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terça-feira, 2 de agosto de 2016

O condimento da vida é a dúvida

A vida sem dúvidas está morta. É o que têm dito tantos sobre tantas coisas da vida. Por exemplo, São Tiago diz que a fé sem obras é morta. Miguel de Unamuno, grande escritor espanhol, disse que a fé sem dúvidas é morta e que a fé é uma dúvida. Se alguém disse que a vida sem dúvidas está morta, eu não sei, nunca ouvi nem muito menos vi escrito. Nesse caso digo eu, a vida é uma dúvida constante e não ter dúvidas nenhumas é muito mau sinal. Nada é mais prejudicial para si mesmo e para os outros do que viver com as certezas todas, aliás, considero que este estado de vida é impossível de acontecer. Só os anormais é que não duvidam nunca.
Assim sendo, sempre que tivermos dúvidas ou se por várias vezes nos apercebermos que o nosso eu pesa demais ou incomoda a felicidade, é preciso lembrarmo-nos do pior rosto que tenhamos encontrado alguma vez. Pode ser o mais pobre dos pobres, o pior maltrapilho que se tenha encontrado jogado no olho da rua. E neste tempo, eles são tantos, que vemos jogados no chão, sem pão, sem teto, sem lugar e sem vez!
Por isso, quando se fizer essa lembrança da imagem do pior homem, pobre e desamparado, devemos perguntar se o passo que vamos dar lhe serviria de alguma coisa. Se teria para ele alguma utilidade. Não podemos ser inúteis, é proibido ser inútil.
Com isto podemos desde já ser assaltados com várias dúvidas, para que se faça jus ao mote deste texto, a vida sem dúvidas está morta. Aqui vamos nós: será que ganharemos alguma coisa com isso? Vou mudar o mundo pensando dessa forma? Vou, por ventura, acabar com os milhões que neste mundo morrem de fome? Essa espiritualidade liberta do sofrimento quem se vê logo à partida que já não é possível a salvar-se? O que vai alterar na dignidade e no saciar a fome e a sede nesse sem sorte da vida? – Só para vermos num pequeno momento como funciona a vida com dúvidas…
Portanto, veremos imediatamente, que todas as dúvidas e a preocupação obcecada com a satisfação do ego se desvanecem por completo. É este o caminho para a descoberta do sentido da vida. Não tenhamos medo de ter dúvidas, fujamos isso sim das nossas certezas e das dos outros ainda mais.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

A banalização do mal

Um texto muito importante e que todos os educadores não devem perder... Para ler na íntegra AQUI
Destaque: "Não se trata de moralismo, não… porque se há coisa de que não gosto é de fundamentalismos e visões simplistas de fenómenos complexos. Trata-se, na minha opinião, da defesa de uma civilização e de um modelo educativo que se baseie na paz e na resolução pacífica dos conflitos. Não basta dizer “Je suis quelque chose” ou contar histrionicamente a história dos portugueses que escaparam à matança de Nice, comover-se com a porteira de Paris ou dizer que “há anos até estive na estação de metro de Maelbeek, imagina do que eu escapei!”, ou “até estive perto do centro comercial Olympia quando fui ver o estádio do Bayern”, e depois deixar que os nossos filhos se habituem - no mundo virtual/real em que já vivem grande parte da vida - a manipular o mal e, pior, a “ganharem pontos” com isso".