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terça-feira, 9 de junho de 2015

sábado, 6 de junho de 2015

Cristo e o corpo

Porque entre nós amanhã é dia de «Corpus Christi»... Sejam felizes sempre sem nunca prejudicar ninguém.
«Isto é o meu corpo» (Mc 14,22)
Eis a entrega da única riqueza
a maior fortuna
vida feita doação,
dom que se oferece
no altar do coração
sacrário de cada corpo
animado pelo fermento da vida.

É pão carregado de humanidade
no corpo divino feito carne
irrigado pelo vinho consagrado
sangue da alegria
que na fraternidade faz a festa
que liga céu e terra
no abraço da comunhão solene do amor.

Corpo de Cristo são todos
os homens e mulheres
da humanidade inteira
partida em pão de cada dia
para que todos comam
o amor solidário
e real da festa da vida.

Corpos… amor… respeito… doação…
no encontro com o outro
traduzido na densidade de cada palavra
significada pelo vento que faz ecoar
olhar… valorizar… respeitar… amar... cuidar…
o nosso corpo e o corpo do outro
para que se faça sentido ao discorrer do tempo
«Corpo de Cristo»… «unidade»… «comunhão»…
partido e distribuído como «pão»
misteriosamente como alimento.

E assim há e haverá eternamente
um corpo eucaristia que é oferta como dom
que cura – corpos doentes
que ama – corpos desamparados
que perdoa – corpos pecadores
que abençoa – corpos desorientados
que encoraja – corpos desesperados
que alimenta – corpos esfomeados
que protesta – corpos que roubam
que recusa – corpos que exploram
que dá vida – aos corpos mortos…

Este é o corpo entregue
vida toda e inteira
que comunica e faz crescer
a exigência como alimento
diante de todas as formas de morte
e de toda a fragilidade do mundo
porque irrompe na grandeza divina e humana
contra toda a violência da injustiça
deste mundo sem amor
e perdido no desencanto da solidão.

Eis o corpo em corpo destravando os corpos dos outros
porque grita vida nova «jovem, levanta-te»
porque diz contra o poder deste mundo desumanizado
«covil de ladrões»; «fariseus hipócritas»;
«túmulos caiados» e «ai de vós»…
os das aparências dos «corpos» que desprezam o interior
que forma o «Corpus Christi» na cosmovisão do futuro
onde haverá a humanidade reconciliada
em fraternidade na longa mesa do banquete
onde haverá pão e palavra em abundância
para todos os corpos no corpo eterno de Deus.
José Luís Rodrigues