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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

O poder da oração

A oração está para a vida do cristão, como a respiração está para a existência biológica. A vida não é possível sem a respiração. A vida espiritual não é possível sem a oração.
Mas, afinal o que é a oração? - logo de imediato podemos dizer que rezar é viver. A oração é vida e a vida é oração. Muitas vezes somos tentados a compartimentar os momentos de oração, torná-los momentos estanques do viver. Mas está errado fazer isto. Os momentos ditos de oração, que são aquelas ocasiões de encontro íntimo com a realidade que se acredita, devem ser um ponto de chegada da vida e depois também um ponto de partida para a vida. A vida é oração e a oração é vida. Jesus Cristo é o modelo por excelência desta formulação sobre a oração.
Os tais momentos ditos de oração, não devem reduzir-se a um rol de petições ou a um monólogo, mas devem ser antes momentos de entrega apaixonada à verdade do Reino que Jesus nos propõe. Caso não seja essa entrega a Deus e ao seu projecto, então entramos no domínio da oração puramente mercantilista, o autor Saint-Exupéry chamou a atentção para essa tentação: «A grandeza da oração reside principalmente no facto de não ter resposta, do que resulta que essa troca não inclui qualquer espécie de comércio».
Face a esta realidade, muita da oração está contaminada logo à partida, porque se reduz a uma procura de interesses pessoais, egoístas. O Apóstolo São Paulo vai ser muito claro ao coloacar a oração no domínio do «exame», para que seja uma forma de discernimento espiritual sobre a vida, para que as verdadeiras escolhas sejam feitas com verdade: «Examinai tudo, guardai o que é bom» (1Ts 5, 17). Neste domínio e de acordo com esta ideia Friedrich Novalis dirá «Rezar é para a religião o mesmo que pensar para a filosofia. Rezar é criar religião».
Por fim, resta-nos o seguinte ensinamento sobre a oração: «Como o corpo se não for lavado fica sujo, assim a alma sem oração se torna impura» (M. Gandhi). Mas, não haverá melhor mestre do que Jesus Cristo, Ele que na prática movimenta a oração e na oração movimenta a prática para Deus Seu Pai.
Tudo está no como cada um se encontra com Deus e consigo mesmo. A oração, os tais ditos momentos de intimidade, de silêncio e de diálogo interior, são uma forma sublime de se descobrir a si mesmo para logo depois se doar para a vida através do trabalho ou das tarefas do dia a dia. E «A melhor oração é a mais clandestina» (Edmund Rostand), exactamente como ensinou Jesus, a melhor oração seria aquela que se faria na «intimidade do quarto». E mais não ensinou sobre a oração senão o magnífico «Pai-Nosso», porque para a oração quis dar-nos a maior das liberdades. Boas orações para este mês da festa, onde cada um é chamado a desocbrir-se mais cheio de espiritualidade e menos de materilidade vã.

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