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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Comentário à Missa do Próximo Domingo

22 de Novembro de 2009
Domingo XXXIV Tempo Comum - CRISTO REI
A escola de Jesus
Jesus, por fim, assume que é Rei, como diz Pilatos. Não o um rei dos jogos do poder, da corrupção e do domínio sobre os demais. É o Rei da verdade, só isso diz tudo. Quem segue esta verdade, pertence ao seu reinado.
De que se trata esta realeza? - Trata-se de uma realeza ao contrário. É um reinado do avesso. Nada tem a ver com a realeza dos reis deste mundo. Não se trata de um Jesus Rei, rodeado de gente importante, exércitos ávidos de combate e poder. O Reino de Jesus, é antes dos famintos, dos que têm sede e fome de justiça, dos peregrinos, dos sem roupa, dos desempregados que já são tantos entre nós, dos doentes e dos prisioneiros...
Nietzsche, no seu «Anticristo», proclamará que o «Reino de Deus», é uma «lastimável mentira», que serviu para a Igreja fixar os seus valores que chama «vontade de Deus». Nisso consistia o domínio e o poder da Igreja. Neste sentido, para este autor o Cristianismo é uma religião da «decadência» e não da libertação da humanidade. Em muitos momentos da história da Igreja e ainda nalguns meios da Igreja na actualidade devemos dar razão ao autor de «Assim falou Zaratrusta». Mas, de acordo com o sentido do Evangelho e a postura de Jesus, descobre-se um sentido cheio de libertação no Reino de Jesus. Por esta verdade, Jesus estende os braços na Cruz, como um derrotado humanamente falando, mas do ponto de vista espiritual, Ele vai até ao fim pela verdade que salva. A aparente derrota de Jesus, é a lógica do poder posta do avesso. Jesus é um Rei que não se coaduna com as injustiças sociais, pessoais e institucionais.
A sua morte na Cruz é o resultado da sua acção contra tudo o que não promove a dignidade da vida e do amor. É o preço a pagar pela sua radical preferência pelos desafortunados deste mundo. Na escola de Jesus, só se ensina uma única matéria: o Reino! Este Reino que se aprende da vida e do exemplo do Mestre. O exemplo de Jesus e a Sua vida radicam na partilha que resulta na fraternidade. É este Reino que sonhamos para o mundo, o nosso mundo. Urge acabar a lógica do domínio do forte sobre o mais fraco, é preciso acabar com a ganância geradora de pobreza. Urge semear a vida para todos. Urge considerar cada um como um ser único e digno de ser amado, como acontecia na escola de Jesus.

4 comentários:

José Ângelo Gonçalves de Paulos disse...

Pe. José Luís, que beleza e interpelativo texto. Todo ele repleto de profecia, é aliás, apanágio da sua personalidade de homem da igreja. O meu amigo está na senda de um Helder Câmara, Oscar Romero, Doroty Sang, os mártires do sec XX de S.Salvador . Em Portugal: Américo de Aguiar, Laurindo Pestana Leal (madeirense), Joaquim Alves Correia. António Ferreira Gomes, Abel Varzim , Sebaste~
ao Soares Resende, Honorato Rosa , Felicidade Alves e outros. Infelizmente já falecidos, mas que abraçaram com a fé e com a vida (corpo) esse Cristo Rei que morreu numa Cruz tal como estes, aqui relatados, que também foram assassinados barbaramente pelos poderosos da terra. Nada mais queriam eles se não uma antecipação desse tal Paraíso. A igreja à qual eles pertenciam desprezou-os. Não fala neles nem deles nas homilias dominicais.Porque eles são a negação dessa mesma igreja reacionária e prepotente. A começar pelo papa e bispos. Ate agora, nenhum deles foi canonizado. Pouco importa são santos do povo . Para mim são os meus por quem venero e memorizo-os diariamente.

Catequese Caminhando disse...

Viva Cristo Rei!
Viva este blog inspirador!
Viva a este fado maravilhoso q escuto ao entrar, rs!

Parabéns Pe. Jose Luis, q bom q resolveste evangelizar na rede também!

maria teresa s. t. góis disse...

A apologia do Evangelho REAL foi feita! Que bom seria se os "donos" da Igreja pudessem interpretar esta realeza com tanta profundidade e simplicidade, afinal.
Não era Jesus um Homem que soube viver e proclamar entre os mais simples, não foi deles que se rodeou e não foi a eles que entregou o "ceptro"? Ainda bem que há quem, na verdade e simplicidade, nos transmita e relembre esta Igreja de profetas e reis!

Lua dos Açores disse...

Padre, grata pelas partilhas que aqui encontro. Parabéns pelo seu blog

Abraço fraterno

Ana