Convite a quem nos visita

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Feliz Ano de 2011

Nova etapa começa esta noite. Que seja cheia de todas as coias boas que a vida precisa. Especialmente saúde, paz e alegria. Os condimentos necessários para ser feliz.
Isso mesmo, do fundo do coração desejo um ano de 2011 muito, muito feliz a todos e, de modo muito especial, todos os que se servem do meu/nosso BANQUETE DA PALAVRA. Abraço-vos com toda a consideração e que a vida vos sorri muito em 2011.
José Luís Rodrigues

Sem título - Mas pode ser ORAÇÃO no início de ano

Meu Deus, me dê a coragem
de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio
como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços
o meu pecado de pensar.
Clarice Lispector

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Recomeça….

Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…
Miguel Torga
Nota: com os meus votos sinceros que o ano de 2011 seja cheio de todas as coisas boas para a construção da vida. Especialmente, saúde, alegria e paz. BOM ANO DE 2011 para todos os que se alimentam neste Banquete da Palavra.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A história da cigarra na época de saldos

Se nos dizem que o ano novo será pior que 2010, aplicamos, sem olhar à moral da história, a prática da cigarra: gastem-se os últimos cêntimos naquela carteira fantástica que andávamos a namorar desde Agosto.
Os portugueses continuam a surpreender. Quando não se fala de outra coisa senão da crise e na necessidade de apertar o cinto, eis que os dados relativos a dinheiro levantado nas caixas multibanco e pagamentos em terminais automáticos deixa todos de boca aberta. Só na semana do Natal, gastaram-se cem milhões de euros acima do ano passado.
Números impressionantes. Entre 20 e 26 de Dezembro, foram gastos 4,6 milhões de euros por dia ou, se quisermos olhar com mais detalhe, 77,8 mil euros por minuto. Afinal, onde está a crise? A crise, a crise anda por aqui. Impossível já iludi-la. Como se explica então esta corrida infrene dos portugueses às compras, como se tudo estivesse em saldo? Talvez só psicólogo o possa explicar. Ninguém, talvez, acredita nas mensagens aterradoras, de todo o género de especialistas, que entram portas adentro. Ou será outro o motivo: aproveita-se enquanto há, depois logo se vê.
Bem vistas as coisas, sempre foi assim que fizemos. Se nos dizem que o ano novo será pior que 2010, aplicamos, sem olhar à moral da história, a prática da cigarra: gastem-se os últimos cêntimos naquela carteira fantástica que andávamos a namorar desde o final de Agosto... E foi uma sorte apanhá-la ainda! A crise não impede que os produtos desapareçam das prateleiras - e mais vazias se encontram desde ontem, com a abertura oficial da época dos saldos.
A crise está aí, disso não tenhamos dúvidas. Mas também podemos ter a certeza que atinge quase sempre os mesmos: os que eram pobres e agora estão muito, muito mais pobres, mesmo seguindo à risca as boas práticas da formiga.
Não foram estes, os pobres do Portugal democrático, que correram aos multibancos na semana do Natal e, por certo, não acotovelaram ninguém nas enormes e demoradas filas para pagar - a crédito ou não - nas lojas dos centros comerciais. Este país foi feito para as cigarras.
in Jornal de Notícias

Corrida aos saldos

A imagem fala por si.
Duas palavras para qualificar quem se prestou a tamanha indignidade: deprimente e degradante. Outros ainda falaram e bem de pobreza, tristeza e atitude de quem não tem nada para fazer. Ora é isso mesmo.

É certo que a crise obriga a alguma ginástica financeira e a correr ao mais acessível em termos de preços. Mas, prestar-se a uma selvajaria mostrando o que não deve ser mostrado, ainda mais em tempo de frio de rachar, não me parece ser uma atitude de bom senso. A crise não justifica tudo nem muito menos deve ser razão para perder a cabeça e não deve levar ninguém a tomar atitudes que o rebaixe à animalidade ou à indignidade do selvagem. Pena tenho eu destes jovens que se deixaram instrumentalizar e manipular pela lógica do lucro. Melhor propaganda não poderia ter sido feita da loja da marca espanhola Desigual do Dolce Vita Tejo, na Amadora. E assim se vendem os jovens por um par de calças ou uma camisola, porque estão nús interiormente de valores e de verdadeira consciência da dignidade.

Imagem do Expresso.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

"Igreja Católica portuguesa é das mais abertas ao espírito do tempo"

Nota: Citação importante do dia...
«Hoje, todas as grandes religiões estão representadas pelos seus fiéis e celebram os seus diferentes cultos, livremente, nos templos que construíram. O diálogo entre as diferentes religiões - e entre crentes e não crentes, repito - realiza-se no respeito mútuo e na assunção da multiculturalidade. O que representa um enorme enriquecimento para a sociedade portuguesa, no seu conjunto.
Obviamente que a Igreja Católica, com as suas história, tradições culturais e civilizacionais, continua a ser a que tem mais fiéis e peso na sociedade portuguesa. Mas é hoje uma Igreja aberta à sociedade, à democracia e às mudanças geoestratégicas, pelas quais o mundo, no seu conjunto, está a passar. É um não religioso e agnóstico que o constata.
A Comissão da Liberdade Religiosa, criada pela lei respectiva, em 2001, teve como seu primeiro presidente o conselheiro Meneres Pimentel, que gentilmente nos visitou e conversou connosco, nas vésperas de Natal. Curiosamente, estiveram presentes representantes muçulmanos, judeus, protestantes e hindus, mas nenhum católico, com certeza pelas obrigações da quadra natalícia.
A Comissão da Liberdade Religiosa tem tido encontros com instituições homólogas de outros países europeus, e nomeadamente da Espanha. Ganhámos, com esses encontros, muitos conhecimentos. E, por isso, podemos hoje dizer, objectivamente, que a Igreja Católica portuguesa é, certamente, das mais abertas ao espírito do tempo. O que é extremamente importante, nesta época de crise, que atravessamos».
In Diário de Notícias de Lisboa, 28/12/2010

A derrota dos Herodes deste mundo

«Onde está o Rei dos judeus, que acaba de nascer?» (Mt 2, 2) Herodes, o rei traidor, enganado pelos magos, envia os seus esbirros a Belém e arredores, para matar todas as crianças com menos de dois anos. [...] Nada porém conseguiste obter, bárbaro cruel e arrogante: podes fazer mártires, mas não conseguirás encontrar a Cristo. O infeliz tirano estava convencido de que o advento do Senhor, nosso Salvador, o faria cair de seu trono real. Mas não foi assim, pois Cristo não tinha vindo usurpar a glória de outro, mas ofertar-nos a Sua. Ele não tinha vindo apoderar-Se de um reino terreno, mas dar-nos o Reino dos Céus. Ele não tinha vindo roubar dignidades, mas sofrer injúrias e sevícias. Ele não tinha vindo preparar a sagrada cabeça para um diadema de pedrarias, mas para uma coroa de espinhos. Ele não tinha vindo para se instalar gloriosamente acima dos ceptros, mas para ser ultrajado e crucificado.Ao nascimento do Senhor, «o rei Herodes perturbou-se e toda a Jerusalém com ele» (Mt 2, 3). Não é de espantar que a impiedade se perturbe com o nascimento da bondade. Eis que um homem que domina exércitos se assusta diante de uma criança deitada numa manjedoura, que um rei orgulhoso treme diante do humilde, que aquele que se veste de púrpura receia um pequenino envolto em panos. [...] Fingiu querer adorar Aquele que procurava destruir (Mt 2, 8). Mas a Verdade não receia as emboscadas da mentira. [...] A traição não consegue encontrar a Cristo, porque não é pela crueldade, mas pelo amor, que se deve procurar a Deus, que vive e reina pelos séculos dos séculos. Ámen.
Eusébio Galicano (século V), monge, depois bispo Sermão 219; PL 39, 2150 (a partir da trad. Solesmes, Lectionnaire, t. 1, p. 1097 rev.)

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O Amor não Tem nada que Ver com a Idade

Penso saber que o amor não tem nada que ver com a idade, como acontece com qualquer outro sentimento. Quando se fala de uma época a que se chamaria de descoberta do amor, eu penso que essa é uma maneira redutora de ver as relações entre as pessoas vivas. O que acontece é que há toda uma história nem sempre feliz do amor que faz que seja entendido que o amor numa certa idade seja natural, e que noutra idade extrema poderia ser ridículo. Isso é uma ideia que ofende a disponibilidade de entrega de uma pessoa a outra, que é em que consiste o amor.
Eu não digo isto por ter a minha idade e a relação de amor que vivo. Aprendi que o sentimento do amor não é mais nem menos forte conforme as idades, o amor é uma possibilidade de uma vida inteira, e se acontece, há que recebê-lo. Normalmente, quem tem ideias que não vão neste sentido, e que tendem a menosprezar o amor como factor de realização total e pessoal, são aqueles que não tiveram o privilégio de vivê-lo, aqueles a quem não aconteceu esse mistério.
José Saramago, in "Revista Máxima, Outubro 1990"

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Nota: A par do texto seguinte do Papa Bento XVI vai este escrito por quem muitos classificam descrente, mas pelo que se vê, há um verdadeiro equívoco nessa classificação...

Deus é amor - São João Evangelista

Se existe um assunto característico que mais sobressai nos escritos de João, é o amor. [...] Certamente João não é o único autor das origens cristãs que fala do amor. Sendo este um elemento essencial do cristianismo, todos os escritores do Novo Testamento falam dele, mesmo se com acentuações diferentes. Se agora nos detemos a reflectir sobre este tema em João, é porque ele nos traçou com insistência e de modo incisivo as suas linhas principais. Portanto, confiemo-nos às suas palavras. Uma coisa é certa: ele não reflecte de modo abstracto, filosófico, ou até teológico, sobre o que é o amor. Não, ele não é um teórico. De facto, o verdadeiro amor, por sua natureza, nunca é meramente especulativo, mas faz referência directa, concreta e verificável, a pessoas reais. Pois bem, João, como apóstolo e amigo de Jesus mostra-nos quais são os componentes, ou melhor, as fases do amor cristão, um movimento que é caracterizado por três momentos. O primeiro refere-se à própria Fonte do amor, que o Apóstolo coloca em Deus, chegando [...] a afirmar que «Deus é amor» (1 Jo 4, 8.16). João é o único autor do Novo Testamento que nos dá uma espécie de definição de Deus. Ele diz, por exemplo, que «Deus é Espírito» (Jo 4, 24) ou que «Deus é luz» (1 Jo 1, 5). Aqui proclama com intuição resplandecente que «Deus é amor». Observe-se bem: não é simplesmente afirmado que «Deus ama», nem sequer que «o amor é Deus»! Por outras palavras: João não se limita a descrever o agir divino, mas procede até às suas raízes. Além disso, não pretende atribuir uma qualidade a um amor genérico e talvez impessoal; não se eleva do amor até Deus, mas dirige-se directamente a Deus para definir a Sua natureza com a dimensão infinita do amor. Com isto João deseja dizer que a componente essencial de Deus é o amor e, portanto, que toda a actividade de Deus nasce do amor e está orientada para o amor: tudo o que Deus faz é por amor, mesmo se nem sempre podemos compreender imediatamente que Ele é amor, o verdadeiro amor.
Papa Bento XVI Audiência geral de 9/8/06 (trad. DC n° 2365, p. 821 © Libreria Editrice Vaticana)
Nota: Não pode existir outra compreensão de Deus senão esta. Pena que o mundo não acolha esta natureza de Deus. Se os cristãos, os católicos em particular, tomassem esta visão de Deus e a pusessem em prática, logo no interior da Igreja, o mundo, o nosso mundo seria outro. Seria o mundo onde a todos não faltaria nada para viverem condignamente.

sábado, 25 de dezembro de 2010

A Família de Nazaré - O que inspira?

- Inspira muito. Vejamos alguns aspectos.
Qualquer forma de grupo humano parece ser família. Não é bem assim. A família, faz-se mediante um contrato social, jurídico, canónico ou religioso, entre um homem e uma mulher que desejam ser procriativos e vivem uma comunhão de ideias e de ideais. Estes parâmetros que concebem o conceito de família são antigos e nasceram com a origem do homem.
O discurso sobre o respeito, a fidelidade e a castidade, é, hoje, muito complicado, porque facilmente se apelidam as pessoas que o defendem ou o vivam no seu dia a dia, de retrógradas e de tradicionalistas. Hoje, o que dá é ser o que o momento proporciona, porque não interessa a estabilidade emocional e a fidelidade aos valores. O que importa é viver a ocasião intensamente.
É preciso salvar a instituição família, porque a crise da família arrasta a sociedade em geral também para a crise.
Fica o texto do Padre Zezinho sobre «A Oração da Família», não gosto da música que se canta nalguns casamentos, mas a letra como oração parece-me muito bonita e significativa. Que a Família de Nazaré abençoe todas as famílias do mundo e as inspire a viverem os valores que reflectem.

A Oração da Família
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Que nenhuma família comece em qualquer de repente.
Que nenhuma família termine por falta de amor.
Que o casal seja um para o outro de corpo e de mente.
E que nada no mundo separe um casal sonhador.
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Que nenhuma família se abrigue debaixo da ponte.
Que ninguém interfira no lar e na vida dos dois.
Que ninguém os obrigue a viver sem nenhum horizonte.
Que eles vivam do ontem, no hoje em função de um depois.
...
Que a família comece e termine sabendo onde vai.
E que o homem carregue nos ombros a graça de um pai.
Que a mulher seja um céu de ternura, aconchego e calor.
E que os filhos conheçam a força de onde brota o amor.
....
Que marido e mulher tenham força de amar sem medida.
Que ninguém vá dormir sem pedir ou dar seu perdão.
Que as crianças aprendam no colo o sentido da vida.
Que a família celebre a partilha do abraço e do pão.
.....
Que marido e mulher não se traiam nem traiam seus filhos.
Que o ciúme não mate a certeza do AMOR entre os dois.
Que no seu firmamento a estrela que tem maior brilho.
Seja a firme esperança de um céu aqui mesmo e depois.

Pe. Zezinho SCJ

Onde está o Natal?

O Natal não está longe. Não vem de longe. Não pode ter sido só há 2010 anos. O Natal está aí. No nosso dia a dia. Está no rosto que sorri e na boca que diz bom dia, boa tarde e boa noite. Afinal, pode estar numa singela palavra de saudação para todas as pessoas, mesmo até para aquelas que gostamos menos. Por isso, Ary dos Santos dirá, no seu poema «Natal», «Natal é quando um homem quiser». Afinal, pode ser todos os dias de todos nós quisermos em cada sinal, em cada gesto, em cada toque, em cada palavra, em cada olhar, nas mãos e pés de todos, no ir e vir, na presença e na ausância. Sempre pode ser o Natal se tu e eu quisermos...
O Natal está nas mãos que amassam a vida toda, com os condimentos necessários para que a felicidade aconteça.
O Natal está em tudo o que seja partilha, porque nada acaba bem se for cimentado no egoísmo, no comodismo e na ganância da satisfação de manias pessoais.
O Natal está aí nos passos decididos a favor da vida para todos. Está nas nossas casas, nos hospitais, nas prisiões e em todos os lugares onde seja preciso levar adiante a construção do mundo e da vida com amor e paz.
Tudo o que somos e temos está em função deste Natal de hoje, que cada um de nós constrói com a sua vida concreta. Este é o Natal verdadeiro que Deus quer que aconteça no presépio do coração de cada pessoa.
Bom Natal para todos. Um grande abraço de Natal com a bênção do Menino de Deus, que se fez mais uma vez Humanidade igual à nossa. Maravilhoso este nosso Deus.
JLR

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Os Lusíadas - será anedota?

Numa manhã, a professora pergunta ao aluno:
- Diz-me lá quem escreveu 'Os Lusíadas'?
O aluno, a gaguejar, responde:
- Não sei, Sra. Professora, mas eu não fui. E começa a chorar.
A professora, furiosa, diz-lhe:
- Pois então, de tarde, quero falar com o teu pai.
Em conversa com o pai, a professora faz-lhe queixa:
- Não percebo o seu filho. Perguntei-lhe quem escreveu 'Os Lusíadas' e ele respondeu-me que não sabia, que não foi ele...
Diz o pai:
- Bem, ele não costuma ser mentiroso, se diz que não foi ele, é porque não foi. Já se fosse o irmão...
Irritada com tanta ignorância, a professora resolve ir para casa e, na passagem pelo posto local da G.N.R., diz-lhe o comandante:
- Parece que o dia não lhe correu muito bem...
- Pois não, imagine que perguntei a um aluno quem escreveu 'Os Lusíadas'respondeu-me que não sabia, que não foi ele, e começou a chorar. O comandante do posto:
- Não se preocupe. Chamamos cá o miúdo, damos-lhe um 'aperto', vai ver que ele confessa tudo!
Com os cabelos em pé, a professora chega a casa e encontra o marido sentado nosofá, a ler o jornal. Pergunta-lhe este:
- Então o dia correu bem?
- Ora, deixa-me cá ver. Hoje perguntei a um aluno quem escreveu 'Os Lusíadas'.
Começou a gaguejar, que não sabia, que não tinha sido ele, e pôs-se a chorar.
O pai diz-me que ele não costuma ser mentiroso. O comandante da G.N.R. quer chamá-lo e obrigá-lo a confessar. Que hei-de fazer a isto? O marido, confortando-a:
- Olha, esquece. Janta, dorme e amanhã tudo se resolve. Vais ver que se calhar foste tu e já não te lembras...!
Recebido por mail. Serve para aferir o nível cultural do nosso povo e a quantas andam as nossas escolas. Mais ainda, ajuda a descontrair das palavras de vinho-em-alhos desta quadra natalícia. Tanta palavra e tanta mensagem sobre o Natal que já chateia. Em Janeiro começa tudo como era dantes.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O Regresso dos Reis Magos

Conto de Natal
A manhã desse dia estava fria como é próprio desta quadra. Por todas as aldeias rurais imperava o silêncio ora perturbado pelo passar dos rebanhos e pelo latido dos cães atrás dos carneiros que intentam sair do redil. Ou então os uivos daqueles cães desesperados que os seus donos impõem a prisão da trela ao canto do terreiro. Porém, a pacatez é a forma melhor de falar da vida nestes lugares.
Não é muito difícil de imaginar uma manhã destas que se perde na monotonia das muitas manhãs das aldeias rurais. No entanto, a chuva miudinha e a penumbra da névoa que cobria os montes fazia emergir uma atmosfera diferente do habitual, isto é, o ambiente que se respirava provocava um calafrio pela medula fora e fazia soar uma sensação de mistério nunca sentida por aquelas bandas.
Mas ninguém sonhava o que se estava a passar. Só uns sábios vindos de longe, das terras do Orienta, que deixaram-se conduzir até esse lugar por uma estrela. A estrela da esperança que alimentou gerações e gerações de homens e mulheres em todos os tempos desde a criação até hoje.
A estrela, a bendita estrela foi o seu guia de viagem e colocou-se no lugar certo, para revelar quem nasceu aí. Por fim, depois de dias e dias de caminhada por caminhos tortuosos do Oriente, chegaram ao lugar e encontraram deitado nas míseras palhas um Menino envolto em panos aquecido pelo bafo de dois ou três animais. Ali mesmo ao lado, uma mulher lacrimosa, porque ainda se contorce com as dores do parto e um rapaz de tenra idade que a segura pelos ombros, não fosse a mulher cair sobre o recém-nascido.
Não vamos esconder a alegria que os seus rostos espelham, são os pais mais felizes do mundo, apesar de não terem encontrado melhor lugar para nascer o Menino que sabiam ser um Deus. As atenções dos três homens ilustres, Baltasar, Belchior e Gaspar, voltam-se para o centro onde esperneia a pequena criatura. Os três admiraram-se e adoraram-no profundamente, era este Menino a razão de ser do seu trabalho de anos e a revelação do sinal da estrela.
Os senhores, vindos de longe desembrulharam os seus presentes e colocaram-nos devotadamente aos pés do Menino. Junto do Menino que procuravam estiveram cerca de um dia apenas, o tempo suficiente para comprovarem que as suas experiências batiam certo. Eis a hora de regressar à sua terra por outro caminho porque estrada que os trouxe guiados pela estrela agora está minado com ódio e espírito de vingança. É preciso guardar segredo aqui nas redondezas e regressar por um atalho para que os maus deste mundo não saibam onde está o tesouro do amor feito carne.
Os três magos regressaram por outro caminho. Não duvidamos do seu contentamento por finalmente terem visto a grandeza do mistério que há vários anos procuraram desvendar. A sua caminhada iniciou-se com a maior das alegrias.
Muitas foram as pessoas que deixaram os seus afazeres e abeiraram-se dos caminhos para verem passar tão ilustres figuras. Alguns mais entusiasmados aplaudiram e deram vivas aos reis que passam. Não se podia esperar outra coisa, dado que aqueles caminhos nunca viram nada assim.
Ninguém ficava indiferente aos três homens de estatura alta, com vestes de alto a baixo de várias cores e com jóias fabulosas nos pulsos e à volta do pescoço. Três figuras ímpares que passam ornamentadas com vestes tão luminosas nunca antes vistas por estas bandas. Não é todos os dias que se pode ver alguém ilustre e tão ricamente vestido, afirmavam quase todas as pessoas. Todos ficavam deslumbrados com a riqueza que transparecia destes três homens caminheiros em direcção à sua terra distante.
Os dias foram passando. Ao longo do caminho foram comunicando a notícia do nascimento do Menino e aqueles que tinham a dita de escutar tão nobre acontecimento manifestavam alegria e desejo forte de conhecer o Menino que tanto maravilhou estes homens, que apesar da imagem de riqueza e beleza que deixavam transparecer, não se faziam rogados e transmitiam a mais importante notícia das suas vidas a ricos e a pobres. Todos tinham de saber de tão nobre acontecimento.
Porém, ao chegarem à cidade de Rafala, que dista mais ou menos a meio do caminho entre Belém e a sua terra no Oriente, resolveram passar algum tempo neste lugar. A cidade era convidativa e merecia pela sua hospitalidade que os Reis Magos permanecessem ali um momento bastante largo. Assim o fizeram. Antes de tudo foram à procuram de uma estalagem para descansarem e pernoitarem. A parte antiga da cidade está repleta de estalagens. Esta cidade muito antiga sempre foi local de paragem obrigatória para os viajantes que vinham das terras do Oriente ou dos que iam do Ocidente.
Os Reis Magos não fugiram à regra e cumpriram a tradição. Aqui ficaram algumas horas até retemperarem as forças quebradas pelo caminho ora mais suave ora mais tortuoso que encetaram em direcção às suas casas no Oriente (lembre-se que não foram pelo caminho habitual das viagens longas, mas por atalhos escondidos para não serem vistos pelos súbditos do rei mau daquela zona que na ida para Belém lhes manifestou interesse em ver o Menino Deus, mas com intuito de o matar, não queria sombras sobre o seu poder).
As dificuldades das veredas não deixaram de permitir que estas horas fossem as melhores das suas vidas. Também eles vibraram com o entusiasmo das gentes dos sítios por onde passaram. Não continham de forma nenhuma o que tinham visto na gruta de Belém, transmitiam a notícia a toda a gente. A informação caia no coração das pessoas como se fosse a descoberta de um tesouro porque logo novos e velhos vibravam e queriam conhecer o Menino que nasceu nas palhinhas de uma gruta entre os animais. O insólito para um Deus despertava entusiasmo e simpatia em todas as pessoas que ouviam falar desta realidade de Belém.
No entanto, há sempre ao menos uma pessoa para destoar quando os acontecimentos estão relacionados com Deus. O dono da estalagem, um homem severo, avarento, orgulhoso e muito rico, confessa uma incredulidade soberba que vez entristecer um pouco os viajantes ilustres. Num dos serões na sala de convívio da estalagem, onde habitualmente se reuniam muitos cidadãos, para tomarem uns copos e confraternizarem afim de amenizar um pouco a monotonia das noites, os magos em júbilo deram conta da razão de ser da sua viagem, todos muito atentos procuravam entender a notícia e rejubilavam com a beleza do nascimento do Menino como se estivessem presentes na gruta do natal.
Mas no canto da sala está o homem rico, um dos mais ricos da cidade, que ao ouvir a notícia e com ar altivo sentenciou que isso não passava de ninharias de gente que não tem nada que faça. O seu orgulho feriu os Reis Magos e todas as pessoas que com eles se tinham entusiasmado. Todos se retiraram em silêncio sem pronunciar palavra nenhuma contra aquela provocação e deixaram que o silêncio falasse bem alto qual é que era a verdade das coisas. Esta noite foi um pouco diferente, porém, não fora este escolho do caminho que vinha matar a alegria da festa no coração dos Magos e de todas as pessoas que sabiam da notícia.
Chegada a hora de retomar o caminho, lá foram os reis magos outra vez estrada fora, calcorreando vales e montes em direcção ao Oriente anunciando o que tinham visto em Belém, revelado pela estrela.
Naturalmente, que a sua chegada a casa vai ser muito saudada pelos seus parentes e conterrâneos. São os seus Reis, os seus Sábios e os seus Magos, que mais uma vez mostraram que o seu estudo e as suas investigações são frutuosas. Todos se juntaram nas praças e nas bermas dos caminhos para escutarem as belas notícias que vinham de longe pela boca dos Magos. A alegria era tanta que logo todos cantavam e davam vivas aos Reis e ao Menino Deus que sabiam estar agora no mundo.
JLR

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Pensamento de Natal

O Anjo dissera aos pastores: «Isto vos servirá de sinal:
achareis um Menino envolto em panos e deitado numa manjedoura».
O sinal de Deus, o sinal que é dado aos pastores e a nós
não é um milagre impressionante.
O sinal de Deus é a sua humildade.
O sinal de Deus é que Ele Se faz pequeno;
torna-Se menino; deixa-Se tocar e pede o nosso amor.
Bento XVI

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

«O senhor fez em mim Maravilhas» (Lc 1, 49)

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Como te amo, Maria, quando te dizes serva
do Deus que conquistaste pela tua humildade (Lc 1, 38),
tornou-te omnipotente essa virtude oculta.
Trouxe ao teu coração a Santíssima Trindade
e quando o Espírito de Amor te cobriu com a Sua sombra (Lc 1, 35),
o Filho, igual ao Pai, em ti encarnou.
Inúmeros serão os Seus irmãos pecadores,
Uma vez que Jesus é o teu primogénito! (Lc 2, 7)
..
Ó Mãe muito amada, apesar da minha pequenez,
trago em mim, como tu, o Todo-Poderoso,
mas não tremo ao ver em mim tanta fraqueza.
Os tesouros da Mãe pertencem aos filhos
e eu sou tua filha, ó Mãe querida.
As tuas virtudes e o teu amor não me pertencerão também?
E quando ao meu coração chega a Hóstia santa,
Jesus, teu suave Cordeiro, crê repousar em ti!
...
Fazes-me sentir que não é impossível
seguir os teus passos, ó Rainha dos eleitos,
porque tornaste o trilho do céu visível,
vivendo cada dia as mais humildes virtudes.
A teu lado, Maria, gosto de ser pequena
para ver como são vãs as grandezas do mundo.
Ao ver-te visitar a casa de Isabel,
aprendo a praticar uma caridade ardente.
....
Aí escuto arrebatada, doce Rainha dos anjos,
o canto sagrado que jorrou do teu peito (Lc 1, 46 ss.);
ensinas-me a cantar os divinos louvores
e a gloriar-me em Jesus, meu Salvador.
Tuas palavras de amor são rosas místicas
que perfumarão os séculos vindouros.
Em ti, o Todo-Poderoso fez maravilhas,
desejo meditá-las a fim de delas usufruir.
Santa Teresa do Menino Jesus (1873-1897), carmelita, Doutora da Igreja Poema «Porque Te amo, ó Maria», estrofes 4-7 (OC, Cerf DDB 1992, p.751)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Natal

.
Silêncio! Não vês? - Repara:
A manhã faz-se mais clara...
..
Silêncio! Devagarinho...
Cuidado com as pedras do caminho...
...
Silêncio! Não fales... não...
Deixa-me ouvir bater o coração...
Silêncio! Todo o Universo
Está ali-dentro dum berço!
....
Além... Não vês que dorme uma criança?
Silêncio! É Deus que descansa.
Miguel Torga

Imagem em Portal NetMadeira

Cristo Nasce Todos os Dias

«De novo, segundo os textos cristãos, quem, pelo contrário, não tendo nenhuma referência explícita religiosa, se dedica voluntariamente a socorrer aqueles que precisam de ajuda, só e unicamente porque precisam, encontra-se, mesmo sem o saber, com o Deus de Jesus Cristo, o grande clandestino da história humana (Mt 25, 37-40).
Não pretendo fazer cristãos à força de subtilezas teológicas. Na prática do Jesus de Nazaré, uns viram uma traição à pátria e ao império, outros descobriram o salvador do mundo (Jo 4, 42).
Não nasci na China, mas creio que Jesus Cristo nasce todos os dias, em qualquer lugar, no coração de todos os que reconhecem, no outro, o seu irmão feliz ou atribulado. Nesta lógica dos pequenos passos, vai nascendo a globalização da solidariedade, o Presépio da nossa esperança».
Bento Domingues, in Público 19/12/2010

domingo, 19 de dezembro de 2010

A Lapinha Madeirense

Lapinha. É com este termo que na Madeira se designam os «presépios», que desde séculos tão generalizados estão entre nós. Julgamo-lo uma palavra peculiar deste arquipélago. Deve ser o diminutivo de «lapa» com o significado de furna, gruta ou cavidade aberta em um rochedo, por analogia ou semelhança com o local do nascimento do Divino Redentor. É possível que em outros tempos conservassem essa analogia ou semelhança, mas, ao presente e na generalidade, as «lapinhas» madeirenses são armadas sôbre uma mesa, tendo como centro uma pequena escada de poucos decímetros de altura, de três lanços contíguos, e no topo da qual se coloca a imagem do Menino Jesus. Em todos os degraus da escada e em torno dela estão dispostos os «pastores» e vários objectos de ornato, por vezes bem estranhos e sem próxima afinidade com o resto do presépio. Em obediência às condições do meio, terão algumas características próprias, como sejam as ornamentações com os ramos do arbusto «alegra-campo» e dos fetos «cabrinhas», que lhes imprimem uma feição pitoresca e alegre.
Terão uma certa originalidade os chamados «pastores», isto é, pequenas figuras de barro de grosseiro fabrico local, que quase sempre não representam pastores ou zagais mas indivíduos das várias camadas sociais. Ainda são muito vulgares as «lapinhas» com as chamadas «rochinhas», consistindo estas no simulacro de um pequeno trecho de terreno muito acidentado, feito de «socas» de canavieira e que geralmente conserva na base uma pequena «furna» representando o presépio em minúsculas figuras de barro.
Existiam, mas hoje são já muito raras, estas mesmas «rochas», talhadas em maiores proporções e em que se viam igrejas, estradas, pequenas povoações etc., embora sem grande harmonia no conjunto, mas oferecendo um certo e original pitoresco.
In Fernando Augusto da Silva, Elucidário Madeirense

sábado, 18 de dezembro de 2010

Perdão

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Aqui me tens, meu Deus, em confissão.
Não roubei. Não matei. Não caluniei.
Mas nem sempre segui a tua lei,
nem sempre fui a irmã do meu irmão.
..
Não recusei aos outros o meu pão.
Amor, algumas vezes, recusei.
Mas por tudo o que dei e o que não dei,
eu te peço, meu Deus, o teu perdão.
...
Perdão para os meus erros conscientes
e para os meus pecados inocentes,
para o mal que já fiz e ainda fizer...
....
Perdão para esta culpa original,
longo e complicado mal:
o crime sem perdão de ser mulher.
Fernanda de Castro (1900-1994)
Poema lindíssimo sobre o perdão, porque estamos em tempo de reconciliação. Eis um texto sobre a procura do perdão para a repressão que se sofre só pelo facto de se pertencer a determinada condição. Pecado maior do que esse não existe, e pelo que se vê a humanidade inteira carrega esta mancha. Valha-nos o Natal de Jesus redime tudo isso.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Comentário à Missa do Próximo Domingo

IV Domingo do Advento
19 de Dezembro de 2010
A missa do IV Domingo do Advento, ensina-nos claramente, que mais do que tudo na vida está a vontade de Deus. Nem sempre nós aceitamos a vontade de Deus na nossa vida nem muito menos deixamos que o Seu Espírito seja a luz que nos ilumina e nos guia em todos os caminhos que desejamos encetar.
Neste sentido, frequentemente, quando nos sentimos impelidos para realizar uma coisa, pensamos quinhentas vezes, no que dirão os outros, no que pensarão de nós e acabamos não fazendo nada porque o temor das vozes alheias ou dos simples olhares de desprezo são motivo suficiente para a nossa inactividade.
Pensemos no essencial. O Natal, é a festa da vida. Uma festa cheia de tantas coisas boas. Uma dádiva. Um sonho. Um ideal para esta vida, para que chegado o seu terminus, cada um esteja devidamente preparado para viagem mais importante. E porque é tempo de Natal, tempo para acolher todos os valores que esta festa ensina, fiquemos com esta maravilhosa história:
Um rei tinha ao seu serviço um bobo que o distraía com as suas brincadeiras e palhaçadas. Um dia o rei entregou o seu ceptro ao bobo, dizendo-lhe: - Ficas com ele, até encontrares alguém mais estúpido que tu, então poderás oferecer-lho. Passado algum tempo, o rei adoeceu gravemente.
Sentindo aproximar-se a morte, chamou o bobo, a quem se tinha afeiçoado, e disse-lhe: - Vou partir para uma longa viagem.
Pergunta-lhe solícito o bobo: - E quando regressa? Daqui a um mês? - Não, não voltarei mais. Responde o rei com muita tristeza.
- E quais os preparativos que fez para esta expedição? - Pergunta o bobo. O rei respondeu ainda com mais angústia: - Nenhum!
Nisto o bobo afirma: - Tu partes para sempre e não te preparaste em nada? Toma lá o ceptro, porque encontrei alguém mais estúpido que eu.
JLR

Há lugares...

Porque há lugares, meu Deus, que têm de ser mantidos.
E é preciso que tudo isto continue,
Quando já não for como agora,
Mas melhor.
É preciso que a vida do campo continue.
E a vinha e o trigo e a ceifa e a vindima.
(...)
(Charles Péguy)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Carlos Pinto Coelho Morreu, e assim acontece

.
Dizes-me: tu és mais alguma cousa
Que uma pedra ou uma planta.
Dizes-me: sentes, pensas e sabes
Que pensas e sentes.
Então as pedras escrevem versos?
Então as plantas têm idéias sobre o mundo?
..
Sim: há diferença.
Mas não é a diferença que encontras;
Porque o ter consciência não me obriga a ter teorias sobre as cousas:
Só me obriga a ser consciente.
...
Se sou mais que uma pedra ou uma planta? Não sei.
Sou diferente. Não sei o que é mais ou menos.
....
Ter consciência é mais que ter cor?
Pode ser e pode não ser.
Sei que é diferente apenas.
Ninguém pode provar que é mais que só diferente.
.....
Sei que a pedra é a real, e que a planta existe.
Sei isto porque elas existem.
Sei isto porque os meus sentidos mo mostram.
Sei que sou real também.
Sei isto porque os meus sentidos mo mostram,
Embora com menos clareza que me mostram a pedra e a planta.
Não sei mais nada.
......
Sim, escrevo versos, e a pedra não escreve versos.
Sim, faço idéias sobre o mundo, e a planta nenhumas.
Mas é que as pedras não são poetas, são pedras;
E as plantas são plantas só, e não pensadores.
Tanto posso dizer que sou superior a elas por isto,
.......
Como que sou inferior.
Mas não digo isso: digo da pedra, "é uma pedra",
Digo da planta, "é uma planta",
Digo de mim, "sou eu".
E não digo mais nada. Que mais há a dizer?
Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Heterónimo de Fernando Pessoa
Nota: Morreu o sr. livros ou o sr. acontece. Adiante com esperança. Fica a memória de quem deu a ler e ensinou que há um universo imenso de leituras, contos, dramas, alegrias e tristezas. O tudo da vida na biblioteca da criatividade e do pensamento. Por isso, dedicamos este lindo poema de Alberto Caeiro a Carlos Pinto Coelho. Paz à sua alma.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Os Dez Mandamentos do Matrimónio.

1. Amarás nas suas quatro dimensões.
- Dimensão afectiva.
- Dimensão espiritual
- Dimensão da amizade.
- Dimensão sexual.
2. Respeitarás o teu conjugue.
O respeito perde-se:
- Pela palavra.
- Pelo silêncio (silêncios que matam)
- Pelos gestos: (quando se chega a gestos violentos, acaba-se o matrimónio).
3. Conversarás com o teu conjugue. Saber escutar e falar. Não é mera tagarelice, mas partilha de tudo o que há no interior.
4. Gastar-te-ás em detalhes para com o teu conjugue (essa flor, esse gesto, essa palavra que sabes que lhe agrada).
5. Cultivarás o sentido do humor. A vida não é uma comédia, mas também não é uma tragédia. É um drama, com coisas boas e más.
6. Oferecerás ao teu conjugue um dia de passeio por mês, a sós, sem os filhos.
7. Viverás o matrimónio não como uma meta, mas como um caminho. Se o consideras uma meta, é como dizer “já cheguei”, então já tudo terminou, canso-me, aborreço-me, apoltrono-me e termino com outra.
8. Não falarás das ofensas, defeitos e falhas a cada momento. O que passou, passou.
9. Saberás perdoar.
10. Confiarás no teu conjugue. Os ciúmes matam o matrimónio.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A Felicidade...Deus!

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Sorrir a um amigo
É sorrir com Deus.
Pensar em um companheiro
É estar com Deus.
..
Desejar falar com amigos
É conversar com Deus
Morar, passear, devanear
Só pode ser com Deus
...
Assim, teremos sempre a certeza
Que jamais estaremos perdidos,
Ausentes de companhias,
Longe de nossos entes queridos.
....
Simplesmente porque Deus é tudo!
É tudo isso e muito, muitooooo, mais!
Deus é a bondade estampada nos olhos
É a misericórdia dos Homens
.....
Então vamos sorrir!
Vamos cantar, brincar, amar
Por último, vamos rezar!
Porque se fizermos tudo isso sorrindo,
E de peito aberto, estaremos sim rezando!
Com Deus o tempo inteiro no coração!
In, recantodasletras.uol.com.br

A frase fundamental

D. João Miranda, bispo auxiliar do Porto, na homilia de 13 de Julho passado, em Fátima:
"Também para a Igreja é precisa uma Nova Ordem pastoral, que se exprima em acolhimento, respeito, desprendimento, mais partilha de bens, comunhão e paz, mais Palavra de Deus e menos ritos. A Igreja, nós, não podemos enredar-nos em pormenores, mas temos de atender as pessoas e não ter medo de anunciar um Evangelho difícil, mas que enche as medidas do coração."(…) ”

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Madeirenses vivem menos

Só nos faltava esta. Vivemos menos neste mundo que o resto do país....
Da Madeira sempre se disse, um cantinho do céu! - Pode ser que seja por isso que queremos ir mais cedo para lá... Também dizem, pela boca morre o peixe. Será que isso é a isca que nos leva a ter pressa para sair deste mundo?...
Tínhamos o melhor sistema de saúde do país. Quem pode foge daqui para tratar-se, vai ao continente português ou outros lugares consoante as suas possibilidades económicas. Os médicos são os primeiros, são vários os que dizem, que na Madeira nem para fazer análises se têm confiança.
Pergunta a fazer-se: quais serão as verdadeiras razões que levam os Madeirenses a viverem menos que no resto do nosso país? - Dramática. Mas, verdadeira esta questão.
JLR
Imagem em: www.rotasturisticas.com

domingo, 12 de dezembro de 2010

Carta ao Menino Jesus

A verdade do Natal está nesse mundo escondido, que quase ninguém se dá conta
Menino Jesus,
pensei comigo… Se algumas crianças por esta altura andam a escrever a sua carta ao Pai Natal, a figura recriada pela sociedade comercial e por este mundo mercantil em que nós vivemos, porque não posso eu escrever uma carta à pessoa que mais admiro, que sei ser o principal caminho de salvação e Aquele que preenche o sentido da minha vida em todas as dimensões?
Embora hoje esteja já fora de moda escrever cartas, porque as redes sociais da internet, os correios electrónicos e as mensagens de telemóvel roubaram-lhe todo o espaço. Face ao mundo novo da comunicação, a carta não tem simpatia, consome muito tempo face ao carácter instantâneo em que se tornou comunicar hoje pelos modernos meios de comunicação.
Menino Jesus, tenho pena de Te dizer isto, o Teu Natal continua envolto ainda em muita hipocrisia e falsidade. As palavras doces e bonitas que utilizamos neste tempo soam a falso. Porque servem para nos consolarmos uns aos outros agora, mas logo depois da festa tudo volta ao normal. Este é um dos aspectos graves que enfeitam o Teu Natal. Outro aspecto inquietante, está no facto de muitas vezes as pessoas pensarem coisas muito bonitas, com propósitos extraordinários, mas logo a seguir nada do que se pensa é levado à prática.
Como consequência deste pensamento, salta-nos uma imensidão de situações graves que afectam o nosso mundo, este mundo dos avanços científicos, este mundo da facilidade da comunicação, este mundo do desenvolvimento tecnológico, este mundo que dispensa Deus porque se sente capaz de solucionar por si, todos os problemas e dificuldades, esta sociedade que acha que pode tudo, onde os poderes públicos convivem em guerra constante com a natureza, as últimas ensinadelas sobre o mau tempo, pouco têm ensinado a quem devia aprender alguma coisa... São ribeiras de dinheiro engolidas pelo mar e poucos se importam com isso.
Porém, continua a ser bárbara a pobreza, a fome, o analfabetismo, o álcool, a droga, a guerra, a destruição da família, as mães destruídas, os filhos abandonados, a violência doméstica, a prostituição, a infidelidade, a hipocrisia das várias drogas, a irresponsabilidade no trabalho, a corrupção social e política, a doença Sida, as mortes nas nossas estradas, a indignidade a que se vota tanta gente por causa do dinheiro ou de vida fácil, a maldita crise, que se faz pretexto para sugar o que resta dos mesmos, os mais fracos ou indefesos. Tantas e tantas manchas que perturbam o nosso mundo e que não permitem que o Teu Natal seja verdadeiro para toda a humanidade.
Menino Jesus, a meu ver tudo isto ainda existe à nossa volta porque vivemos num ambiente geral de má vontade e de pouca aptidão para pensar no bem em favor de todos e não apenas para alguns. Por isso, deparamo-nos com discursos, conversas e diálogos muito bonitos e muito impressionantes emocionalmente, mas pouco eficazes quanto à prática e à acção que se desejaria. No silêncio da intimidade está outra gente anónima que ama radicalmente e sem condições, a não ser essa única condição, a do amor total pelos outros. A verdade do Natal está mesmo aí nesse mundo escondido, que quase ninguém se dá conta ou faz de conta que não existe. Os exemplos anónimos são aos milhares e tocam também a nossa alma dizendo, mesmo que seja baixinho, que o Teu Natal ainda tem brilho, muito brilho para muitos corações que se deixam enfeitar de amor, verdade, justiça e disponibilidade para servir os outros.
Menino Jesus ajuda-nos a fazer o melhor presépio no lugar mais adequado da nossa vida. Bom Natal para todos.
Carta publicada como texto de opinião no Diário de Notícias do Funchal, hoje, 12/12/2010.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Instale idosos nas prisões e os infractores em lares

Nota da redacção: texto recebido por mail. Não diz quem é o autor. Quem escreveu teve uma grande ideia e se levada a prática traria grandes benefícios para a nossa sociedade. Pessoalmente, só acrescento que aos presos não se tirasse tudo o que lhes dão, mas que aos nossos idosos fossem dadas todas estas condições e outras adaptadas às suas necessidades motoras. Se é belo o sorriso da criança quando está satisfeita, como é igualmente belo o sorriso do idoso, porque lhe fizemos corresponder qualquer sinal cheio de carinho e amor...
Deste modo, os nossos idosos têm acesso a um chuveiro, passeios, medicamentos, exames odontológicos e médicos regulares.
Poderão:
Receber cadeiras de rodas, etc.
Receber dinheiro em vez de pagar o seu alojamento.
Ter direito a vídeo vigilância contínua, permitindo que imediatamente receba assistência após uma queda ou outra emergência.
Ter limpeza do quarto, pelo menos duas vezes por semana, roupas lavadas e passadas regularmente.
Ter a visita de um guarda a cada 20 minutos e podem receber refeições directamente no seu quarto.
Ter um lugar especial para atender a família.
Ter acesso a uma biblioteca, sala de ginástica, fisioterapia e assistência espiritual, bem como a piscina e até mesmo ensino gratuito.
Ter pijamas, sapatos, chinelos e assistência jurídica gratuita, mediante pedido.
Ter quarto, casa de banho e segurança para todos, com um pátio de exercícios, rodeado por um belo jardim.
Deste modo cada idoso teria direito a um computador, rádio e televisão.
Teria um "conselho" para ouvir denúncias e, além disso, os guardas terão um código de conduta a ser respeitado!
Agora vem o pensamento:
Politicamente é correcto dar condições de existência digna a todos, mesmo aos reclusos.
Agora, o que não é admissível é a inversão dos valores em que se assiste à defesa dos mais fortes contra o desleixo em relação aos que não se conseguem defender, como é o caso dos idosos e doentes.
Além do mais, é imoral que a sociedade se preocupe mais com aqueles que a não respeitam, que a atacam a cada dia e que a subvertem.
Que tal se sentem os que passaram uma vida a trabalhar para receberem umas migalhas em troca, na sua velhice e sejam atacados directamente por aqueles a quem têm de sustentar???
A vida não é justa... mas não é necessário exagerar …

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Nobre conselho

Tudo o que o meu pai me disse quando, aos 15 anos, declarei em família que iria começar a escrever poesia
«Antes
de te sentares
à mesa
lava bem
essas mãos.»
Luís Filipe Parrado

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Comentário à Missa do Próximo Domingo

Domingo III Tempo do Advento
12 de Dezembro de 2010
Jesus elogia João Baptista
Nesta quadra de Natal, apesar de tudo, não nos falta nada de bens materiais, sempre aparece algum dinheiro para gastar no que é necessário e no que é menos necessário, porque todos temos um pouco esta avidez para procurar sempre mais do que aquilo que necessitamos. O nosso tempo oferece-nos uma mão cheia de tantas diversões quer através da música, quer através da televisão, quer através dos bares e parques de diversão para a noite e para o dia, temos uma grande variedade de lojas, supermercados, centros comerciais. Muita variedade de desporto, muitas festas, tanta e tanta coisa, que nem sempre temos tempo para vencer e alcançar todas essas coisas que a sociedade nos oferece.
Ora é perante esta abundância que salta o elogio de Jesus ao seu primo João Baptista: «Que fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento? Então que fostes ver? Um homem vestido com roupas delicadas? Mas aqueles que usam roupas delicadas encontram-se nos palácios dos reis. Que fostes ver então? Um profeta? Eu vo-lo digo - e mais que profeta»... «Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, para te preparar o caminho. Em verdade vos digo: Entre os filhos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Baptista. Mas o menor no reino dos Céus é maior do que ele». Muito interessantes estas palavras de Jesus relativamente à pessoa e a acção de João Baptista.
Então, vamos destacar a sobriedade, a pobreza e a simplicidade de João Baptista, tão elogiadas por Jesus. Não podemos negar que felizmente vivemos num meio onde a abundância é uma realidade que nos oferece um certo bem-estar e que nos proporciona uma vida feliz. Porém, não quer dizer que a abundância e a variedade das propostas sejam suficientes para estarmos completos por dentro nem quer dizer que tenhamos já encontrado o sentido autêntico para a nossa vida.
O que fazer para que o desespero não seja uma realidade dentro da nossa casa e dentro do nosso coração? - João Baptista aponta-nos um caminho claro e radical para que a nossa vida se transforme totalmente. Quer dizer que não basta ter coisas para ser feliz, é necessário encontrar um caminho que nos realize como pessoas autênticas, isto é, pessoas que não se deixam desanimar nem conduzir para o abismo da ausência de sentido.
Esta visão nova da partilha e do sentido verdadeiro das coisas é fundamental para o nosso tempo. Todos nós somos rápidos para rezar, cantar, fazer festa, mas, quando se trata de pôr à disposição dos irmãos os bens que possuímos… todos os nossos entusiasmos religiosos se desvanecem de repente. Ter uma vida religiosa não é nada difícil e quase todos a têm, uns com mais intensidade, outros com menos, todos têm um pouco dentro de si esse apelo para o religioso. No entanto, provavelmente, já serão poucos, aqueles que têm uma consciência bem vincada com o equilíbrio da espiritualidade e a vida concreta do dia a dia.
João Baptista é um exemplo nesse aspecto do desprendimento e no aspecto da coragem profética, emerge com voz segura perante os poderosos («raça de víboras», chama aos fariseus) e interpela sem medo a infidelidade de Herodes (facto que lhe custará a cabeça num prato. É este homem que Jesus admira e enaltece como o maior dos profetas, assim, seguiremos a palavra de São Tiago: «tomai como modelos de sofrimento e de paciência os profetas, que falaram em nome do Senhor». Que o Natal renove em todos nós estes nobres pensamentos e exemplos.
JLR

A ironia ensina a ler a realidade

Nota: ao tempo que se chegou... Curta e muito actual.
A avó diz à neta:
- Eu, com a tua idade já trabalhava. A neta responde:
- Eu, com a tua idade vou estar a trabalhar...
Recebido por mail... de um amigo.
Imagem de: O OLHAR DO SÉCULO XX SOBRE O SÉCULO XXI.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A IMACULADA CONCEICÃO

Este soneto de Camões é verdadeiramente uma homenagem «À Conceição da Virgem Imaculada». O seu estilo inconfundível não deixa margem para dúvidas: lá estão os jogos de palavras e os paradoxos da tradição cortesã. O poema deve assentar num hino mariano.
....
Para se namorar do que criou,
Te fez Deus, sacra Fénix, Virgem pura.
Vede que tal seria esta feitura
Que para si o seu Feitor guardou!
....
No seu alto conceito Te formou
Primeiro que a primeira criatura,
Para que única fosse a compostura
Que de tão longo tempo se estudou.
....
Não sei se digo em tudo quanto baste
Para exprimir as raras qualidades
Que quis criar em Ti quem Tu criaste.
....
És Filha, és Mãe e Esposa: e se alcançaste,
Uma só, três tão altas qualidades,
Foi porque a Três de Um só tanto agradaste.
.... Notas Fénix – significa aqui certamente a participação da Virgem Maria na redenção, que implica uma passagem da morte à vida Feitura, Feitor – criatura, Criador Filha, Mãe, Esposa - diz-se da Virgem Maria que é Filha de Deus Pai, Mãe de Deus Filho e Esposa de Deus Espírito Santo«A Três de Um só» – a três Pessoas de um só Deus
.........................
Na edição da obra poética de Bocage, «À puríssima Conceição de Nossa Senhora» é sexto poema dos «Idílios e Cantatas». Compõe-se ele duma visão introdutória, de raiz neoclássica, em que Elmano assiste à vitória da nova Eva sobre o Dragão infernal, e de um outro poema, em redondilha menor, que complementa a visão, e que é sem dúvida tradução/adaptação dum hino mariano.
....
Que espectáculo, ó céus! Eu velo?... Eu sonho?...
Que diviso!... Onde estou!... Purpúrea nuvem
Ante os olhos atónitos me ondeia
E chuveiros de luz despede à terra!
....
Mais bela que o fulgor que ao sol percorre,
Alta matrona augusta,
Do vapor luminoso
Que os Zéfiros detêm nas ténues plumas,
Quão risonha contempla o baixo mundo!
....
Áureas estrelas congregadas brilham
No rútilo diadema
Que a fronte majestosa Lhe guarnece;
Áureas estrelas semeadas brilham
Nas roçagantes vestes,
Cor do estivo clarão que filtra os ares!
....
De alados génios cândida falange
Reverente A ladeia,
E pelas níveas dextras balançados,
Pingue, flagrante aroma, em honra à diva,
Os fumosos turíbulos derretem…
....
Mas que feroz dragão lhes jaz às plantas,
Sangue a boca medonha, os olhos fogo!...
....
Rábido arqueja, túmido sibila,
Baldadas forças prova
Contra o pé melindroso
No colo inerme, a cerviz calcada,
Que rubras conchas escabrosas forram:
Enrosca, desenrosca a negra cauda,
E em hórridos arrancos desfalece…
....
Oh triunfo! Oh mistério! Oh maravilha!
Oh celeste heroína! A sacra turma,
Os entes imortais que Te rodeiam
Modulam tua glória em altos hinos
Que entre perfumes para os astros voam… ....
Eis no leito arenoso as vagas dormem,
Rasas cedendo à música divina:
Pio ardor pelas fibras me serpeia
E encurvado repito os santos versos:
....
Ó Virgem formosa
Que domas o Inferno
Criou-Te ab aeterno
Quem tudo criou.
....
Ilesa notaste
Do mundo o naufrágio,
Da culpa o contágio
Por ti não lavrou.
....
Nas tuas virgíneas Entranhas sagradas,
Do Céu fecundadas
O Verbo encarnou.
....
A grande vitória
Do género humano
Contra este tirano
De Ti começou.
....
Depois de lograres
Triunfo completo,
Cumprido o projecto
Que o Céu meditou,
.... Cresceram nos astros
Os vivas e os cantos,
E as fúrias, os prantos
O abismo dobrou.
....
Ó Virgem formosa
Que domas o Inferno
Criou-Te ab aeterno
Quem tudo criou.
Bocage
In blog: http://alexandrinabalasar.free.fr/8_dezembro_2005.htm

Advento 2010

Dá-nos Senhor, neste Advento, a coragem dos recomeços.
Não nos deixes acomodar ao saber daquilo que foi:
dá-nos largueza de coração para abraçar aquilo que é.
Afasta-nos do repetido, do juízo mecânico que banaliza a história,
pois a priva de surpresa e de esperança.
Torna-nos atónitos como os seres que florescem.
Torna-nos inacabados como quem deseja.
Torna-nos atentos como quem cuida.
Torna-nos confiantes como os que se atrevem
a olhar tudo, e a si mesmos, de novo
pela primeira vez.
Desenho: Rui Aleixo
Texto: José Tolentino Mendonça
Comunidade da Capela do Rato, Lisboa

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Morreu Virgílio Teixeira

Virgílio Teixeira faleceu ontem à noite no Hospital João de Almada. Nascido a 16 de Outubro de 1917, o actor madeirense morreu aos 93 anos, vítima de doença prolongada.Virgílio Teixeira estava internado há vários meses, tendo acabado por falecer ontem ao início da noite. Com uma longa carreira no cinema, foi o mais internacional dos actores madeirenses, tendo fechado o ciclo com a participação em 2007 na curta-metragem 'As Memórias que Nunca se Apagam'. Começou a carreira em 1943 com a participação em 'Ave de Arribação' e 'O Costa do Castelo'. Participou em diversas películas, em Portugal, em Espanha e nos Estados Unidos. Ao todo participou em 84 produções.
Texto e Imagem DNotícias do Funchal

OLÁ, E FELIZ DIA!

Quando te levantas-te, pela manhã, EU já tinha preparado o sol, para aquecer o teu dia, e o alimento, para a tua nutrição. Sim, EU preparei tudo isso enquanto vigiava o teu sono, a tua familia, e a tua casa. Esperei pelo teu "Bom Dia", mas esqueceste-te!...
Bem... parecias ter tanta pressa! EU PERDOEI!...
O Sol apareceu, as flores deram o seu perfume, a brisa da manhã acompanhou-te, e Tu nem pensaste que fui EU que preparei tudo para Ti. Os teus familiares sorriam, os teus colegas cumprimentavam-te. Trabalhas-te, estudaste, viajaste,realizaste negócios, alcançantes vitórias, mas... não percebes-te que EU estava cooperando Contigo e, mais teria feito, se ME tivesses pedido?!
EU sei, corres tanto... EU PERDOEI !...
Leste bastante, ouvistes e viste muita coisa, mas não tiveste tempo de ler a Minha Palavra. Quis falar Contigo, mas não paraste para ouvir. Quis aconselhar-te, mas nem pensaste nessa possibilidade... Se Me ouvisses, tudo seria melhor na tua vida. Mais uma vez Te esqueces-te de MIM...
Esqueceste-te que EU desejo a tua participação no Meu Reino, com a tua vida, o teu tempo e os teus talentos! Findou o teu dia! Voltas-te para casa! Mandei a Lua e as Estrelas tornarem a noite mais bonita, para Te lembrar o amor que tenho por Ti!
Certamente, agora, vais ME dizer: - "OBRIGADO" e "BOA NOITE"!
Psitt... Psitt... estás a ouvir? Que pena... Já adormeces-te! Boa Noite.
Dorme bem. EU fico a velar por Ti!
E quando, enfim, quiseres saber quem sou, pergunta ao riacho que murmura e ao pássaro que canta, à flor que desabrocha e a estrela que centila, a criança que espera e ao velho que recorda... Chamo-ME, AMOR, o remédio para todos os males que te atormentam o espiríto: EU SOU JESUS!!!
Autor desconhecido
Nota da redacção: Quantas mulheres e quantos homens deste mundo poderiam fazer este desabafo. A pressa desta vida faz esquecer ou votar ao anonimato muitos. Essa azáfama faz tanto mal que produz uma multidão imensa de infelizes e isso é muito mau para a vida saudável e para que as nossas famílias não sejam verdadeiros lugares de paz e de harmonia... Faz pensar imenso este texto...

domingo, 5 de dezembro de 2010

Vale a pena sonhar perante o sonho dos gigantes de Deus

«Com este Domingo começa a segunda etapa da peregrinação ao Presépio, ao lugar dos sonhos. Quem tiver uma Bíblia à mão vá ler os versículos 1 a 10 do capítulo onze de Isaías. Deixo, aqui, apenas um fragmento: (…) O lobo viverá com o cordeiro e a pantera dormirá com o cabrito; o bezerro e o leãozinho andarão juntos e um menino os poderá conduzir. A vitela e a ursa pastarão juntas, as suas crias dormirão lado a lado; o leão comerá feno como o boi. A criança de leite brincará junto ao ninho da cobra e o menino meterá a mão na toca da víbora. Não mais praticarão o mal nem a destruição em todo o meu santo monte: o conhecimento do Senhor encherá o país como as águas enchem o leito do mar.
Quem quiser fazer uma peregrinação à sua vida interior encontrará, como diz S. João da Cruz num poema imortal, “A fonte que mana e corre,/ Embora seja noite./ Aquela eterna fonte não a vê ninguém/ E bem sei onde é e donde vem,/ Embora seja noite”. No desprendimento, na frugalidade, na sobriedade, encontrará uma fonte de partilha com todos os aflitos. A peregrinação à fonte, em Gandhi, em Lanza del Vasto, em Francisco de Assis, em todos os místicos é uma peregrinação de desprendimento e de iluminação interior. Sem ela andamos com os sonhos trocados. Queremos a salvação naquilo que nos perde de nós, dos outros, da natureza e de Deus».
Bento Domingues, in Público, 05-12-2010

sábado, 4 de dezembro de 2010

Anedota - Rir faz sempre bem e quando se aprende melhor

Estavam dois malucos a combinar como
deviam sair do manicómio:
- Então e assim, temos duas opções:
se o muro do manicómio for alto nós escavamos e fugimos por baixo;
se o muro for baixo nós saltamos o muro.
Vai verificar a altura do muro.
Pouco depois:
- Estamos tramados To.
- Então porquê?
- O manicómio não tem muro!
Nota: O que se aprende com esta anedota? - Muito, estamos encurralados com imensos muros e a maluqueira do calar e da subserviência remete-nos à prisão do medo, do egoísmo e do comodismo. É isso que os poderosos querem. Afinal, tantos muros são apenas fruto da loucura geral da sociedade e resultado da imposição dos dominadores. Se todos quisessem o mundo seria afinal um lugar muito bom para se viver e não o manicómio que alguns, os ditos eleitos, edificam para todos.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Morre lentamente...

"Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.
::
Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.
::
Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere O "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
::
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
::
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da
Chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.
::
Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!»
Pablo Neruda
Gradeço muito à pessoa amiga que me enviou este texto belíssimo de Pablo Neruda. Nele revejo-me em absoluto. Obrigado
Imagem em: mariahhernack.blogspot.com

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Comentário à Missa do Próximo Domingo

Domingo II do Advento
5 de Dezembro de 2010
Isaías e João Baptista
Não pode-mos entender somente a religião como algo de fachada que só serve quando nos convém socialmente. Jesus, que nasce num lugar concreto vem dizer-nos que a verdade da religião radica no coração de cada um e deve cada um abrir-se à vivência diária dessa proposta que Jesus nos faz e que acolhemos com a melhor das nossas intenções.
Deste modo, não vale ser muito religioso dentro da Igreja e quando se reza, e na vida concreta ser irresponsável e indiferente às circunstâncias que nos rodeiam. Uma pessoa que procura ser praticante da sua religião, mas que é incapaz de ser sério no seu trabalho, incapaz de assumir a sua vida familiar, incapaz de se manter fiel aos compromissos, incapaz de ajudar um irmão, incapaz de viver o sentido da justiça fraterna, incapaz de promover a paz à sua volta… não podemos dizer que esta pessoa vive com verdade a sua religiosidade. Quem não for capaz de mediante a sua escolha religiosa manter e fazer surgir a paz, o amor e a partilha onde quer que haja egoísmo e injustiça, não vive de acordo com a religião encarnada na vida concreta que Jesus nos propõe.
Os profetas Isaías e João Baptista são um sinal muito forte de que Deus nunca se esquece da humanidade e que apenas aguarda por uma ocasião propícia para fazer acontecer a sua vontade. João é aquele que vem à frente proclamar a chegada do Messias. Este é aquele de quem diz o profeta Isaías o seguinte: «Uma voz clama no deserto: ‘preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas; e toda a criatura verá a salvação de Deus».
Tudo começa no deserto, esse lugar sem sentido, porque faz abundar a fome e a sede, mas também pode ser um lugar de discernimento da luz de Deus, que convida para a acção e nos revela caminhos para a vida. Os desertos actuais, são os lugares da doença, do egoísmo, do ódio, da guerra, dos vícios, que provocam sofrimento, dor e abandono. Estas são as farturas geradas pela frieza do coração humano. Mas nesses momentos de deserto, que ninguém está livre de atravessar, pode em qualquer momento descobrir a presença afectiva de Deus que propõe outro modo de vida e outros caminhos que nos conduzam à felicidade.

JLR

Imagem de João Baptista em: visaobiblicablog.blogspot.com
Imagem de Isaías em: lauriete2010.blogspot.com