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segunda-feira, 20 de novembro de 2017

A opinião pública católica da Madeira

Comensal divino
1. Vale zero. Estamos num tempo em que a mensagem católica não passa de forma nenhuma. Melhor, esclareço, passa se forem escândalos e todas as coisas que sejam negativas. O debate público sobre a religião está inquinado e reduz-se ao comum bota abaixo - utilizando a linguagem vulgar -, onde cada um ao abrigo da suprema autoridade de «esta é a minha opinião» e que o «que tem a dizer, diz pela frente e não pelas costas», procura encostar às cordas o seu próximo e as instituições, mesmo que isso traga dissabores e graves sofrimentos para as vítimas. O que vale é sempre fazer valer o que se pensa, esse é um «direito absoluto», quem não aceita isso, remata-se levianamente: «temos pena»!

2. Esta forma de debater conduz a maior divisão, formando grupos que se confrontam entre si ferozmente com prós e contras à mistura, sem que nunca se chegue a consensos e muito menos à verdade, e ainda mais se considerarmos que o único objectivo é ferir de morte a opinião contrária e abater o alvo onde se fixou a polémica ou o eufemisticamente chamado, debate.

3. Porém, na hora da responsabilidade, não aparece ninguém, porque muitos falam, mas consequências são zero. Porque falar é fácil, envolver-se, comprometer-se e contribuir para a solução e para a verdade, poucos ou nenhuns estão disponíveis. Um verdadeiro sinal dos tempos que é preciso saber ler e delinear estratégias para apresentar caminhos que nos façam vencer esta pobreza tão deficitária de verdade como se tem revelado a opinião pública católica da Madeira, particularmente, naqueles momentos quando a Igreja passa por maiores dificuldades, porque chegaram os problemas, os escândalos entre outras situações perfeitamente mornais nesta caminhada humana.

4. Nesses tais momentos os debates sempre terminam numa algazarra, com todas as armas apontadas ao outro considerado como inimigo, com generalizações injustas, com insultos brejeiros, insinuações injuriosas e até com ameaças graves que nos fazem pensar se vivemos num meio democrático ou num país desgovernado pelo fundamentalismo mais anacrónico possível.

5. Neste ambiente confuso, a boa opinião não passa, a memória histórica é remetida ao esquecimento, o universo de boas acções quotidianamente e anonimamente mantidas são propositadamente desprezadas, ignoradas e até chegam ser vistas como nulidades de gente palerma. O ruído é ensurdecedor, levado a cabo pelas tais opiniões de contestação, inconsequentes, escondidas, mas que ferem depreciativamente uns e outros, denegrindo quem não merece, até chegar ao puro e duro insulto.

6. Na Madeira, precisamos de uma escola, que prepare cristãos conscientes da sua condição e que façam valer em todos os lugares da sociedade opiniões consistentes, que não fujam à verdade para que sejam agentes que que não têm vergonha do que são e façam prevalecer a nível elevado, o teor do debate e das conversas. Todos, na Igreja devemos tomar a sério esta causa como sendo essencial para alterar esta tão depauperada opinião pública católica da Madeira que temos assistido nos últimos tempos. 

domingo, 19 de novembro de 2017

Glória a Deus nas alturas

Escrever nas estrelas
O Dr. António Fontes na sua habitual e incontornável crónica-sátira Trum Trump, no Dnotícias da Madeira, este domingo discorre sobre o caso do Pe. Giselo, aproveitando para achincalhar pessoas e instituições, com uma linguagem de baixo nível e com generalizações muito injustas. Vamos a três pontos.

1. Tantas vezes me farto de rir com as piadas certeiras e engraçadas, que como se costuma dizer "não lembra ao diabo". Muito aprecio o género da sátira e acho que o Dr. António Fontes tem jeito para a coisa. Até lhe fico grato pela boa disposição logo bem cedo em cada manhã de domingo, antes de entrar em modo liturgia dominical com as missas habituais da manhã de cada domingo - são logo três seguidas para três assembleias de extraterrestres que escolheram a Madeira para serem esquisitos, gastando um pedaço do  precioso domingo para fazerem umas coisas esquisitas dentro das igrejas. Olhem que tem gente de todas as idades. Por isso, não venham com a conversa do "só para meia dúzia de velhos".

2. Adiante. Algumas vezes a escrita do Dr. António Fontes resvala da sátira engraçada e certeira, para a brejeirice e para o calão sem freio na língua a propósito e a despropósito. Quando tal acontece, fico-me por um singelo sorriso, porque me coloco na pele dos visados. O Dr. António Fontes tem graça e jeito para dizer brincando coisas muito sérias. Admiro essa qualidade - ou talento,  parafraseando o Evangelho daquele "louco de Nazaré" que anda para aí há dois mil anos a enganar meio mundo e esse meio mundo engana o outro meio mundo que falta. Repito, muito me divirto e considero necessário que entre nós este género da sátira exista, precisamos que nos digam com graça, com sátira, aquilo que é sério demais, sobretudo, quando diz respeito ao bem comum, a toda a sociedade. 

3. A sátira-crónica deste domingo, o Trump Trump, do Dr. António Fontes, teria piada se não tivesse entrado pela brejeirice com expressões altamente ofensivas e caluniosas para pessoas e instituições. A liberdade de expressão é um valor, é um direito, mas devem ser exercidos com o respeito e com a dignidade que todas pessoas merecem e, particularmente, as instituições, que sempre estão muito para além das atitudes deste ou daquele membro, mesmo que ele tenha a mais elevada categoria dentro da estrutura. Por exemplo, a Igreja Católica não é o Papa, não é um bispo ou os bispos em geral, não é um padre e os padres em geral... É uma realidade que está acima, muito acima desta ou daquela pessoa, deste ou daquele grupo, desta ou daquela classe, desta ou daquela família... Portanto, mesmo que já seja gasto dizer-se, relembro, o ramo não é a floresta nem muito menos a floresta é o ramo
Enfim, para terminar, vamos agora a três lembranças.

1. É verdade que como em todas as instituições a Igreja Católica e, particularmente, a Diocese do Funchal têm pessoas que, podemos considerar (mesmo que injustamente), que «não servem para nada» ou podemos ir ainda mais longe, com a expressão popularmente generalizada e proficuamente utilizada na gíria, «não prestam para nada». Tudo muito certo, mas uma coisa são algumas (sublinho, algumas) pessoas quando tomam decisões, fazem opções e assumem determinadas atitudes, outra bem diferente, são as instituições a elas associadas. Generalizar é perigoso, injusto e desonesto intelectualmente. 

2. A par de tudo o que é dito na primeira lembrança, é verdade sim senhor que a Igreja Católica e, particularmente, a Diocese do Funchal, estão carregadas de defeitos, de falta de transparência, com negócios esquisitos, heranças mal geridas ou desviadas do fim a que se destinavam, padres por todo lado com mais direitos e outros com menos, tantos deles a não cumprirem os seus deveres, alguns que não falam com os colegas, pouco solidários, malcriados, ganância pelo poder e pelos dinheiro, carreiristas ou trepadores, intriguistas, maldizentes, maldosos, conservadores, anacrónicos, pedófilos, tarados sexuais, moralistas e zelosos com regras quando são para os outros, bispos medrosos, calculistas e alguns acomodados como príncipes em seus palácios… Ora, como se vê, uma infinidade de maus exemplos por todo o lado vindo dos Papas, dos bispos, dos padres, dos frades e freiras e da enorme multidão de leigos que não raras vezes cheiram mais a mofo do que os religiosos.

3. No entanto, face à descrição mais tenebrosa e negra que se possa fazer da Igreja Católica em qualquer parte do mundo, ela é também porto de abrigo de uma imensa multidão de pessoas que são sérias, têm fé verdadeira, porque acreditam ser possível a fraternidade, a justiça solidária, a dignidade e a paz para todos. Por isso, ajudam (tantas vezes com enormes sacrifícios pessoais, gratuitamente e voluntariamente) os pobres, os doentes, os idosos, as crianças abandonadas, as que participam na catequese, os jovens nos grupos juvenis (por. ex. Escuteiros, só para lembrar o mais conhecido) e as famílias e tanta gente que vai por aí, que se não fossem as pessoas ligadas às igrejas (comunidades) as suas cruzes seriam muito mais pesadas. 

Conclusão: Dr. António Fontes, a sua crónica deste domingo (19 de novembro de 2017) foi uma das que não me fez rir, mas até podia, dado que o tema tem enredo para uma excelente sátira, mas esta desceu ao nível da linguagem do calhau, ofendeu pessoas e instituições, tendo em conta que as desconsidera levianamente e meteu tudo dentro do mesmo saco. Foi pena este domingo para mim não ter começado com umas valentes gargalhadas. Ficam em dívida até que venha a próxima crónica com verdadeira graça, que até pode ser sobre o autor que subscreve este escrito, desde que não resvale para a ofensa caluniosa, a brejeirice e o insulto. Glória a Deus nas alturas e paz na terra a toda humanidade por Ele amada. 

sábado, 18 de novembro de 2017

O ensino deve ser aprendizagem e educação

Ao sétimo dia
1. Nesta última sexta feira (17 de novembro) participei numa conferência na Escola Gonçalves Zarco, vulgo Escola dos Barreiros, proferida pelo pediatra Mário Cordeiro, sobre «Ensinar, aprender ou educar?». Mário Cordeiro conta já uma longa caminhada de estudo à volta da educação. Por isso, lançou uma série de reflexões que devem ser tomadas em consideração por todos os educadores, mas particularmente, os professores. Neste texto deixo alguns dados que retive e que considerei terem alguma relevância.

2. A sociedade hedonista pôs de parte a espiritualidade e a frugalidade, para dar lugar única e exclusivamente à procura insaciável do «ter», levado até ao limite. A nova «religião», que alguém já chamou de «tecnologismo», veio corresponder à fome do «ter» descontrolado dos tempos modernos. A escola deixou de ser lugar de aprendizagem, para ser depósito de pessoas onde passam algum tempo diário. Quando devia a escola ser um meio onde se aprende desde logo a «saber gerir o tempo». O tempo é sempre curto e poucos, muito poucos sabem gerir o seu tempo convenientemente. Urge uma matéria que versasse sobre a gestão do tempo.

3. O mais importante da escola, o lugar do ensino, é educar para a cidadania, aliás, isto é o mais importante de todo o saber académico. De que nos valerá se tivemos excelentes alunos, mas virmos a ter péssimos cidadãos? - Daí que ao ensino compete ensinar (salve-se a redundância) o rigor, a ética e a estética. E porque é necessário não perder a memória os currículos escolares devem principalmente privilegiar as disciplinas de história, geografia, filosofia e uma outra que ainda não existe, mas que devia existir, a história da arte. A cultura e arte têm que entrar na aprendizagem.

4. O pediatra Mário Cordeiro defendeu o fim, aos «quadros de honra», porque os alunos não podem ser aferidos com base nas notas. Quanto esta forma de avaliação dos alunos provoca exclusão e quiçá profundas injustiças? – Por isso, devia desaparecer das escolas, porque faz mergulhar professores e alunos numa tremenda pressão. Nenhum aluno devia ser avaliado pelas notas que produz. «Se for só por aí, para entrar no quadro de honra, prefiro ser desonrado» - espicaçou o palestrante. Os «quadros de honra» nas escolas são um péssimo serviço à educação e não contribuem em nada para a verdadeira aprendizagem.

5. Mário Cordeiro, categoricamente defende também o fim «dos trabalhos de casa», para permitir que os alunos tenham tempo livre para respirar, descansar, relaxar, poupar tempo e ganhar tempo para outras ações que não são possíveis serem feitas durante o tempo escolar. Por exemplo, estarem juntos com os pais no ambiente familiar. Hoje uma realidade tão necessária para o crescimento das crianças e a integridade dos jovens.

6. Enfim, desafios ou lembranças em tanta quantidade que se conclui com a questão, o tema da conferência: «Ensinar, aprender ou educar?», que até se pode conjugar com mais duas perguntas que devem andar na cabeça de muitas pessoas nos dias de hoje: para que serve a escola? O que andamos a fazer na escola? – Ensaio, responder… Deve a escolar estar ciente de que pode e deve realizar a sua missão que se concentra naquele misto que deve ser toda a beleza que é a aprendizagem: ensinar, aprender e educar. Não só para uns, mas para todos os agentes que fazem a escola. 

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Uma boa governação

Escrever nas estrelas
1. Os sucessos ou os insucessos, os acertos ou os erros de quem governa depende o bem do país, da região, do município ou de qualquer colectividade que implique serem governados por eleitos, nomeados e escolhidos para serem os principais responsáveis pela administração dessa realidade. 

2. Por causa das azias que hoje fazem roncar os estômagos do povo em geral contra os políticos e as suas políticas, algumas pessoas começam a se manifestarem contra o facto de algumas vezes rezarmos pelos governantes. Dizem que não vale a pena, eles não merecem, porque continuam na mesma e até cada vez piores.

3. Vamos então lembrar que quando se reza pelos governantes, rezamos para que o bem comum seja bem administrado. Obviamente, que desejamos o melhor para todos em termos de saúde, paz e tudo o que se deve desejar de bom para qualquer pessoa, seja ela quem for e tenha qualquer função e missão na vida e no mundo. Com toda a certeza que é tudo isso, mas muito mais está em causa quando nos compenetramos nessa interioridade, que se chama rezar.

4. Assim, quando se reza pelos governantes, pensamos neles claramente, mas pensamos também nos bens que pertencem a todos, isto é na necessidade de vermos boas medidas de governação que tenham em conta a inclusão de todos os cidadãos, que gerem ou promovem o trabalho digno para todos, que promovam a família, façam desaparecer a pobreza, tenham vista um sistema de educação com qualidade para todos os cidadãos que por hora começam a sua história de vida e, enfim, que possam, os governantes, serem promotores de verdadeiras medidas que proporcionem aos cidadãos uma qualidade irrepreensível de vida em termos de saúde…

5. Enquanto não vermos sinais de que há da parte dos governantes um verdadeiro interesse quanto à boa administração do bem comum e uma dedicação zelosa quanto a essa causa ou missão, cada vez mais, o descrédito dos agentes da governação irá ser cada vez maior e a simpatia pela democracia uma miragem cada vez mais distante do olhar dos cidadãos. A oração pela boa governação é sempre necessária, porque não são eles os principais visados, mas a sociedade em geral que almejam ter vida como convém e como tem direito. 

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

A esperança e os talentos que não são para enterrar

Pão quente da Palavra
1. A esperança no futuro, que em Deus, será sempre glorioso, dá sentido à vida presente. Assim, os cristãos não são uns desesperados agora, mas contagiam o mundo para a esperança e para a certeza de que o futuro que nos espera não é de condenação, mas a alegria da festa do amor de Deus em plenitude.

2. Neste sentido Jesus no Evangelho manifesta claramente de como devemos esperar a Sua vinda. Em primeiro lugar não deve assistir-nos qualquer sombra de medo e depois fazer todo o empenho para fazer frutificar os «bens» que Deus confia a cada um, os chamados talentos. E a seguir «condena» aqueles a quem Deus entregou talentos, mas tomados pelo medo instalam-se no comodismo, na apatia e não foram capazes de fazer render os dons de Deus e privaram a humanidade dos frutos que tais bens vinham proporcionar.

3. Reproduzo aqui o diz o teólogo do País Basco, António Pagola comentando precisamente esta parábola: «A mensagem de Jesus é clara. Não ao conservadorismo, sim à criatividade. Não à obsessão pela segurança, sim ao esforço arriscado para transformar o mundo. Não à fé enterrada sob o conformismo, sim ao seguimento comprometido de Jesus. É muito tentador viver sempre evitando problemas e procurando tranquilidade: não se comprometer em nada que possa complicar a vida, defender o nosso pequeno bem-estar. Não há melhor forma de viver uma vida estéril, pequena e sem horizonte. O mesmo acontece na vida cristã. O nosso maior risco não é sairmos dos nossos esquemas de sempre e cair em inovações exageradas, mas congelar a nossa fé e apagar a frescura do evangelho».
 
4. Todos nós devemos ser responsáveis e com toda a honestidade assumir cumprir os nossos deveres com dignidade, com a consciência de que por mais pequena que seja a tarefa, ela contribui para a beleza do mundo e da vida. Já a Madre Teresa de Calcutá tinha ensinado assim que «por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota». Que a vida de cada um de nós seja um hino ao bem fazer em cada dia, para que aquilo que somos faça sorrir alegremente todos os que são bafejados com as nossas acções. Que nada nos faça enterrar os talentos. 

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Deus e eu

José Edgar Marques Da Silva, enfermeiro... Uma descoberta interessante e importante em «Deus  e eu»... Simplesmente saboroso. Obrigado pelo seu sentido testemunho.

A vida ensina, o erro o nosso mestre. Deus observa.

Respeito-O nessa qualidade de observador.

Uma mente aberta, num corpo, com um espirito que observa para além do horizonte, consegue apreender com o erro e nas relações que estabelece com outros seres, permite-lhe fazer escolhas, sem se deixar manipular: julgo que Ele que observa assim o quer.

Nas relações entre os Homens, sem dúvida emerge sempre uma relação com Ele; uma relação que surge de forma natural, e que emerge, muitas vezes perante situações da vida aflitivas, ou com os tais medos, alguns, concebidos por nós mesmos, outros impostos, e que a maldade e a intriga humana, Lhe atribui a uma divindade que outros “lhe faz jeito” ser castradora, com o objectivo de subjugar , subverter e impor.

 Algumas vezes, perante situações de risco da vida, ou de perda de saúde, uma ameaça clara, à convivência  com o sofrimento, e a dor; as quais devemos encarar como provas a vencer,  na aquisição de uma maior capacidade de resiliência, algo que treina e nos molda o espírito, e que orienta para uma relação de proximidade em conversas com Ele; monólogos interiores, que esporadicamente extravasam para fora, frases soltas, que querem apenas cativar a atenção numa procura desesperada de respostas, a dúvidas só nossas.

O ser humano, quando “tudo lhe corre bem”, tem a tendência para subvalorizar as grandes coisas da vida, e sobrevalorizar, as pequenas coisas, muitas das quais, sem valor, no cimentar, realmente aquilo que o impele, a uma  luta, diária e titânica, para construir e amadurecer, um ser e um espírito, forte, sensível, em harmonia com a realidade que o rodeia, e com aquela que o transcende, que eventualmente é, o seu acreditar, em algo mais além: por isso não pode nem deve, se deixar distrair, tem de se fazer ao caminho, estar atento a quem observa.

Esta caminhada, que faço, escolho-O, como um amigo, para me acompanhar e guiar, o meu amigo espiritual, com o qual, se conversa no silêncio das horas mais problemáticas, mas também, nas horas festivas; devemos estar agradecidos sempre, não só em, dividir os problemas, mas agradecer, a Ele, o  encontrar os trilhos e os caminhos, que ensinam a viver, e a saber, aceitar as escolhas que fazemos: são todas da nossa inteira responsabilidade, falhar e assumir o erro, é digno dos grandes Homens, assim como insistir, e sempre se levantar a cada queda ou rasteira.

Incrível, na minha profissão de enfermeiro, muitas dessas “horas problemáticas” me são emprestadas por seres que sofrem, no físico e no emocional, não são poucas as vezes, que temos de construir elos de entendimento e compreensão; sozinhos não fazemos o caminho, são poucos os que o conseguem.

A minha relação com Deus é assim, amizade, conversas num silêncio que conforta e ajuda a crescer na espiritualidade, amadurecendo a forte convicção de que algo, mais além, vale a pena apostar, e fortalecer um espírito que vencerá a barreira da vida, mesmo que longa, ela um dia será libertação de um invólucro, de um corpo que cumpriu a sua função: viver em plena felicidade e harmonia.

Não existe nesta relação, obrigação, que vá para além da minha vontade, assumo que nesta relação, não existem regras, a não ser as que unem os “bons amigos”, numa disponibilidade, que julgo, e acredito ser recíproca, não existem medos, inclusive o único pecado aceitável, entre nós, seria de alguma forma, trágica e jamais aceitável, perder uma amizade da qual depende o futuro do meu ser espiritual, aquele que terá um dia, também de aprender a crescer, nada que meta medo a ninguém, se a vida for assim, num acreditar que algo, de melhor, nos aguarda... Acreditar é uma questão de esperança... Não de confirmação.

A via é bela, sim, mas apenas e só, se conviver com o amor e Deus é isso, simplesmente só isso, Ele manifesta-Se, quando o outro retribui... Precisamos apenas de estar atentos, talvez se tenha a sorte de encontrar a tal confirmação desejada por muitos.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

A sexualidade dos padres

Comensal divino:

1. Eis o extraordinário mundo novo que se inicia a partir da Madeira, Diocese do Funchal. As mudanças que se anteveem parecem ter gestação na «pérola do Atlântico». Nada melhor para encher ainda mais o orgulho de muitos madeirenses que sempre acharam a Madeira o centro do mundo e que deste umbigo universal está toda a razão de ser da existência. A meu ver deve ter sido precisamente aqui neste lugar, que ao sétimo dia, Deus com as suas mãos estafadas de moldar o barro para fazer o exemplar Adão e Eva, recuperou as forças de tão afanada obra criadora.

2. Sempre me fez muita confusão ver os Papas, os bispos e os padres a serem os convidados de honra nos encontros, pequenos ou grandes, sobre a família, para falarem precisamente sobre família e como nela se vive a fidelidade no casal, a educação dos filhos, a ensinarem como se resolvem todos os problemas inerentes ao ser família tal como a conhecemos. Sempre evitei ao máximo falar do que não tenho experiência e muito raras vezes encetei viagem por esse caminho. Desperta-me muita perplexidade que os ensinamentos venham de quem teve que abdicar de constituir família em nome da causa e da missão pelo Reino de Deus. É assim e ponto.

3. Esse festim era o que tanta gente pode testemunhar, principalmente, os grupos e movimentos ligados à família sejam mais ou menos religiosos. A conversa versava sobre família assim, família assada, educação assim, educação assada... Com regras e mais regras sobre a vida sexual, procriação, matrimónio civil, matrimónio canónico, regras e mais regras para padrinhos, regras e mais regras para procriar, exclusão e excomunhões se algo falhasse... Mas, despertou agora a opinião pública e a da Igreja Católica - e todos sabemos o que foi, não necessito de reafirmar - a realidade da vida inverteu-se, e como que a talho de vingança, todos sabem de tudo sobre a vida do clero. Será caso para dizer-se «o feitiço voltou-se contra o feiticeiro»? – Porque estou para ver o que isto vai dar e como reagirá quem sempre achou que podia ensinar o melhor dos mundos a partir da sua «sabedoria» sobre a família com muita teoria, mas em fuga da experiência prática familiar.

4. No mesmo patamar, por estes dias, adensou-se ainda mais a minha confusão, por ver uma onde crescente de leigos especialistas em padres, sexualidade dos padres, celibato dos padres, castidade para os padres, vida geral dos padres, filhos dos padres (não imaginava que existia tanto padre por aí a procriar, honra lhes seja feita, já que quem deve procriar não o faz, então que sejam estes a contribuir para o rejuvenescimento da nossa tão envelhecida população) e a infinidade de doutrina relacionada com a vida do clero. É caso para humildemente manifestar aqui a minha mais sincera gratidão, mas fica claro, que se antes me fazia remover as tripas a doutrinação sobre a família e a vida em casal, feita pelos solitários, não menos elas se removem com a doutrinação sobre castidade, celibato e fidelidade e moralismo sexual, produzida pela plêiade de gente, adúltera, recasada uma, duas, três e quatro vezes… Portanto, vamos com calma e que a vida se faça com serenidade, porque sobre tudo e sobre todos ainda temos muito que aprender, até porque cada pessoa é um oceano imenso, sempre como construção inacabada e imperfeita.