Convite a quem nos visita

sábado, 25 de Outubro de 2014

Paragem

Para o fim de semana... Sejam felizes sem prejudicar ninguém!
Um abandono que votou a alma
Ao caminho escuro do sem sentido de tudo.
Mas nisto consiste também o esplendor do só
Que pode ser guia na densidade do silêncio.
José Luís Rodrigues

sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

O delfinário católico

Parece esquisito, mas também há um delfinário católico. Todos os organismos da Igreja Católica funcionam a partir desta forma de pensar de alguns dos seus responsáveis. Há uns criadores obcecados de delfins que logo depois lhe obedecerão e estarão sempre de acordo com o que digam e façam. Mesmo que às vezes estejam envoltos nas maiores patifarias. Neste delfinário não há lugar para o contraditório, para o diferente, para a pluralidade de opiniões e muito menos respeito pelas opções. Tudo ao contrário daquilo que o Papa Francisco vai promovendo.
Os denfinários católicos também se combatem entre si embora estejam camuflados, escondidos. A descrição é regra, porque a «guerra» não pode ser aberta, pública. Cada responsável aconchega os seus delfins, protege-os dos outros, que consideram perigosos, porque falam muito, esperneiam, são descrentes e imorais. Os delfins católicos são protegidos por uma redoma, uma auréola imaginária para que não se contaminem e fiquem sempre aí como pintos debaixo da galinha.
Contra as diferenças
Nada disto deve ser surpreendente em parte. Todas as estruturas humanas são assim mesmo. E como temos visto disto até à saciedade entre nós em vários quadrantes da sociedade madeirense. Mas, havendo na Igreja Católica, embora não surpreendendo, é grave, porque sendo uma instituição do desinteressado serviço, sabendo-se que provoca sofrimento e faz alguns serem filhos das varas verdes, não devia existir e devia ser exemplar a sua prática a este nível. Mas não é. Ponto.
Há gente aconselhada a não falar nem muito menos conviver com os outros, os que se considera «inimigos» do delfinário, aconselha-se, é um eufemismo, impõe-se como norma esta pretensa pedagogia, aliás, condição essencial para fazer parte do delfinário e continuar a ter atenção e privilégios. Qualquer delfinário é exclusivista, sectário e despreza sem piedade o diferente. E não se pense que são só os jahidistas que funcionam assim, há um mundo católico com esta prática.
Outro sinal implacável do delfinário deriva do segredo que envolve os poucos que entram nesse círculo. Porque chegados a quem manda, só eles podem saber da vida interna da instituição, só eles é que podem mexer em contas, só eles é que decidem sobre a vida de todos, só eles é que podem aconselhar, só eles é que podem tudo e os outros devem obedecer e calar, porque senão são considerados desfezados (sem fé), imorais e hereges.
Catolicismo anti evangélico
Neste domínio como pode ser credível um catolicismo que imprime uma pedagogia àqueles que se preparam para o sacerdócio a não participarem nas suas respectivas paróquias de onde são originários? Quiçá estão a cer também proibidos de  voltarem às suas famílias se por acaso nelas existir algo que não esteja de acordo com aquilo que paira na cabeça de quem promove o delfinário? – Catolicismo assim é anti evangélico e não serve para nada.
Quanto a estas proteções estranhas. A experiência vai ditando, que no passado revelaram gente emaranhada em misérias graves de teor sexual, maníacos desenfreados à caça de dinheiro e de mordomias clericais… Entre outras patifarias que são mais ou menos conhecidas da opinião pública.
As palavras do Papa Francisco têm sido duras quanto às disputas dos delfins por poder nas hierarquias da Igreja, que levam, os sacerdotes a ceder às «tentações», o que sempre resulta numa perda de sentido da fé e da fraternidade.
Por fim, fica a doutrina do Evangelho, este sim, o verdadeiro sustento do cristianismo, que reclama o Papa contra todos os delfinários cerceadores que em todos os lugares do mundo vão minando a fraternidade e a amizade como um cancro maligno contra os desígnios do Evangelho de Jesus Cristo.
Disse Francisco: «Esta é uma bela imagem. Não somos todos iguais e não devemos sê-lo. Todos somos diferentes, cada um com as próprias qualidades. E esta é a beleza da Igreja (…). A uniformidade mata a vida, os dons do Espírito Santo. Peçamos a Ele que nos torne sempre mais católicos, ou seja, universais». Tomem lá delfins de dentro e de fora da Igreja Católica.

quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Os ídolos, o amor a Deus e aos outros

Comentário à Missa deste domingo, XXX tempo comum, 26 outubro de 2014
Neste domingo, a liturgia deixa bem claro que a salvação do mundo ou passa pelo amor ou então andará sempre assim tão desarranjado tal como se apresenta desde sempre e mais ainda no nosso tempo. Os crentes, especialmente, têm esta tarefa essencial, dar testemunho de que se deixam conduzir pela força transformadora do amor.
O Apóstolo São Paulo dá conta à comunidade de Tessalónica a grande alegria que sente, pelo facto de a comunidade se ter tornado exemplar, pois abdicou dos ídolos e converteu-se, sob a acção do Espírito Santo, a Deus.
Esta mensagem encontra um eco muito grande no mundo de hoje, são muitos os ídolos que se fabricam por todo o lado. Por isso, este regozijo de São Paulo em relação à comunidade dos Tessalonicenses, para nós converte-se em apelo. O mundo de hoje precisa de descobrir que os ídolos que se fabricam por todo o lado, são efémeros, não salvam e muito menos conduzem à felicidade verdadeira.
As frequentes modas que a lógica mercantilista que o nosso tempo fabrica, facilmente manipulam as pessoas, especialmente, os jovens, que se encontram perdidos sem oportunidades de emprego e sem puderem dar resposto ao seu anseio de constituírem família.
A felicidade autêntica descobre-se no modo como cada um e cada qual é. O seu modo de ser, pensar e agir são únicos e cada pessoa deve procurar essa idiossincrasia que está em si mesmo e nunca fora de si. Deus criou cada pessoa única e insubstituível no modo de ser e de agir. Por isso, com esta palavra de São Paulo, nós aprendemos a procurar sermos nós próprios com a ajuda de Deus e nisso consiste já à partida o início do caminho da felicidade verdadeira. Nesta integridade de vida descobre-se o amor aos outros como valor essencial, que ajuda a completar o ser pessoa feliz.
No livro do Êxodo Deus deixa bem claro que não aceita de forma alguma que continuem as situações intoleráveis de injustiça, a violência arbitrária, a opressão e o desrespeito pelos direitos e pela dignidade dos mais pobres e dos mais frágeis, vítimas da loucura do poder que se instala nos tronos não ao serviço do bem comum, mas dos interesses familiares e dos grupos que se alaparam aos partidos políticos. Como exemplo, o texto fala dos estrangeiros, dos órfãos, das viúvas e dos pobres vítimas daqueles que só pensam em números e no lucro pelo lucro, sem olhar às pessoas concretas. Do ponto de vista deste texto qualquer injustiça ou gesto arbitrário praticado contra um pobre ou mais frágil é um crime grave contra Deus e contra a humanidade, porque viola a profundidade da existência de Deus que se manifesta no coração de cada pessoa, especialmente, se ela pertence ao rol dos mais frágeis da sociedade.
O Evangelho atesta, então, claramente, que só o amor a Deus e ao próximo faz a vida ser uma felicidade e para a salvação do mundo não há alternativa a esta. Porque pelo amor, a solidariedade vai acontecer, a partilha fará parte da vida e o serviço será condição sine qua non em todas tarefas que venham a ser realizadas.
Tudo o que venha a seguir, é conversa fiada e formas de organização social experimentadas em todos os tempos históricos que não resultaram nem resultarão outras que se inventem, enquanto todos forem geradores de pobreza e de miséria. A salvação não esteve em nenhum deles porque lhes faltou o condimento essencial: «o amor a Deus e aos outros acolhê-los também no amor como irmãos». Podem dizer que isto se trata de um sonho, um idealismo, pois que seja, o certo é que enquanto assim não for a humanidade continuará torta e tonta, porque capaz de realizar as piores atrocidades contra si mesma.    

terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Ninguém pára os ventos da mudança na Igreja

O melhor dos mundos não existe. A partir do Papa Francisco, vamos ver a sério sobre o que se vai passando no mundo católico e também fora dele, porque podemos fazer as devidas adaptações se assim o entendermos. O melhor de tudo é que se pode deduzir, ninguém pára os ventos da mudança na Igreja.
É deste Papa que se escuta que a «ninguém tem o direito de sentir-se privilegiado ou pedir exclusividade. Tudo isso nos leva a superar o hábito de nos posicionar confortavelmente ao centro, como faziam os chefes dos sacerdotes e os fariseus» (Angelus, Roma, 12 de Outubro de 2014). Ainda está bem fresquinha esta advertência papal. E esta é a cereja sobre o bolo: «A Igreja não é um grupo de elite, não diz respeito somente a algumas pessoas, a Igreja não faz restrições…» (Papa Francisco, 9 de outubro de 2013).
Os que buscam mordomias e títulos honoríficos que os compensem nas frustrações e no vazio, andam numa roda viva por causa dos dogmas do catolicismo, é preciso salvar o cristianismo mesmo que isso implique o preço elevado da morte do catolicismo tal como se apresenta às vezes carregado de exclusão. Nas reflexões do Papa Francisco, os dogmas levam com o seguinte: «Nesta renovação não se deve ter medo de rever costumes da Igreja não directamente ligados ao núcleo do Evangelho, alguns dos mais profundamente enraizados ao longo da história», escreveu. É urgente perceber de verdade qual o alcance desta convicção e quanto ela nos toca profundamente a segurança do pensamento quietista e cómodo.
Com a preocupação de alterar a igreja dos privilégios que nos rodeia, a intenção do Papa radica na mudança de postura. Por isso, disse Francisco preferir «uma igreja ferida e suja por ter saído às estradas, em vez de uma igreja preocupada em ser o centro e que acaba prisioneira num emaranhado de obsessões e procedimentos»; «Precisamos de igrejas com as portas abertas» para que os fiéis que buscam Deus não encontrem «a frieza de uma porta fechada».
«Nem mesmo as portas dos Sacramentos se deveriam fechar por qualquer motivo», pontuou, antes de criticar severamente a postura adoptada por muitos sacerdotes católicos a respeito da inclusão: «A Eucaristia não é um prémio para os perfeitos, mas um generoso remédio e um alimento para os fracos».
As posturas só se alteram de verdade, quando se alterarem os ditames do pensamento fechado que séculos e séculos cimentou na cabeça de tanta gente que teima em fazer valer na Igreja e fora dela esquemas de vida que em nada servem a realidade concreta dos nossos tempos. Que o vento imparável do Espírito Santo nunca se canse de refrescar o interior das nossas almas e o nosso pensamento.

segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

Quando predomina a incultura, a beatice e o sectarismo

Haverá por sinal uma multidão imensa de gente a quem se aplicam estes atributos. Todas as instituições têm gente deste teor. Nenhum grupo social, por mais amigos que sejam, se pode gabar de não ter no seu seio gente que merece estas atribuições.
No entanto, quando chegamos ao grupo dos cristãos e encontramos uma multidão imensa de gente com estas características, ficamos perplexos e percebemos, por um lado, que andamos sobre um mar largo, cheio de ondas tumultuosas com um vento feroz, que nada tem a ver com a brisa suave do Espírito Santo. Por outro, podemos imaginar que andamos sobre um pântano de lamas movediças, rodeados de incultos, de beatos e de sectários, muito atentos, a ver qual a hora que o pé de alguém cai em falso para logo o carregarem de pesos pesados e o afundarem até às penas do inferno que, teimosamente, desejam que exista para os outros. São os «hipócritas», «raças de víboras» que o nosso tempo ainda «bota» no mundo e que Jesus tanto repudiou quando «escreveu» o Seu Evangelho com a Sua Palavra e a Sua Ação transformadora da vida e do mundo..
Esta forma de ser cristão está nos antípodas do Evangelho. Não é em nome de Cristo que se é cristão desta forma. Mas está apenas ao serviço da lógica deste mundo, toda ela interesseira e egoísta.
Não se pode, isso sim, deixar que a Igreja se esvazie da sua riqueza, a diversidade de carismas e a multiplicidade de sensibilidades. Nem podemos deixar que a Igreja continue a ser um simples espaço onde apenas alguns mostram a sua soberba e o gosto pessoal pelo poder ou vontade de mandar uma multidão de gente adormecida.
A Igreja é o espaço livre onde o Espírito de Deus age como quer e em quem quer, no sentido de criar uma dinâmica que alimenta a fé e a esperança na salvação. Nunca nenhum dinamismo que cerceie os direitos fundamentais como o da liberdade, o de pensar e o de se expressar. A Igreja, é um espaço livre para gente livre. A religião, nunca pode ser vendida ou comprada por este ou por aquele. Na religião, não há lugar para donos. Cada um com a sua fé é senhor de si mesmo. E deixemos o resto à conta de Deus Nosso Pai/Mãe.

sábado, 18 de Outubro de 2014

Interrogações

Para o nosso fim de semana. Sejam felizes sem prejudicar ninguém!
Sei onde vivo e onde estou
mas tantas vezes não sei para onde vou
porque o desequilíbrio agudo do que se deseja
chora mágoas de todos os tempos nus.

Hoje sei que este jogo indefinido não teme
a queda escura do sem sentido
por isso não digo muito
e estendo os braços como asas
no vazio da brisa
quando pé ante pé caminho
sobre o golpe do mistério
que ao longe desvela uma esperança.

Esta é a luz que vejo ao fundo
como quando Deus disse à face perplexa
de Job «Se és homem, prepara-te».

Eu respondo solene: eis-me aqui estou preparado
para todas as interrogações do mundo.
José Luís Rodrigues

sexta-feira, 17 de Outubro de 2014

A maior vergonha do mundo

17/Out.2014 - Dia Mundial para a erradicação da Pobreza e da Exclusão Social
Foto Jornal de Notícias
O dia internacional para a erradicação da pobreza celebra-se a 17 de outubro. A data foi comemorada pela primeira vez em 1992, com o objectivo de alertar a população para a necessidade de defender um direito básico do ser humano.
A erradicação da pobreza e da fome é um dos oito objectivos de desenvolvimento do milénio, definidos no ano de 2000 por 193 países membros das Nações Unidas e várias organizações internacionais.

Frases significativas e lapidares
1. «Há o suficiente para todos, se pararem de esbanjar tudo impensadamente nuns poucos privilegiados. Se todas as pessoas utilizassem os recursos ponderadamente, utilizariam menos do que fazem algumas pessoas a utilizarem-nos insensatamente». (Neale Donald Walsch)
2. «Na terra há o suficiente para satisfazer as necessidades de todos, mas não para satisfazer a ganância de alguns». (Mahatma Gandhi)

A pobreza no mundo
A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) já tinha reconhecido há 20 anos que "o problema não é tanto a falta de alimentos, mas a falta de vontade política". Como a pobreza é o principal causador da fome, esta diminui em países que empreendem políticas capazes de gerar empregos e renda. Em contrapartida, onde há ditaduras e despotismo, há fome e morte por inanição.
Dados revelados pela UNESCO indicam que 842 milhões de pessoas continuaram a sofrer de fome crónica entre 2011 e 2013.
A pobreza está a diminuir a uma taxa sem precedentes. Em 1990, 43% da população mundial vivia em pobreza extrema, com menos de 1,25 dólares por dia. Este número reduziu para 21%, mas há ainda muito trabalho pela frente, especialmente no continente africano. Nada nos desmente que a maior vergonha do mundo esta, a pobreza. 

A pobreza na União Europeia
O número de pobres na União Europeia subiu de 85 milhões para quase 130 milhões, entre 2010 e 2012, com mais 45 milhões de pessoas em situação de carência, divulgou esta quinta-feira, em Bragança, a Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN).

A pobreza em Portugal
Em Portugal, o número de pobres e de pessoas que passam fome tem vindo a aumentar, em resultado da crise. As instituições de apoio e caridade social têm registado um aumento significativo do número de pedidos de apoio por parte das famílias portuguesas.
Segundo dados revelados pela Rede Europeia Anti-Pobreza, 18% dos portugueses são pobres. De acordo com esta organização, o número europeu que serve de referência para definir a pobreza equivale a um vencimento mínimo mensal de 406 euros.

Pobreza na Madeira
Ninguém sabe do ser verdadeiro alcance. Os números oficiais continuam a apontar 2% de pobres de pobres na Madeira. A realidade desmente este número de forma categórica.