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sábado, 25 de fevereiro de 2017

Saudação

Para o nosso fim de semana. Sejam felizes sempre, nunca prejudicando ninguém.
Não foi demais ter te pedido
que dormisses na enxerga dos teus sonhos,
para que eu contemplasse em silêncio uma face
quando a estrela da manhã cintila na janela da tua casa.
Nesse dia ao som do mar,
ensaiei ser um ermita em plena meditação 
a olhar o que a luz me revelava.
Estas horas vigilantes de êxtase e desprendimento material,
fizeram-me sentir a imensidão do cosmos infinito
no umbral da porta que se abriu generosamente
na primeira saudação de uma manhã.

Com todas as forças do mundo
vejo-me todo entregue ao sangue vivo
e tomarei o cálice do sorriso
que balbucia uma criança na hora da festa
como a árvore desfolhada que parecendo seca
rebenta outra vez pacientemente 
porque esta é a ocasião da flor renascida.
JLR

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O Papa não disse que é preferível ser ateu do que cristão hipócrita

Com a devida vénia, faço minha esta reflexão...
Fomos invadidos por uma torrente de notícias sobre umas (supostas) declarações do Papa Francisco. Os títulos gritaram em uníssono: "Papa diz que mais vale ser um ateu do que um cristão hipócrita / cristão com vida dupla". 

Desconfiando do que noticiavam os nossos amigos jornalistas - como aliás recomendo a toda a gente - fui ler a homilia da Missa hoje de manhã no Vaticano, na qual o Papa teria proferido essa afirmação.

Em primeiro lugar a palavra 'hipócrita' ou 'hipocrisia' não consta. É um insulto bastante repetido por parte dos que não acreditam em Deus ou dos que até acreditam mas não lhes apetece ir à Missa: "Esses que vão à Missa são todos uns hipócritas, andam ali a bater com a mão no peito e depois vêm cá para fora e são os piores!" Isto mostra que, mesmo os que não acreditam, associam o ir à Missa a uma maior responsabilidade moral que não atribuem a outras actividades: "Pois, vais ao cinema e depois nem sequer pões a mesa!" Simplesmente não tem o mesmo impacto. 

A relação entre ir à Missa e ter uma vida perfeita existe na mentalidade das pessoas, mesmo na nossa sociedade, que de cristã já não tem muito. E perante comportamentos menos bons, erros, cobardias, egoísmos, enfim todas as diferentes 'caras' que pode ter o pecado, por parte dos tais que vão à Missa, está o caldo entornado: "Hipócritas!" 

O erro nesta crítica está no pressuposto que quem vai à Missa já é perfeito, o que não é de todo verdade. Alguém que vai à Missa tem o direito a ser visto como alguém que está a tentar ser perfeito, embora possa ainda estar muito longe de o ser. Ao mesmo tempo, essa pessoa tem o dever de realmente tentar ser perfeita (ser santa) mesmo que sabendo que poderá cair e terá de voltar a levantar-se, se necessário for recorrendo à Confissão. 

O que não pode fazer é ter comportamentos escandalosos, como se não se soubesse filha de Deus, templo do Espírito Santo, sal da Terra e luz do Mundo. Foi isto que o Papa criticou na sua homilia de hoje: os escândalos criados pelos cristãos junto dos outros, que os podem afastar ainda mais de Deus.

Em segundo lugar, a palavra 'ateu' aparece apenas uma vez na homilia, e a frase é esta: «Quantas vezes já ouvimos na rua ou em outros locais alguém dizer: "Para ser católico como aquele é melhor ser ateu!" É isto o escândalo, que destrói, que manda abaixo.»

Expliquem-me, meus senhores, onde é que o Papa disse aquilo que vocês dizem que o Papa disse. Na única vez que fala do 'ateu' o Papa está a citar uma frase, bastante comum, não a afirmá-la. As verdadeiras 'fake news' são os 'media'. Não precisamos de mais.
João Silveira, in ZENZA PAGARE

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Os bens são destinados a toda humanidade

Comentário à missa do domingo VIII Tempo Comum. Pode servir a quem vai à missa habitualmente, mas não só...
S. Paulo dá-nos uma grande lição sobre a função do «chefe» ou da «chefia», se quisermos, da comunidade, que deve ser sempre assumido como um serviço à pessoa de Cristo e do Seu projecto. O «chefe» vai ajudando a comunidade a perceber a vontade de Deus. A sua fidelidade prende-se a Deus.
Quando fazemos juízos a respeito das pessoas, nem sempre somos justos ou imparciais. O nosso julgamento é, quase sempre, fruto da nossa visão (ou deformação) do projecto de Deus. Paulo tem a certeza de que a sua consciência não o acusa.
O Evangelho ensina-nos a viver o desprendimento e a liberdade face aos bens deste mundo, particularmente, perante o dinheiro. Este deve ser sempre um bem ao serviço e nunca uma pressão que escravize o pensamento e a liberdade de acção.
Quando faz parte da vida este desprendimento, emerge a partilha e a vontade de justiça como valores essenciais. O mundo seria menos injusto, isto é, mais fraterno, teria muito menos pobres, famintos e indigentes se estivesse organizado como uma casa comum, um lugar onde fosse possível a festa do amor partilhado. Onde ninguém ficaria para trás. Todos teriam oportunidades iguais.
Neste banquete, os bens não seriam só e apenas para alguns, mas para todos, porque não faltaria lugar à mesa para ninguém. Todos estariam convidados e entrariam nessa grande festa da fraternidade universal.
Alguns perguntarão, um sonho? Um desejo? - Sim ambas as coisas, sonho e desejo, que devem fazer parte do coração de todos os povos, especialmente, nós cristãos, que lemos e celebramos as palavras de Jesus.
É preciso lutar para que o mundo seja estruturado, não apenas na simples caridade, mas na justiça e na partilha dos bens. De que serve o mundo estar a saque por uma minoria que nunca se farta de dinheiro e por isso suga quanto mais pode os recursos naturais, que pertencem a todos, e com eles monta negócios chorudos só e apenas em seu benefício e dos seus familiares? - Serve esta lógica para acentuar mais a pobreza, a fome e a indigência. A seguir a raiva e a revolta. Urge uma outra lógica, mais de acordo com o bem comum, para que o mundo seja conduzido para o ideal da paz e da justiça que chegue a toda a humanidade. É este o sonho de Deus, é este o nosso sonho.

10.000 000 000, 00 €

1. Leram bem. Dez mil milhões de euros, que a Autoridade Tributária deixou sair de Portugal para paraísos fiscais (offshores), sem que grande parte dessas quantidades fossem devidamente escrutinadas para pagarem ao Estado o devido imposto. A soma é tão «irrisória» que passou ao lado de toda a gente, particularmente, ao lado de quem devia fiscalizar estas transações.

2. Esses tais não viram ou fizeram que não viram. Estavam entretidos a vascular os papéis ou os programas informáticos dos serviços fiscais onde morava uma viúva, uma família mergulhada no desemprego, uns idosos esquecidos ou qualquer coisinha para aí que mexesse e que estivesse a escapar ao fisco. O tempo urgia para penhorar a casa, fechar o negócio, pressionar os «bandidos» que não tinham dinheiro para pagar algum imposto de algumas poucas centenas ou poucos milhares de euros. Bonito serviço, atentos aos tostões distraídos dos milhões. 

3. Esta loucura contra o povo vinda de um desgoverno que parecia odiar as pessoas, esqueceu-se dos poderosos, os endinheirados, por isso, eles passaram ao lado e sacaram do país os milhões que se vê sem que os zelosos cobradores de impostos vissem tamanho montante. Assim, se vê o dinheiro das falcatruas bancárias por onde anda. Os enganados ou lesados dos bancos podem ver onde anda o seu dinheiro e como saíu do país, diante dos olhos fechados das autoridades.

4. Esta economia de casino andou à solta, desregulada onde os poderosos puderam fazer o que bem entenderam com somas avultadíssimas de dinheiro, porque não havia ninguém para fiscalizar, alias, havia, mas fecharam os olhos e deixaram a rua livre para poderem passar com os sacos de dinheiro sem que contribuíssem como deviam para o bem comum. O capitalismo selvagem no seu melhor.

5. Tudo isto é irritante e cada vez mais faz-nos aliar-nos dos políticos e da política. Porque falta seriedade, falta a contribuição justa e na devida proporção para o bem comum, especialmente, dos poderosos. Deve ser apurada toda a responsabilidade e quem tinha que fazer o que devia e não fez, deve ser responsabilizado.  

6. Face a tudo isto vem outra vez à memória aquele ar tão sério de governantes que tanto bradaram a necessidade que tínhamos de ir além da troica, que era preciso empobrecer ou que sem a máquina tributária zelosa e a tenta a tudo o que mexesse não chegávamos lá. O rol da perseguição é imenso, mas diante deste escândalo faz-nos perder a cabeça e pensar o seguinte, esta gente por quem nos toma e o que pensa sobre o povo em geral? - Não são as raras as vezes em que o meu pensamento me vai dizendo o seguinte, no horizonte da cabeça de alguns governantes não há mais nada para além disto: «Eu tenho horror a pobre» (personagem de Caco Antibes, do programa Sai de Baixo, Miguel Falabella). 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Deus e eu - Com Carlos Vares

 Deus e eu - Um texto exclusivo do Carlos Vares para os leitores do Banquete... 
Frente a frente. Adorá-lo ou Desafiá-lo? Como entidade de bem não levará a mal um exercício de dúvida. Será que olho para Ele nos olhos? Será um ser, uma luz, uma metáfora, uma mandala, uma consciência, um valor ou uma ética? O que finalmente será?

Enerva aquele modo de Ser que encerra em nós as perguntas e as respostas, um monólogo em presença de dois com todos. Se vê, ouve e sabe tudo só poderei jogar com a verdade nos limites da compreensão humana. A verdade com Deus é como uma arma de dissuasão pela positiva, não haverá um passo em falso sem ter a certeza. É incrível que haja esta solução e ninguém a tenha usado. Deus parece aqueles que nunca perdem a razão porque nunca vão a votos. Será? Que silêncio.

Não será naïve jogar honesto para perder quando outros jogam sujo e ganham, ficando com a razão e a importância através da vitória suja? Se vitórias assim ditam as regras, como pode o mundo triunfar se o mal é tão fácil e o mérito tão desafiante na complacência do próprio Deus? Será que Deus é uma matriz de consciência que surge com a evolução do ser humano? Existe enquanto tivermos consciência ou existência?

Custa ter coragem de reclinar o olhar e finalmente ter a certeza de que existe quando sentimos tanta injustiça, quando parece que os piores ganham sempre e que os males afectam só a boa gente. Será que notamos o benefício dos maus e omitimos o dos bons? Será de novo a consciência? Onde acaba o sentimento e começa o pecado?

Como responderia Deus aos desafios dos maus materializando a sua presença na Terra? Penso em momentos da história universal que nos poderiam ter levado ao extermínio se o bem não lutasse com maus modos. Imagino a Segunda Grande Guerra, com os bons a lutar com as palavras e não com armas, como ganharíamos à besta? Não teremos vencido por via do pecado para alcançar o bem? Proponho um desafio, ver as suas soluções em aulas práticas. Há uma condição, teria que actuar como ser humano, sem truques. Será que Deus na ausência da harmonia e da perfeição, na presença de toda a maldade deste mundo, também perderia as estribeiras? Chegaríamos ao limite da legítima defesa para cometer um pecado inimputável? Seria prova da Sua imagem e semelhança em relação a nós? Só me lembro do sofrimento de Cristo e o que disse na cruz enquanto homem. Somos experiências de Deus para alcançar a perfeição?

Como ser perfeito, supremo, infinito, a causa primária de tudo mas também o fim das coisas, Deus nunca esteve sujeito a um início onde decorre o espaço, o tempo, a matéria e o transcendente. Se nascemos mas nunca temos fim, passando da matéria para o espírito e Deus é a origem, onde somos a imagem e semelhança, qual a génese do Criador? Se Deus é a origem de tudo como existe Deus e o conhecimento? Será que regressamos, de novo, à matriz de consciência onde Deus derrama a evolução do homem nesta imensidão do universo? Deus é autodidata ou faz experiências connosco?

Somos os únicos à Sua imagem e semelhança no universo? Porquê só nós ou porquê tantas imagens e semelhanças? Porque a fé é profusa em metáforas num labirinto que nos impede de chegar a ideias claras? Para criar o mistério da fé? Porque temos tantas perguntas ao fim de tanto tempo?

Num mundo com tantos deuses, muitas vezes fonte de discórdia, porque terei eu o original e os outros não? O meu Deus não sucumbirá como os deuses dos egípcios, dos gregos, dos astecas ou por acção da ciência? Porque ficamos instantaneamente devotos quando a ciência falha ou não é suficiente? Deus existe porque precisamos de acreditar, nos referenciar em algo e ter a resposta universal quando desconhecemos?

Por vezes agoniamos tal como seu Filho na cruz e ficamos a pensar se sente, apesar de ter criado o que, por vezes, estes terrenos sentem de dor e injustiça.

O leitor é crente por fé, por devoção, por via das dúvidas, não vá o diabo tecê-las ou só quando está aflito? Porque é que sendo uma questão para se levar muito a sério há muitos intermitentes na sua fé? Porque é que se a fé salva o espírito para todo o sempre somos tão humanos, com defeitos e virtudes, no dia-a-dia? O que falha em algo tão imprescindível?

Que certezas ficam? Deus é um enigma que cada um assume com maior ou menor profundidade, para distinguir o bem do mal, e nos transportar do plano material da nossa dimensão humana para a espiritual? Deus faz-nos viver pelo melhor prisma da humanidade? A Sua existência serve para nos provocar a dúvida e termos a humildade da pequenez na imensidão do desconhecido? Será que é a dúvida sobre Deus que nos faz melhores pessoas? Se a humanidade falhar será à sua imagem e semelhança? Se Deus exerce efeito, existe? Como? A descoberta é a missão da vida.

Caro Deus gostei muito deste bocadinho, agora que virei do avesso a fé, as consciências ou existências, deixo-te por afazeres terrenos. Abana esses Santos acomodados porque vivemos tempos desafiantes onde a descrença substitui a dúvida. Dizem que o Padre José Luís convidou o Trump para um “Deus e eu”, vou ver como te desenrascas! Já percebeste que é mentira, pequei por uma boa causa, a de desafiar-te a ser melhor Deus. Que heresia.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Filosofia inscrita nas pedras

A filosofia está na rua. Encontrei esta inscrição numa pedra. Achei interessante e partilho convosco. Afinal, é tão fácil...
Vai daí... Que me lembrei de Fernando Pessoa, que diz ao autor da inscrição: 
- «Se estiver tudo errado, comece novamente. Se estiver tudo certo continue. Se sentir saudades, mate-a. Se perder um amor, não se perca. Mas, se o achar, segure-o». 

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

O diálogo é o alicerce da democracia

1. A democracia é impossível sem diálogo. Entre nós enfermamos bastante da falta de diálogo para que se possa saborear uma democracia mais abrangente e que contemple a vida de todos os cidadãos. Parece ser uma derrota e uma humilhação ouvir-se e ter em conta aqueles que são de outra cor partidária ou que pertençam a outras correntes que não aquela cor e corrente de pensamento onde estamos inseridos. O partido do poder que nos governa foge como o diabo da cruz dos partidos da oposição, porque sendo minoritários não têm legitimidade para serem escutados e o que pode vir daí para aprendermos deles... Pobre e pouco de acordo com os tempos novos em que vivemos.

2. Estamos muito mal habituados quanto a essa riqueza que o diálogo nos pode trazer. Muitas asneiras poderiam ser evitadas e menos dissabores para todos se a abertura para o diálogo de quem governa estivesse sempre presente. A reconstrução de uma sociedade requer esforço de todos. E todos devem ser considerados mediante aquilo que pensam e valorizadas as suas propostas. Um clima de «guerra aberta ou submersa» não nos leva a sítio nenhum. Melhor, leva sim aos atentados ecológicos, à acentuação da desigualdade e ao desbaratar do bem comum, gerando com isso mais injustiça e conflitualidade social.

3. Entre nós devíamos ter uma Igreja Católica mais consciente desta  prerrogativa do diálogo. Não existe, infelizmente. Há uma Igreja calada ou silenciada porque os poderes assim desejam. O Papa Francisco, submetendo-se às mais ignóbeis acusações interferiu claramente no conflito dramático em que mergulhou a Venezuela. Tem sofrido os mais diversos ataques, que vão de «comunista» para cima  e até muitos aproveitaram a dica para o definir como «bode expiatório» dos conflitos. No entanto, não deixa de manifestar o que deseja da Igreja da Venezuela, particularmente, dos bispos, que vivem na realidade, que devem acompanhar a população no sofrimento em condições desumanas, devem exigir responsabilidades, denunciar as armadilhas do «falso diálogo» e construir pontes.

4. Achei interessante este desejo do Papa Francisco, porque deve ser aplicado não só na Venezuela, mas em todo lado. Por exemplo, entre nós, nada tem sido dito sobre as misérias que o poder gera, nada sobre obras mal feitas, nada sobre a destruição de património, nada sobre o desbaratar de dinheiros em coisas que não são prioritárias, nada de pedir responsabilidades. Entre nós, estão à solta os políticos. Falam o que querem, pensam que têm terreno livre para enganar e que podem fazer tudo como muito bem entendem sem dialogar com ninguém porque se acham legitimados para tudo. Começa, felizmente, a emergir uma sociedade civil, que reclama, aponta caminhos e vai esperneando alguma coisa. Um sinal, que, esperemos, não esmoreça...
 
5. Este caminho não tem futuro. Esta democracia assim tem os dias contados. Hoje, seguindo o pensamento do Papa Francisco, cabe aos políticos, à sociedade civil e a todos os seus sectores sociais concretizar a acção da unidade e a estratégia do diálogo como caminho indivisível para vivermos um verdadeiro espírito democrático. Com esse espírito democrático não há envergonhados, não pode haver humilhados nem muito menos derrotados, porque levaram à prática qualquer medida que eventualmente tenha vindo de outro grupo, de outro partido e de outro sector social que não esteja afecto ao poder em vigor.
 
6. Parece que para alguns é mais fácil rotular ou então ofender-se quando alguém aponta outra luz e outro caminho, porque viu que este que se segue não é benéfico para todos, é injusto e atentatório da história. Tanta desgraça poderia ser evitada se essa abertura democrática tivesse estados na cabeça de quem governa. Uma sociedade democrática faz-se com todos e para todos. Enquanto durar a exclusão do diferente e enquanto as medidas continuarem a serem mais meios e formas para a discriminação, a paz social e o bem continuarão a ser só e apenas para alguns. Isso não é democracia. É um carnaval todo o ano.