Publicidade

Convite a quem nos visita

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Ser profeta hoje

Comentário à missa deste fim de semana. Serve para quem habitualmente à Igreja para participar na missa, mas não só...
A dimensão profética percorre a liturgia da Palavra deste domingo, em Elias, o profeta da esperança e da vida, em Paulo, o profeta do Evangelho recebido de Deus, e, particularmente, em Jesus, o grande profeta que visita o seu povo em atitude de total oblação e que estende os seus braços imensos para abraçar todos e cada um de nós. Porque, para Deus, ao contrário da humanidade, cada pessoa é sempre o seu maior tesouro.
Mas, o que é ser profeta hoje, na vida concreta de cada um? - Ser profeta hoje passa pelo sentir-se interpelado pela realidade, se acredita em Deus, sentirá Dele um apelo, um chamamento e depois estará disponível para receber uma missão, ser enviado/a por Deus ao mundo. Deus serve-se de muitas formas para chamar. Pode ser um sonho, um ideal, uma causa, uma leitura, um acontecimento, um sinal qualquer… Às vezes descobre-se o seu apelo no rosto de um pobre ou de um escravo de vícios; outras vezes, nas páginas dos jornais; outras, nas necessidades da Igreja ou da sociedade; outras, nos acontecimentos turbulentos do presente; outras, mais simplesmente, nas palavras de um amigo e de uma pessoa de referência.
Ninguém é profeta na sua terra, é certo. Mas é na terra, no espaço concreto, na escola, no local de trabalho, na comunidade, na Igreja... Que a profecia deve ser anunciada, praticada, vivida com militância. Com coragem, com desassombro. E como diz O papa Francisco: «nós falamos a verdade, com amor, ou falamos aquela ‘língua social' de sermos educados, de dizer coisas bonitas, mas que não sentimos? Que o nosso falar seja evangélico!» Eis, como devemos então centrar a nossa vida nesta dimensão do ser profeta. 

A suavidade das crianças

Dia mundial da criança.
A Joana (nome fictício) é pequenina, mas viva como são vivos os lírios do campo, quando baloiçam suavemente pela brisa da tarde. É de uma doçura tão forte que sobressai naturalmente pelo sorriso e pelas palavras articuladas como se fosse uma pessoa adulta, cheia de experiência.
O diálogo com ela escorre sem papas na língua e todo ele cheio de seriedade. Imediatamente remata: «tenho um pecado só», diz qual o teu pecado, como se dali rebentasse uma bomba que estava a dar cabo de meio mundo.
- Nasceu o meu primo, agora todas as atenções vão para ele, antes eram para mim, por isso eu não gosto muito dele.
Bom, é mesmo uma bomba que precisa de ser desarmadilhada.
- Sabes que cada criança que nasce é um dom maravilhoso de Deus, é a imagem de Deus, mas muito frágil, precisa de comida, de andar limpinha e mais do que tudo precisa de muito carinho. Por isso, os adultos têm que lhes dar todas as atenções do mundo, para que não fique com fome, não chore e não ande sujinha. O que achas?
- Pois, não tinha pensado nisso.
- Mais ainda deves pensar que aquelas pessoas que antes te davam todas as atenções também agora o fazem, mas de outra maneira, porque elas tinham um coração grande, onde cabem muitas crianças, por isso Deus enviou-lhes mais uma criança para que elas guardem dentro dos seus corações.
- Ah… Está bem. Tenho ainda mais uma coisa que gostaria de dizer.
- Diz!
- Não gosto de fazer os «trabalhos de casa» (TPC's).
- Fazes bem não gostar. Porque não devia haver «trabalhos de casa». Após a escola, as crianças deviam ter tempo para brincarem com os pais, com os irmãos, com os amigos, com os primos… Deviam fazer outras coisas que não fossem da escola.
- Eu também penso isso.
-Tens que arranjar uma claque de amigos na escola para dizerem à professora que não mande trabalhos para casa.
- Pois, eu tenho amigas. Mas elas gostam de fazer «trabalhos de casa». Vou ter que arranjar outras. Sabe que eu já namoro. Eu já dei um beijo na boca do meu namorado...
- Sim… E que tal?
- É suave.
Fartei-me de rir interiormente. Porque esta criatura do alto dos seus nove anos fez-me passar um momento muito divertido. Vais longe Joana e espero andar por aí para me alegrar com o teu sucesso.
Este foi o meu contributo/testemunho na minha área para o trabalho da Patrícia Gaspar no Diário de Notícias sobre o Dia da Criança. Testemunho dado pelo telefone.