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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Comentário à Missa do Próximo Domingo

Domingo, 15 de Agosto de 2010
Assunção e Glorificação de Nossa Senhora
O olhar sobre Maria, renasce ou nasce inteiramente de uma forma nova, com uma densidade fundamental para a devoção da Igreja. A mulher do Apocalipse, aparece como um sinal, uma revelação oferecida por Deus. Temos, então, a Assunção de Maria, sinal último dessa utopia tornada realidade para os homens.
E aparece vestida de sol como são os olhos de Deus. Vestida para significar isso mesmo: o amor e a ternura apaixonada de Deus que veste os lírios do campo mais glorioso que o rei Salomão (cf. Mt 6, 30), que adorna de vestes finíssimas e ornamentos preciosos a sua esposa Israel (Ez 16, 10-13), que reveste Sião da sua magnificência (Is 52, 1). A esta mulher-sinal, Deus a veste de sol, de toda a luz da sua própria glória e poder.
Toda a devoção não poderia ser melhor cantada naquela estrofe inesquecível do poema “A Nossa Senhora” de Ruy Cinatti: “Vómitos de cera/ honram-na em lágrimas/ humedecendo faces/ ou repentes de alegria./ Ei-la, portanto, senhora/ nos espaços sederais/ e na terra mãe/ desamparada./ Seu olhar magoado/ fere um intranquilo/ raio de luz./ E entro no templo/ onde milhares de mãos compadecidas/ acendem círios./ Digo: Maria!/ Ouço: Meu filho!”( Corpo-Alma, p. 79-80).
O dia da Assunção de Maria, constitui por si mesmo não o último sinal do desígnio salvador de Deus, mas a confirmação em glória do papel essencial de Maria na obra de Redenção. A criação de Deus, a História do mundo e dos homens, conheceram outras veredas que não levavam à felicidade. Por isso, quis Deus, por graça, manifestar outros sentidos e outras possibilidades de salvação.
Maria, foi e é a primeira criatura a tomar parte nesse desejo, a obra de Deus no mundo. Ela acolhe no seio o caminho último do sentido da vida. Maria, fecunda a possibilidade redentora para toda a família humana. A “sublimidade” desceu radicalmente através do seio dessa mulher, à natureza que se dizia irremediavelmente perdida.
A sua Assunção e Glorificação são o reacender da luz na obscuridade do silêncio das trevas e aí confirma-se a visibilidade clara das paisagens baças da humanidade. Nela, a esperança renasce com toda a força fecundante. A devoção a Maria encontra um lugar seguro, onde descansa a razão de ser da esperança e encontra também um sentido para os contornos inquietantes da vida.
José Luís Rodrigues

2 comentários:

José Ângelo Gonçalves de Paulos disse...

Padre José Luís, o seu texto está cheio de poesia e de boa prosa. Simplesmente, sobre Maria tenho a ideia que me foi transmitida pela minha Mãe Teresa -mãe biológica- e conservo-a. Minha mãe não era beata.Fazia o bem. Isto é, levava o pequeno almoço, almoço e jantar e copos com água a uma vizinha acamada e muito mais nova que ela. Mas sempre que podia tinha o terço nas mãos. Portanto, nada impede rezar e fazer o bem. Uma vez fui só a Fátima e estava na Capelinha um casal de idosos que perguntaram-me se eu queria acompanhá-los no terço e acompanheio-os .Só que depois ofereceram-me um lauto almoço pic-nic ( não sei se é assim q se escreve) vinho, broa, carnes chouriças etc. A comunhão ou espírito comunitário estava presente.Fiquei deveras comovido. A oração não aliena as pessoas pelo contrário lhes dá mais energia e dinamismo para que o Bem aconteça. Eu todos os Sábados à noite rezo o terço não em pensar em Maria. porque Ela não precisa de rezas, mas a pensar na Minha Santa Mãe. Que é a minha maior referência. Nunca penso em Nossa Senhora.Penso, sim, na minha Mãe. Nunca esta mulher franzina de corpo , de poucas letras, mas de uma fé inquebrantável que fazia, perdoem-me a metáfora, transpor montanhas. E era cómica de fazer muitas partidas ao marido -meu pai, filhos netos e vizinhos. No entanto, adoro o MAGNIFICAT de Lucas . Veneremos Maria, Nossa Senhora, recusando os ensinamentos da Irmã Lúcia que foi fortemnete estrangulada na sua pureza e na inteligência de criança pelos padres da época que em vez de elevarmos ao novo Céu promissor de uma Terra Outra , falava-nos sp no inferno, no lume,nas labaredas no castigo, nos sacrifícios.O que a Mãe de Jesus quis foi uma vida feliz e alegre para todos. As clausuras nada servem. Deus conhece primeiro os homens e mulheres que qualquer um de nós. Não é mágico nem adivinho, nem feiticeiro é PAI e MÃE no bom dizer de João Paulo I, grande Papa.E, todavia, totalmente esquecido.

tukakubana disse...

Sobre Maria, à medida que crescemos em idade, conhecimento e Fé, sucedem-se as descobertas, as reflexões.As feições morenas de Jesus, os olhos escuros e os traços judeus, seriam herança genética de Sua Mãe, Maria de Nazaré? O carácter, a humildade, a disponibilidade, a pureza, seria a simbiose de Maria Mãe com o projecto do Espírito Santo? Penso que nos festejos invocatórios da Mãe de Jesus e nossa Mãe, se perde muito destes traços, permitidos no projecto do Pai para que deles tivéssemos total e igual aproveitamento. Nas "beatices" que a Igreja vai consentindo gera-se ignorância, futilidade, superficialidade. E lembro-me agora do espanto de um pequeno de 14 anos que há uns anos atrás pensava que a Nª Sra.Fátima é que tinha sido a Mãe de Jesus " e que tinha sido coroada depois do Presépio". O percurso de Maria na Terra tem um significado; a Sua Ascenção deixou-nos um elo que nos deve puxar na direcção de Jesus. É preciso lembrar o elo, ajudar a descobri-lo, agarra-lo para que, como o poeta, digamos "Maria" e ouçamos a resposta da escuta.