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quinta-feira, 25 de março de 2010

Comentário à Missa do Próximo Domingo

Domingo de Ramos

28 de Março de 2010

A Semana Santa ou Semana Maior

O dia de Ramos, convida-nos a reflectir profundamente na pessoa de Jesus, não como um Rei qualquer que à maneira humana assume o poder e o domínio de uma nação, mas como um Rei obediente, servo sofredor e que se humilha diante de uma missão que depende totalmente de Deus Pai.
Neste dia somos convidados à reflexão sobre os nossos projectos. Isto é, procuramos ver se as nossas acções estão em consonância com o bem-estar e felicidade de todos. Por vezes, é um desconcerto muito grande viver nesta sociedade competitiva, que privilegia a posse, o prazer e o poder sobre os outros como se fossem os bens principais da vida das pessoas. Por isso, não nos surpreende que nesta mesma sociedade se gere tanta violência e tanta alienação que conduzem as pessoas para horizontes de desespero e de perdição total.
Na Páscoa, do ponto de vista humano, podemos concluir que nós cristãos vamos comemorar uma derrota, uma esperança sem sentido nenhum ou uma humilhação de um Deus que acreditávamos ser todo-poderoso. Se analisarmos friamente esta será a conclusão mais crua que tiramos. Porém, Jesus mostrar-nos-á que a Cruz, do ponto de vista da fé, é uma vitória, uma passagem e que o sofrimento é apenas um momento em direcção à Glória, à Ressurreição no Terceiro Dia, o Domingo da Páscoa.
A Semana Santa, merece ser vivida em oração pessoal com Deus, esforço de conversão e maior dedicação aos irmãos. Do Domingo de Ramos à Quinta-feira santa, completamos os últimos dias do grande retiro quaresmal que nos apelou à conversão ou à mudança de vida, para acolher de verdade todo o mistério central da nossa fé.
Com a Missa da Ceia do Senhor na Quinta-feira santa à tarde, iniciamos o Triduo pascal da morte e ressurreição de Jesus Cristo. O culminar de todas as celebrações é a Vigília Pascal na noite de Sábado, madrugada de Domingo. "Esta é a noite..." da glória e da vida em plenitude, como muito bem alude o canto, do Precónio Pascal. Durante esta noite, os diversos gestos simbólicos nos convocam para a grandiosidade do acontecimento que celebramos: eles são a Luz, a Palavra, a Água e a Eucaristia... Esta Vigília desdobra-se na alegria do Domingo da Ressurreição e nos cinquenta dias do Tempo Pascal até ao Pentecostes, que são considerados como que um único e grande Domingo.
As celebrações da Semana Santa, devem ser bem preparadas, quer no conteúdo quer na forma, para que sejam bem vividas por todos os que participem nelas. Não devem ser meros espectáculos litúrgicos destinados a comover e maravilhar como se fossem peças de arte puramente humanas. Também não são meras reuniões catequéticas para instruir ou para consciencializar as pessoas. Não são comemorações nostálgicas de acontecimentos ocorridos há dois mil anos.
Neste dia de Ramos, o Evangelho de Lucas, revela-nos que Jesus é aclamado na qualidade de rei. A sua missão consiste na realização da vontade do Pai, mesmo que tenha que passar pelo absurdo da dor e da morte. A celebração deste mistério não pode ser vista como uma derrota piedosa que nos comove, mas antes uma proposta para a vida quotidiana que nos ilumina o interior.
O mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, é a possibilidade do reencontro da alegria da vida sempre a acontecer como fruto da Fé, sinal da confiança que Jesus nos oferece como dom de amor.
O abismo da dor e da morte são realidades tão frequentes e tão duras nas nossas história, que só a confiança no Pai que Jesus nos mostra, nos garante uma outra força e libertação para vencer o escuro do abismo da desesperança e o sem sentido deste mundo.
A vida que se esgota na perdição dos caminhos reencontra uma luz verdadeira na cruz do amor salvador e nos guia para a vida plena do amor ressuscitado. Nesta Páscoa digamos todos: Cristo precisa de mim!

1 comentário:

José Ângelo Gonçalves de Paulos disse...

Padre José Luís, vem aí a Páscoa da Ressurreição de Jesus. Rejeito o sofrimento a mando do Pai. Deus é AMOR. E esse DEUS foi a causa que levou à morte Jesus Cristo. A morte de Jesus é uma morte política. Ele não trouxe nenhuma religião (a cristandade)ou sequer fundo uuma igreja representada, neste momento, pelo papa ou bispos, sacerdotes etc. Jesus a mando do PAI criou uma comunidade de homens crentes nesse DEUS que é seu e nosso PAI, o Qual mandou-nos amar a ELE e ao Irmão e Irmã. E a Ressurreição é ter essa capacidade de amar o outro meu irmão, minha irmão. Deus é PAI e MÃE , Mais, Jesus foi morto por ser amigo dos pobres, aflitos, pecadores, marginalizados da sociedade e da religião. Nos dias de hoje Ele seria crucificado, novamente, pelos poderosos dos politicos, do dinheiro e da igreja.Não tenhamos dúvidas nisto. Todos os poetas cantam e o maior cantor desse hino de Páscoa foi Antero de Quental e a celebérrima obra da Ressusreição de Leon Tolstoi. Faz hoje 34 anos que mataram um outro Jesus, cujo nome é Oscar Romero, para mim São Oscar Romero, barbaramente assassinado quando celebrava a missa na capela do hospital em São Salvador. A Ele e a todos os mártires roguemos ao Senhor.