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terça-feira, 22 de Julho de 2014

Os filhos de Abraão perseguidos no Iraque

A perseguição aos cristãos no Iraque está envolta num silêncio ensurdecedor. A comunicação social não fala muito. Ora porque a guerra entre palestinianos e israelitas está mais mediatizada. Ora porque a perseguição religiosa é de somenos quando se trata, ser contra cristãos. Se fosse de cristãos-católicos sobre islâmicos o que não seria… Mas vamos ao que interessa reflectir.
O Iraque salta à vista agora com grande acuidade, mas a Nigéria, a Síria e tantas outras parte do globo continua a reinar o alimento da perseguição que semeia a deportação, a destruição e a morte contra os cristãos.
Se somos implacáveis contra a inquisição, as cruzadas e todas as formas de perseguição religiosa que o cristianismo carrega sobre a sua história, não podemos agora senão sermos consequentes e deplorar até à saciedade todas as formas de perseguição religiosa venham de onde vier. Ainda mais no nosso tempo, dado que nos guiamos pela Declaração Universal dos Direitos Humanos e pela consciência das liberdades individuais.
A liberdade religiosa deve ser um bem a ser salvaguardado e defendido por todas as sociedades que almejam a paz, a fraternidade e salvação das pessoas, aliás, princípios fundantes de qualquer expressão religiosa. Assim, creio!
No Iraque a organização extremista deu prazo aos 25 mil cristãos de Mossul se converterem, pagarem uma taxa ou deixarem a cidade. Forças de segurança iniciam ofensiva no norte do país.
O grupo fundamentalista Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) deu ultimato até ao sábado (19/07) para que os cristãos de Mossul se convertam ao islamismo, paguem uma taxa religiosa ou abandonem a cidade no norte do Iraque. Os que não seguirem uma dessas três alternativas serão mortos, afirmaram os militantes extremistas. Neste momento, pouco ou nada sabemos em que ponto está a situação. O silêncio noticioso é terrível e ensurdecedor.
«Após esta data não há nada entre nós e eles senão a espada», declarou o líder do EIIL Abu Bakr al-Bagdadi, conhecido como «Califa Ibrahim». O ultimato é baseado no dhimma, uma antiga forma de contrato, na qual muçulmanos prometem proteção aos «infiéis» em territórios islâmicos, em troca do pagamento da taxa denominada jizya. No fim de junho, o EIIL proclamou a fundação de um califado na Síria e no Iraque, onde vale a sua versão radical da sharia, a lei tradicional islâmica.
Actualmente não se sabe quantos cristãos existem no Iraque. Após a invasão americana, em 2003, os cristãos foram atacados, mortos e expulsos das cidades iraquianas, num claro espírito de vingança por causa da horrível guerra provocada pela invasão ocidental sobre o Iraque, que os grupos extremistas islâmicos converteram numa guerra religiosa.
Assim, faz-nos temer o pior sobre a perseguição dos cristãos no Iraque, a terra onde neste momento os filhos de Abraão sofrem inconsoláveis a perseguição absurda dos extremistas que cegos pelo ódio fazem também levar para diante a destruição e morte. Que nos faça mais uma vez pensar como São João Paulo II, a quando da invasão do Iraque, nos lembrou dando voz aos alertas dos vários Papas desde São João XXIII e Paulo VI: «a guerra é a derrota da humanidade». A invasão americana ao Iraque prova que esta derrota é bem evidente e deixa marcas para sempre.

segunda-feira, 21 de Julho de 2014

Pobres mas alegres

Está a ser divulgada a notícia de que o Governo Regional da Madeira gastou desde 2010 cinco milhões de euros em festas. Será que entra a mesma quantidade nos cofres da região? Será que o mesmo valor é derramado na economia? Será que foram criados muitos postos de trabalho com este gasto absurdo? Será que os apertos, a sobriedade é só para as famílias? Será que o exemplo não devia começar por quem governa? - Afinal, a nossa terra está cheia de festas, tudo é pretexto para uma festança, das mais antigas, as religiosas às modernas, que faz o culto da lapa e de todas as frutas que esta região mal e porcamente ainda produz. Cada fim de semana no Verão apresenta dezenas de festas, cada uma com muitas pessoas. Vamos a isto, o povo gosta de festas, de comer e de beber, mesmo que a isso tenha que pagar o preço de estar a ser comido o ano inteiro, a vida toda. Assim se dança o bailinho na região das festas, onde rei é o pão e o circo, porque é preciso manter um povo eternamente cego, surdo e mudo.

Deus perante o bem e do mal

Para início de semana em força...
Pensamento fresquinho do Papa Francisco. Ontem dia 20 de julho na oração do Angelus na Praça de São Pedro, Vaticano.

“Nós às vezes, temos muita pressa em julgar, classificar, colocar os bons de um lado e os maus do outro. Lembrem-se da oração do homem soberbo: Deus, eu te agradeço porque sou bom e não sou como aquele que é mal. Deus, ao invés, sabe esperar. Ele olha no campo da vida de cada pessoa com paciência e misericórdia. Vê muito melhor do que nós a sujeira e o mal, mas vê também os germes do bem e espera com confiança que amadureçam. Deus é paciente, sabe esperar. O nosso Deus é um pai paciente que sempre nos espera e nos espera para nos acolher e nos perdoar”, exortou ainda o Papa Francisco.
“Graças a esta esperança paciente de Deus a mesma cizânia, ou seja, o coração mal, com muitos pecados, pode se tornar boa semente. Atenção: a paciência do Evangelho não é indiferença ao mal; não se pode fazer confusão entre bem e mal. Diante da cizânia presente no mundo o discípulo do Senhor é chamado a imitar a paciência de Deus, alimentar a esperança com o apoio e a confiança inabalável na vitória final do bem, que é Deus”, disse o Pontífice aos milhares de fiéis presentes na Praça de São Pedro.

sábado, 19 de Julho de 2014

Conversa de amigos quando se encontram

Para o fim de semana... Sejam felizes sempre.
Estavas tu e eu frente a frente
No esplendor de uma brisa
E no suave diálogo da tarde.
Emerge sem sabermos uma luz saborosa
Da ternura que os olhos viram
Na inquietação de um sonho.
E foi assim que na artéria do desejo
Se juntaram dois que querem dizer
Vamos adiante ao monte da luz.
Por isso desfolhou para o mundo
Uma vontade redonda no arco
Em círculo do futuro que vem
No pensamento que naquele dia semeou.
E tu e eu vimos o sabor do pão
No molho morno da esperança.
José Luís Rodrigues

sexta-feira, 18 de Julho de 2014

Tenho medo deste mundo e desta humanidade

A frieza que nos leva a crer existir perante a queda do avião da Malaysia Airlines, alegadamente com um míssil, fez semear no chão da Ucrânia a morte a 295 pessoas inocentes, incluindo crianças e especialistas sobre a doença do SIDA, mas também sobre nós o medo, o pavor de estar num mundo e fazer parte de uma humanidade que realiza gestos hediondos de barbárie que nos remetem aos antípodas idade da pedra.
Que mundo é este onde estamos a viver? Que mundo, vamos deixar para o futuro? Que qualidade de vida, estamos a dar a milhões de pessoas por este mundo fora? Uma série de perguntas que nos assistem, perante toda a esta violência que a humanidade semeia por todo o lado.
Guerras intermináveis, atentados terroristas, morte de inocentes, populações de crianças e mulheres indefesas que são dizimadas com armas sofisticadas e com ódio, muito ódio no coração daqueles que se tomam por poderosos e mais fortes. A força dos argumentos pela via do diálogo e da conversação têm que ser mais fortes que a força das armas.
Ironicamente, os tratados de paz são aos montes por todo o lado, a oração pela paz, felizmente, tem sido e ainda é uma constante na vida de uma grande parte da humanidade, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, sempre é reavivada e falada por muitos governantes deste mundo… Porém, não termina de forma nenhuma a regra do ódio que gera violência e que semeia vítimas por todo o lado.
O coração humano é capaz do melhor, mas é também capaz do pior. O mesmo coração que guarda altruísmo, amor e paz, pode logo a seguir guardar ódio, egoísmo e toda a propensão para a barbárie. Pouco ou nada me faz temer neste mundo, mas a humanidade sim, faz-me viver com algum temor, porque se espera de tudo de alguns homens. A sua barbárie fria me faz viver com um certo medo, perplexidade no presente e inquietação quanto ao futuro.
Para todos os terroristas deste mundo retenho esta frase de Nelson Mandela, precisamente hoje, o «Dia Internacional Nelson Mandela - pela liberdade, justiça e democracia»: «Ninguém nasce a odiar outra pessoa devido à cor da sua pele, ao seu passado ou religião. As pessoas aprendem a odiar, e, se o podem fazer, também podem ser ensinadas a amar, porque o amor é mais natural no coração humano do que o seu oposto». E para o massacre que se está a realizar no Médio Oriente, especialmente, entre palestinianos e israelitas, retenho também de Nelson Mandela este ensinamento: «Negar ao povo os seus direitos humanos é pôr em causa a sua humanidade. Impor-lhes uma vida miserável de fome e privação é desumanizá-lo».
Muito precisamos de dos livrarmos desta frequente propensão para a tragédia de uma humanidade que não se dá ao respeito, que não se respeita, porque prefere a desordem contra a ordem da paz que gera felicidade, segurança e bem-estar para todos. Até que não sejam travados todos os terroristas bárbaros que este mundo abriga não saberemos senão de notícias miseráveis e tristes. Muitos governantes, são os principais culpados desta desgraça.

quinta-feira, 17 de Julho de 2014

O Reino de Deus está para para todos

Comentário à Missa deste domingo XVI Tempo Comum
 20 julho de 2014
O livro da sabedoria, escrito em Alexandria na 1.ª metade do séc. I (a.C.), é de onde foi tirada 1.ª leitura deste domingo, é a parte final do livro. Nesta passagem descobrimos que Deus, sendo todo-poderoso, podia manifestar-Se com poder, castigar e sanear todos os malvados que não o acolhessem e amassem.
Mas, Deus não se entrega como os pequenos tiranos a manifestações de fúria. Mas, descobre-se um Deus «justo» misericordioso e compassivo. No entanto, o autor afirma que Deus condena todo o mal, mas não o faz com tirania, mas com toda a indulgência de modo que todos se possam arrepender. Assim, devemos nós os crentes ser tolerantes e sempre esperar pacientemente a conversão e a mudança dos outros. Esta esperança deve fazer parte das nossas vidas para que os males dos outros não nos vençam e nos conduzam para a violência ou à inquietação incontrolável perante as limitações que a vida dos outros muitas vezes apresenta, que tanto prejudicam a nossa vida. Devemos seguir o exemplo de Deus e isso nos salvará e nos fará felizes.
Depois dos gemidos que passamos nesta vida material, na expectativa do bem maior que vamos depois alcançar, São Paulo, aponta os gemidos do Espírito para que o destino do cristão à vida nova e à glória são sejam frustrados perante as misérias e limitações da vida deste mundo. O Espírito estabelece uma feliz comunhão entre a aspiração do cristão e a vontade de Deus. Na nossa intimidade, pela oração, descobrimos a acção do Espírito, que nos revela Deus como Pai, para depois sentirmos o abraço do Seu amor como Mãe.
O Evangelho propõe mais três parábolas sobre o Reino, seguidas de uma explicação sobre o trigo e o joio. As parábolas são transmitidas às multidões e as explicações em casa aos discípulos. Muito curiosa esta particularidade do Evangelho. A parábola do trigo e do joio põe em confronto duas atitudes, a do dono do campo (paciência) e a dos servos (impaciência). Só a atitude de Deus – o «dono do campo» – é salvadora. Eis um convite de Jesus aos discípulos para conterem a sua impaciência e dominarem o seu «puritanismo» até ao tempo da «ceifa» (imagem do juízo definitivo de Deus).
Neste mundo, o Reino de Deus deve crescer lado a lado com o mal. Agora é o tempo da espera, não o do juízo nem cabe a nós fazermos a colheita. Só Deus, o «dono» do Reino pode julgar com justiça quem a Ele pertence ou não, por conseguinte, a nós, cabe-nos ter a certeza que a justiça de Deus nunca falha. Ele é um justo e sábio juiz. 

quarta-feira, 16 de Julho de 2014

Os bandeirantes da natalidade acordaram tarde

Ontem assistimos a um show importante de altíssima propaganda do governo português, agora embalado por intentos de um cio criativo, a proclamar alto e bom som, incentivos à natalidade. Se não fosse grave o problema em causa fartava-me de rir com esta anedota.
Deve pensar que vamos esquecer que estes bandeirantes da natalidade foram os responsáveis pelo altíssimo desemprego, que fez partir do país famílias inteiras com crianças no ventre e bebés nos braços. Estes bandeirantes também foram responsáveis pelo aumento terrível de impostos (IMI, IRS e IVA). Agora, pretendem que esqueçamos que todas as medidas em todos os âmbitos da vida das pessoas conduziram ao descalabro da falta de nascimentos para compensar as taxas elevadíssimas de defuntos que temos tido nos últimos tempos.
Mas, interessa perguntar. Qual é a disposição de um jovem para constituir família se não encontra emprego em parte nenhuma, vive à conta dos pais, após ter feito um curso universitário ou outro que custou os olhos da cara aos seus progenitores? Qual a disposição de um jovem em constituir família perante a depressão geral em que está mergulhada toda a sociedade portuguesa? Qual a disposição de um jovem para gerar filhos se ouve dizer que chegam aos hospitais mulheres grávidas com fome, crianças a quem é prolongado o seu internamento hospitalar após o nascimento porque os pais não têm comida para as alimentar? Qual será a disposição de um jovem para corresponder aos bandeirantes da natalidade se está confrontado com a prática que a educação pública foi chão que já deu uvas? – Não se entende que perante esta circunstância alguém encontre disposição para gerar filhos, os educar e animar com esperança para o futuro de um país tomado de assalto por meia dúzia de energúmenos sem escrúpulos que a única coisa que sabem fazer é propaganda barata.