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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Alguns receios sobre a visita da Imagem de Fátima à Madeira

A imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima chega hoje ao Funchal. Todos nós gostamos muito de Nossa Senhora e a Igreja tem aproveitado bem o que Nossa Senhora mobiliza de gente à sua volta. Tudo isto é muito importante e deveria ser canalizado para o centro da fé, a pessoa de Jesus Cristo, Vivo e Ressuscitado.
Receio, que seja apenas mais um momento forte de devoção mariana, com pouco sustento de luz que aponte para o centro da fé, Jesus Cristo. E como seria importante reflectir sobre Jesus Cristo hoje. Leio um livro do teólogo Sul Africano, Albert Nolan «Jesus Hoje», que aconselho vivamente.
Receio, que a visita da imagem peregrina, se reduza ao lema incompreensível que alguém se lembrou de inventar para o evento, «Passa a imagem, passa a mensagem» - a meu ver seria melhor e mais de acordo com o que se pretende, o seguinte - «Passa a imagem, fica a mensagem». Mas o que sou eu perante tanta sabedoria e clarividência.
Receio, que de evangelização esta manifestação mariana tenha muito pouco e que não traga quase nada para o futuro da Igreja madeirense.
Receio, que nos iludamos com as multidões que cada celebração mariana vai reunir e que depois não fique nada nem ninguém para o empenho na vida das comunidades da igreja.
Receio, que se dê mais importância a Nossa Senhora que a Jesus Cristo.
Receio, que não se reflicta sobre a evangelização. E que estejamos perante um sentimentalismo exacerbado, que Nossa Senhora de Fátima sempre suscita.
Receio, que seja mais um balão que se vai encher e que vai encher os olhos de todos, mas que depois com uma simples picadela tudo se esvai pelos ares.
Receio, que não prevaleça o espírito missionário que marcou a vida da Igreja nos últimos anos. Escutemos o Papa João XXIII, inspirando-se no Evangelho: «Eu saltei da barca e caminho sobre as ondas ao encontro de Cristo que me chama. A Igreja deve renunciar às suas certezas. Deve abandonar a segurança da barca e caminhar sobre as ondas. Chegará a noite, a tempestade, o medo. Mas não há que retroceder. A Igreja é chamada a ir ao encontro do mundo».
Receio, que estejamos fixos só e unicamente naquilo (e em quem) garante a certeza de sucesso aparente logo à partida.
Receio, que os polos antagónicos dentro da Igreja se agudizem ainda mais. E que o enjoo de alguns meios da sociedade em relação às coisas da Igreja ainda se tornem mais incisivos.
São muitos os receios, não é, mas vamos adiante e vamos ver o que nos dirá Nossa Senhora de Fátima. Isso mesmo ouvir Fátima, porque falta escutar Nossa Senhora de Fátima, ou melhor ainda, Maria de Nazaré, mais do que andar a dizer-lhe tanto, a lhe pedir, a lhe prometer e a lhe desbobinar jaculatórias... Vamos todos escutar Maria, a de Nazaré, a libertadora Mãe de Jesus.

6 comentários:

Ângelo Paulos disse...

Estas manifestações marianas não me dizem nada. É a ruptura completa da igreja com o mundo ecuménico e com a sociedade laica. É uma "evangelização" doentia, envelhecida, mórbida que nos leva só a ver as penas do inferno. Castigo dado por um deus inimigo do Homem. Maria foi muito mais do que isso. A Mãe de Cristo foi a Mãe Coragem nada tem a ver com essa bonequinha que vai percorrer os caminhos todos da Madeira, mergulhando as pessoas no terror e não no amor.

Padre Mário disse...

Todos gostamos muito de Nossa Senhora? Como assim? Eu, por exemplo, não gosto nada. Porque nossa senhora é igual a nossa deusa. Engana-se quem ainda a confunde com Maria, a mãe carnal de Jesus. Maria, a de Nazaré, é a primeira a dizer: Eu, Maria, a mãe de Jesus, não tenho nada a ver com a senhora de fátima. E, se Maria não tem nada a ver com a senhora de fátima, então o que há-de dizer o seu filho Jesus? Compreendo a sua postura, de tentar encontrar uma ponta por onde pegar e Evangelizar. Só que fátima não tem ponta por onde se lhe pegue. Entre fátima e Jesus, o filho de Maria, a incompatibilidade é total. Como entre o Ídolo do Império e DeusVivo, o de Jesus. Pense nisto. O meu abraço. Mário

tukakubana disse...

De "Nossa Senhora", para mim, fica Maria, simplesmente MARIA figura ímpar, a primeira na história da libertação da Mulher.
Destas manifestações a que me alheio, oxalá todos, sem excepção, ficassem de "cara lavada e coração circuncidado", superando o comércio religioso, as manifestações exteriores, as enchentes e pudessem recolher ao silêncio que faz a ponte para Deus.

Anónimo disse...

O padre Mário tem razão. Está á vista de todos que esta manifestação de quase um ano da imagem de Fatima na Madeira é uma especie de campanha deste novo bispo para branquear o que tem de ser feito a renovação da Igreja longe do poder politico e congregar os padres que andam de costas voltados vivendo numa hipocrisia o sacerdócio. Embora tenha dúvidas que o padre José Luis publique este meu comentário ainda é um dois padres que mais admiro nesta igreja. Rodrigo

José Luís Rodrigues disse...

Porque não haveria de publicar o seu comentário, Rodrigo? Todos os comentários são publicados, desde que não entrem pelo anonimato para fazer ataques pessoais ou sejam totalmente incompreensivéis... O debate de ideias é uma riqueza que devemos valorizar sempre... É isto a Democracia, que admiro tanto...

Mário Tavares disse...

Caro José Luís, parabéns pelos teus textos em especial por este sobre a imagem de Fátima. Quanto à Mãe de Jesus fica o referencial para dar importância à imagem e a tudo o que haverá à volta.

É uma mágoa conseguir reunir tantos filhos de Deus e ficar apenas nos sentimentos. É a concentração da alma boa do povo e das suas inquietações. Isto dá para avivar o tradicionalismo religioso, mas não dá para acordar as pessoas para a sua importância e para a função que têm de tornar o mundo melhor. Será mais uma oportunidade para ensaiar a sujeição. O dinamismo dos filhos de Deus na incarnação da Mensagem de Cristo ficará para depois.

Um abraço. Mário Tavares