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quinta-feira, 24 de junho de 2021

Condenado por suspeitas

Hoje 24 de Junho de 2021, é o tradicional dia de São João Batista, condenado pelo cruel Herodes, à morte por degolação por causa das intrigas da adúltera Herodíades. A sua filha dançou diante de todos e agradou a Herodes. «Pressionada pela mãe, ela disse: quero, num prato, a cabeça de João Batista». A cabeça de João foi levada num prato, foi entregue à jovem, e esta levou-a à sua mãe» (Mateus 14, 8-11). A história, obviamente, com outros contornos repetisse por este mundo fora.  

A Igreja Católica deve ser a única instituição que condena por suspeitas e por intrigas, a exemplo dos piores regimes ditatoriais que este mundo tem experimentado ao longo da história da humanidade.

Outra vergonhosa condenação do pe Anastácio Alves. Condenado só por suspeitas de pedofila, sem investigação séria, julgamento adequado e condenação exemplar. Tristemente não faltam exemplos nesta Instituição Igreja Católica de condenações deste género. Acreditei ingenuamente que o Papa Francisco viesse pôr fim a este procedimento.  

Antes de dizer mais alguma coisa, reafirmo que face à pedofilia devemos ter tolerância zero. Mas também salvaguardo que ninguém deve ser condenado só porque existem suspeitas. Quando elas existem as autoridades competentes devem proceder a uma aturada investigação, julgar o caso e condenar exemplarmente todo o bandalho que tenha cometido tais actos hediondos contra crianças. Isto serve para padres, pais, padrastos, padrinhos e madrinhas, todos os cidadãos que tenham cometido qualquer atitude ilícita contra menores. Ninguém está acima da lei.

Mas, voltemos ao caso do pe Anastácio Alves. Um processo muito mal conduzido desde o início. Andou a sociedade madeirense a falar e foi falando, onde havia padres e bispos que metiam os pés pelas mãos, fornecendo sem medida elementos brejeiros para alimentar a má língua, que é apanágio da mediocridade que nos assiste.

Dizem que veio agora a confirmação do Papa Francisco e da Congregação do Clero do Vaticano da sentença que a Diocese do Funchal tinha aplicado contra o pe Anastácio Alves. Devem estar felizes, porque saiu a água toda do capote. Mas, é preciso também dizer-se que serve este o caso para desviar as atenções e esconder os outros casos onde pairam as suspeitas, mas que só sabe lá Deus, porque também não são condenados como foi condenado o Pe Anastácio Alves. A ser assim condenar em nome de suspeitas, então que se comece a eito, que não escape ninguém que esteja sob os holofotes da suspeita. Dois pesos e duas medidas é que não.

O comunicado da «sentença» que sacode por completo a água do capote de alguém, entala o Papa Francisco, que tem tido um procedimento corretíssimo com as vítimas de pedofilia, pede-lhes perdão, quando erra, remedeia o erro, coloca fora do ministério padres, bispos e até cardeais quando devidamente condenados e até tem integrado outros quando a realidade após os processos os inocenta. Por isso, não havia necessidade desta maneira de proceder tão deprimente. Ainda mais se considerarmos que resulta de sérias contradições, porque com outros casos as coisas não têm tido posições tão determinadas. Porque será?

Quanto às parangonas que anunciam que «pe Anastácio Alves deixou de ser padre», não pode ser, porque a mesma instituição que retira o sacerdócio passa a vida a gabar-se do seguinte: «uma vez padre, padre para sempre»... E, salve-se, a Igreja Católica não é dona dos sacramentos, é administradora, o único dono é Jesus Cristo, só Ele pode dar e tirar. Por isso, enquanto não existir um processo cabal que obedeça aos parâmetros legais em vigor, com um conveniente julgamento civil e eclesiástico, para mim, Anastácio Alves, será o padre Anastácio.

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