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terça-feira, 24 de março de 2009

Comentário à Missa do Próximo Domingo

29 Março 2009
Domingo V Tempo da Quaresma – Ano B
Causa de salvação eterna
Heb 5, 7-9
O grão de trigo lançado à terra morre para depois rebentar cheio de vida nova, para dar muito fruto. Esta imagem do trigo que morre ao ser lançado na terra para nascer de novo, é uma alusão à morte de Jesus. O próprio Jesus anuncia a sua morte e que ela é necessário acontecer para que a glorificação seja depois uma realidade. A glorificação é sinónima de ressurreição. Nos textos da missa deste Domingo, Jesus Cristo fala-nos do tipo de morte que vai sofrer. Embora se descubra que esta morte é inevitável, ela acontecerá para que do escuro do sem sentido da morte todos sejam atraídos para a vida nova (ressuscitada) que emerge do coração de Deus Pai. Por isso, o autor do texto de Hebreus, afirma de forma categórica que Cristo «tornou-se para todos os que lhe obedecem causa de salvação eterna», pressupondo que, o contrário, será incorrer na condenação eterna. Mas, não nos fixemos apenas nas coisas da outra vida. Vamos tentar acolher que a ressurreição pode ser algo que se experimenta agora e não apenas depois da morte física. Uma vida dedicada ao serviço dos outros é já uma vida que participa na ressurreição. Outras vidas constantemente viradas para o egoísmo, o rancor e o ódio são vidas que não participam na ressurreição e enquanto não houver arrependimento e conversão nunca haverá lugar para a ressurreição ou glorificação. E dizer estas palavras é o mesmo que dizer felicidade ou alegria. A não participação na ressurreição implica estar só e apenas voltado para os bens deste mundo ou sempre empenhado na recusa daquilo que edifica a felicidade para todos. Por isso, diria que a ressurreição é o encontro com a paz do coração que Deus concede a todos os seus filhos. A ressurreição é a partilha do amor de forma desinteressada e com total disponibilidade para servir a causa do Evangelho de Cristo, que consiste em procurar sempre fazer deste mundo um lugar cheio de ética, de paz e de fraternidade. Assim, glorificar-se é estar já na dinâmica do acontecer de Deus. No fundo, será essencial nunca recusar a possibilidade do amor como condição essencial da descoberta da vida partilhada para o bem de todos. Perante este valor da salvação eterna que Jesus nos oferece, porque será tanto o medo sobre a morte? – O medo da morte comanda ainda tanto o coração da humanidade porque falta acreditar profundamente neste mistério que Jesus veio trazer para junto de todos nós. A morte humana, é apenas uma passagem para a plenitude da vida ressuscitada. Somos levados a concluir que a morte cristã, é a passagem para a vida verdadeira. Nada nos deve fazer temer a morte. Se alimentamos a vida terrena com a fé na pessoa de Jesus, a morte não é uma derrota mas a vitória final que nos coloca nos braços misericordiosos de Deus Pai.

1 comentário:

José Ângelo Gonçalves de Paulos disse...

É, efectivamente, um lindo texto. O que vale no Cristianismo é a Ressurreição. É o para além da morte. Não, em inha opinião, o medo que depois sejamos reduzidos a pó, mas se fizermos o bem por causa dessa Verdade já é bom. Valeu a pena viver no Bem e na Verdade e no Amor. Não deixo de fazer oBem só porque o Céu já não é o espaço, no qual viverei eternamente. Faço o Bem porque conheci Jesus Cristo no Evangelho que foi proclamado sobretudo aos mais carenciados em tudo, menos nas respostas prontas do ateísmo proveniente de uma sociedade materialista.