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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Semana dos Seminários

Mais um tempo para rezar e pedir dinheiro... A vontade é pouca de o fazer, tendo em conta a pobreza intelectual e espiritual em que se reduziram os Seminários Diocesanos. São viveiros de formação de carreiristas, hierarcas que idolatram o Papa e os bispos. Temo que Jesus Cristo e o Evangelho estejam remetidos para as calendas. A Primeira e última palavra que conta é a da hierarquia, sem reflexão, mas fixação cega sem que se questione nada. Longe vão os tempos em que o Seminário ensinava a Bíblia numa mão e o jornal na outra (cuidado nada de confusões em relação ao Jornal da Madeira, aqui a palavra jornal tem um sentido abrangente). Há uma pobreza muito grande em termos intelectuais, o que nos revela uma forte contradição, em relação ao actual Papa que é um teológo e um filósofo.
Os Seminários empobreceram porque nos seus comandos não se colocaram os mais qualificados. Face ao medo da mudança e fixados no pensamento único, toca a garantir que a formação será feita com um sentido único, o sentido do funcionalismo puro e duro. Então é a forte componente de «funcionários de Deus» que prevalece.
Hoje, é para todos os efeitos, inaceitável a distância que o padre fazia questão de demarcar em relação às pessoas, como se fosse um extra terrestre diferente de todos os outros mortais. Os apelos à mudança da vida do padre são muito grandes, porém, por detrás dessas investidas ainda prevalece uma certa mentalidade hipócrita, algum sarcasmo e uma teimosia arrogante que nos conduz para a incerteza em relação ao futuro.
A vida do padre, o que é afinal? – É uma forma de ser cristão. Claramente, podíamos responder assim. No entanto, tal resposta levanta muitas e variadas questões que inquietam muita gente na Igreja e fora dela. A vida do padre, é uma forma de ser cristão, que implica assumir verdadeiramente o Evangelho de Jesus Cristo, mediante o acolhimento da palavra do amor e da misericórdia. A oração e a espiritualidade são sinais que identificam a vida do padre e que devem ser uma constante em toda a sua vida. O padre, é um homem encarnado que faz seus os problemas da gente com quem vive, que é capaz de ler, interpretar, discernir a realidade na qual se encontra imerso.
Muito mal andamos nós se o padre não se encontra com as pessoas, que assume uma timidez que o algema ao pensamento único e à sua pseudo autoridade sem nexo nenhuma numa Igreja onde a fraternidade deverá ser o princípio essencial da vida.
O padre, é um homem livre, livre de grupos de pressão, sem comodismos e que não se deixa atar por nenhuma ideologia. Um cristão que não seja o centro da comunidade, como muitas vezes acontece. O padre, é um servidor e guia que dá a vida pelos outros, impulsionando todos os membros da comunidade ao compromisso segundo a vocação de cada um. Todos são o círculo à volta de um centro que é a pessoa de Cristo.
Porque nesta semana se falará de Seminários, não seria interessante, não ficarmos só pelos apelos à oração e pela recolha monetária do peditório dominical pelas missas? – Não deveria ser também útil, juntarmo-nos com verdadeiro sentido de Igreja e promover um diálogo sério, sem medo e sem preconceitos sobre a vida do padre? – Que modelo de vida de padre andamos nós a propor aos jovens de hoje? – O que falta a cada um de nós para que a vida do padre seja mais cativante e sedutora? – Questões que deixo em aberto para reflexão dos padres e dos leigos.
JLR

5 comentários:

José Ângelo Gonçalves de Paulos disse...

Pe. José Luis não digo nada. Apoio-o cem por cento. M~
ao quero estragar o texto com comentários qu eu faça e que podem estragar- Só lhe digo: Que grande CORAGEM!

Tiago Silva disse...

Ora aqui está uma boa forma de estar agradecido à casa que o fez um homem! Padre, em nome do Senhor que seguimos, pense bem no que diz antes de escrever. E já agora, reze pelos seminários, antes de atirar pedras...
Não precisamos de lobos mascarados de pastores, obrigado!

José Luís Rodrigues disse...

Tiago, é verdade pode ver nesse prisma. Porém, lamento que não tenha percebido o texto e que não tenha capacidade para ler a realidade dos nossos dias. Quanto à gratidão, o Seminário deu-me cerca de 10 anos de formação, em amabiente completamnete diferente do actual, graças a Deus... Mas, lembre-se que já dei à Igreja 15 anos da minha vida, e por sinal nas melhores condições físicas e de saúde. Veja bem quem é que tem que agradecer mais a quem. Por fim, não rotule para que isso não mine o debate. Abraço

Leonel Santiago disse...

«São viveiros de formação de carreiristas, hierarcas que idolatram o Papa e os bispos. Temo que Jesus Cristo e o Evangelho estejam remetidos para as calendas. A Primeira e última palavra que conta é a da hierarquia, sem reflexão, mas fixação cega sem que se questione nada.»
Admiro a forma fantástica como o senhor, sem me conhecer de lado nenhum, me rotula, julga e faz um juízo de valor sobre a minha pessoa, a minha forma de ser cristão. O senhor diz ao Tiago que não rotule para não minar o debate. Pois bem, se calhar deveria o senhor começar por não rotular - e ofender - aqueles que estão nos seminários, que em pleno séc. XXI, perante tantas adversidades se dispõem a seguir o Senhor nesta forma de vida tão radical. Precisamos - preciso - de quem nos ajude. Quem deite abaixo, já temos que chegue. Às vezes pergunto-me se vale a pena seguir este caminho, quando são os que "estão dentro" os primeiros a deitar-me abaixo. Não digo com isto que não se possa refletir, discutir quer a formação, quer o papel do padre hoje. A sua forma - o insulto - é que acho que não leva a lado nenhum.
Acredito que não tenha sido a sua intenção insultar ninguém, presumo isso à partida, nem tratar de forma tão simplista uma questão e um tema tão importante e sensível. Peço-lhe é que reflita. Ao fazer as afirmações que faz, da forma que faz, está a atingir pessoas concretas, e a meter tudo no mesmo saco, sem distinguir. Ensinou-me um professor de filosofia - sim porque apesar do o senhor diz nós até estudamos - que quem não distingue confunde.
Rezo por si, pelo seu ministério, peço-lhe que reze por mim, pela minha formação, para que possa vir a ser um verdadeiro pastor, à imagem de Cristo que dá vida pelas suas ovelhas, mesmo apesar de todas as minhas debilidades.

José Luís Rodrigues disse...

Leonel, pode contar com a minha oração. Um abraço e desejo-lhe as melhores felicidades na sua caminhada rumo ao sacerdócio. Mais ainda me alegro que a minha reflexão o tenha feito pensar, objectivo conseguido e ainda bem que não concorda em nada com ela. É na diversidade de pontos de vista que se cresce. Obviamente, que a minha reflexão pode pecar pela generalização que faz, mas como podia ser de outra forma, acharia desejável que referisse exemplos concretos? - Penso que não seria esse o caminho. De qualquer forma agradeço muito o seu contributo e adiante com a missão ao serviço da causa maior da nossa vida: o Evangelho de Jesus Cristo. Disponha sempre.