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quinta-feira, 2 de julho de 2015

Vitória e Fraqueza

Comentário à missa deste domingo XIV tempo comum, 5 de julho de 2015
A liturgia deste Domingo apresenta-se como um incentivo, uma esperança ou um consolo importante para enfrentar todas as consequências, quando tomamos a coragem de defender a verdade e até quando ousamos simplesmente opinar sobre alguma coisa que vá contra o pensamento único e dominante deste mundo. Não é nada fácil estar contra a corrente. Não nos deve calar nem sossegar a mentira que se torna verdade e a verdade que se torna mentira, para dominar e fazer prevalecer o poder de alguns sobre os mais frágeis desta vida.
Mas, São Paulo adverte que aquilo que recebemos de Jesus Cristo não nos deve ensoberbecer. A simplicidade e a humildade na missão que Deus nos concede realizar, devem ser qualidades tomadas muito a sério. Por isso, perante as injustiças da vida devemos sem medo proclamar o bem para todos. Não devemos estar quietos enquanto a vida se resumir a viver por viver, porque as condições para tal são, o maior dos egoísmos, o individualismo, o perimitir que a soberba de alguns que tudo dominam em detrimento do bem comum e da justiça.
Tomar a sério a opção pela verdade e pela justiça que o Evangelho proclama arrasta muitos dissabores, que podem ser a calúnia, a vingança, a incompreensão, a prisão e até a morte. Mas, nada disso nos deve derrotar. Perante tais fraquezas são Paulo diz o seguinte: «Alegro-me nas minhas fraquezas, nas afrontas, nas adversidades, nas perseguições e nas angústias sofridas por amor de Cristo, porque, quando sou fraco, então é que sou forte» (2Cor 12, 10). Face a esta convicção não deve entrar o medo na nossa vida. Mas, a coragem para proclamar bem alto a maravilha do amor de Deus em favor da humanidade toda.
A coragem deve ser um valor que todos devem assumir, porque o nosso mundo precisa de gente corajosa na luta contra a guerra, isto é, precisa o mundo de um pacifismo militante contra a soberba dos poderosos que tudo querem dominar, esmagando os mais frágeis, os pobres da sociedade, que, afinal, às vezes lhes convém alimentar com migalhas ou com esmolas ao invés de se fazer o melhor que era levar à prática a justiça.
É disto que precisamos e não de singela caridade que alimenta e faz crescer a pobreza. O nosso tempo está anestesiado com festas, pão e todo o género de animação para manter a sociedade como que inebriada ou embriagada para nada reclamar e nada fazer contra tudo o que tem direito para ser gente a sério. É um retrato dramático do que hoje vivemos, antepomos à dignidade da vida a prosperidade económica, a finança e o dinheiro, mesmo que muitas vezes este caminho nada se empenhe conta a eliminação radical da violência e da morte. Não será que fazemos como os conterrâneos de Jesus, desejamos que se ponha andar, que se afaste e nos deixe sossegados, por mais que junto a nós existam tantos demónios de violência e de morte?
As fraquezas desta luta pela justiça, não devem falar mais alto, mas devem ser um incentivo, um impulso, porque deve a utopia do amor ser o alimento da nossa vida. Não devemos permitir que tais fraquezas nos dominem e nos deixem atrofiados. Parece contradição, mas o alimento de Deus, ajuda a tomar coragem e a enfrentar tudo o que seja contrário à beleza da vida. Por isso, cada um e cada qual, pode fazer acção na sua família, no seu trabalho e em qualquer lugar do mundo, onde esteja presente, sem sombra de medo de represálias ou de vir a ficar mal. Vamos dizer alto e bom som que a força de Deus está aí, fazendo das fraquezas um alimento essencial para a luta da vida. Até porque na Encíclica Laudato Si (Louvado Sejas) do Papa Francisco, nº 71 afirma: «Basta um homem bom para haver esperança», porque, «a injustiça não é invencível»  (nº 74). Só por aqui seremos felizes.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Solidariedade com o povo grego e demais povos explorados

Péricles, governante de Atenas no século V a.C., enaltecendo as glórias da democracia ateniense, declarou: «O poder está nas mãos não da minoria, mas de todo o povo, e todos são iguais perante a lei» (Tucídides, «Guerra do Peloponeso»). Não saber disto, não apreciar isto e não levar à prática este valor da democracia nos tempos que correm viola o que há de mais nobre na organização da vida dos povos.
Os mercenários que centraram a vida dos povos e das sociedades na loucura do dinheiro, na finança não sabem disto e entraram em pânico porque o poder legitimante sufragado em eleições livres pelo povo grego, o Syriza, resolveu devolver ao povo, por referendo, a decisão de continuar ou não com a barbaridade da austeridade, essa coisa que suga o sangue aos cidadãos mais vulneráveis e os faz mergulhar na desgraça da pobreza.
Por isso, vi com muito interesse o que Alexis Tsipras disse ao seu povo quando anunciou o referendo: «Ao autoritarismo e à dura austeridade, responderemos com democracia, calmamente e de forma decisiva. A Grécia, o berço da democracia, irá enviar uma ressonante resposta democrática à Europa e ao mundo». É muito bonito e interessante que nos fique esta saudável lição de democracia e de uma opção clara pelos valores democráticos. Os líderes da Europa inteira que estão a tomar medidas duras contra os seus povos, deviam seguir este exemplo e lutar, isso sim, contra os mercenários que pretendem conduzir o mundo sentados sobre montanha de dinheiro contra a dignidade e contra a dos cidadãos.
Em janeiro, quando o Syriza venceu claramente as eleições na Grécia, surpreendentemente, o jornal do Vaticano,  L'Osservatore Romano, numa reportagem de Francesco Peloso, comentara: «Com a vitória do Syriza nas eleições gregas, certamente abre-se uma nova fase na Europa, uma fase que passa pela expansão de um espaço social, em reação às políticas de austeridade. Quanto mais os cidadãos europeus pedem para ser envolvidos para além das lógicas dos mercados, mais o trabalho da política deve ser o de acolher as reivindicações que partem da sociedade». Nada disto está a ser escutado, mas mantem-se a lógica do autoritarismo e a ideia de que a salvação do mundo e, parituclarmente, da Europa, radica na austeridade cega que empobrece os povos, os cidadãos.
Os líderes actuais da Europa, tristemente, governam um espaço sem valores, sem princípios que imponham a bandeira da dignidade dos cidadãos. No discurso mais desafiante até agora, dito no Parlamento Europeu, o Papa Francisco recolou a visão cristã na dimensão humanista, porque vê a Europa a ser governada obsessivamente pelas burocracias ou pelos obscuros mercados. Daí que o bispo de Roma se tenha concentrado num importnate sinal dos tempos, a solidão, que afecta muitos cidadãos europeus neste momento. O Papa explicava deste modo: «A solidão foi agravada pela crise económica, cujos efeitos ainda perduram, com consequências dramáticas do ponto de vista social. Pode-se constatar que, ao longo dos últimos anos, ao lado do processo de alargamento da União Europeia, foi crescendo a desconfiança por parte dos cidadãos em relação a instituições consideradas distantes, comprometidas a estabelecer regras percebidas como distantes da sensibilidade dos povos individuais, se não até prejudiciais».
Porém, depois, o Papa Francisco dava o seu golpe mais forte talvez sobre toda a questão, explicando como a democracia, na sua essência, está a ser posta em questão pela prevalência das finanças, manobradas, em última análise, por forças obscuras ou desconhecidas, que decidem o destino de milhões de pessoas: «Manter viva a realidade das democracias – afirmava – é um desafio deste momento histórico, evitando que a sua força real – força política expressiva dos povos – seja removida diante da pressão de interesses multinacionais não universais, que as enfraqueçam e as transformem em sistemas uniformizadores de poder financeiro ao serviço de impérios desconhecidos. Esse é um desafio que hoje a história coloca diante de nós».
Há, felizmente, alguém que não canta louvores ao capitalismo global, e a política europeia devia começar a se dar conta disso.
Não podendo ser de outro modo, a nossa maior solidariedade hoje vai para o povo grego e radica mais ainda o nosso pensamento nas admiráveis e corajosas opções que estão a  fazer. Assim deve ser e quem nos dera que tomassem de exemplo os bandalhos que noutras partes da Europa governam contra os seus povos, à conta da salvação de bancos e outros mecanismos cegos perante a dignidade dos cidadãos. Canta o poema de Paul Éluard, em Atena, com o qual fazemos nosso o sentimento solidário com o povo grego e com todos os povos vítimas da obsessão doentia daqueles que impõem o fardo terrível da austeridade, mas que nem com a ponta de um dedo querem saber desse fardo para si:
«Povo grego povo rei povo desesperado
Nada tens a perder senão a liberdade
Teu amor pelo livre pelo justo
E o infinito respeito que sentes por ti próprio».

segunda-feira, 29 de junho de 2015

O fim de um sonho bonito que devolveu a paz à Europa. Será?

Assim paulatinamente de impasse em impasse de teimosia em teimosia com arrogância sobre arrogância os mercenários eurocratas vão destruindo um sonho chamado Europa. Ainda quero crer num desfecho menos mal para todos. Pode ler mais AQUI

sábado, 27 de junho de 2015

Terra mãe desamparada

Para o nosso fim de semana. Sejam felizes sempre sem prejudicar ninguém...
Quantas vezes já vi a dor do mundo
se contorcendo no descampado azul de cada dia
que as folhas dos plátanos atestam
no verde solene que vinha pela mão da esperança
na primavera sorridente de um pensamento
criado pelo mistério articulado do amor.
Todos escutaram naquela orquestra
pelo menos num instante
o som perene desse mar distante
que falta hoje o sangue em água nos campos
onde morre o bicho e a flor
nesse retrato partilhado onde se desampara
a planície, o chão, a montanha enfadada
que sempre se inquieta inundada com a dor
a cor do mundo e a terra nossa mãe desamparada.
Pode ser ainda possível a dança das gentes
sobre a terra que a maldade destrói
no fruto consistente a germinar as sementes
para gratuitamente gerar o dom da vida
contra ávidos poderosos que na ganância a corrói.
És sempre mãe, mesmo que desamparada
perante a morte nos lugares onde se soltam ais
mas no desejo ressuscitada em cada manhã
verterás fecundada a fauna e todas as essências florais.
Pensar equilibrado com amor
terra, água, fogo e ar nunca será demais.
José Luís Rodrigues

sexta-feira, 26 de junho de 2015

A Encíclica «verde» Laudato Si

Louvado sejas…
Caros amigos:
Convido-vos para a apresentação, debate, reflexão da Encíclica sobre a ecologia do Papa Francisco, Laudato Si (Louvado Sejas), para a próxima segunda feira dia 29 de junho no Salão Nobre do Teatro Municipal do Funchal às 19.30 horas, com três oradores de fundo: o Dr. Raimundo Quintal; o Dr. Nelson Veríssimo e o Dr. João Marques de Freitas.
Esta iniciativa surge por causa da relevância e importância do tema, a ecologia, a projeção mundial do Papa Francisco, a acutilância da sua mensagem e que se traduz de forma brilhante na «Encíclica verde», por isso, também nós na Madeira não podemos ficar de fora deste largo debate sobre um tema tão importante para a humanidade inteira. Este encontro está aberto ao publico em geral.
Estarão neste encontro as seguintes entidades: sr. Presidente da Câmara Municipal do Funchal, Dr. Paulo Cafofo e o Sr. Presidente do Governo Regional, Dr. Miguel Albuquerque e o Sr. Vigário Geral da Diocese do Funchal em representação do Sr. Bispo, D. António Carrilho, que por razões de ordem pastoral não pode estar presente. Imperfeitamente os trabalhos serão conduzidos por mim...


Eis o número 87 desta Encíclica, como aperitivo para nos sentirmos todos convidados à reflexão e participação:
N. 87 Quando nos damos conta do reflexo de Deus em tudo o que existe, o coração experimenta o desejo de adorar o Senhor por todas as suas criaturas e juntamente com elas, como se vê neste gracioso cântico de São Francisco de Assis:
«Louvado sejas, meu Senhor,
com todas as tuas criaturas,
especialmente o meu senhor irmão sol,
o qual faz o dia e por ele nos alumia.
E ele é belo e radiante com grande esplendor:
de Ti, Altíssimo, nos dá ele a imagem.
Louvado sejas, meu Senhor,
pela irmã lua e pelas estrelas,
que no céu formaste claras, preciosas e belas.
Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão vento
pelo ar, pela nuvem, pelo sereno, e todo o tempo,
com o qual, às tuas criaturas, dás o sustento.
Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água,
que é tão útil e humilde, e preciosa e casta.
Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão fogo,
pelo qual iluminas a noite:
ele é belo e alegre, vigoroso e forte».
(Cantico delle creature: Fonti Francescane, 263).

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Pela generosidade é que vamos

Comentário à missa deste domingo XIII Tempo comum, 28 de junho de 2015
Se a generosidade acontece, então, "somos ricos em tudo: na fé, na eloquência, no conhecimento da doutrina, em toda a espécie de atenções e na caridade que recebestes de nós". Citei esta passagem de São Paulo tirada do texto da Missa deste Domingo, para que sejamos despertos para este sentido da generosidade. O nosso tempo precisa de encontrar este valor, porque o mundo actual, necessitado de tantos outros valores, em especial, precisa do valor da generosidade como do pão para a boca. O Papa Francisco confirma-o: «o grande risco do mundo atual é a tristeza individualista, que brota do coração mesquinho». Porque se repararmos bem vamos encontrar um imenso deserto, porque faltou a generosidade no coração da humanidade, que se deixou guiar pela mesquinhez do egoísmo e da ganância desenfreada que açambarca imoralmente os bens que pertencem a todos. Daí a desgraça dos desequilíbrios ecológicos que se abateram sobre a «casa comum», o Planeta terra, a Gaia…  
Por isso, é cada vez maior o número de pobres e de indigentes no mundo; o individualismo ou o salve-se quem puder é regra que comanda a vida; a mentira faz uma multidão de vítimas; a dependência de substâncias alienantes brada aos céus; a procura de vida fácil é o principal desejo de tanta gente; o hedonismo ou o prazer momentâneo são o pensamento geral; a fuga dos sacrifícios e de tudo o que seja ter algum sofrimento comanda a vida; o medo do futuro e das coisas de Deus faz escola em tantos lares; o medo de assumir compromissos para a vida toda também está presente por todo o lado; a irresponsabilidade face aos actos que se realizou é o mais comum; o fazer da vida um desregramento total, é pão quotidiano; termino o elenco com esta conclusão, tornou-se muito familiar o não acreditar em nada e em ninguém, porque nada garante fidelidade e hoje as coisas são e amanhã já não serão e vice-versa. A vida não está fácil para ninguém.
O mundo precisa nem que seja de uma mulher ou um homem, que diga "não vou por aí…", quando todos dizem seguir por onde não devem, como ensinava o poeta José Régio. E o mundo precisa que nem que seja uma mulher ou apenas um homem que digam: "vou por aqui...", pelos lugares que ninguém quer ir ou não está na moda caminhar por aí. O valor da generosidade é um caminho importante que salva quem o segue e contribui para a salvação de todos os que beneficiem desse valor. A generosidade é a bondade ou a compaixão pelos outros, que emerge da vida que se inquieta com o mundo, não apenas para alguns, mas para a felicidade de todos. Para quem pratica a generosidade não lhe falta nada. Afinal, torna-se diante de Deus o mais rico de todos. A generosidade enriquece a vida com tudo o que ela precisa para ser feliz. A maior fortuna do mundo é a generosidade, que Jesus nos ensina termos a coragem de a viver em todos os momentos da vida. A generosidade é a alegria que devia comandar a vida em todas as suas ocasiões, mesmo que sejam as mais duras que tenhamos que enfrentar.

O homem mais perigoso do mundo? O Papa Francisco!

E assim anda o mundo...
A nova encíclica do Papa Francisco, Laudato si, não está agradando todo mundo.

Durante a emissão do programa The Five, da FoxNews, o apresentador Greg Gutfeld mostrou seu desprezo pelo Papa Francisco e por suas opiniões em matéria de meio ambiente.

Greg Gutfeld não é especialista no assunto, mas é considerado uma personalidade reconhecida na televisão americana e, como tal, faz parte dos cinco comentaristas reunidos no The Five para falar sobre a atualidade.

Enquanto comentava a encíclica papal Laudato si, o apresentador qualificou o Papa como “o homem mais perigoso do planeta”, e logo depois fez uma comparação arriscada: “Ele quer ser um papa moderno, não quer ser o papa do seu avô”.

E prosseguiu com irritação: “Agora só falta ele fazer uns dreads e sair passeando em Wall Street”.

A provocação não gerou muitas reações nos outros apresentadores; somente Juan Williams, outro comentarista da FoxNews, tentou responder ao seu colega afirmando o interesse espiritual que esta encíclica pode ser para a defesa do meio ambiente: “E se o Papa simplesmente estiver dizendo que precisamos fazer tudo o que está ao nosso alcance para preservar o planeta verde de Deus?”. 
In Aleteia