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sexta-feira, 18 de junho de 2010

A permanência da morte de José Saramago

Morreu hoje (18 de Junho) na sua casa em Lanzarote o escritor português José Saramago. Um descanso para alguma Igreja Católica, que se alimenta de extravagâncias e de uma religiosidade baseado no ódio aos outros, aos que considera descrentes ou que estão fora. Não foram macios os seus escritos contra uma certa visão de Deus, contra Igreja Católica (foram duras as críticas contra o Papa, Bento XVI). E noutro âmbito também atacou Israel e a sua política contra os palestinianos.
Este homem foi incómodo e provocador para o pensamento católico. Só com o último livro, Caim, algumas mentes mais esclarecidas da Igreja Católica, lidaram muito bem com o livro e com o autor, destaco D. Manuel Clemente, bispo do Porto; o Padre Carreira das Neves, ilustre professor de Sagrada Escritura e o Padre Tolentino Mendonça. Estes dois padres até estiveram em debates e diálogos com o autor sobejamente divulgados pela comunicação social.
Não era autor predilecto das minhas leituras, porém, reconheço-lhe mestria e muito importante para a literatura portuguesa, basta pensar no seu reconhecimento mundial. Foi prémio nobel. Apesar dos contornos políticos do prémio, penso que tal deve ser significativo e levado em linha de conta.
Por fim resta a memória e a obra do homem que será lembrado pela inteligência literária, que a meu ver se manifesta claramente nas metáforas muito interessantes, embora às vezes provocadoras e polémicas, mas isso faz bem para o pensamento e para o progresso das ideias. Lembro, «Jangada de Pedra»; «Memorial do Convento»; «O Evangelho Segundo Jesus Cristo»; «Ensaio sobre a Cegueira»; «A Caverna»; «O homem duplicado» e «Caim»... Estes apenas entre a sua vasta obra literária.
Gostaria ainda de salientar, que apesar de tudo ficará agora aberta a porta para que o estudo sério da dimensão religiosa da obra de José Saramago seja feita, livre de toda a sombra de preconceito e ódio que os seus escritos provocaram nalguns meios religiosos e não só.
E porque a morte deixou de ser «intermitente» (do livro «Intermitências da morte») para ele, desejo, paz à sua alma e ainda, porque creio, feliz eternidade.

5 comentários:

o mar e a brisa do prazer de aprender disse...

fez história e continuará conosco em pensamento.
Abraços

Jose Ramon Santana Vazquez disse...

...traigo
sangre
de
la
tarde
herida
en
la
mano
y
una
vela
de
mi
corazón
para
invitarte
y
darte
este
alma
que
viene
para
compartir
contigo
tu
bello
blog
con
un
ramillete
de
oro
y
claveles
dentro...


desde mis
HORAS ROTAS
Y AULA DE PAZ


TE SIGO TU BLOG




CON saludos de la luna al
reflejarse en el mar de la
poesía...


AFECTUOSAMENTE
O BABQUETE DA PALAVRA

ESPERO SEAN DE VUESTRO AGRADO EL POST POETIZADO DE BLADE RUUNER ,CHOCOLATE, EL NAZARENO- LOVE STORY,- Y- CABALLO, .

José
ramón...

jflor disse...

Sim, foi provocador e foi incómodo, mas sabe sempre bem questionarmo-nos. Esta apreciação é interessante. Gostei de a ler.

direitinho disse...

Boa noite
Fez uma bonita homenagem a Saramago.
Em quase todos os blogues que sigo se fizeram boas homenagem ao escritor.
Partiu mas a sua obra ficou. Como escritor irá ser mais e melhor estudado.
Irei seguir este teu espaço e convidar-te a passar pelo lidacoelho deixando a tua opinião.
Cordiais saudações

Maria-Portugal disse...

Creio que depois de pensar um deus cruel,vingativo,escravizador o Deus de Jesus Cristo o derrotou com uma magnifica surpresa.

Aliás no íntimo intocado ,de que falava, era capaz de o esperar.