Convite a quem nos visita

sábado, 16 de março de 2019

A glória em nós do Tabor


16 Março de 2019
Vamos entrar para dentro da Transfiguração
façamos uma moradia, um pensado silêncio
breve ou prolongado à vontade do eu
que antecipe a iluminação
que clarifique que nunca vi

acerca da opacidade e do segredo escondido
de um Deus glória
dentro de uma face que sorri.

Vinde todos de cá de baixo onde há frio e fome
subamos a montanha
do desassossego em contemplação
o universo divinizado tem um novo nome
anda com ânimo levanta
o fardo das traições
mesmo que das flores colhidas antevejas a morte
sentida por causa das repetidas perversões.

Peço que passe um Deus como fogo por mim
que devore o matagal do egoísmo
quando se afirma na mentira que impede
a doçura persistente do meu sim
há uma batalha interna que cai pelo abismo
de onde vem o medo que trava o espanto
do mistério que esta glória nos concede. 

Ó sublime montanha do Tabor
és divinamente transfigurada por graça
sinal que afasta as sombras da gravidade de mim
se rezo limpa todo o mal que me trespassa
ora se crava fundo se há riso superficial
quando teimoso o mundo não perdoa esta dor
agora sereno desço desse espaço rarefeito
foi a grandeza de Deus e do assombro
que é o tudo do que em nós é fundamental.
JLR

sexta-feira, 15 de março de 2019

Causas grandes na mão dos jovens

Escrever nas estrelas
Este é o contexto de um tempo sem tempo para o amor, a paz, o respeito pela liberdade e diferença dos outros, porque predomina a violência terrível em toda a linha. Ela é nos atentados e massacres, abusos sexuais de toda a ordem, violência doméstica, mediocridade nos programs de TV, manipulação das pessoas a troco de bens materiais e todo o género de misérias que campeiam o nosso tempo.

Neste panorama sombrio de ódio onde se descobre o pior a humanidade, emerge um grupo de adolescentes e jovens em todo o mundo que dizem não. São eles os inspiradores de que do meio das cinzas pode emergir uma fénix revestida de paz e enfeitada de consciência ecológica. Pela greve do clima dizem à humanidade inteira verdadeiramente o que importa salvar e que a haver guerras, terão que ser com batalhas úteis, em nome da salvação do nosso Planeta Terra e o futuro da humanidade.

O movimento mundial foi encabeçado pela corajosa jovem sueca Greta Thunberg, que desencadeou a mobilização mundial dos estudantes (já começaram a chegar notícias que nos dão conta de manifestações gigantescas de jovens em várias partes do globo). Matilde Alvim e Beatriz Barroso, de 17 anos, são as duas jovens portuguesas, que começaram por dar voz à greve sobre o clima em Portugal.

Sobre a ideia derrotista que frequentemente se ouve nestes movimentos, de que a greve não vai mudar nada, disseram as duas jovens portugueses, líderes do movimento no nosso país: «A greve não vai mudar nada, mas vai plantar a semente». Muito bom e inspirador. Vamos seguir-lhe as pegadas. O futuro é dos jovens é comum dizer. E se vivem hoje com esta ideia tão bonita de que pertence-lhes plantar sementes, afinal, descobrimos, que o mal pode ser vencido. Basta querer, porque também é comum pensar-se que querer é poder. 

terça-feira, 12 de março de 2019

Problemas concretos soluções claras

Escrever nas estrelas

As várias questões que nos assolam todos os dias, sinal da derrota e incompetência que nos persegue ao mesmo tempo, merecem clareza na análise e firmeza numa luta concreta a encetar todos os dias.

A questões da pobreza, a falta de emprego, as necessárias condições de habitação, a saúde e educação, a violência familiar (vulgo violência doméstica), a emigração massiva, estão a tornar impossível a vida das populações em todo o mundo. Entre nós não fugimos esta a regra e sofremos com as suas consequências. Não devem ser as declarações de céu azul que alguns dos nossos governantes proclamam, a garantir que afinal a vida está melhor e que se vive muito melhor hoje ao contrário de nenhum outro momento da história da humanidade.

Também não vale que nos falem destes assuntos no meio de um aparato bíblico, teológico e filosófico, e, no caso, da Igreja Católica, em manancial de citações de documentos eclesiásticos. Não está provado, que tais questões pintadas com letras religiosas ou bíblicas se tornem doces ou vistosas porque têm cores que agradam a vista.

Este procedimento, longe de esclarecer, obscurece as problemáticas e não lhes dá o devido valor no contexto da história que estamos a construir e a viver no presente. Os textos cheios de citações que justificam posturas tradicionalistas, disfarçam incompetências, justificam más opções ou adiam soluções, não permitem que tenhamos uma visão integral dos problemas e muito menos suscitam a criatividade, abertura à novidade que se espera que venham responder aos desafios sempre novos colocados à humanidade de cada tempo.

sábado, 9 de março de 2019

As tentações


Para o nosso fim de semana. Sejam felizes sempre...
Três vezes, Jesus, tentado por Satanás
Os olhos em chama estão nas mãos em brasa
O Anjo vencer do ódio é o que serás
Sente-se o amor na recusa que para nós amassa.

«Manda a esta pedra ser pão!»… Ó vil devaneio
Move montanhas, és Deus! – de joelhos vem adorar
Serás dominador das cidades do mundo inteiro
Jesus suporta com a palavra e não se deixa devorar.

«Nem só de pão vive o homem!»… Ficou dito,
E «não tentarás Deus!»… Sai daqui bicho esquisito
Satanás cobarde fugiu e a manha foi vencida.  

O poder e fama são a dor da humanidade ferida
É esta a quotidiana desgraça desta vida,
Jesus vencedor é mão para cada recaída.   
JLR

sexta-feira, 8 de março de 2019

A cegueira mata a ousadia da novidade

Os sinos devem dobrar a rebate porque não se percebeu ou faz-se de conta que não se percebeu a gravidade das coisas. Por isso, humildade e abertura ao que é novo devia ser regra essencial para toda a hierarquia da Igreja Católica. 
Não se percebe a insistência nas mesmas fórmulas e regras de piedade que hoje não colam porque não servem à maioria dos cidadãos. Serviram noutros tempos e, reconheçamos, contribuíram muito para o bem estar das pessoas e para a sua santidade. Mesmo que também em alguns momentos tenham sido aplicados, exigidos de forma desumana até ao preço da perda da liberdade e vontade das pessoas. Esse pecado existe e ainda não foi redimido.
Porém, nos tempos atuais é preciso enxergar que há um descrédito muito grande em relação à Igreja Católica. Inegável esta constatação. A sua fragilidade é constrangedora. Os escândalos que já vieram público minam a sua autoridade. Os que faltam vir podem ser fatais. Por isso, está a ser ridículo para não dizer penoso ver como estão a cair em saco roto os apelos ao pieguismo anacrónico, que face aos contexto dos tempos de hoje não colam e estão a ser ouvidos com a maior das indiferenças. Problemas novos soluções novas. Eis a luz da inteligência.
Não perceber isto é insistir em modelos de piedade do passado que hoje não servem e teimar numa cegueira que matará a ousadia do Evangelho, que se tomado a sério responde seguramente, com novidade a todos os novos desafios. 

terça-feira, 5 de março de 2019

A conversão ecológica

«A criação encontra-se em expetativa ansiosa,
aguardando a revelação dos filhos de Deus» (Rm 8, 19)

Citação (se pretender na íntegra leia aqui) da Mensagem do papa Francisco para a Quaresma de 2019:
«Esta «impaciência», esta expetativa da criação ver-se-á satisfeita quando se manifestarem os filhos de Deus, isto é, quando os cristãos e todos os homens entrarem decididamente neste «parto» que é a conversão. Juntamente connosco, toda a criação é chamada a sair «da escravidão da corrupção, para alcançar a liberdade na glória dos filhos de Deus» (Rm 8, 21). A Quaresma é sinal sacramental desta conversão. Ela chama os cristãos a encarnarem, de forma mais intensa e concreta, o mistério pascal na sua vida pessoal, familiar e social, particularmente através do jejum, da oração e da esmola.
Jejuar, isto é, aprender a modificar a nossa atitude para com os outros e as criaturas: passar da tentação de «devorar» tudo para satisfazer a nossa voracidade, à capacidade de sofrer por amor, que pode preencher o vazio do nosso coração. Orar, para saber renunciar à idolatria e à autossuficiência do nosso eu, e nos declararmos necessitados do Senhor e da sua misericórdia. Dar esmola, para sair da insensatez de viver e acumular tudo para nós mesmos, com a ilusão de assegurarmos um futuro que não nos pertence. E, assim, reencontrar a alegria do projeto que Deus colocou na criação e no nosso coração: o projeto de amá-Lo a Ele, aos nossos irmãos e ao mundo inteiro, encontrando neste amor a verdadeira felicidade». 
Quaresma 2019, Papa Francisco

sábado, 2 de março de 2019

Estavas aí

Para o nosso fim de semana. Carnaval... Sejam felizes, nunca prejudicando ninguém.
Estavas aí entre uma luz e uma sombra
cada passo envolto na insegurança
que a noite cobre na timidez e no segredo
do escuro que toda a indignidade vomita.

Foram mulheres que sorriram como crianças
estava lá o sonho e a esperança
porque estiveram lá naquele momento certo
o amor e uma mão que toca no ombro
para dizer,
- estavas aí...
És sorriso e paz.

JLR