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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A fé não é um medicamento

O que a fé não é (1)
Em 1962 teve início o Concílio Vaticano II. Em 2012, passados 50 anos o Papa Bento XVI convocou o Sínodo dos Bispos para este mês de outubro que terá como tema: «A nova evangelização para a transmissão da fé cristã», e que abre o «Ano da Fé», que irá até à Festa de Cristo Rei, em novembro de 2013. É a Igreja cumprindo a missão que Jesus lhe deu: «Ide evangelizar!». A missão da Igreja é esta. O Papa Paulo VI disse que esta é a identidade e a missão da Igreja. A Igreja deixar de evangelizar seria como o sol deixar de brilhar  e a chuva deixar de regar a terra.
Neste contexto abro aqui uma rubrica nova no Banquete sobre o tema da fé. Ao meio de cada semana vou procurar partilhar com os leitores do blogue «O BANQUETE DA PALAVRA», uma pequena reflexão sobre o que a fé não é, para logo no fim se concluir sobre o que a fé é ou pode ser no coração de cada pessoa que se abre ao mistério de Deus e da humanidade. Não quer dizer que ao longo das reflexões sobre o que a fé não é, já não se vá percebendo sobre o que a fé, afinal, é na vida de cada pessoa.
Vamos lá então.
A fé não é uma aspirina espiritual
Muitas vezes as pessoas que crêem e também as que não crêem entendem a fé como uma espécie de aspirina ou que deve ser um analgésico, que se toma quando as dores físicas, emocionais, mentais e espirituais se fazem sentir. Aí a fé seria uma pastilha que se tomaria para aliviar a dor. Por isso, muitas vezes as pessoas perdem-se na procura de milagres, correndo atrás de todas as religiões ou confissões religiosas, os seus directos responsáveis, todos os santos, bruxas, curandeiros, horóscopos e outras realidades deste teor para que por magia espectacular todos os males que esta vida implica desapareçam num ápice. Nada mais errado encarar a fé desta forma. Proceder desta forma é deixar-se levar pela frustração e pelo desencanto da fé que não tardará nada a chegar.
A fé vai ajudar-nos a acolher o mistério da vida, o que ela tem de extraordinário, belo, bom. Mas, também o que tem de dor, de sofrimento e de todo o género de limitação. Nós cristãos, descobrimos um exemplo, Jesus Cristo, que podia muito bem livrar-se do sofrimento e da morte, porque é Deus, mas não o fez, enfrenta-o com coragem, porque acredita na vontade e no amor de Deus Pai e Mãe, que o abraça na vertigem da dor e da morte, para o ressuscitar ao terceiro dia. Não quer isto dizer que o crente deve ser um masoquista, um submisso, não, pelo contrário, o crente é um inconformado perante o sofrimento e a morte. Não se deixa abater por essa limitação e abre o seu coração à grandeza de Deus e confia que de qualquer forma participará um dia dessa glória.
Neste âmbito o grande ficcionista católico de meados do século XX, Flanerry O’Connor, disse-o bem, e melhor do que muitos. Numa carta de 1959, dizia o autor: «O que as pessoas não percebem é quanto a religião custa. Elas pensam que a fé é um grande cobertor eléctrico, quando, claro, ela é cruz. É muito mais difícil acreditar do que não acreditar». A fé sendo essa opção interior que se abre ao mistério, desafia para a coragem e para a força com que enfrentamos os males desta vida, sem alienação, mas com esperança.   
A fé não é uma «novocaína espiritual», mas um caminho, uma opção de vida que faz entrar na profundidade de um mistério que enforma a vida toda. Obviamente, que a fé não nos dá garantias. Pode até dar-nos mais dificuldades e mais embaraços para a vida. Mas a mulher que concebe uma criança e a dá à luz também não tem garantias nenhumas do que pode vir a ser daquela criança, no entanto, avança, mergulhada no sofrimento e em toda a trabalheira que dá criar uma pessoa.Sem qualquer garantia aposta no futuro que a vida lhe oferece. Neste contexto percebemos que sem cruz não há ressurreição. O crente, nunca desiste resiste. Acreditar é isso… 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Velório de um defunto chamado democracia


Terça-feira dia de Farpas no Banquete…

Em nome de quem estão estes governantes actuais? Que poderes e pessoas estão a telecomandar esta gente? Como funcionam assim contra o povo? Porque será que manifestam tanta insensibilidade social? Porque será que não têm sentido nenhum do que é a nossa pátria? Porque não olham mais a nossa realidade e menos a realidade daqueles que os mandam fazer estas barbaridades contra as nossas famílias e contra o nosso povo? Para onde vamos com esta desgraça de ter que tolerar gente insensível ao sofrimento e ao empobrecimento do povo que os elegeu? (…)
Algumas questões que nos saltam neste momento em que presenciamos uma série de atitudes que nos deixam perplexos.
Mas vamos ao que se vai passando nosso burgo. Hoje ao deparar-me com o quadro no Dnotícias sobre os gastos dos partidos políticos representados na Assembleia Legislativa Regional dá para ficar intrigado, irritado, revoltado e mais do que desgostoso com esta democracia que alguns pensam impor a todos nós. Nesta hora lembrei-me do Eça de Queiroz quando afirma o seguinte: «os Políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão». É disto que se trata. 
Muita gente não gosta da alternância e prefere manter o que está, porque já está cheio e quem chega ainda não tem nada, chega sedento para se encher. Este argumento é patético e justifica as malfeitorias daqueles que se plantam no poder eternamente. O que ganhamos em manter sempre os mesmos a nos desgovernarem deste feito? - A mudança constante seria melhor para todos nós. Sinto pena que o eleitorado não perceba isto. Os políticos eleitos deviam só estar quatro anos, ao fim desse tempo rua com eles.
Ao olhar este famigerado quadro vemos o que fazem os partidos políticos com o dinheiro que nos sacam. Não será preciso dizer que ficamos indignados com os gastos daqueles subsídios horríveis que os partidos eleitos se atribuíram a si próprios sacados dos impostos de quem trabalha e consome neste país. Uma vergonha. Porque observamos que tais subsídios são na sua maioria para pagar salários. Sim, salários da clientela familiar e membros do partido que representam. Não imaginava tanta gente na retaguarda a trabalhar para os ilustres senhores deputados. Um escândalo em tempos de penúria e de miséria do povo conduzido por estes governantes incompetentes.
A cegueira do défice leva-nos à pobreza e ao abismo. Só os incompetentes que nos desgovernam não vêm isso. Com esta cegueira hipotecamos os valores democráticos e faz-se o desrespeito das instituições democráticas como sendo o mais normal porque a austeridade tudo pode e tudo manda. O Orçamento de Estado entregue na Assembleia da República não pode sofrer alterações. Está fechado nome dos poderosos obscuros que telecomandam o desgoverno português. Nesse caso feche-se «a casa da Democracia», a Assembleia da República, porque o lugar do debate, do diálogo para que tudo seja aprovado para o bem de todos depara-se com um Orçamento contra o povo e isso está encerrado porque não podemos melindrar os poderosos que tomaram conta do mundo e dos povos. Esta obscuridade é preocupante e conduz-nos à tragédia irremediável. Só os «desgovernantes» não querem ver isso.
Entre nós também a cegueira comanda a vida. Temos um sr. Presidente do Governo Regional que se limita a vir à Madeira mudar a mala. Anda sempre em viagem, porque o «reino» que devia governar tornou-se o melhor dos mundos. Não há pobreza, desemprego, doentes de dengue, escolas sem rumo e outras injustiças nunca experimentadas entre nós. Assim, dormimos sobre os jazigos de petróleo que foram descobertos nas inúteis obras realizadas sobre o dinheirinho da famosa lei de meios.
Mas, melhor ainda assistimos perplexos à disputa entre dois candidatos à liderança de um partido político. Uma vergonha o que se vê quanto ao desrespeito de um pelo outro. As regras da mais elementar democracia que deviam ser cumpridas à risca para exemplo da sociedade em geral, são pura e simplesmente violadas, sob uma baixaria debitada pelas mesmas vozes e caras que vemos há séculos à frente desta «freguesia» chamada Madeira. A democracia entre nós nunca existiu de verdade. Não nos alegramos com isso, mas sentimos revolta e indignação porque já era tempo de se ver outros rostos e outras propostas que viessem edificar uma sociedade mais humana, justa e fraterna. Até quando vamos suportar isto?
Imagens google