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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Parabéns ao Papa Francisco

O Papa Francisco faz hoje 78 anos. O maior líder mundial a todos os níveis. Esta idade é muita para percebermos como é importante para a sua grande sabedoria, mas não é a idade de um velho para nos admirarmos com a sua genica, a sua força, a sua boa disposição e a sua assertividade perante a realidade da vida e do mundo de hoje.
Vejo no Papa Francisco um verdadeiro líder, o maior do mundo neste momento, cheio de desprendimento, cheio de ternura pelas pessoas, que se expressa no sorriso e no cuidado para com todos, particularmente, os pobres, os doentes, os idosos e as crianças. Tomara que muitos líderes pelo mundo seguissem o seu exemplo e teríamos sociedades mais iguais, menos pobres e menos desamparadas. 
Debate-se com séria oposição da linha mais conservadora da Igreja Católica, mas não cede quanto à misericórdia de Deus e quanto à sua opção radicada no Evangelho pelos últimos, pelos que a lei dos homens tinha há muito colocado fora da comunhão fraterna.
É deste homem que se aprende que Deus aceita todas as pessoas, crentes ou não crentes, tal como elas são e em qualquer circunstância.
Por este meio manifestamos a nossa admiração ao Papa Francisco e invocamos a bênção de Deus para que o proteja de todas as ameaças, para que a sua graça continue a iluminar o mundo e a nossa vida com a sua palavra e o seu exemplo imprescindível. Parabéns ao Papa Francisco.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O Êxodo que faz Moisés mais bondoso do que Deus

Filme
A sinopse de Exodus, do aclamado Ridley Scott, realizador de Gladiador e Prometheus, informa que este é uma adaptação da história bíblica do Êxodo, segundo livro do Antigo Testamento. O filme narra a vida do profeta Moisés (Christian Bale), nascido entre os hebreus na época em que o faraó ordenava que todos os homens hebreus fossem afogados. Moisés é resgatado pela irmã do faraó e criado na família real. Quando se torna adulto, Moisés recebe ordens de Deus para ir ao Egipto, na intenção de libertar os hebreus da opressão. Finalmente, consegue a libertação dos israelitas, após a concretização das famosas e duríssimas sete pragas contra os egípcios. No caminho, ele teve de enfrentar a travessia do deserto e passar pelo Mar Vermelho.
Destaco do filme três momentos. Primeiro, os diálogos entre Moisés e Deus. Segundo, o regresso e encontro com o seu filho e a sua mulher. Terceiro, a travessia do mar vermelho.
Obviamente, que me assaltava uma certa curiosidade para ver como o realizador do filme encenaria a figura e a voz de Deus. Imaginava que seria apenas uma voz. Mas não, enganei-me. Quando Moisés tomado pela curiosidade e com o pretexto de perseguir as ovelhas perdidas na encosta da montanha sagrada no meio de uma enorme tempestade, mergulhou pela ravina no meio do turbilhão de pedras e terras que se desprenderam, soterrado com apenas com a cabeça de fora da lama vê a sarça-ardente, ao lado uma criança, um jovenzinho, que lhe fala e confia-lhe a missão da libertação do povo hebreu. Achei interessante a representação de Deus. Deus é pequenino, é jovem um adolescente imberbe que se estabelece diálogo com a humanidade e manifestando-lhe todo o seu poder libertador. A serenidade e a paciência de Deus não podiam ser representadas por um adulto.
Os diversos diálogos que se estabelecem entre Deus e Moisés são de uma riqueza interessante. A dada altura quase que se percebe que a bondade de Moisés parece ser maior do que a de Deus. Curiosa é também a impaciência de Moisés, que ralha com Deus e insulta-O por ter permitido uma escravidão de 400 anos. Nisto aprendemos que o tempo de Deus nada tem que ver com o tempo da humanidade. Como escreveu Santo Agostinho, «Existem duas vontades: a tua vontade deve ser corrigida para se identificar com a vontade de Deus; e não torcida a de Deus para se acomodar à tua». Esta luta é a de Moisés, mas também tem sido a da humanidade em todos os tempos. Por aí essa conjugação nem sempre tem andado com as agulhas acertadas. Esta é a luta da fé.
O segundo momento que considero brilhante do filme, está naquela ocasião do regresso de Moisés à tribo onde ele tinha sido acolhido e onde se casou com uma hebreia, chamada Séfora, (María Valverde), deste casamento nasceu um filho. No diálogo ternurento sobre a fé que se segue entre ele e a esposa sobre a fé, Moisés, pergunta se ela renegou a sua fé, ela responde que nunca. «Ainda bem», responde Moisés, «vais precisar dela a partir de agora mais do que nunca». A Câmara faz um travelling extraordinário e revela-nos a grande multidão de pessoas que seguem Moisés sobre a encosta que os rodeia.
Finalmente, destaco a cena espectacular da travessia do Mar Vermelho. O abaixamento da maré até ao ponto de ficar enxuto o fundo do mar até estar adequado para atravessar a multidão e depois quando finalmente todo o povo já está na outra margem, o exército do Faraó Ramsés é literalmente engolido pela soberba junção das águas.
Um filme entre os vários que já existem sobre o mesmo assunto, que considero ser o melhor que vi. A todos os que puderem não dispensem uma ida ao cinema por estes dias para ver este filme interessante: «Exudus, Deuses e Reis». Ao menos desanuvia do «êxodo» folclórico que algum Natal vai apresentando por aí.
Elenco: Christian Bale (Moisés); Aaron Paul (Josué); Sigourney Weaver (Tuya); Joel Edgerton (Ramsés); Indira Varma (Miriam); Ben Kingsley (Nun); John Turturro (Seti)…

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Papa Francisco recusa encontro com Dalai Lama

Estão algumas vozes lacrimosas a confessar a sua desilusão em relação ao facto de o Papa Francisco não se ter encontrado com o Dalai Lama no Vaticano, que segundo as informações que estão a circular, este pediu uma audiência ao Papa e não lhe foi concedida. Adiantam as notícias que tal se deveu ao peso do gigante chinês e que por medo ou outra razão de política puramente mundana justifica, a administração do Vaticano, que o encontro não se realize.
Não sou assim tão linear. Compreendo as razões invocadas. Só quem tem acompanhado o sofrimento da Igreja Católica chinesa, que se suspeita reunir cerca de 100 milhões de fiéis ao Papa e que vivem a sua religiosidade na mais profunda clandestinidade. A Igreja controlado pelo Estado Chinês rodará os 12 milhões de fiéis. Face a isto e tendo em conta a imprevisibilidade desmedida das reações das autoridades chineses, mais ainda a perseguição que movem continuamente contra os católicos que obedecem a Roma, compreendo que o Papa Francisco não tenha recebido o Dalai Lama e que consequentemente não receberá nenhum laureado com o Nobel da Paz presente nesta cimeira de Roma.
Sempre que uma autoridade ocidental recebe o Dalai Lama, provoca enorme irritação ao poder chinês, ainda mais seria se o Papa Francisco recebesse o Dalai Lama e o acentuar da perseguição religiosa contra os católicos chineses fiéis a Roma poderia ser ainda mais feroz. É preciso ter em conta toda a humanidade que sofre, mas não esquecer que a cura de uns não poder ser o preço em maior sofrimento para outros.
Obviamente que a atitude de Roma tem uma dimensão política que não se pode descurar, mas tem também uma atenção cautelosa em relação a tantos cristãos católicos chineses que sofrem na clandestinidade há imensos anos a perseguição do Partido Comunista Chinês. Neste sentido, antes de fazermos um julgamento redutor do gesto do Papa Francisco, será importante descobrir quais as verdadeiras razões. Um funcionário do Vaticano disse que a decisão do papa «não foi tomada por medo, mas para evitar mais sofrimento para os que já sofreram». Deve ser elementar ter em conta esta realidade, sem descurar de forma nenhuma a legítima e importante luta dos tibetanos pela sua autonomia e o respeito pela sua peculiar expressão religiosa.
Finalmente, se alguns consideram que o gesto do Papa é assim tão escandaloso e motivo de desilusão tão grande, que dizem ou disseram quanto ao facto desta cimeira estar a se realizar em Roma como segunda escolha, porque estava prevista inicialmente para a África do Sul, mas o governo sul africano recusou o visto ao Dalai Lama... 

sábado, 13 de dezembro de 2014

Poema em retrato

Para o fim de semana. Sejam felizes sem prejudicar ninguém...
tu que nos vês no silêncio
frio que os matizados
traços atestam
numa solidão
sorridente e solene
mesmo que o ambiente
seja tosco
 e feio de tudo
mas nesse momento
sorriu o enigmático rosto
com todo gozo
da alma que busca
a serenidade de um olhar
que se perde e encontra
entre as mãos cruzadas
da ternura invisível
de uma mulher
que se reflecte
em luz
e brilho refulgente
em cada manhã
que desperta
de Deus para nós
José Luís Rodrigues

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O juízo final segundo Alberto João Jardim

Eis a surpreendente mensagem enigmática, mas contundente, que o Alberto João deixou na Assembleia Regional da Madeira aos delfins concorrentes à liderança do seu partido. O contexto não parecia ser o mais apropriado para a citação, mas lá veio aquele momento de catequese enternecedora no fim do discurso de encerramento do debate sobre o Orçamento Regional da Madeira para 2015. A citação foi tirada do Evangelho de São Mateus 25, 31-46. A meu ver revela que o seu reinado ao chegar ao fim acarreta um drama terrível para o próprio. Nesta mensagem sobre o «Juízo Final», há «ovelhas» e «cabritos» ou «bodes» pelo meio, cada um que faça a devida destrinça. Os delfins devem ter a cabeça a andar à volta.  

«31*«Quando o Filho do Homem vier na sua glória, acompanhado por todos os seus anjos, há-de sentar-se no seu trono de glória. 32*Perante Ele, vão reunir-se todos os povos e Ele separará as pessoas umas das outras, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. 33À sua direita porá as ovelhas e à sua esquerda, os cabritos. 34O Rei dirá, então, aos da sua direita: 'Vinde, benditos de meu Pai! Recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo. 35Porque tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era peregrino e recolhestes-me, 36estava nu e destes-me que vestir, adoeci e visitastes-me, estive na prisão e fostes ter comigo.' 37Então, os justos vão responder-lhe: 'Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? 38Quando te vimos peregrino e te recolhemos, ou nu e te vestimos? 39E quando te vimos doente ou na prisão, e fomos visitar-te?' 40*E o Rei vai dizer-lhes, em resposta: 'Em verdade vos digo: Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes.' 41Em seguida dirá aos da esquerda: 'Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, que está preparado para o diabo e para os seus anjos! 42Porque tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber, 43era peregrino e não me recolhestes, estava nu e não me vestistes, doente e na prisão e não fostes visitar-me.' 44Por sua vez, eles perguntarão: 'Quando foi que te vimos com fome, ou com sede, ou peregrino, ou nu, ou doente, ou na prisão, e não te socorremos?' 45Ele responderá, então: 'Em verdade vos digo: Sempre que deixastes de fazer isto a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer.' 46*Estes irão para o suplício eterno, e os justos, para a vida eterna» (Mt 25, 31-46).

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Anúncio da luz que vence as trevas deste mundo

Comentário à missa deste domingo III do Advento, 14 dezembro de 2014
As leituras do 3º Domingo do Advento revelam-nos que Deus não se esqueceu do seu povo e que tem um plano de salvação e de vida em abundância para fazer passar a humanidade à luz da felicidade.
Logo no primeiro texto tirado do profeta Isaías, é apresentada a Boa Nova de Deus, que consiste em anunciar a esperança de um tempo novo, onde Deus fará acontecer a felicidade da salvação para todos, particularmente, para os pobres, porque estes em todos os tempos são as vítimas indefesas dos poderosos que nunca se fartam. E, obviamente, que a predilecção de Deus é precisamente para estes. A visão do profeta assinala que Deus, tudo fará para que a tristeza que se tornou o pão quotidiano dos pobres seja dissipada e venha um tempo cheio de luz que fará sorrir quem teve a má sorte de ser vítima da ganância dos dominadores das sociedades.  
São Paulo apresenta como se faz esta descoberta de Deus à comunidade de Tessalónica para que esse tempo novo possa surgir. Este apelo encaixa-se perfeitamente em qualquer comunidade esteja onde estiver em todos os tempos históricos.
Paternalmente transmite práticas, exortações, lembrando que o Evangelho não lhes foi pregado somente com palavras, mas com eficazes manifestações do Espírito Santo, que os estimulava a se tornarem imitadores do Senhor e dos Apóstolos, apesar das tribulações de cada dia. Dessa forma, eles se concretizariam como modelo para os fiéis não só da Macedônia e da Acaia, mas para todos os que creem no Deus Vivo e Verdadeiro.
O Apóstolo realça a necessidade de se progredir na busca de um maior polimento espiritual, cultivando a santidade e lembrando-lhes os seus ensinamentos de como devem viver para agradar mais a Deus, exercitando o amor fraterno, apartando-se da luxúria, tratando a esposa com carinho e respeito, sem se deixar levar pelas paixões desenfreadas do mundo.
Para São Paulo todos ressuscitarão mesmo aqueles que estão adormecidos (mortos). Ninguém sabe o momento e a hora, por isso, todos devem viver como verdadeiros «filhos da Luz» e não como «filhos das Trevas». Vivendo dignamente e permanecendo preparados para a chegada do Senhor. Paulo pregava uma cristologia que insistia na vinda iminente do Senhor Ressuscitado. Por isso, apela insistentemente: «Não apagueis o Espírito…» e aconteça o que acontecer «vivei sempre na alegria».
O Evangelho apresenta-nos João Baptista, a «voz» que prepara os homens para acolher Jesus, o salvador do mundo. A principal preocupação de João não é centrar em si próprio a atenção dos que o escutam, mas apontar para Jesus, Aquele que Deus envia ao mundo para fazer da vida uma festa que se recheia com o dom da paz e da felicidade, que se vive na liberdade, na fraternidade e no respeito para com todos os que no rodeiam.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Profecia

Dia da celebração Internacional dos Direitos Humanos... Só para que não seja um dia só, mas todos os dias do ano.
«Envio-vos como ovelhas para o meio de lobos. Portanto, sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas. Tende cuidado com os homens» (Mt 10, 16.

Sou enviado
Ante o incerto
Embora me prenda na vertigem
Do medo
Da vergonha.
Mas sei do que venho
Cheio de felicidade
Na Boa Nova que faço
Sentido e liturgia
Da fé.
Aí face à curiosidade do teu olhar
Prego o orvalho de Israel
Nos prados de Janeiro
Onde depois do mistério primaveril
Florirá o lírio
E lançará raízes o cedro do Líbano.
Os seus ramos serão abrigo a muitos
E serão estendidos até à maior distância do mundo.
A oliveira dirá também presente
E a sua fragrância será como o olhar feliz.
A sua sombra será bálsamo
E um abrigo.
O trigo loiro dirá
Estou pronto
Faz-me pão do amor.
A vinha generosa em cachos
Fará o vinho famoso do Líbano.
E ao alto do mundo
O cipreste verdejante
Proclamará a majestade de Deus.
E só graças ao seu aconchego de amor
Darás muito fruto. 
José Luís Rodrigues