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quinta-feira, 11 de março de 2010

Comentário à Missa do Próximo Domingo

Domingo IV da Quaresma
14 de Março 2010
Voltar à vida
O texto do Filho Pródigo é sempre daqueles textos da Sagrada Escritura que nos comovem profundamente. Porque nos apresenta a infinita misericórdia de Deus (o papel do Pai), a dimensão do arrependimento (o filho que cai em si) e a tendência humana para o egoísmo (o Filho mais velho). Nesta tríplice dimensão circula a nossa vida.
O essencial da história do Filho Pródigo está que a nossa fé deve crer de verdade que a misericórdia de Deus existe e que serve para nos reconduzir à profundidade da vida em liberdade. Nenhuma pessoa deve abdicar desta graça maravilhosa que Deus nos concede, mesmo que as quedas para o erro sejam uma circunstância inevitável de toda a vida.
Porém, o arrependimento é sempre algo de maravilhoso, porque nos conduz de novo aos braços do Pai. E reparemos como é comovedora a atitude do Pai: "Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: encheu-se de compaixão e correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos". Esta manifestação dentro desta parábola de Jesus, manifesta quanto é infinita a bondade de Deus que está sempre pronto a acolher os seus filhos arrependidos da perversão dos caminhos que encetaram.
Chega o momento da festa, "Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado". Deus faz festa em honra da reconciliação. Não há maior alegria no céu senão por causa do arrependimento dos homens. A festa, é o resultado do reencontro de Deus com os seus filhos. E como sabemos a festa é a maior expressão da alegria. Deus alegra-se porque o vazio era grande e doloroso. Não podia estar bem, este pai, sabendo que a vida não estava a ser bem vivida pelo seu filho.
Agora sim, o momento do encontro, trás de novo ao rosto a possibilidade da festa e da alegria. E assim, estamos diante da maior festa da reconciliação e do perdão. Perante o desejo do reencontro, Deus não tem medida, abre o seu coração para amar, as suas mãos para abraçar e a sua boca, não para censurar ou ralhar, mas para pronunciar palavras de compaixão e beijar.
O filho mais velho, revolta-se contra o pai, porque se escandaliza com o acolhimento do pai em relação ao irmão. Não é justo, do ponto de vista humano, que um filho que esbanja metade da fortuna do pai numa vida desregrada seja agora recebido com uma festa. Não pode entrar tal coisa dentro da cabeça de ninguém com o mínimo de inteligência. As nossas comunidades estão cheia de gente que tem este comportamento do filho mais velho. Quanta calúnia, murmuração, defamação, ciúme, desprezo e até rancor contra os irmãos que caiem em qualquer percalço ou que antes eram desta feita e deram o salto para a festa da vida?
Que podemos fazer? – O coração de Deus funciona desta forma, não se deixa levar pela lógica do mundo. Embora não abandonando os de comportamento fiel e recto, também não coloca de parte os que se desvirtuam dos caminhos da rectidão. A principal preocupação de Deus é salvar a todos e não tomar partido por este ou por aquele porque é mais bonito e mais bem comportado. Todos são filhos de Deus. A salvação é para todos. Não faço a mínima ideia como acontecerá isto, mas, pelas qualidades do Deus que acredito, estou seguro desta convicção.

2 comentários:

Anónimo disse...

Padre José Luís esta é das parabolas mais bonitas do Evangelho. É um Deus que é Amor contra o deus castigador e justiceiro. Tal como Padre diz a maioria das pessoas identificam-se mais com o filho mais velho, porque somos todos uns direitinhos e hipócritas. Pecar é um acto de liberdade por quem o pratica, mas é tb um acto de grande sublimidade porqunto o arrpendimento é próprio dos grandes tal como fez o filho mais novo. Permanecer no pecado é uma tragédia. E a inveja, a maldade a calúnia pertencem a esta categoria.

tukakubana disse...

Não quero ser discriminativa, sequer egoísta!
Toda a carga amorosa que esta parábola representa, talvez que um coração de pai ou de mãe já a tivesse sentido no seu todo.
Tantos e tão bons exemplos, porque se perde tempo a falar de escutas, faces e apitos ao ponto de já não se suportar um telejornal?
Acessível a quase todos, estas parábolas bíblicas estão ai, no nosso quotidiano, a lembrar que o Mundo pode ser melhor!