Convite a quem nos visita

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

A luta da paz não é pacifismo

É tão essencial a paz! É tão importante encontrar o caminho da paz! E falo daquela paz interior que nos leva a detestar tudo o que seja tormenta exterior que fere o corpo e alma. Quer a violência que anda pelo mundo quer aquela que às vezes nos acompanha interiormente. Não perder-se por uma nem por outra é meio caminho andado. Todos desejam a paz, mas muitos não sabem viver senão sob os escombros da guerra que semearam por todo o lado. Pior ainda quando se anda com a paz na boca e a guerra no coração que se expressa nas palavras e nas ações. Eu sei que Jesus anunciou que não veio trazer a paz, mas a guerra, a divisão... É óbvio, que não falava da divisão que faz sofrer e da guerra que mata. Mas falava da paz interior que se torna ação militante contra todas as formas de guerra, escravidão, exclusão e indiferença que os poderosos do mundo querem fazer valer para os pequeninos. Esta guerra levou-O à Cruz. Porque, proponha-se e propõe-nos um caminho que não se acomoda, que não se fica pela medida pequena perante a luta do amor, que é preciso realizar contra todas as forças que este mundo tem para semear o sofrimento e morte. Somos gente. Assim, toda a gente precisa da paz interior, aquela serenidade que nos descobre e que nos leva a descobrir o que somos e para o que viemos a este mundo. Procuremos o que nos faz estar em paz e depois levemos a paz aos outros mesmo que neles não estejam em boa vontade connosco. Só pela trincheira da paz se pode vencer as armas poderosas das alcateias dos lobos que nos rodeiam. A paz não é pacifismo abúlico nem muito menos indefinição comodista perante a realidade. 

domingo, 16 de setembro de 2018

Uma pessoa três perguntas para nós

Quem foi Jesus?
  • Por um lado, Jesus é o humano divinizado derrotado pelo mundo. Por outro, o divino humanizado que vence o mundo. 
O que é “renunciar a si mesmo”?
  • São todos o que não se deixam contaminar pelo veneno do egoísmo e sabem que  a graça da salvação é para todos (só para contrariar o poeta António Ramos Rosa, que diz num dos seus magníficos poemas que “a graça da salvação é para poucos”).
O que é “tomar a Cruz”?
  • Significa assumir a vida e as suas opções de forma radical, mesmo que isso implique às vezes dor, suores, lágrimas e até a morte.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Vamos ao sexismo e ao racismo Serena

a tenista americana Serena Williams foi multada neste domingo em 17.000 dólares ((cerca de 15.000 euros) pela Associação de Ténis dos Estados unidos pelo polémico comportamento na derrota de sábado para a japonesa Naomi Osaka, na final do US Open (ténis d3 campo). Pablo Stecco, jornalista da cadeia de televisão ESPN, contou nas redes sociais que Serena Williams terá destruído o balneário depois de perder a final do US Open para a japonesa Naomi Osaka, no sábado passado. No campo à vista de todos, a discussão subiu de tom, Serena partiu uma raqueta, chamou "ladrão" e "mentiroso" a Carlos Ramos, e acusou-o ainda de sexismo. Com tudo isto mostrou a sua má criação, raiva e revolta pelo seu péssimo perder. Parece que tenha que ganhar à força e tenista japonesa no final, ao receber o troféu da vitória quase que teve que pedir desculpas por ter ganho. Pelo meio a tenista norte-americana envolveu-se numa grande discussão com o árbitro português Carlos Ramos, depois de o juiz a ter advertido por estar a receber instruções do seu treinador. Serena negou veementemente a situação, apesar de Patrick Mouratoglou ter admitido após a partida que estava mesmo a dar instruções. Serena em nome do feminismo decretado que a moda actual reivindica, também invocou sexismo quando o que está em causa é má criação e o incumprimento dos regulamentos. Serena, apenas no nome. Mas, mais uma vez, claro está que se o desporto é puro negócio e vontade exclusiva de ganhar, converte as pessoas, jogadores, dirigentes e público, em autênticos mercenários mal criados e que não se inibem de revelam os seus piores instintos. Enquanto não se perceber que os agentes do desporto têm o dever máximo de contribuir para a paz, a alegria e a festa associada a todas as formas de desporto, nunca deixaremos de ouvir falar de violência nos lugares da sua prática. E melhor seria que o desporto não fosse apenas e só negócio. Perceber isso pode fazer do desporto um instrumento para o bem estar dos povos e não apenas um fim para fazer valer a lógica do lucro pelo lucro.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

No dia em que ardeu um museu

Museu Nacional do Rio de Janeiro em chamas
03 Setembro de 2018
No dia em que arde um museu
mores tu e morro eu
pois são agora cinzas algumas raízes
da árvore imensa da memória
leite materno do tempo e da vida
de onde tantos mamaram e foram felizes. 

No dia em que arde um museu
perdes tu e perco eu
as possibilidades de um dia contemplar
a porção de história que a incúria venceu. 

Naquele final momento 
quando o fogo arder o último museu
estarás salva humanidade sobre o vazio
que a tua diabólica ganância te concedeu. 

Quando arde um museu
queiras ou não morres tu e morto eu. 
JLR 

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

O pensamento e aquilo que somos

é muito mais aquilo que desejamos ser do aquilo que provavelmente já somos. Ninguém é perfeito e todos os dias falhamos ou atraiçoamos esta fórmula tão idiossincrática do ser humano. Gosto de dizer que a vida é uma construção, um edifício que se reconstrói todos os dias, porque estas obras nunca deixam de ser dadas por terminadas. O esforço quotidiano para procurarmos ser o que pensamos deve fazer parte de nós. O Buda dizia que "o que somos é consequência do que pensamos". Deus criou-nos assim, com capacidade de pensamento, por isso, nunca abdicando por nada deste mundo desta maravilha do pensamento, devemos procurar todos os caminhos e todas as formas que nos conduzam ao bem e à vida feliz, sempre para si e para os outros. Nunca estaremos verdadeiramente bem enquanto alguém neste mundo passar fome, não ter roupa para cobrir-se, teto para abrigar-se, cuidados de saúde e instrução. Quando isto falha para alguém somos todos uns vencidos da vida. Podemos perguntar, e eu, os meus problemas, as minhas dores, traições e angústias que são todos os dias o centro do universo? - Respondo com um exercício, pensemos, escutemos, contemplemos e meditemos na complexidade do universo, na complexidade de um corpo humano deste a sua concepção até à morte, logo aí veremos que os nossos problemas são bem pequenos.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Os fariseus ressuscitam todos os dias

a maioria das denúncias que estão a ser feitas sobre os abusos sexuais nos Estados Unidos, na Australia, na Irlanda, na América Latina e alguns noutras partes do mundo (um ou outro até bem próximos de nós), remontam há 70 e 80 anos e, obviamente, outros casos mais recentes. Tudo bem quanto ao crime hediondo que representam estes casos. Justiça com todos eles, porque deixam cicatrizes para sempre nas vítimas e nunca mais serão pessoas verdadeiramente saudáveis, pois, por causa disso, carregarão o sofrimento para toda a vida. Porém, muitas destas situações estão a ser bem aproveitadas para que os anticlericais primários e os desencantados ou amargurados da vida, cuspam o seu ódio doentio e a sua vingança rasca sobre a Igreja Católica e, particularmente, os sacerdotes. Mas, convém não esquecer o muito que faz a Igreja Católica e, particularmente, os padres, religiosos e religiosas que por esse mundo fora salvam todos os dias crianças, idosos e tantos excluídos do sistema louco capitalista que inventamos (produzir, consumir e descartar), tudo à conta de mais pobreza e exclusão social. São milhões de pessoas que a Igreja em todo o mundo salva da fome, trata as feridas dos doentes, visita os abandonados, consola os idosos e acolhe a imensa multidão de crianças descartadas pela maldade de pais irresponsáveis e da indiferença das sociedades. Com frequência à conta disso são assassinados religiosos e religiosas, mas para noticiar tais acontecimentos parece faltar papel e tinta aos jornalistas. Os sacerdotes nenhum é herói, nem todos são psicopatas neuróticos. São homens simples, humanos, que procuram seguir Jesus e servir os outros com muitas imperfeições, pobreza e fragilidades, mas neles existe também beleza e bondade como em todos os seres humanos. Gosto de ver o todo e não apenas as caricaturas distorcidas. Por isso, prefiro mais indicar pessoas sérias e honestas do que andar à caça de pecadores para os indicar e julgar. Não sou fariseu. 

Golpe do clericalismo contra o Papa Francisco

ao ataque. Uma missiva memorial demolidora que diz mais do mensageiro do que do destinatário. É disso que se trata o que a ala anacrónica da Igreja Católica está a fazer contra o Papa Francisco. (Digo "anacrónica" e não "conservadora" como se convencionou dizer para designar aqueles que mantêm atitudes e pronunciamentos contra as reformas do Papa Francisco, porque conservadores devemos ser todos daquilo que é importante conservar, mas o que já não serve ou saiu da actualidade e contexto tem de ser deitado para o lixo, desejar manter a destempo normas, costumes e a vida fora da realidade que corre, é anacrónico). É aproveitamento indecente, lançar-se uma carta memorial cheia de imprecisões (liga a homossexualidade na Igreja aos abusos sexuais) e vinda de uma figura ressabiada - Arcebispo Carlo Maria Viganò - por ter sido demitido dos cargos que tem exercido nos últimos anos, por inabilidade e incompetência. Serviu-se deste momento dramático de "vergonha e dor" como tem dito o Papa, face às denúncias dos abusos contra menores por clérigos e após a visita do Papa à Irlanda, lugar de impacto dos abusos e sintomático de contestação contra a Igreja e a pessoa do Papa, para manifestar o seu desencanto e do grupo que o acompanha para gerar ainda mais angústia e confusão. Não pode merecer muito crédito nem muito menos dar-se a devida importância um gesto deste teor, tendo em conta ser um claro aproveitamento, um relançar da guerra contra as reformas de Francisco e gerar ainda mais confusão na lama em que caminha toda a Igreja Católica neste momento histórico. Enfim, sinais dos tempos, que merecem atenção, serenidade e paz, para que a reflexão não esteja minada nem condicionada por ambição de poder, como parece ser o mote dos anacrónicos. Rezemos pelo Papa como insistentemente nos pede, para que mantenha força e saúde firmes no caminho das reformas contra o clericanismo, para que conduzam a Igreja ao porto seguro da credibilidade e da autoridade para continuar a sua missão a favor do bem da humanidade inteira.