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quinta-feira, 29 de abril de 2021

A comunicação


 Poema lido pelo autor, José Luís Rodrigues

26 Setembro de 2015

A comunicação

 

No vazio branco morre a solidão

Nele são reflectidas as palavras

as dores ou as alegrias que nos cercam

quando os sentimentos são asas

que as frases como dom soletram

o banquete saboroso da comunicação.

 

É o veículo de desencontro e encontro

se às vezes é verdade e é mentira

que os ventos misteriosos sopram

mas não há riqueza maior ninguém a tira

se permeio fazem hinos e os sinos dobram

a mensagem entre a vírgula e o ponto.

 

Não há nada melhor que este dom

que toda a relação verdadeira sabe fazer

quando a comunicação acerta o tom 

sobre o mundo o altar da vida faz nascer.

As vacinas sim. E o cuidado com a Terra?

Ninguém tem dúvidas que a vacinação em massa está a trazer bons resultados no combate à pandemia Covd-19. Há menos infeções e menos mortos. Uma excelente notícia. É preciso continuar neste caminho e que dentro de pouco tempo tenhamos uma grande porção da população mundial vacinada.

Mas, há um dado curioso que não podemos esquecer. A abundância de variantes do coronavírus, uma pior que a outra, começa a oferecer semana após semana, rasteiras preocupantes aos cientistas. Esta situação deve trazer-nos ao presente, que podemos estar perante algo que mais tarde ou mais cedo, venha a tornar-se um inferno incontrolável para a humanidade e assim a vida na terra seja insustentável, porque não haverá tempo para inventar vacinas a tempo de debelar a catástrofe.

Por isso, sabendo também que estes desequilíbrios que a natureza apresenta, derivam da agressividade humana contra o Planeta Terra, a nossa «Casa Comum», urge que a par da vacinação, se implementem medidas de proteção da Terra, para que a natureza se recomponha na dinâmica idiossincrática dos seus equilíbrios. É preciso não esquecer que Deus perdoa sempre, a natureza nunca perdoa.

Portanto, neste momento é benéfico tratar a humanidade com a vacinação, mas já devia ter sido para ontem um tratamento eficaz para tratar do nosso Planeta. Se o chão que pisamos estiver completamente minado ou destruído, pouco ou nada valerá para o futuro da humanidade sermos todos perfeitamente saudáveis.

sábado, 24 de abril de 2021

Ter ou não ter fé? - Eis a questão

 24 de Abril de 2021

Não basta ter fé em Jesus para assumir a categoria de crente. «Até os demónios creem», diz a Carta de São Tiago (2, 19). O desafio é ter a fé de Jesus. Ao tempo de Jesus na vida histórica todos tinham fé em Jesus: fariseus, saduceus, doutores da lei, sacerdotes, levitas e essénios. Mas faltava-lhes a fé de Jesus ou a fé igual à de Jesus.

A fé de Jesus centra-se no valor principal da existência, a vida. «Vim para que todos tenham vida e vida em abundância» (João 10, 10).

O amor e a fé são iguais em Jesus. Não há distinção entre uma realidade e a outra. Por isso, ao curar, dizia sempre ao paciente, «A tua fé te salvou» (Lc 7, 50). A fé de Jesus é uma ação amorosa e solidária, e não uma abstração como tantas vezes se ouve falar. Não é uma projeção da mente que consola o coração sem praticar a justiça e fazer tudo pelo bem da vida. Quando assim não for, terão toda a razão os pensadores modernos, por exemplo, Karl Marx que acusou a fé de ser o ópio de gente menor. 

É interessante que os fariseus medem as ações religiosas pelos puros e pelos impuros, os salvos e os condenados, Jesus, por conseguinte, afere a fé e a prática religiosa pelo justo e pelo injusto. Importa acreditar no Deus da vida, e vida em abundância. Não é possível imaginá-Lo por piedosos exercícios de fantasia e com palavras ocas sem consistência prática. Basta pensar em quem foi criado à imagem e semelhança de Deus, os seres humanos e todos templos vivos da glória viva de Deus (Santo Ireneu).

Deus criou a humanidade para viver na liberdade, na justiça e na fraternidade. Porém, prefere a mesma humanidade a opressão da injustiça pelo veneno do egoísmo e da ambição. Não admira que depois venham em força a dor e todo o sofrimento contra a própria humanidade. Acreditar na lógica de Jesus, é lutar para que nos resgatemos do reino opressivo para o reino da liberdade e da prática do amor. Defender com clareza os Direitos Humanos é dever inadiável de todo o crente. E não deixar por mãos alheias o foco do Evangelho, que é a misericórdia, a solidariedade, nada de ambições, e acima de tudo, o amor.

Todo aquele que orienta a sua história pessoal pelo caminho destes valores, mesmo que seja o mais ferrenho ateu, é discípulo de Jesus, mesmo que não o reconheça, e faz a vontade de Deus sem confessar acreditar nisso. 

sexta-feira, 23 de abril de 2021

Sem título

Jaime Rocha, poeta descoberto pelo som da Antena 2...

A nuvem anuncia a secura das casas.
Um homem desloca-se devagar,
atravessa uma plantação de café em
silêncio, como as aves da noite. A sua fome
é igual à dos pássaros que reflectem no espelho
uma máscara de dor. Quando o homem desperta
dessa travessia apenas encontra um rolo de tabaco
velho e um machado quebrado em cima de uma
mesa. E não volta nunca mais a esse lugar.

Jaime Rocha, in 'Do Extermínio'