco parece determinado a «combater» e eu estou profundamente solidário com ele.

3. Mas vale a pena seguir a explicação que dá o Papa Francisco na sua homilia, sobre o que são os «cristãos estacionados». São «os cristãos preguiçosos, os cristãos que não têm vontade de ir avante, os cristãos que não lutam para fazer as coisas mudarem, coisas novas, coisas que fariam bem a todos se mudassem. São os preguiçosos, os cristãos estacionados: encontraram na Igreja um belo estacionamento. Esses cristãos parados fazem-me lembrar uma coisa que os nossos avós diziam quando éramos crianças: “Fique atento porque água parada, que não escorre, é a primeira a se corromper”».

4. Mais um alerta a toda a Igreja Católica para que os seus membros se tornem verdadeiros cristãos. Entre nós as águas estão mais que estacionadas e por isso estão bem corrompidas. Assim, precisamos de seguir este retiro reflexivo a partir do interior: «Vamos nos fazer a pergunta: como sou eu? Como é a minha vida de fé? É uma vida de horizontes, de esperança, de coragem, de ir para a frente ou uma vida morna que nem mesmo sabe suportar os maus momentos?». Fica a dica.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

A desigualdade da riqueza mundial

Imagem Google
1. A desigualdade é maior desgraça do mundo. Não podemos aceitar que oito entidades tenham mais riqueza do que 50% da população mundial. Não é ético. Não é humano. Não é legítimo que o mundo esteja assim ordenado que permita este escândalo. O mundo é de toda a humanidade e todos os seres humanos têm direito a viverem neste mundo com dignidade.

2. A riqueza e a pobreza sempre existiram, é certo e devemos aceitar isso como uma realidade incontornável. Mas, que seja a pobreza uma realidade que se pode e deve combater. Não é necessário que toda a humanidade se torne rica, mas que toda a humanidade tenha o necessário para sobreviver com dignidade. Bastava isso.

3. Os oito magníficos são: Bill Gates, Amancio Ortega (fundador da Zara), Warren Buffett, Carlos Slim Helú (setor das comunicações no México), Jeff Bezos (fundador da Amazon), Mark Zuckerberg (fundador do facebook), Larry Ellison (Oracle), e Michael Bloomberg (ex-presidente de Nova Iorque), são os oito multi-milionários mais ricos do mundo e, entre si, controlam mais riqueza do que os 50% mais pobres, o que perfaz 3,6 mil milhões de pessoas, diz a Oxfam no relatório agora publicado, para coincidir com o início do Fórum Económico de Davos, na Suíça. Não podemos aceitar este capitalismo desenfreado, desumano e profundamente injusto.

4. Parece que estas fortunas resultam da retração «salarial agressiva» de grande parte da população mundial, da fuga aos impostos do capital que se acumula em cada ano e da redução de margem dos produtores. Eis o eldorado do capitalismo desenfreado, que se alimenta da injustiça, da crescente pobreza, da fome e da miséria de meio mundo.

5. O próprio relatório considera ser «demasiado grotesca» esta discrepância e conclui que a espiral crescente da desigualdade é inaceitável e conduz a humanidade para uma tragédia social sem precedentes. Esta hecatombe deve fazer-nos pensar seriamente e com base na realidade da fome e da miséria deste meio mundo denunciar de forma vibrante esta desigualdade horrenda, que nos conduzirá a um mundo cada vez mais cheio de miseráveis.