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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Curioso convite do Papa Bento XVI

A convite de Bento XVI, esteve presente em Assis, em 27 de Outubro último, a psicanalista Julian Kristeva, a qual representou os descrentes naquela assembleia de gente crente.
Há uns anos, precisamente a 19 de Março de 2006, Kristeva “pregou” uma das conferências quaresmais, em Notre Dame de Paris, apresentando-se nestes termos:
“Têm diante de vós, minhas senhoras e meus senhores, uma mulher descrente – psicanalista, professora, escritora – persuadida de que o “génio do cristianismo” introduziu e continua a difundir inovações radicais na experiência religiosa (…) Damo-nos conta de que o humanismo cristão, quando não se fecha no dolorismo, prepara o crente a reconhecer o facto do sofrimento, em ordem a melhor partilhar os combates políticos dos que se encontram em situação de sofrimento” (J. Kristeva, Cet incroyable besoin de croire, Paris, Bayard, 2007, ps 160, 167).
Sem complexos nem receios, os convictos de razões cristãs não se colocam à parte, como grupo pio; com o à vontade próprio dessas razões, dão as mãos a outros(as), cujas vidas estão ameaçadas de ruína.
O que tocou Kristeva, de olhos abertos ao fenómeno da crença, foi a sua experiência comum dos limites e injustiças de gente à sua volta, por motivos da “compaixão” (ou seja, do sofrimento com os sofredores). A lucidez cristã conduz a esta profanidade; a racionalidade é um passaporte para o universal.
Nada nos diferencia, senão os motivos doutrinais. Encontrámo-nos, em coro comum, cantando o desejo do sofrimento ser vencido, tal a paixão que os desastres das vítimas em nós provocaram!
Quem é Julian? - Julian Kristeva, psicanalista, romancista e filósofa búlgara-francesa, publicou em italiano “Bisogno di credere” (“Necessidade de crer”) (Ed. Donzelli), um texto em que, mesmo sem renunciar às suas convicções filhas do Iluminismo, confronta-se com o universo da fé, e “Teresa mon amour. Santa Teresa d'Avila: l'estasi come un romanzo” (Ed. Donzelli), obra entre romance e ensaio, que analisa a personalidade e os escritos da santa espanhola do século XVI.
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Nota: que pensarão alguns hierarcas das nossas praças desta ousadia do Papa Bento XVI... Quando se vê que algumas iniciativas só apresentam pessoas com determinada tendência direitista e que a reflexão em nada se desvie do pensamento que desejam propalar. Muitas vezes há coisas que não passam de pura propaganda e isso é grave. Esta inciativa do Papa em abrir o diálogo para fronteiras inesperadas é curioso e muito interessante. Que sirva de exemplo. Que faça pensar muito boa gente que defende o puritanismo do pensamento único dentro e fora da Igreja Católica.

1 comentário:

José Ângelo Gonçalves de Paulos disse...

Padre José Luis este Papa é um pensador, um teólogo diferente de João Paulo II que apesar de ter muitas coisas bonitas no seu Pontificado, mas exerceu na Igreja Católica um certo pensamento monolítico sobretudo indo muito atrás da Igreja Polaca.Mas a da Madeira (Igreja) não difere muito desta. Vive um pietismo horroroso de procissões, rezas e encontros Os os seus acólitossão de determinada tedência politica exageradamente de direita. Ninguém da esquerda é chamado a colaborar com a igreja madeirense sóos filo-governamentais.