Convite a quem nos visita

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Nenhum caminho fica longe

suaves são os campos diante dos olhos do mistério do amor quando a paz vence a divisão e a guerra. A luz brilha e sorri perante o encontro da beleza da vida quando em cada gesto de amizade e fraternidade, foram vencidas as trevas do ódio, da vingança e da maldade humana. Firmes são os passos que não se deixam abalar porque nada vence a determinação e a atitude quando vieram os desafios, os problemas e as dificuldades. Um caminho só se faz caminho de alegria, quando se caminha na direção do lugar que se pretende chegar, porque só aí descansará segura a alma que não desistiu de fazer caminho. Nada é seguro, nada é fácil, tudo o que somos e temos implica determinação, vontade e coragem. Estes condimentos são à partida metade do caminho realizado. Não desistir nunca e não abdicar dos valores que se comungou naquele encontro com a Palavra, é da pessoa grande. Nem tidos chegam lá. Mas, apesar de tanta perturbação e de tanta perplexidade, penso que o nosso mundo ainda está está de sonhadores que nunca desistem. 

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

O apelo do mundo

Saio de mim 
desço aos infernos
da indiferença do mundo
contemplo os olhos pobres
lacrimosos de Deus
abandonado no chão 
das almas sem nome e sem vez.

Ergo a voz 
contra a injustiça
a solidão das mãos
que nos tocam 
o silêncio conivente
e o esquecimento 
propositado
quando a verdade
deixa de ser o pão 
que o sonho 
construiu passo a passo
em cada dia
de uma existência feliz.

domingo, 11 de novembro de 2018

Dar-se por inteiro contra a escravidão

todos os dias somos confrontados com propostas de vida fácil e de felicidade garantida para sempre, mas, quase sempre tais aliciamentos nos conduzem ao desencanto, à frustração, à escravidão, à dependência, à desilusão… Faz algum bem, mas a felicidade não nasce automaticamente, à volta de muito dinheiro, do carro, da casa, do tacho (conseguido sabe Deus como), muito menos com currículo académico que ostentamos, das palmas e honras que nos são atribuídas... O que queremos ser não está em primeiro lugar aí. Só a descoberta do sentido da vida e a verdadeira felicidade nos liberta de toda a forma de escravidão. Neste sentido, o Papa Francisco deu-nos esta frase maravilhosa: «Quantos desertos tem o ser humano de atravessar ainda hoje! Sobretudo o deserto que existe dentro dele, quando falta o amor a Deus e ao próximo, quando falta a consciência de ser guardião de tudo o que o Criador nos deu e continua a dar». Tudo o que é deste mundo se não está ao nosso serviço faz de nós criaturas submissas e vergadas à vontade alheia. Tornamo-nos escravos. Deus não deseja isso para nós, porque não nos quer desgraçados, mas cheios de graça, libertos e felizes.

sábado, 10 de novembro de 2018

Os messias estão por todo o lado

o mito de Sófocles na magnífica “Antígona”, proclamou no ponto alto do diálogo o seguinte: “a teimosia merece o nome de estupidez”. E Hémon, um dos personagens da Antígona dirá alto e bom som: “quem julga que é o único que pensa bem, ou que tem uma língua ou um espírito como mais ninguém, esse, quando posto a nu, vê-se que é oco”. Por isso, muitas vezes tanta inveja para nada face ao vazio que a luz do dia revela. O invejoso pensa com as pernas, como dizia o autor Ambrose Bierse. Este mal sentir algumas vezes assenta na ilusão, outras vezes na estupidez e outras (muitas vezes) na ideia de que o mundo vai acabar ao virar da esquina sem aquela ou aquelas pessoas. Daí existirem os imprescindíveis e os salvadores. Os denominados messias da política e da religião. Certo, o mais certo, é que os cemitérios estão cheios de cabeças que pensavam assim. 

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

A atitude é a marca da liderança

uma pessoa conhece-se bem e passamos a admirar muito quando nos momentos difíceis e de crise revela ter atitude e determinação. Quando tudo corre bem qualquer um liga o piloto automático e a coisa funciona quase por si mesma, não requer nada de engenho e até esquecemos quem está por detrás do movimento da realidade. Se as coisas vão mal, estão a pedir atitude, muitos vão à procura de livros de auto ajuda, que não resolvem nada, porque normalmente foram feitos por gente mal resolvida e que nunca resolveram nada na vida. São pessoas que deram algum saltito na vida, venceram qualquer coisita e toca então dar lições aos outros para que não repitam os mesmos erros ou não sigam pelos mesmos caminhos. Uma boa causa e um gesto de caridade elevada, mas no geral não resolve ninguém. Não esquecer que a vontade de partilhar experiências pessoais não representa ter talento para ser escritor. Não vejam aqui maldade nenhuma. Mas estou a alertar que devemos desconfiar sempre de todo o género de lições, particularmente, aquelas que prometem fazer de qualquer um líder cheio de talento e carisma. Isso não existe. A liderança é um talento que nasce com alguns, aperfeiçoa-se e desenvolve-se o carisma. Todo aquele que sempre um froixo nas atitudes e quer se tornar um grande líder, não anda bom do juízo, ou anda alienado com um sonho impossível de concretizar. Deve ser por isso que a alma rude de António Aleixo definiu tão bem numa das suas quadras os pseudos líderes que o mundo tem: «Há tantos burros mandando em homens de inteligência, que, às vezes, fico pensando que a burrice é uma ciência». A liderança requer atitude, determinação. Por isso, a liderança está para todos, mas nem todos estão para a liderança. É coisa de poucos. Amigo, não sendo capaz de ter atitude, faça um semancol a si mesmo, pense em qualquer cargo de chefia, mas a liderança deixe para quem nasceu com ela. Se a almeja sem que ela tenha nascido consigo e tentando experimentá-la, não imagina o quanto vai ser ridículo e quanto mal vai semear à sua volta. Contente-se com o que é capaz de fazer, mas deixe a condição de ser líder para outro, se lhe faltam a atitude e a determinação.

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Os vencidos do catolicismo

1. Não ser cristão como quem vive de uma recordação vai desaparecendo a pouco e pouco, para cada um ser fiel à responsabilidade que o estatuto de filho de Deus confere e que São Paulo exprime: «Se somos filhos, somos também  herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo» (Rom 8, 17). Quem diz herdeiro, diz continuador da missão, da vida.
2. Esta nova visão deve ser esclarecida em todos na Igreja, mas de modo especial na hierarquia eclesiástica a quem compete guiar os fiéis à santidade. Dela deve vir o impulso que permitirá a muitos cristãos desestabilizados a fazerem o funeral do mundo do qual se sentem órfãos e reencontrarem o dinamismo inscrito no centro da sua fé.
3. Os psicólogos verificam todos os dias que os traumatismos sofridos pesam muito, mas mais grave ainda é o seu recalcamento. A dor aumenta quando a pessoa atingida não pode manifestar o seu sofrimento e não tem quem a oiça com atenção. É importante que os cristãos possam manifestar o seu descontentamento e o seu desgosto, a sua impaciência e, por vezes, a sua raiva.
4. Por isso, renovarem-se e saírem do sofrimento faz supor que se purificaram interiormente em relação à crise, o que implica terem sido ouvidos. A hierarquia deve continuar a ver chegar-lhe esta queixa por vezes difícil de escutar. Mas deve compreender que é também sua tarefa acolher os decepcionados (ou os «vencidos do catolicismo» como diria Ruy Cinatti e tantos outros irmãos que se desencantaram com a Igreja ou que simplesmente foram esquecidos por ela) com a Igreja, os desencantados com os tempos, aqueles que a história recente afastou, aqueles que se inquietam com os progressos do mundo. Interessar-se-á por compreender a angústia da alguns cristãos e as suas interrogações. Preocupar-se-á com o acolhimento benevolente tanto das tentações de recuar, como das tentativas de experimentar. Sobretudo, saberão confiar na armadilha de uma atitude de defesa orgulhosa de um equilíbrio passado que se desfaz sem que a isso se possam se opor.
5. No fundo, basta não marginalizar ninguém e centrar toda a missão evangelizadora no acolhimento de todos como irmãos, numa atitude de humildade e desprendimento. Uma Igreja interessada só em bens deste mundo não tem futuro e tem os dias contados. Por isso, requer-se uma Igreja que ponha em prática a expressão tão conhecida e badalada do Papa João XXIII, «a Igreja, deve ser Mãe e Mestra». Mais deve a Igreja toda estar ciente da palavra do Evangelho: «toda árvore boa produz bons frutos, enquanto a árvore de má qualidade produz maus frutos. Uma árvore boa não pode dar maus frutos, nem uma árvore de má qualidade pode dar bons frutos» (Mt 7, 17-18).

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

É preciso decidir-se

cada pessoa tem habilidades ou dons que se desenvolvidos podem fazer um bem enorme à humanidade. Porém, nem sempre assim acontece, hora porque os próprios não querem, ou porque o contexto da vida não o permite ou porque os pais são pobres e não têm condições materiais para proporcionarem o desenvolvimento e progresso das habilidades dos filhos. Mas, o mais grave ainda é que a sociedade se não fosse tão indiferente e tão insensível aos seus membros, teria condições adequadas para não deixar escapar aqueles que um dia contribuiriam muito para o seu bem estar. Tudo isto acontece porque a perda de valores é geral, isto é, não se vive aqueles valores que não precisam de génios nem muito menos de heróis, mas de pessoas concretas que soubessem o que é a vida preenchida com valores. Ninguém disse melhor sobre este pensamento do que o Papa Emérito Bento XVI: «Na realidade, a vida é sempre uma opção: entre honestidade e desonestidade, entre fidelidade e infidelidade, entre bem e mal (...). Com efeito, diz Jesus: É preciso decidir-se».