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quinta-feira, 23 de abril de 2009

As tradições na cabeça de alguns

Acho extrordinário alguns defenderam tanto as tradições. Muito bem, acho que sim. Mas, que se defenda não acusando e não misturando tudo. As tradições são o que são e valem o que valem. Devem ser defendidas, preservadas e ensinadas aos mais novos para que não morram nas calendas empoeiradas da cabeça de alguns.
Sobre a Visita Pascal ao sítio da Ribeirinha que tradicionalmente se realizava na Segunda de Páscoa, este ano não se realizou nesse dia. Não me parece que tenha sido mudado o conteúdo ou que alguém tenha proibido que se relizasse tal tradição. Apenas foi mudado o dia, de Segunda de Páscoa passou para o Domingo de Pascoela. Que mal tem isto se é mais conveniente para a maioria dos moradores daquele sítio?
Há gente que de tudo discorda, não porque saiba do que discorda, mas porque sente prazer em discordar, confundindo, caluniando e metendo tudo e todos dentro do mesmo saco.
O que se diz sobre a cerimónia do Lava-pés é simplesmente aberrante e totalmente desenquadrado dos nossos tempos e, mais grave ainda, uma ofensa contra as mulheres que brada aos céus. Tanto que se reclama mais lugar e vez para as mulheres na Igreja e o que vemos, os féis que ontem faziam tal reclamação hoje vociferam contras as mulheres, não compreendendo o simbolismo interessante desta cerimónia e o quanto ela é importante para a mudança de mentalidade dos homens e das mulheres que devem estar ao serviço de uns e de outros.
As «Festas do Perdão», já se converteram em «confissões colectivas», extraordinária esta confusão. Não se entende nada e as misturas são totalmente falaciosas.
Como se vê e prova, a não mudança é um afrodisíaco de muitos dignitários da Igreja, mas também serve de antídoto a muitos fiéis leigos, que empurram a Igreja para trás e tudo fazem para que a vida continue um fardo para muitos. Estes escribas dispensamos.
São várias as vezes que se acusa os padres, porque são retrógrados e alimentam tradições anacrónicas e que frequentemente não sabem nada do tempo actual e que não sabem adaptar-se aos tempos. Em que ficamos, afinal? Se mudam é porque mudam e se não mudam é porque não mudam. A história do Velho, do Rapaz e do Burro, nunca teve tanta actualidade como hoje. Por isso, muito do que se ouve e lê não passa de fait divers do «povo superior», que a nossa terra diz apresentar ao mundo além mar, subdesenvolvido e pobre. Porque aqui todos somos os mais desenvolvidos e ricos do mundo. Bem hajam os defensores das tradições da nossa terra. Afinal, gosto muito de todos eles.

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