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terça-feira, 10 de março de 2009

Comentário à Missa do Próximo Domingo

15 Março 2009
Domingo III Tempo da Quaresma – Ano B
O que é loucura de Deus é mais sábio do que os homens
1 Cor 1, 22-25
Quem é Jesus? – São Paulo responde assim: «pregamos Cristo crucificado, escândalo para os Judeus e loucura para os Gentios, mas, para aqueles que são chamados, tanto Judeus como Gregos, força de Deus e sabedoria de Deus» (1Cor. 1, 23-24). Extraordinária esta formulação do Apóstolo dos Gentios. Jesus como «escândalo» e como «loucura». Como encarar estes atributos aplicados a Jesus, quando todos nós a maior parte das vezes acreditamos e pregamos um Jesus longe da vida, muito das orações intimistas e do comodismo da consciência? A história da Igreja está muito marcada por uma catequese acerca de Jesus, totalmente desencarnado, apenas divino, sem história e sem este mundo, onde nós habitamos. A catequese forjou um Jesus pacato, muitas vezes somente tristonho e afeminado como se pode constatar nalgumas pagelas. São Paulo destrona essa realidade e mostra que Jesus, é o Cristo do alto da Cruz, que acolheu esse destino para ser escândalo e loucura. Não esteve com ponderáveis tolos, quanto às suas opções. O Evangelho deste domingo, mostra que, afinal, este Jesus, está bem dentro da história do mundo e da vida. A purificação do Templo de Jerusalém é prova de que estamos diante de um Cristo activo e bem empenhado na construção do mundo e da História. Jesus não é apenas o reformador do Templo mas Aquele que o substitui. Jesus é o Templo novo. A nova religião que convida à libertação e à eternidade, é a religião Cristã. Desta feita não temos um Jesus inactivo, pacato ou submisso, mas um Jesus que intervém na História, para a transformar em realidade libertadora para todos. Obviamente, que para nós seria mais fácil um Jesus apenas remetido à sua divindade, lá das alturas, que legitimasse os poderes deste mundo e que autorizasse alguma igreja ser patética com as excomunhões anacrónicas e com as condenações de alguns dos seus membros, porque ousaram pensar de modo diferente do institucional. Assim, somos levados a procurar diariamente a verdade sobre a nossa vida espiritual. Porque também diariamente somos confrontados com as raivas absurdas que nos descontrolam o pensamento e as palavras. As teimosias nas nossas ideias fixas e manias pessoais, são frequentemente uma propensão que nos ataca e que requerem uma dose elevada de limpeza ou de arrependimento. Diante das brigas inúteis entre vizinhos, colegas e companheiros de trabalho, o arrependimento deve estar sempre presente para que a reconciliação da amizade seja também uma constante na vida de cada pessoa e, sobretudo, se são pessoas que acreditam na pessoa de Jesus. Nisto Jesus Cristo em nós será «escândalo e loucura» para muitos. Porque a lógica de Jesus nada tem a ver com a lógica guerreira e concorrencial que este nosso mundo apresenta. Por isso, deixemos que o verdadeiro sinal da libertação se faça realidade no nosso coração, para que a vida toda se torne o verdadeiro sacrário onde o amor de Deus habita eternamente.

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