Convite a quem nos visita

sexta-feira, 1 de julho de 2016

As prioridades e o essencial continuam doentes na nossa terra

A tarde estava airosa embora a humidade estivesse presente como acontece com muita frequência nestas alturas do ano no Funchal. É precisamente nessa última tarde de junho que subo o monte até ao hospital do Marmeleiros.
Primeiro embate negativo, não pode entrar com o carro. Onde deixo o carro, fora, responde com funcionário porteiro com voz seca e grossa. Procuro estacionamento fora, há carros parados por todo o lado, há um caos vergonhoso que atrapalha a circulação dos outros carros com outros destinos que não o hospital. Repentinamente, uma boa alma vai sair, apresso-me e tomo o lugar deixado vago, mesmo ali junto à entrada do hospital. É melhor era impossível face ao dramático caos. Metade do meu carro em cima do passeio a outra metade na estrada. Um obstáculo que acabo de deixar perigosamente num canto que devia estar livre para a circulação de peões e para os outros veículos. Obedeci e fiz o que me mandaram.
Lá vou eu preocupado, visitar uma pessoa doente. Antes de entrar deparo-me com um descampado logo na parte frontal do hospital que seguramente chegaria para estacionar uma boa porção de carros que estavam estacionados caoticamente fora do hospital.
É hora de vislumbrar a paisagem que a localização do hospital dos Marmeleiros nos proporciona sobre o Funchal. Há um navio de cruzeiro encostado no Porto, as casas brancas anunciam uma paz sem fingimento que nos retempera a alma e faz sorrir com tamanha beleza.
Depois da hora do assombro divino que os olhos contemplaram, temos que entrar e vamos nós à procura de quem desejamos ver e quem almeja uma palavra de saudação, de esperança e de consolo. Nada é mais importante para que passa pela experiência da convalescença.  
Entramos logo até ao hall onde está alguém cheio de simpatia, que logo que se apercebe da nossa condição, dá-nos livre trânsito ao contrário do impacto inicial negativo que a voz grossa e seca revelou.
Depois de termos sido alimentados pelo deslumbrante abraço da paisagem, vamos percebo que a visão agora revela outra coisa menos simpática, os cheiros agora também são outros, as paredes estão carregadas de humidade, há homens e mulheres com batas brancas e outro pessoal, que suponho ser auxiliar imprescindível para os doentes, na limpeza e na alimentação. Porém, vê-se outros, penso, serem visitantes que circulam pelas escadas e corredores. O caos de carros à volta do hospital dos Marmeleiros é bem revelador do ambiente que vamos encontrando dentro. Obviamente, que há várias pessoas aparentando serem doentes, com elas os apetrechos dos hospitais e um ambiente geral de tristeza e sofrimento.
Eis que chego ao andar e à sala onde jaz doente a pessoa que venho visitar. Não gosto do cheio, não gosto de quase nada que vou vendo. Mesmo que reconheça o esforço que deve estar ali estampado para que esteja limpo e as pessoas tenham alguma dignidade. Por isso, nunca se afasta de mim o pensamento, aqui estão os nossos espelhos.
Hoje dia 1 de julho dia da Autonomia, que há muito anda perdida, seria bom pensar o essencial para os madeirenses. A saúde e o bom ambiente nos nossos hospitais deviam ser essenciais para todos os madeirenses. Mas, não está sendo, só será para cada um, provavelmente, quando seja tomado pela fatalidade da doença. Essencial para os madeirenses, ainda continua a ser as festas, as marchas populares, a animação musical dos arraiais (este ano com uma abundância de cantores famosos como nunca se viu e a fortuna que isto não deve implicar!), os foguetes, as barracas com comes e bebes e toda a parafernália que vai fazendo cegar o pensamento, que inebria por alguns momentos, mas passado o efeito levamos com a paisagem desoladora do sistema de saúde que temos. É triste que baste ao madeirense apenas circo.
É grave que assim seja. É grave que o mau ambiente nos lugares onde se trata da saúde, não encontre mais militância empenhada na sua transformação. Por isso, as prioridades andam sempre invertidas. É melhor betão armado para a festa e música no circo constante. O hospital ter bom ambiente fora e dentro, nos corredores, nas salas onde estão os doentes e paredes frescas e cuidadas pouco ou nada importa… É intolerável, as paredes estarem sujas, cheias de humidade, portas e cantos dos corredores escabeçados e riscados pelo uso sem que ninguém procure manutenção frequente. Já cansa termos que lembrar o que não lembra ao diabo, haver máquinas necessárias para o tratamento dos doentes que não funcionam, pessoal desavindo uns contra os outros dentro do sistema de saúde, listas de espera que duram anos e anos, perigos de transmissão de doenças porque falta material, a medicação adequada e detergentes desinfetantes... Tantas vezes penso, porquê tanta gritaria por um novo hospital, se não sabemos cuidar e gerir convenientemente aqueles que temos agora?
Faz falta responsabilidade quanto às prioridades da parte de quem tem responsabilidade, mas faz falta também a consciência a um povo que devia há muito ter aprendido o que é o essencial. Neste domínio falta-nos ainda muito para crescermos e sermos um povo verdadeiramente militante na luta pelos seus direitos e menos embriagado pelas festas e festanças. Também muito menos iremos a onde se deseja com propaganda, muita propaganda.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Momento do envio dos discípulos

Comentário à missa deste domingo XIV Tempo Comum. Pode servir para quem vai à missa no fim de semana e não só... Espero que seja útil para além.
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O tema deste domingo é "o envio". Jesus envia os seus discípulos para o meio do mundo. Todos nós cristãos, fomos chamados e somos enviados para anunciar a Boa Nova de Jesus entre todos os povos. Este ensinamento pode ser feito através da palavra e principalmente através da vida, do testemunho. É na alegria de viver o nosso ser cristão que mostraremos o sentido que tem Cristo para as nossas vidas. O cristão é chamado a viver uma relação de amor que qualifica a sua vida, pois, "na verdade, é Deus que produz em nós tanto o querer como o fazer, conforme a Sua vontade" (Fl 2,13).
A vida divina age incessantemente na nossa pessoa. Exige dela um modo de vida coerente com os ensinamentos de Jesus Cristo pois, estes tornam-se vida interior: "Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim (...) "ninguém me importune, porque eu trago no meu corpo os estigmas de Jesus" (Gl 2,20; Gl 6, 17). Porque, o grande desafio é ser enviado para o meio de lobos.
Jesus envia para o meio do mundo, onde haverá gente muito boa, mas também gente muito má. Ambos precisam do amor de Jesus. Muitos homens maus e mulheres más são bons e amigáveis com as pessoas de quem gostam. Mas o nosso verdadeiro carácter revela-se quando temos que nos doar aos agressivos, aos traidores e arrogantes, quando somos colocados à prova e temos que amar as pessoas de quem não gostamos tanto ou têm atitudes más.
Assim, o ser discípulo de Jesus está ligado ao carácter, à paciência, à bondade, à humildade, à abnegação, ao respeito, à generosidade, à honestidade e compromisso... Mais ainda se pensarmos que devemos ser tomados de uma consciência muito forte sobre a justiça e o bem comum. Para que o mundo em que nós vivemos se torne mais feliz para todos nós.

Nunca mais acaba o terrorismo

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É com muita mágoa, que de quando em vez, somos confrontados com palavras que nos assustam. Elas são terrorismo, vítimas, atentados, bombas que rebentam, fazem destroços e espalham mortos e feridos, balas que retinem e rasgam a carne, e, não esqueço, os bombistas suicidas… Um rol interminável de palavras duras que nos fazem estremecer. É o quotidiano do mundo em que vivemos.
Mas ao lado disso, vai crescendo como o silvado que toma conta de tudo nos campos, a xenofobia, o racismo, a intolerância face aos emigrantes, o desrespeito face à vida e dignidade do outro. Uma vida humana hoje parece valer quase nada e a consciência acerca do inocente é nula.
É preciso uma vida que começa pela educação que esteja distante da prática do terror e o discurso sobre o terror só deve ser permitido para o repudiar ou travar. Estas ações são muito importantes para que se garanta que as sociedades não procuram mais resolver os seus problemas políticos, sociais, religiosos e outros pela violência de qualquer teor, que espalha o medo e terror.
Nenhum discurso político e ideológico que defenda o terrorismo devia ser tolerado, venha de onde vier e esteja onde estiver. Não pode haver direito à «liberdade de expressão» para espalhar o terrorismo, o racismo e a xenofobia. Também não pode ser compreensível, existirem tantas pessoas que estejam disponíveis para matarem e morrerem por determinadas causas, sejam elas políticas, religiosas, económicas e culturais.  
É urgente a sociedade mundial compreender as ideologias que movem as práticas do terrorismo. Porque, cada ano que passa, a humanidade inteira sente-se, cada vez mais desconfiada entre si, acossada, receosa e com medo de ataques com armas que destroem bens e matam tantos inocentes.
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Este mundo precisa de concerto. Mas, enquanto os Estados ditos civilizados, continuarem a vender armas a Estados e grupos terroristas, a violência continuará a semear dor, lágrimas e morte por esse mundo fora. Em nome do lucro não pode valer tudo.
O terrorismo tem causas e tem duas faces. Não podemos de forma nenhum esquecer todas as componentes que conduzem a esta barbárie em que está mergulhada a humanidade. Uma análise séria requer uma atenção muito importante em todas as vertentes. Porque os verdadeiros culpados deste ambiente de violência e terror em que vivemos estão em todo o lado, de tal forma que até os «pobres» suicidas são também vítimas, manipulados às mãos de quem há muito perdeu o respeito pela vida humana e seguramente viverá cego por interesses puramente materialistas e mundanos.
Posto isto, receio que esta escalada de terrorismo nunca mais nos deixe tranquilos e o mundo cada vez mais vai se convertendo numa enorme fortaleza armada até aos dentes e os cidadãos desconfiados uns dos outros deambulam como que loucos de um lado para outro, porque em qualquer esquina pode rebentar uma bomba ou serem disparadas balas assassinas sobre qualquer cidadão eleito alvo abater pelos loucos que se alimentam de carnificina.      

terça-feira, 28 de junho de 2016

Pedido de desculpas da Igreja aos gays

Vejamos o contexto dos títulos sensacionalistas que correram mundo sobre o «pedido de desculpas aos homossexuais» que o Papa Francisco defendeu.
A resposta à pergunta sobre os gays, feita ao Papa Francisco no avião que o trazia de regresso ao Vaticano vindo da Arménia, pelo jornalista Cindy Wooden, do Catholic News Service (CNS), agência católica dos Estados Unidos, tem levantado alguma celeuma. Nada de especial e nada que esteja fora daquilo que diz o Catecismo da Igreja Católica, aliás, fonte que o Papa faz referência.
Tendo em conta a importância da resposta que o Papa dá, fica aqui na íntegra a resposta tão interessante, para que não se fique unicamente pelo sensacionalismo dos títulos dos órgãos de informação, que por este dias têm feito ecoar, por exemplo, apenas e só sem qualquer contexto o seguinte: «Papa diz que a Igreja deve pedir perdão aos homossexuais» ou ainda: «Papa defende que a Igreja deve pedir perdão aos gays» e «Papa defende que a Igreja deve pedir desculpas aos homossexuais»… Reparemos na frase na íntegra do Papa Francisco que reproduzo em baixo na resposta à pergunta: «Eu creio que a Igreja não só deve pedir desculpas – como disse aquele cardeal "marxista" ... [risos] – a essa pessoa que é gay, que ofendeu, mas também deve pedir desculpas aos pobres, às mulheres e às crianças exploradas no trabalho; deve pedir desculpas por ter abençoado tantas armas. A Igreja deve pedir desculpas por não ter-se comportado tantas e tantas vezes – e quando digo "Igreja" entendo os cristãos; a Igreja é santa, os pecadores somos nós! – os cristãos devem pedir desculpas por ter acompanhado tantas escolhas, tantas famílias».
Só há uma coisa que me faz alguma confusão. Penso que não haverá instituição nenhuma que respeite mais os homossexuais que a Igreja Católica. Desde sempre a religião tornou-se um refúgio para os efeminados. As famílias nobres tinham essa alternativa bem determinada quando alguns dos seus membros manifestavam sinais nesse sentido. Os seminários e os conventos foram opções seguras para que o escândalo não rebentasse.
Mas a emancipação da sociedade, o domínio da informação, a perda de influência da Igreja Católica sobre a vida social e a mudança de mentalidades permitiram que todas as misérias de seminários, conventos e colégios viessem a lume. Hoje, tudo está mais esbatido. Mas ainda assim a Igreja Católica continua a ser lugar que abriga muitos homossexuais. Não sou contra. Sou pela tolerância e o que se exige aos heterossexuais, seja também exigido aos homossexuais, porque bastas vezes se nota que há maior tolerância para os gays e menor ou nenhuma tolerância para os heterossexuais. Exemplos neste sentido não nos faltam. 
Por fim, recordo um saudoso Director Espiritual, que convictamente ensinava, «quem não serve para o matrimónio não serve para o sacerdócio». A mensagem do Papa Francisco tem sido clara quanto a este especto e tem vindo sempre neste sentido.
A pergunta e a resposta sobre os homossexuais:
Obrigada Santidade. Nos últimos dias, o Cardeal alemão Marx, falando durante uma grande conferência muito importante em Dublin, sobre a Igreja no mundo moderno, disse que a Igreja Católica deve pedir desculpas à comunidade gay por ter marginalizado essas pessoas. Nos dias seguintes ao massacre de Orlando, muitos disseram que a Comunidade cristã tem algo a ver com este ódio contra essas pessoas: o que o senhor acha disso?
Papa Francisco: Vou repetir o mesmo que eu disse na primeira viagem e repito também o que diz o Catecismo da Igreja Católica: que não devem ser discriminados, que devem ser respeitados, acompanhados pastoralmente. Se podem condenar, não por razões ideológicas, mas por motivos – digamos – de comportamento político, certas manifestações um pouco muito ofensivas para os outros. Mas essas coisas não têm nada a ver com o problema: se o problema for uma pessoa que tem essa condição, que tem boa vontade e que busca Deus, quem somos nós para julgá-la?
Devemos acompanhar bem, de acordo com o que diz o Catecismo. O Catecismo é claro! Depois, há tradições em alguns países, em algumas culturas que têm uma mentalidade diferente sobre este problema. Eu creio que a Igreja não só deve pedir desculpas – como disse aquele cardeal "marxista" ... [risos] – a essa pessoa que é gay, que ofendeu, mas também deve pedir desculpas aos pobres, às mulheres e às crianças exploradas no trabalho; deve pedir desculpas por ter abençoado tantas armas.
A Igreja deve pedir desculpas por não ter-se comportado tantas e tantas vezes – e quando digo "Igreja" entendo os cristãos; a Igreja é santa, os pecadores somos nós! – os cristãos devem pedir desculpas por ter acompanhado tantas escolhas, tantas famílias.
Lembro-me quando era criança da cultura de Buenos Aires, a cultura católica fechada: Eu venho de lá... em uma família divorciada não se podia entrar na casa: eu estou falando cerca de 80 anos atrás. A cultura mudou e graças a Deus, como cristãos, devemos pedir tantas desculpas, não só sobre isso: o perdão e não apenas desculpas! “Perdão Senhor”!, é uma palavra que nos esquecemos. Agora eu sou um pastor e faço o sermão... Não, isso é verdade! Muitas vezes o "padre patrão" e não o "padre pai": o padre que bate e não o padre que abraça, perdoa, consola. Mas há muitos, muitos capelães de hospitais, capelães de prisioneiros: tantos santos, hein! Mas esses não são vistos, porque a santidade é "pudorosa" [tem pudor], está escondida.
Em vez disso, é um pouco sem vergonha a falta de pudor: é flagrante e se faz ver. Muitas organizações com pessoas boas e não tão boas: ou pessoas às quais você dá uma "bolsa" um pouco grande e olha para o outro lado, como as potências internacionais com os três genocídios.
Também nós, cristãos – sacerdotes, bispos – fizemos isso: mas nós cristãos temos também uma Teresa de Calcutá e muitas Teresas de Calcutá; temos muitas irmãs na África, muitos leigos, muitos matrimónio santos. O trigo e o joio; o trigo e o joio... não devemos nos escandalizar de sermos assim. Devemos rezar para que o Senhor possa fazer que esse joio acabe e que haja mais trigo. Mas esta é a vida da Igreja. Não se pode colocar um limite. Todos nós somos santos, porque todos nós temos o Espírito Santo dentro, mas somos – todos nós – pecadores. Eu por primeiro. De acordo? Obrigado. Eu não sei se respondi... Não só desculpa, mas perdão!

20 Maneiras simples de espalhar bondade pelo mundo

Não é tudo. Mas é um pouco que pode fazer muito pela vida e pelo mundo à volta de cada um de nós...
1. Agradece
2. Não julgues
3. Cumpre os teus deveres
4. Pára de esperar coisas em troca
5. Trata-te bem também
6. Pensa nos outros
7. Encoraja em vez de criticar
8. Está presente
9. Faz pequenas coisas
10. Encoraja uma visão positiva nas outras pessoas
11. Não divulgues a tua ajuda
12. Trata bem todas as pessoas
13. Lida de forma diferente com as pessoas que te deixam “mal”
14. Sê gentil com os animais e as plantas
15. Faz caridade
16. Reza
17. Lembra-te dos teus progenitores e antepassados
18. Cria o teu local secreto
19. Mantém a tua casa bonita para acolher
20. Faz coisas novas, inesperadas

segunda-feira, 27 de junho de 2016

A ditadura dos comentários anónimos

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O anonimato por si é algo de muito feio. Os comentários anónimos são uma coisa reles e segundo um excelente trabalho sobre esta temática que o Diário de Notícias de hoje (27-06-2016) apresenta é uma coisa reles e parece que, típica das terras pequenas, das ilhas. As cabeças quando são minúsculos ilhéus, resultam em curto pensamento e coragem é coisa que não abunda nesse pequeno mundo.
O sociólogo Ricardo Fabrício considera o seguinte na reportagem do Francisco José Cardoso: «Se fizéssemos uma análise de conteúdo aos comentários que são feitos nas caixas de notícias ao abrigo do anonimato, veríamos que, seguramente, têm qualquer coisa a ver como uma espécie de mecanismo de catarse». Neste âmbito considero que tantos aproveitam esse tal espaço do comentário, não para ensinar e acrescentar algo ao que a notícia ou opinião reflecte, mas para vomitar veneno sobre terceiros e sobre quem emprestou o seu nome e fotografia para expressar o que pensa. As armas não são iguais e com este estado de coisas não posso de forma nenhuma pactuar. Devemos todos pensar sobre o assunto e não permitir que a sujidade manche o que foi dito com seriedade e responsabilidade, porque resulta normalmente como expressão de muita preocupação, estudo e reflexão séria. Quem escreve regulamente sabe bem o que isso representa. Por isso, não podemos ser carne em canhão de covardes que se escondem na esquina da vida à procura dos outros para os fazer de tiro ao alvo covardemente disparando sobre eles o esterco do seu vazio.
O sociólogo acrescenta ainda o seguinte: «Encontramos, às vezes, posturas, abordagens, comentários que dificilmente as teriam se tivessem lá colocado os seus nomes e se identificado. Esses mecanismos terão também válvulas de escape que nem sempre é bonita de se ver, sobretudo quando comparado com o mesmo género de participação em jornais estrangeiros, os britânicos, que muitas vezes aprende-se mais nos comentários do que na própria notícia». Interessante este pensamento que vem de encontro ao que penso. Um comentário deve acrescentar ou relevar o que foi dito. Ofender, caluniar e destratar não devem ser verbos que se apresente na forma de comentários, ainda mais se são as armas dos inquisidores anónimos que hoje se manifestam por todo o lado.
Imagem Google
O sociólogo embora reconheça que há uma mudança para melhor, alerta que o processo é muito lento e que levará muito tempo para que se atinja um patamar equilibrado quanto à coragem que deve assistir quem se prontifica a opinar ou a dar o seu contributo para uma reflexão mais esclarecida sobre qualquer assunto através dos meios de comunicação social.
Não podia da minha parte deixar de fazer eco aqui no Banquete da Palavra, sobre um assunto que tanto me tem inquietado nos últimos tempos. Aliás, têm sido inúmeras as vezes em que tenho sido vítima da artilharia dos anónimos que campeiam a ilha da Madeira. Esta ditadura dos comentários anónimos requer um combate sem tréguas e devemos todos começar por repudiar tudo o que seja contra a verdade sem rosto e sem nome.

sábado, 25 de junho de 2016

Mergulho

Para o nosso fim de semana. Sejam felizes sempre sem prejudicar ninguém.
As ribeiras no Verão
revelavam pedras quentes
aqui e acolá
que os nossos pés
ousavam saltitar frenéticos
sobre a rocha dura
sem parar.

Às vezes tomávamos banho
nos caldeirões mais refrescantes
que a bravura desmedida
das águas revoltas e abundantes
dos Invernos secretamente rasgavam
com o seu tilintar imparável
no maciço rochoso do meu pensamento.

Naquela hora desafiando as alturas
soltávamos o corpo em voo vertical
para que os amigos divertidos dissessem
- é mais um mergulho.

E riam sempre
porque esses riam de tudo e de nada.
José Luís Rodrigues