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sexta-feira, 12 de junho de 2009

Comentário à Missa do Próximo Domingo

14 Junho 2009
Domingo XI Tempo Comum – Ano B
Caminhamos pela fé
II Cor 5, 6-10
O Cristão, homem e mulher, são da esperança. São Paulo utiliza a palavra fé para designar essa condição do cristão. Porque estamos ainda neste corpo, nesta vida terrena, distantes do Senhor da vida verdadeira, «caminhamos pela fé» até ao dia em que seremos chamados a tomar parte na vida verdadeira, que não se encontra aqui neste mundo, mas no lugar de Deus, aquilo que a catequese designa como sendo o céu. O ponto crucial da vida cristã radica na descoberta da fé. A fé, é uma só e acontece na vida de uma pessoa de forma mais intensa ou menos intensa, mas nunca pode estar votada para a simples privacidade ou pior ainda, é um assunto que só tem a ver com a dimensão pública, porque se manifesta de uma forma determinada. Assim sendo, entende-se que a fé, é uma realidade interior da pessoa que está para a vida toda. Uma pessoa de fé deixa envolver todo o seu viver mediante o caminho da fé. Ninguém que se diga crente, pode num determinado momento da vida afirmar que agiu segundo a sua fé, mas noutro agiu segundo princípios estritamente humanos ou racionais. O assunto da fé é demais importante para ser algo que se usa e abusa quando nos convém apenas. Por isso, pretender reduzir a fé a um mero assunto privado sem nenhuma incidência prática e pública, redunda num profundo disparate. Porque a fé, vive-se em todos os lugares da vida e não apenas dentro de determinadas conveniências pessoais ou muito menos mediante interesses puramente materialistas. Por exemplo, quando a desgraça nos bate à porta ou quando se pretende prejudicar os nossos próximos. A fé não alimenta instrumentalizações nem se conjuga com interesses intimistas ou de ordem fanática. Mas repare-se ainda no que nos ensina S. Tiago: “Meus irmãos, se alguém diz que tem fé, mas não tem obras, que adianta isso? Será que a fé poderá salvá-lo?...” E mais ainda acrescenta: “Assim também é a fé: sem obras, está completamente morta” (Cf Tia 2, 14-17). A convicção do Apóstolo prova-nos que a fé não pode obedecer de forma alguma à dicotomia privado e público a que se pretende remeter a fé. Porém, vivemos num tempo onde alguém se atrever a confessar a sua fé ou a falar de religião no seu trabalho, nas escolas e nas ruas é logo atacado, mal interpretado e distorcido. Não se pode afirmar valores desta ou daquela religião porque os ambientes são adversos a tudo o que inspire religiosidade. Estamos num tempo onde parece não existir lugar para a fé. Mas, nunca a fé foi tão necessária como hoje.
Mas, como afirma S. Paulo, “foi na esperança que fomos salvos”. Neste sentido, D. Manuel Clemente (Bispo do Porto) diz-nos que “a esperança leva por diante o ‘diálogo’ entre Deus e cada um de nós (…), devolve a Deus o melhor que Ele mesmo colocou em nós, como semente e desejo de realização plena”. Ainda nas suas palavras, “a esperança liberta e potencia infinitamente cada momento da vida, fazendo-nos tomá-lo como ocasião e estímulo para a actualidade definitiva, quando tudo for plenamente vivido, realizando o futuro – e dispensando-o assim – num eterno presente.” Por isso, não tenhamos medo de proclamar a nossa fé ou esperança a que fomos chamados. Só este caminho dá sentido à vida para hoje e para o futuro.

1 comentário:

Susana Ramos disse...

Interessante este ponto de vista.
Eu tenho fé que ser católica é um meio de "devolver a Deus" aquilo que tenho de melhor. Ainda que, muitas vezes, seja difícil e apeteça gritar contra algumas dicotomias assustadoras, mesmo em pessoas com uma formação acima da média.
Eu tenho fé, pois só a fé completa a ciência, uma vez que só Deus me preenche com o seu Amor.
Obrigado por partilhar comigo as suas reflexões.
Susana Ramos