Convite a quem nos visita

sábado, 26 de agosto de 2017

Preciso de ser como sou

Hoje apeteceu-me isto. Sejam felizes sempre. Nunca prejudicando ninguém.
Não devo ser mais do que disto que clama
Não sou além daquilo que não me pertence
por isso observem nós e os deuses todos
das civilizações antigas e do presente
como este meu sentir não é ausente
é o reflexo do corpo em chama.

Pela lógica ilógica onde vigora o dano
sei e sabemos todos uma certeza
que a melhor vingança do mundo
é vencer o esquecimento e o perdão
pelo menos há um Deus nosso
que deu essa arma ao ódio humano.

Melhor será se desbravamos
o caminho feito carne de ilustres modos
nenhum erro não desvenda o labirinto
é tão certa esta andança do pensamento
pois sempre é árduo mas único o tempo
que é de cada um e de todos
se juntos para luz caminhamos.

Nessa consciência de ser como sou
também me vejo como ninguém
uma flexa esquecida da guerra antiga
uma prosa curiosa, um eco distante
um nada simplesmente mortal
que no agora existencial
ao menos sabe por onde vou.
JLR

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Perante tantas tragédias é possível a Esperança Cristã?

Não diria melhor. Paulo Victória, in imissio. net
Nos últimos meses as notícias tristes têm-nos invadido diariamente. A lista é enorme: refugiados que morrem à procura de uma vida sem guerra e fome; cristãos perseguidos e mortos pelo estado islâmico; atentados terroristas nas nossas cidades tão bem "organizadas e serenas"; acidentes; incêndios e agora, o roubo de armamento militar... Perante tudo isto é possível uma esperança cristã?

Ainda é possível esperar? Enquanto aumentam o número de vítimas de redes terroristas e conflitos absurdos é possível ser sinal de esperança? É possível continuar a acreditar num futuro melhor, quando o próprio Estado não consegue socorrer os seus cidadãos, no caso dos incêndios ou protegê-los, salvaguardando o seu próprio armamento? De que forma?

Reacender a esperança naqueles que mais sofrem é nosso dever enquanto cristãos. Não existem receitas feitas. Ao ver a morte de tantos familiares ou de tantos habitantes da mesma aldeia, o que nos "assalta" é o sentimento de impotência e consequente falta de coragem para dar uma palavra de ânimo.

Aliás, o que mais detesto é ver um padre ou um cristão, com um discurso cheio de presunção de quem sabe tudo e tudo justifica. Parecem os amigos de Job:

«Vós não sois senão embusteiros, todos vós meros charlatães. Se, ao menos, calásseis, tomar-vos-iam por sábios! Pensais defender Deus com linguagem iníqua e com mentiras?» (Job 13, 4.5.7)

Na casa da dor todos devemos entrar na ponta dos pés e em silêncio! Nada de frases feitas! Nada de receitas que resultaram com outros! A esperança cristã não é um ansiolítico! A esperança cristã não é uma anestesia local ou geral! A esperança cristã não é uma receita de culinária! O silêncio e a companhia, a presença e a compaixão deve ser aquilo que nos move para o irmão em sofrimento.

Perante a dor, o sofrimento e a morte, a fé deve-nos direcionar para a Páscoa de Jesus. Deus é salvador até na nossa morte, tal como na morte do Seu Filho. A esperança iluminada por esta Ressurreição força-nos a não desistir de acreditar na vida, e assim, dar sinais otimistas ao mundo e a todo o ser humano.

A esperança cristã é dom de Deus e fruto da comunhão com Ele e com todo o ser humano. E todos somos chamados a receber este dom. Só assim é que podemos continuar o nosso caminho sobre esta terra, levando com fé e compaixão, o sofrimento e a dor de tantas tragédias, espalhando sementes de amor e alegria.

Paulo Victória

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

As tais imagens que valem mil palavras

Não sei quem tem razão na problemática da Venezuela. Se Maduro, se o Donald Trump, se os partidos da oposição e se a população que se opõe a Maduro. Não estou na Venezuela. Por isso, não tenho todos os elementos para fazer uma avaliação o mais consistente possível com a verdade. Também acredito que muito do que é dito pela comunicação social, não corresponde à verdade toda, o que até pode ser ainda mais grave ou nem tanto assim. Porém, estou seguro que a violência, venha de onde vier, deve ser sempre combatida, não com mais violência, mas com as «armas» da paz. O gesto que estes dois padres mostram na foto, é bem revelador daquilo que acabei de dizer. Por isso, aqui fica o registo.
Passou-se em Tovar, Venezuela, domingo, 30 de julho de 2017. Os Padres José Torres e Omar Vergara intervêm e pedem aos membros da Polícia Nacional Bolivariana que parem a repressão contra os manifestantes opositores do governo de Nicolás Maduro, permitindo que os feridos recebessem auxílio médico. Naquele domingo, Maduro promovia uma votação a para eleger uma nova Assembleia Constituinte, no meio de forte oposição de uma grande porção da população venezuelana e da opinião pública internacional.

sábado, 12 de agosto de 2017

As sombras

Para o nosso fim de semana. Sejam felizes sempre, nunca prejudicando ninguém.
Não te detenhas além da medida 
no momento das lágrimas.

Limpa os olhos cabalmente
e com delicadeza vê as flores 
que sorriem generosamente.

Tudo é já um passado 
que te é alheio
mesmo que tenham marcado
as sombras das árvores
que não pertencem ao teu jardim. 
JLR

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Os meninos de hoje


É tempo de férias de escola, certo! Mas convém não deixar esmorecer a chama da reflexão relativamente a tudo o que se relaciona com a escola e com os seus alunos. 
(Texto de Tiago Simães)
Os meninos não podem sair da nossa beira porque os meninos não podem estar sozinhos. Os meninos não podem ficar no recreio a brincar quando os professores faltam - são levados para a biblioteca ou para alguma aula de pseudo-apoio. Se os meninos ficassem no recreio a jogar à bola e se por acaso se magoassem, o que seria dessa escola! Os pais poderiam até processar a instituição de ensino! Os meninos não podem ir a pé ou de autocarro para a escola porque isso pode ser perigoso. Os meninos não se podem sujar ou magoar - os pais nunca se perdoariam (e fá-los-ia perder tempo que não têm). Os meninos andam a saltar de pais para os avós e para a escola e para o atl e para a piscina e para o inglês e para a música e para o karaté e para o futebol e para a patinagem e... Porque os meninos têm de estar sempre ocupados e nunca sozinhos; não saberiam o que fazer com o tempo livre. E os pais têm de ganhar dinheiro para os meninos andarem sempre bonitos e com roupa de marca - caso contrário, os colegas poderiam até gozá-los. E se o colega tem uma coisa, o menino também tem de ter (senão faz birra e com toda a razão). E os meninos têm de ter festas de aniversário espectaculares - e não pode ser em casa só com a família, que isso não se usa. Tem de ser com a turma toda e os amigos e os primos e tem de se alugar (e pagar) um sítio onde tenha muitos brinquedos e escorregas e palhaços e malabaristas e baby-sitters. Algum sítio onde alguém se responsabilize pelos filhos dos outros, de preferência. Os meninos, coitadinhos, são muito novos para pensar - mais vale nós planearmos a vida deles e dizer-lhes o que fazer. Mas só se eles concordarem, claro. Porque os meninos não têm culpa de nada; se se portam mal, a culpa é da educação que recebem na escola (que é o sítio onde eles devem ser educados). Os meninos não comem sopa e verduras porque não gostam Os meninos saem da mesa quando lhes apetece e passam o (pouco) tempo livre entre smartphones, tablets e computadores. Mesmo enquanto comem, coitadinhos, tem de haver alguma coisa para os entreter - e não se fala com a boca cheia. Alguns até comem com auscultadores colocados nos ouvidos - e ainda bem, para não incomodar a conversa dos adultos. Os meninos só vêem desenhos animados (e a televisão é deles quando eles estão em casa). Porque os meninos querem, os meninos têm. O que não vale é chorar - não gostamos de os ver tristes. Chora chora que a mamã dá mais brinquedos para brincares duas vezes e arrumar a um canto - a casa fica cheia deles; depois compram-se outros diferentes porque os meninos têm de ter sempre mais e mais coisas e mais experiências novas. Os meninos não ajudam em casa porque são meninos. Os meninos começam a sair cedo e os papás vão buscá-los onde e à hora que for necessário. Não há meninos burros, arruaceiros, nem medricas, nem preguiçosos, nem tímidos, nem distraídos, nem mal educados, nem maus, nem... Nada disso. Os meninos são todos bons (os melhores) e muito inteligentes. Todos. E todos os anos há meninos finalistas e festas de finalistas e viagens de finalistas e até praxes, do primeiro ao último ano da escola, porque eles são muito inteligentes e importantes, agora que acabaram mais um ano. Que bem, já tens a quarta classe - que orgulho, meu filho Ah, parece que foi ontem a tua festa de finalistas do terceiro ano... Os meninos não se podem (nem sabem) defender sozinhos; para isso é que existem os pais e os psicólogos e os professores e até os tribunais. Os meninos têm explicações desde a escola primária porque precisam de toda a ajuda possível para ser os melhores. Se não estão atentos nas aulas, a culpa é do professor. Os meninos não levam palmadas - ai se isso acontecer. Podiam ficar traumatizados, coitadinhos. Se os meninos estragam, os papás pagam. Os meninos têm direitos - mais concretamente, têm o direito a fazer o que lhes apetece porque são meninos e não têm de entender as preocupações dos crescidos. Por isso desarrumam a casa e todos os sítios por onde passam; partiu? virou? desapareceu? morreu? Não sei, eu sou apenas um menino.
Até que um belo dia, os meninos se veem subitamente fora de casa e da escola e longe de todas as pessoas e coisas que costumam controlar todos os seus movimentos (e até pensamentos). Longe 
daqueles que lhes disseram sempre que os meninos não são responsáveis nem culpados daquilo que fazem.
E só aí, longe pela primeira vez, começam a aprender a ser pessoas, a respeitar a liberdade e o espaço dos outros (os outros que afinal também existem! - descobrem os meninos nesta altura). Só aí entendem que cada acto tem uma consequência. E torna-se difícil - que a pegada dos meninos agora é grande e os erros notam-se como patas de elefante em cima de nenúfares. Destroem tudo porque têm de aprender e agora é muito mais complicado. Pensavam que podiam fazer tudo o que lhes apetecesse, mas afinal parece que não. Ninguém lhes tinha dito. E de repente aparecem ratos que assustam os elefantes. Todo aquele tamanho mas no fundo continuam apenas meninos que agora vivem em corpos de adultos. Ficam muito assustados (pudera) e não entendem.
Voltam para casa e perguntam aos pais: o mundo é mesmo assim, papás? Não posso atirar colchões pela janela dos hotéis? Não posso ligar extintores e estragar as paredes e camas? Porque não avisaram antes?
E nessa altura, levam um estalo - a primeira palmada das suas vidas. Deixaram finalmente de ser (e da pior forma) meninos.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Muito importante vencer o medo

Domingo XIX tempo comum
Na montanha, o profeta Elias experimenta a presença de Deus. Deus manifesta-se de modo silencioso e pacífico, não no «vento forte» nem no «tremor de terra», nem no «fogo», mas na «brisa suave». Quando a sente, Elias saiu e ficou à entrada da gruta, cobrindo o rosto com o manto, porque nenhum homem pode ver a Deus face a face. Este gesto define a atitude do profeta, entrega-se confiante à acção de Deus e está disponível para o Seu serviço.
O Evangelho de São João diz-nos que, após a multiplicação dos pães, as multidões queriam aclamar Jesus como rei. Jesus foge das expectativas de um Messias triunfalista cheio de poder. Assim, Jesus despede a multidão, manda os discípulos para o barco e retira-se para o monte para fazer oração. 
Neste trecho de Mateus, a tempestade no Mar, Jesus que caminha sobre as águas, a cena de Pedro com Jesus revela elementos típicos das aparições de Jesus após a ressurreição. A tempestade tem a ver com as perseguições e todas as dificuldades que aqueles que seguem Jesus sempre encontrarão na sua acção. Saliente-se que nessa contingência, o pior que pode acontecer será o medo e a falta de fé em Jesus que está com aqueles que trabalham em seu nome. 
Pedro destaca-se neste episódio para revelar que, ele assumindo o primado não pode deixar de confiar em Jesus que sempre está por perto para ajudar a vencer os receios e puxar para cima todos os que se afundam no medo e na ausência de esperança. É curioso que logo que Jesus subiu para o barco, o vento amainou. Nesse vacilar, ninguém se esqueça de estender a mão...
São Paulo manifesta o seu desgosto, ao ponto de desejar ser separado de Cristo, pelo facto de os israelitas não terem aceite Jesus como Messias. O povo que tinha todas as condições religiosas para aceitar Cristo, o enviado do Pai, recusou-O. Neste sentido, Paulo apela ao perdão de Deus e antes desejava ser prejudicado em favor da salvação de muitos... Às vezes vemos na realidade que nos rodeia, tantos que se enchem e que tudo fazem para proveito próprio sem que se importem nada com as suas atitudes que semeiam a desgraça da fome, da doença e da morte de muitos. A atitude do cristão, deve ser precisamente ao contrário, diligenciar com todos os esforços para que brilhe o bem comum e a justiça em favor de todos.