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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

«Vivei sempre na alegria…»

Nota: Dado que o Evangelho (cf. Jo 1, 6-8. 19-28) deste domingo III do Advento aponta outra vez a figura de João Baptista, sobre esta temática já apresentei o comentário para o domingo passado. Por isso, para este domingo limito-me a comentar um pouco o texto de São Paulo (cf. 1Tes 5, 16-24) que dá para relacionar com a leitura de Isaías (cf. Is 61,1-2, 10-11) sobre a temática do «Espírito do Senhor» e com a mensagem do Evangelho de São João que nos fala da identidade de João Baptista e do anúncio do Messias que vem ao encontro da humanidade. Continuação de bom Advento para todos…
Comentário à Missa do Próximo Domingo
1Tes 5, 16-24
Paulo estava em Corinto na Grécia, durante o Inverno do ano 50-51 quando escreveu a primeira Carta (1 Ts). Na missiva ele realça que Silas e Timóteo estavam a seu lado, voltavam da segunda visita que realizaram a Tessalónica e lhe transmitiram as boas notícias que muito alegraram o seu coração. Paternalmente transmite práticas, exortações, lembrando que o Evangelho não lhes foi pregado somente com palavras, mas com eficazes manifestações do Espírito Santo, que os estimulava a se tornarem imitadores do Senhor e dos Apóstolos, apesar das tribulações de cada dia. Dessa forma, eles se concretizariam como modelo para os fiéis não só da Macedônia e da Acaia, mas para todos os que crêem no Deus Vivo e Verdadeiro.
O Apóstolo realça a necessidade deles progredirem na busca de um maior polimento espiritual, cultivando a santidade e lembrando-lhes os seus ensinamentos de como devem viver para agradar mais a Deus, exercitando o amor fraterno, apartando-se da luxúria, tratando a esposa com carinho e respeito, sem se deixar levar pelas paixões desenfreadas do mundo. Também não poupa esforços para afirmar que deve ser mantida a unidade que existe entre todos os cristãos, os que vieram do paganismo e aqueles que nasceram em Israel. Concluindo a missiva, ele insere uma resposta sobre o destino dos mortos e a Parusia (próxima Vinda) de Cristo, explicando: «O próprio Deus da paz vos santifique totalmente, e todo o vosso ser - espírito, alma e corpo - se conserve irrepreensível, por ocasião da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo».
O Espírito de Jesus reacende em nós esta esperança numa vida renovada e enche-nos de luz. Celebrar o Natal é sempre renovar esse estado de alma para que a vida se entranhe mais e melhor na construção da felicidade.
Todos ressuscitarão mesmo aqueles que estão adormecidos (mortos).
Ninguém sabe o momento e a hora, por isso, todos devem viver como verdadeiros «filhos da Luz» e não como «filhos das Trevas». Vivendo dignamente e permanecendo preparados para a chegada do Senhor. Paulo pregava uma cristologia que insistia na Vinda iminente do Senhor Ressuscitado. Por isso, apela insistentemente: «Não apagueis o Espírito…» e aconteça o que acontecer «vivei sempre na alegria».
No final da missiva, o Apóstolo faz mais algumas exortações dizendo: «Não extingais o Espírito, não desprezeis as profecias. Discerni tudo e ficai com o que é bom. Guardai-vos de toda espécie de mal. O Deus da paz vos conceda santidade perfeita; e que vosso espírito, vossa alma e vosso corpo, sejam guardados de modo irrepreensível para o Dia da Vinda de nosso Senhor Jesus Cristo». Esta divisão em três partes (espírito, alma e corpo) só aparece aqui, nas cartas de Paulo. Na verdade não se trata de uma divisão sistemática e coerente. Isto porque, cada pessoa tem somente um Corpo e uma Alma. O Corpo nasce do relacionamento dos esposos pelo Matrimónio; a Alma vem de Deus, é invenção Divina. Assim sendo, ao citar um terceiro elemento: o «espírito», é possível que ele estivesse pensando numa semelhança com o Mistério Trinitário (Três pessoas Divinas num único e Mesmo Deus). Dessa forma, ele referia-se ao terceiro elemento «espírito» o qual seria possuído por aqueles que exercitavam uma vida nova em Cristo, ou quem sabe, seria o «espírito» possuído pelos verdadeiros cristãos que estavam sob a influência do Espírito Santo de Deus. Por último podemos acrescentar, que também podia significar a parte mais elevada das pessoas, ou seja, a sua espiritualidade, porque o lado mais baixo das pessoas se referia exactamente a «carne». Só por esse caminho vem a desgraça.
JLR

1 comentário:

José Ângelo Gonçalves de Paulos disse...

P.José Luis gostei muito desta dissertação paulina. O grande teólogo Hans Kung considera um dos maiores do Cristianismo a par de Agostinho, Orígenes, S.Tomás de Aquino, Lutero e outros mais próximos de nós. Sem dúvida que foi S.Paulo que nos relatou um Cristo mais próximo da sua divindade não o problematizando-o tanto como os proto-apóstolos que queriam um Rei ou um Messias. Paulo vai à profundadidade do Evangelho do Senhor e dá-nos sp a perspectiva da Ressurreição. Tem sido pessimamente interpretado por causa,certamente, do seu tempo de artesão, de formação, educação. Apesar de eunuco, foi ele que nos trouxe as diaconizas ou apóstolas. E ficava em casa delas e escrevia para elas cartas. Bem haja, Pe.José Luis a sua costela paulina e as suas benditas cartas .