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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

O Papa e o preservativo o eterno busilis

Hoje Dia Mundial da Luta Contra a Sida...
E continua a Igreja Católica a ter vergonha de falar do que Deus não teve vergonha de criar... 
Pode ser lida a AQUI A NOTÍCIA
No âmbito da sexualidade a Igreja Católica, tem sempre um discurso negativo que remonta a Santo Agostinho. Meteu-se por aí e face ao evoluir do mundo não sabe o que dizer e como dizer, por isso, fixa-se no mais fácil, não muda a reflexão e mantém um pensamento antigo que nada diz aos homens e mulheres de hoje. Uma posição clara no sentido de se considerar importante também o uso do preservativo como uma forma de combate a Sida faria muito bem à humanidade inteira. O Papa Bento XVI admitiu-o embora ainda timidamente. 
O Papa Francisco considera e bem que a fome, o trabalho escravo, a falta de água potável e o tráfico de armas como exemplos, são problemas mais importantes que o uso do preservativo. Sim, é certo, mas a Sida que dizima populações inteiras em África e tendo em conta que os especialistas consideram que uma das formas de combate a esta doença terrível passa pelo uso do preservativo, porque não uma posição clara nesse sentido? Que mal moral advém daí? Que mal haverá tomar uma posição clara? – As portas da misericórdia neste domínio continuam entre abertas ou melhor continuam com uma pequena fresta aberta…  

A Violência Oculta

Melhor não encontro para dizer sobre o estado de violência em que estamos mergulhados...
A primeira razão por que a violência maior actua de modo silencioso, e das poucas vezes que falamos dela falamos apenas da ponta do icebergue. Nós acreditamos que estamos perante fenómenos de violência apenas quando essa tensão assume proporções visíveis, quando ela surge como espectáculo mediático. Mas esquecemos que existem formas de violência oculta que são gravíssimas. Esquecemos, por exemplo, que todos os dias, no nosso país, são sexualmente violentadas crianças. E que, na maior parte das vezes, os agressores não são estranhos. Quem viola essas crianças são principalmente parentes. Quem pratica esse crime é gente da própria casa. 
Nós temos níveis altíssimos de violência doméstica, em particular, de violência contra a mulher. Mas esse assunto parece ser preocupação de poucos. Fala-se disso em algumas ONGs, em alguns seminários. A Lei contra a violência doméstica ainda não foi aprovada na Assembleia da República. 
Existem várias outras formas invisíveis de violência. Existe violência quando os camponeses são expulsos sumariamente das suas terras por gente poderosa e não possuem meios para defender os seus direitos. Existe uma violência contida quando, perante o agente corrupto da autoridade, não nos surge outra saída senão o suborno. Existe, enfim, a violência terrível que é o vivermos com medo. 
E existe essa outra violência maior que é considerarmos a violência como um facto normal. Existe, em suma, essa terrível aprendizagem de negarmos em nós mesmos tudo que nos ensinaram como valor humano: o ser solidário com os outros, os que sofrem. 
Mia Couto, in 'E Se Obama Fosse Africano?'