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terça-feira, 17 de julho de 2018

A difícil construção da confiança

é tão difícil erguer o edifício da confiança e num ápice de tempo pode ser destruída. Tantas coisas que fazemos tão rapidamente, mas que deixam arrependimento para toda a vida. Mesmo assim a confiança verdadeira perdura no tempo e cresce mesmo que as distâncias sejam longas. Uma certa dose poética na amizade faz bem e permite que as subidas mais íngremes sejam suavizadas. Escutemos: "E a fala dos pinhais, marulho obscuro, / É som presente desse mar futuro, / É a voz da terra ansiando pelo mar" (Fernando Pessoa). A poesia ensina que o que temos nada vale sem que valorizemos quem está connosco nos bons e nos maus momentos. Essa é a amizade, esta é a presença divina, que nos completará como ensinou Konstandinos Kavafis naquela sublime definição da esperança: "tudo belo e grande iluminado". Por isso, o nosso poeta Sebastião da Gama reconheceu que no caminho da amizade começou por reconhecer que "deixei no mar quanto tinha". Grato por tão sublimes pensamentos.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Obreiros da estrada

todos os caminhos são importantes e começam sempre passo a passo. Quando indicam a meta da felicidade deve ser o caminhante o principal construtor da sua estrada no presente, porque o lugar do amanhã é sempre incerto. O futuro habitualmente cai sem aviso e oferece o inesperado. Umas vezes faz sorrir outras vezes faz chorar. Pela sua estrada, cada um experimenta que o sol muito tempo queima, a chuva abundante molha e o vento impetuoso abala a segurança do passo. Nessas contingências cada um aprende o que verdadeiramente importa reter e esquecer o que não interessa para anda. Muita gente sabe como se faz essa triagem. Outros, não tanto, por isso, sofrem e fazem uma grande porção do caminho em profundo lamento e desânimo. Na longa marcha do caminho cada um vai aprendendo que todas as pessoas têm valor, que não faltarão os momentos de festa se caminham juntos, mas não faltarão também as feridas mútuas, que precisarão de cuidados para serem saradas com o perdão. Esta imprescindível convivência ensinará, que falar e conviver podem aliviar as dores físicas, emocionais e espirituais. Sejamos os obreiros do caminho e na meta estará o saboroso troféu da felicidade. 

domingo, 15 de julho de 2018

O individualismo é a maior crise do mundo

Deus revelou em Cristo, o Seu plano para connosco, para que por meio da Sua Vontade sejamos como Cristo e possamos partilhar com Ele todas estas bênçãos. O Papa Francisco convida-nos a lutarmos contra o individualismo para que a bênção de Deus nos abra aos outros e ao bem comum para travarmos o «generalizado individualismo» que nos separa e coloca uns contra os outros (cf. Evangelii gaudium, 99): «É precisamente a este mundo desafiador, com seus egoísmos, que Jesus nos envia, e a nossa resposta não é fazer-nos de distraídos, argumentar que não temos meios ou que a realidade nos supera. A nossa resposta repete o clamor de Jesus e aceita a graça e a tarefa da unidade» (de uma Homilia em Quito, Equador). Fica-nos mais uma vez a certeza, Cristo é o centro de toda a criação (Cf. Rom. 8, 21; 1Cor 15, 28 e Col 1,16). Cristo é o Alfa e o Ómega (Cf. Pierre Teilhard de Chardin, Teólogo, que com esta visão melhor pensou o destino da pessoa). Em tudo isto está a nossa vida. Por Ele fomos criados, Nele vivemos e para Ele caminhamos. O nosso mundo, precisa desta consciência cada vez mais, a crise de que todos falam, mas que só alguns sentem verdadeiramente, é fruto da perda do sentido da comunidade. Pensar nos outros devia ser a regra que comanda a vida da humanidade.

sábado, 14 de julho de 2018

Contra a tirania do medo

o medo atrofia os movimentos. Mata a vontade de intervir e de agir. No lugar do medo, deve prevalecer a audácia, a valentia e a persistência. Os tiranos tantas vezes esmagam a liberdade visível, mas não conseguem matar a pessoa e a sua liberdade interior. É tão bonito quando ficamos a saber de figuras extraordinárias da nossa história que passaram anos nas masmorras dos tiranos, mas mantiveram o seu pensamento livre, uma criatividade impressionante e um desprendimento deveres desconcertante. A morte da liberdade e do pensamento, acontecem de verdade, a quem permite que assim seja, porque desanimou, deixou-se cegar pelo medo ou pelos interesses mesquinhos da vida material. 

sexta-feira, 13 de julho de 2018

A escola que nos faz adultos

à medida que os dias passam, vamos consolidando a ideia de que não somos correntes que aprisionam pessoas nem muito menos almas. Dar o que somos e temos não significa que vamos acorrentar quem recebeu algo de nós. Até porque as coisas dadas devem ser mais importantes para quem dá e não tanto para quem as recebe. Não é raro encontrarmos pessoas magoadas, feridas e desgostosas porque deram e não receberam. Falta perceber que amar não devia significar garantias próprias para o futuro nem muito menos que o amor trará companhia e segurança. Por isso, é tempo de perceber que com o desenrolar dos anos, que abraços e beijos não são contratos e que presentes não são depósitos que se levantará com os respectivos juros no futuro. Daí que devemos em cada dia aceitar as derrotas e os contratempos com a cabeça levantada e com os olhos cheios de luz para o futuro. Devemos viver com a alegria de um adulto e não com a frustração de uma criança. A vida é a nossa escola, onde cada um é professor e aluno simultaneamente. 

quinta-feira, 12 de julho de 2018

A fertilidade da confusão

a esperança é sentir que hoje estamos vivos sem saber o que vai acontecer amanhã. Quem confia sabe que o Espírito de Deus, sopra sobre a confusão das nossas vidas, construindo uma criação e uma realidade novas. O Papa Francisco manda que não tenhamos medo da confusão e até se possível "geremos confusão", andemos "fora do controlo". Na Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, depois de uma chuva torrencial, disse: "Espero que os jovens armem 'confusão' nas suas dioceses". As dioceses no geral perderam os jovens e nalguns casos, tristemente, até as dioceses se perderam no "mar imenso da confusão", só restando a esperança que daí um dia surja vida nova de acordo com a mensagem evangélica. Porque a nossa esperança é que do meio da "confusão" nasça alguma coisa que traga algo de novo. E nós todos devemos acarinhar com a maior das alegrias as realidades que auguram o novo. 

quarta-feira, 11 de julho de 2018

A Europa e os valores do seu padroeiro

morreu São Bento precisamente neste dia no ano 547. É o padroeiro da Europa e escreveu a famosa regra monástica que se carateriza pela prudência e moderação. Deve ser do que mais falta ao nosso tempo e ao nosso mundo! Mas não é isso que nos trás esta reflexão/oração. Pretendemos desbravar sobre a ideia da Europa e do seu destino, porque devem ser o centro das nossas preocupações. Hoje estamos a viver na Europa um tempo desolador quanto às suas lideranças. Há uma orfandade no coração dos povos. O populismo e a falta de sentido de Estado, mais um liberalismo desenfreado a par da obsessão pela economia, marcam as políticas em detrimento do bem estar dos povos e dos ideias que nortearam o passado da Europa com o Cristianismo, o Iluminismo e todas as ideias que fizeram progredir os povos europeus. Falta prudência e moderação. Falta sentido de convergência para a união dos países que fizeram essa ideia "Europa". Falta respeito pelos valores da civilização - a liberdade, a razão sem racionalismo, os direitos humanos e dos trabalhadores, a abertura ao diferente, a integração das minorias, a tolerância religiosa, a diversidade de línguas e de raças... - que foram a luz da Europa das nações. Mas, a Europa desintegra-se e confronta-se com graves problemas sociais, nomeadamente, a recusa dos refugiados, a pobreza, a falta de trabalho e o desrespeitos pelo trabalho e pelos trabalhadores, a desunião da Comunidade Europeia, com o Brexit a marcar a agenda da desintegração e a levantar sérios desafios. Há uma série de ameaças que põem em causa a "ideia Europa", lançam na maior incerteza o destino da Europa.  Vamos pensar e desejar que passemos da incerteza, da inquietação, para o caminho da prudência e da moderação, para que, se não forem os líderes, pois que sejam os povos a defenderem o verdadeiro sentido do ser Europa, para que a paz perdure para bem dos valores da civilização e segurança dos seus povos.