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quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Jornalismo terrorista

Todos nós estamos de acordo que o mundo actual está pautado pelo mediatismo e quase nada tem existência se não passar pela comunicação social. Até aqui tudo bem e estamos falados quanto a este aspecto.
Porém, pede-se e desejamos que os agentes da comunicação social sejam honestos no anúncio das notícias.
De que falamos, quando falamos de «jornalismo terrorista»? - Falamos de um jornalismo resultado de um (sublinho um) telefonema de alguém descontente com qualquer situação, logo se aciona um jornalista e um fotógrafo, para entrevistar o descontente, mais duas ou três pessoas (se as encontrarem) e fotografar o que for para fotografar. Elabora-se a notícias como se fosse resultado de um vasto leque de entrevistas e como se de ambas as partes estivessem um batalhão de pessoas. A este jornalismo chamo de «jornalismo terrorista»
Esta forma de jornalismo só cria injustiças e muito sofrimento. Porque não apresenta a verdade e não é fiel aos factos tal como acontecem na realidade. Por causa desta forma de fazer jornalismo, os meios de comunicação social caiem num discrédito muito grande. A credibilidade das notícias está na rua da amargura. A seguir esta rede de descrédito contamina toda a sociedade, como se fosse uma bola de neve que enrola a política, a religião e a sociedade em geral.
Os assuntos tratados com esta ligeireza, ficam na mente das pessoas em geral só pela rama, porque são cada vez menos os que se preocupam com a seriedade e veracidade das coisas, basta que o jornal e a televisão tenham falado para ser verdade, não importa que tenha tomado o todo pela parte nem que tal inverdade tenha causado sofrimento e injustiça. As pessoas em qualquer forma de terrorismo pouco importam. O nosso tempo está cheio de exemplos quanto a este aspecto. Esta comunciação social não serve, não educa e não informa.
As notícias realacionadas com a Igreja são matéria incandescente, por isso, não são precisos muitos descontentes e muitos telefonemas para denunciar a coisa mais mínima, desde que meta padres ou algo com eles relacionado é suficiente para incendiar uma nação. Mas, é preciso mais seriedade e mais equilíbrio para que as coisas não se pareçam tanto com perseguição desenfreada nem muito menos com campanhas orquestradas para provocar a mais pura desordem e vitimar as pessoas tomadas no seu todo a partir de uma pequena e ínfima parte.
Penso que os jornalistas não precisam de ser tão pouco sérios e podiam fazer mais jus dos valores e princípios éticos que qualquer actividade profissional acarreta. A bem do nosso mundo e a bem do jornalismo, é preciso mais verdade e cabe aos jornalistas procurarem todas as formas para dignificarem a sua classe.
E, por fim, o jornalismo tem um papel importante na regulação da Democracia, porque deve ser denunciador verdadeiro de todos os abusos e atentados contra o sitema democrático e contra a pessoa humana. Se ao contrário for, lá teremos de concordar com os que dizem que muito do jornalismo actual é um «jornalismo de sarjeta».

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Comentário para a Missa de Domingo

30 Novembro 2008 Domingo I do Tempo Advento – Ano B
«Aguardais a revelação de Nosso Senhor Jesus Cristo»
1Cor 1, 3-9
O Apóstolo Paulo escreveu esta Carta em Éfeso, durante a terceira viagem missionária, para remediar os abusos, nomeadamente as divisões e escândalos de que teve conhecimento por mensageiros vindos de Corinto (1,11), e para responder às questões que lhe foram postas por escrito (7,1). Estas circunstâncias explicam o carácter não sistemático da Carta, com a única preocupação de enfrentar as necessidades e resolver as dúvidas dos seus correspondentes. Ao longo destas páginas, desenha-se o retrato fiel de uma comunidade viva e fervorosa, mas com todos os problemas resultantes da inserção da mensagem cristã numa cultura diferente daquela em que tinha sido anunciada anteriormente. As questões abordadas derivam em grande parte do fenómeno da inculturação do Evangelho em ambiente helenista. Paulo procura esclarecer, mostrando-se firme ao condenar os comportamentos inconciliáveis, mas compreensivo quando a fé não corre perigo. Nesta passagem, que faz parte do início da carta aos cristãos de Corinto, Paulo faz referência à expectativa que deve estar no coração do cristão, «aguardar a revelação de Nosso Senhor Jesus Cristo». Assim, as soluções propostas às dissensões que emergiram no interior da comunidade, estão marcadas pelos condicionalismos culturais de então e pelo concreto da vida, mas não se reduzem a mera casuística já ultrapassada, porque o génio de Paulo, mesmo quando desce a questões do dia-a-dia, sabe sempre elevar-se aos princípios fundamentais que lhes asseguram perenidade e oferece-nos uma teologia aplicada ao concreto da vida cristã. Daí a interessante expressão que destacamos para intitular esta reflexão, porque «não vos falta qualquer dom de graça», é preciso concentrar-se e viver na esperança da vinda de Jesus. Daqui o interesse e a actualidade desta Carta, através dela, sentimos ao vivo o pulsar de uma comunidade cristã muito rica, a forte personalidade de Paulo, muito consciente das suas responsabilidades, e a presença constante do Ressuscitado que anima a comunidade e a tudo dá sentido.Nós cristãos, ainda valorizamos a vida à nossa volta e cada problema é para nós o centro do mundo. Mas, devíamos saber passar adiante e ocupar o nosso coração com a expectativa da chegada de Jesus. O que é mais importante, não podem ser as divisões, as discussões banais, a fixação em ninharias que nada produzem, a corrupção, a vingança, a justiça de alguns em detrimento da condenação de uma grande parte, o poder pelo poder, a lógica das influências a todo o custo, a maldade feroz que mata e sangra cruelmente, a alienação, a inconsciência perante o mundo, a vaidade, a indignidade por alguns momentos de fama, a idolatria… Numa palavra, podemos dizer que o centro do universo não pode ser a nossa vidinha egoísta, mas antes uma esperança em Deus e de modo especial, nessa chegada do Senhor Jesus, que vem ao nosso encontro para nos fazer mais felizes e chamar-nos a uma realidade maior, que é a vida em Deus.