Convite a quem nos visita

sábado, 30 de maio de 2015

Regresso ao silêncio

Para o fim de semana. Sejam felizes sem prejudicar ninguém.
No silêncio que nos deram
em pedaços sentidos
de solidão cortaram
a intermitência da morte
que a sangue frio
alguns pararam para sempre
o sonho e a visão.

Mas, porém, ressuscitaram
as palavras que ditas pelo eco
do mundo romperam amorosamente
as paredes grossas da tristeza
cimentadas na injustiça cerce
do pensamento tenebroso
deste caminho que nos leva até ao fim
das mãos.

Logo depois fiquei inerte no cimo
do abismo das rochas emparelhadas
nos poios artisticamente edificados
pelos vales e pelos lombos em courelas
que se despegam das achadas vermelhas
testemunhadas pelo fruto dos pomares
das cerejeiras novas e velhas.

Finda esta lembrança singela
outros cortaram cerce a escuridão
e porque enxuto o momento triste
nasceu a tempo o centro e o mundo.
José Luís Rodrigues

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Dez coisas que não sabíamos sobre o Papa Francisco contadas por ele mesmo

Podem ler AQUI....
Porém, o que me encanta mais ainda é o seguinte: 
- «Isso, sim, adoro, a tranquilidade de caminhar pelas ruas. Ou ir a uma 'pizzaria' comer uma boa 'pizza'».
- «Eu sempre fui vadio. A cidade encanta-me, sou cidadão de alma. No campo, não conseguiria viver».
- Admite que «é verdade» que no Vaticano tem «a alcunha de indisciplinado», porque «não segue muito» o protocolo.
- O papa admite que o comovem «profundamente» e lhe provocam «pranto interior os dramas humanos, como os das crianças doentes e os das pessoas privadas de liberdade». 

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Herdeiros do mistério de Deus trinitário

Comentário à missa do domingo da Santíssimo Trindade, 31 de maio de 2015
Quem é a santíssima Trindade? - Quando falamos da Santíssima Trindade, é do nosso Deus que falamos. E quer dizer essencialmente «três». O Deus dos cristãos é trinitário, isto é, constituído por três pessoas: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. O Deus Filho, é o Deus enviado pelo Pai, re-vela o Pai plenamente e envia o Espírito Santo, que é o resultado do amor entre o Pai e o Filho. Isto é, mostra-nos o rosto verdadeiro do Pai. Um Pai amoroso que não desiste de salvar toda a humanidade (podemos lembrar aqui a famosa Parábola do Filho Pródigo).
O Filho foi enviado pelo Pai para anunciar a Boa Nova da justiça ou da salvação de toda a humanidade, Ele é o rosto visível do amor que informa a Trindade. Será da boca do Filho que recebemos a promessa do envio do Espírito Santo, o outro Deus da Trindade. Nesta realidade misteriosa somos tudo com todos, porque «ninguém está apenas para si no mundo, está nele também para todos os outros» (Gregório de Nazianzeno).
Este Deus, o Espírito Santo, é Aquele que vem depois de Jesus para acompanhar todas as Ações humanas em favor da causa de Deus. Ele é o Espírito da verdade e da justiça. Ele nos guiará para a verdade plena. Porque o Espírito Santo pode ser definido como aquele que unifica as três pessoas da Trindade, Ele é o nome do amor de Deus. Um caminho que segundo Santo Agostinho se traduz desta forma: «O caminho é estreito e difícil para aquele que caminha por ele com pena de si e tristeza; porém é largo e fácil para aquele que caminha com amor».
Mas, nunca serão os pensamentos e as palavras humanas que traduzirão este mistério. Porque a Santíssima Trindade, é o nosso Deus. E se falamos de Deus, falamos de um grande mistério. Um mistério, que nos acompanha e abraça constantemente em todos os momentos da vida. Todas as tentativas para açambarcar este absoluto, redundaram em asneira terrível contra quem experimentou essas investidas. Este Deus é e basta. Já Moisés desejou uma definição concreta, mas não a teve. Basta o mistério e a definição indefinida, «o Eu sou Aquele que sou envia-te…». Face a esta vontade de Deus, contemplemos o mistério e deixemos a nossa vida mergulhar neste mistério indizível, único que nos é dado acolher.
Conta-se que alguém ao passear sobre um caminho de muita poeira reparou que se formavam atrás de si dois pares de pegadas na poeira, mas, nalguns momentos reparou que estavam atrás de si apenas um par de pegadas. Na sua oração, confidenciou esse episódio da sua vida a Deus. Deus respondeu-lhe que um dos pares de pegadas era Dele que o acompanhava sempre. Mas esta pessoa diz a Deus: «Mas para onde foste quando eu mais precisava de ti»? Porque, o segundo par de pegadas desaparecia quando ele sentia mais dificuldades e quando tinha mais problemas na sua vida. Deus respondeu-lhe: «Nessas ocasiões, Eu carrego-te ao colo»!
Deus é essa realidade que está sempre presente e que nos carrega ao colo quando as contingências da poeira da vida se tornam mais difíceis de suportar. É este Deus que nos desafia fortemente e constantemente para que se inflame a construção da vida à nossa volta, «se fores quilo que Deus quer, colocarás fogo no mundo», dizia Santa Catarina de Sena e São Francisco de Assis, concretizou, «onde há caridade e sabedoria, não há medo nem ignorância».
E são Basílio deixou bem claro que não existe outro Deus, senão esse que se traduz na prática da vida e na realidade concreta do caminho. Diz assim: «Pertence aquele que tem fome o pão que tu guardas; àquele que está nu a capa que tu conservas nos teus guarda-vestidos; àquele que está descalço, os sapatos que apodrecem em tua casa; ao pobre o dinheiro que tu tens guardado. Assim tu cometes tantas injustiças quantas as pessoas às quais poderias dar». Um pouco duro e inquietante. O Deus misterioso desafia-nos à prática da partilha todos os dias da nossa vida e a lutar por um mundo mais justo e fraterno.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Gestos exemplares

E como precisamos deles...
A vida é cheia de gestos belos, de atitudes extraordinárias, de factos singulares, muitas vezes pouco visíveis, porque cobertos por outras coisas sem valor, sem interesse.
Eis um exemplo insólito e digno de ser repassado como lição.
Aconteceu na Holanda, num jogo de futebol entre o Ajax equipado de vermelho e outra equipa de amarelo.
Um jogador do Ajax escorregou e ficou caído no chão. Um dos jogadores da equipa adversária atirou a bola para fora, para que o jogador magoado fosse atendido.
Quando o jogador foi recuperado, o lançamento da bola pertenceu ao Ajax. E como manda o desportivismo, um jogador desta equipa chutou a bola para o campo adversário. Só que o fez desajeitadamente e, sem querer, acabou por meter um golo.
Perante isto, todos os jogadores, incluindo o que fez o golo, ficaram atrapalhados. Mas o árbitro considerou o golo válido.
A bola voltou ao centro e o jogo prosseguiu com aquele resultado injusto. Em poucos momentos, os jogadores do Ajax, com admirável espírito desportivo (pouco se vê) tomaram rapidamente uma resolução: ficarem todos quietos para permitir à equipa adversária – os de amarelo – fizessem eles também um golo para repor a justiça no resultado.
Impressionante o sentido de justiça do Ajax e o bom entendimento de toda a equipa para que nenhum se movimentasse. Eles queriam ganhar, mas a vitória teria de ser “limpa e justa”.
Vale a pena divulgar este exemplo para que chegue a muita gente: às famílias, às escolas, às empresas, às igrejas, aos tribunais, etc..
Todos precisamos de aprender com exemplos de honestidade, mesmo que venham dos nossos adversários.
É bom saber ganhar, como é bom saber perder.
Mário Salgueirinho

sábado, 23 de maio de 2015

Fogo da palavra

Para o nosso fim de semana. Sejam felizes sempre sem prejudicar ninguém.
O espírito que não se vê
pinta os sons e a paisagem
nos tons multiformes das cores
que se inspira no quadro
dos campos onde caíram
todas as sementes do amor
cuja propriedade da terra
ofereceu para nós a estética das flores.

O espírito que não se ouve
faz ecoar a poesia da fé
que ressoa firme harmoniosa
pela sinfonia do abraço
que as mãos seguram
na firmeza que arde
até à eternidade.

O espírito que não se cheira
por nenhum aroma definido
pelos amigos dentro do fogo
no lugar que construímos
pela paixão.

O espírito que não se toca
nem se agarra por nenhum dono
é incontido e fecundo
como o tempo das sementes
dormindo engolidas pelo vento
nos beirais das casas novas e velhas
edificadas pelos tijolos
da liberdade.

Simplesmente o espírito misterioso
desde sempre em toda a criação
das coisas e das palavras
como o sangue que paciente
sem se ver
reanima as feridas pelos canais do ser.
José Luís Rodrigues

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Pentecostes: o escondido que transforma a vida

Comentário à missa do domingo de Pentecostes, 24 de maio de 2015
A origem do Pentecostes está intimamente ligada à Páscoa, celebrando-se sete semanas depois da Páscoa, quer dizer, no 50º dia após a Páscoa e, por isso, a tradução grega chamou-lhe Festa do Pentecostes ou festa do Quinquagésimo Dia.
No Antigo Testamento hebraico era designada festa das (sete) Semanas. Era a festa da colheita do trigo, enquanto a da Páscoa era a das primícias da cevada. "Depois, contarás sete semanas, a partir do momento em que começares a meter a foice nas searas. Celebrarás então, a Festa das Semanas, em honra do Senhor." (Dt 16,10-12).
Inicialmente, tal como a Páscoa, o Pentecostes ligava-se à fertilidade dos campos. Com a história de Israel passou a ligar-se ao dom da Lei no monte Sinai, daí os rabinos lhe chamarem a Festa do Dom da Lei (mattan Torá).
No tempo da primeira comunidade cristã, Jesus enviou o Seu Espírito (o Espírito Santo) precisamente na semana em que se celebrava a festa do Pentecostes. A descida do Espírito sobre os Apóstolos aconteceu no meio de fenómenos semelhantes à "descida" da Lei no monte Sinai, com o ruído de trovões, o fogo dos relâmpagos, fumo, sismo (Act. 2,1-4 e Ex 19,16-19). O Espírito de Jesus, que desce sobre o novo povo, é a nova Lei dos cristãos, mas este Espírito só desce depois do conhecimento da Palavra de Jesus. Concluindo, o Pentecostes é a festa do Espírito de Jesus, que nos vem da Sua Palavra conhecida, vivida, anunciada."                 
Para nós cristãos, a vida não teria sabor se não fosse a dinâmica do Espírito Santo. A Igreja seria uma simples organização de homens e mulheres com interesses mundanos. As celebrações litúrgicas seriam manifestações de diversão ou para entreter os tempos livres. Esses momentos efusivamente celebrativos aos acontecimentos e aos santos, sem Espírito Santo, seriam apenas lembranças de memória do passado, que há tempo passaram pela morte. Os diversos grupos que formam a Igreja seriam estruturas sem alma que promoviam a rivalidade e a concorrência. Os membros da Igreja, seriam penas funcionários que buscavam o poder pelo poder. A sede de protagonismo ou a fama do mundo seriam as únicas motivações pelas quais todos corriam de forma desmedida e sem escrúpulos. As palavras da Igreja seriam iguais a todas as palavras pronunciadas pelas outras organizações do mundo. A caridade seria solidariedade sem alma e sem abnegação desinteressada que só o Espírito Santo enforma. O diálogo Igreja mundo seria pura diplomacia interesseira com vista a ser pura propaganda.
Uma infinidade de coisas que a Igreja é e faz que sem o dinamismo do Espírito Santo seriam puro activismo concorrencial mais interessado na promoção de alguns e pouco aberto ao bem comum, isto é, sem interesse nenhum pela salvação de toda a humanidade.
Assim sendo, no dia de Pentecostes, descobre-se a universalidade do projecto de Deus - o milagre das línguas nos Actos dos Apóstolos e a proclamação de São Paulo sobre a diversidade, são provas dessa pretensão de Deus.
A mensagem da Igreja, com a força do Espírito Santo, é o eco profético atento à realidade da vida da humanidade, que denuncia e apela para a paz e para a libertação de tudo o que violenta a dignidade da vida. E a vivência cristã de cada baptizado, com a força do Espírito Santo, torna-se sinal e luz para o mundo, empenhada na construção de uma realidade cada vez mais justa e fraterna para todos. Tudo o que não seja isto dentro da Igreja e em cada crente, peca gravemente contra o dinamismo do Espírito Santo.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

As diferenças não enganam e são reveladoras

Só para nos fazer pensar um pouco...
Imagem 1: para este evento quase não é necessária polícia. Tudo decorre com a maior tranquilidade e paz. A ordem impõe-se naturalmente. Mas os que compõem esta imagem são considerados pouco inteligentes, seguidistas, ignorantes, pobres de espírito, fanáticos… Entre outros cognomes que a sociedade douta de hoje sempre procura considerar e presentear quem busca o sentido da vida ou consolo para as limitações que a vida deste mundo oferece.
Imagem 2: Alias que são três imagens... Polícia por todo o lado. Desordem total. Destruição devastadora. Fumos esquisitos. As luzes são estranhas. Violência não falta com pancadaria a torto e a direito. Lixo espalhado em todos os cantos e recantos das ruas. Pessoas embriagadas. A linguagem só se entende quando rasteja pelo calhau, porque não falta o insulto a toda a família, à autoridade, aos árbitros, às mães, às esposas e aos filhos. O ambiente geral esotérico, histérico e metálico, mas também é desolador e constrangedor. Porém, As pessoas destas imagens, a sociedade de hoje, considera serem gente esclarecida. Aqui não há fanáticos, mas adeptos contentes a festejar.
Uma nota mais: não queria de forma nenhuma estar aqui a fazer este tipo de comparação. Mas fez-me refletir no quanto andamos errados, o quanto somos cegos perante a realidade e o quanto andamos desviados do essencial, não considerar todas as coisas como necessárias à formação integral da pessoa humana. A arrogância perante as coisas redunda em violência. Tudo pode servir para crescer saudavelmente. Por isso, precisamos de dar o devido valor a todas as coisas da vida para que o crescimento e a educação de cada pessoa se faça em todas as suas vertentes. Pensemos nisso.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Violência gera violência

«A violência semeia mais violência». Os primeiros a saberem disso devem ser os agentes da autoridade. Uma análise muito interessante sobre a violência e especialmente, sobre o espancamento de um pai e um avô diante do filho e do neto. Leitura imperdível… AQUI
É muito triste que se nos fique estas imagens de uma noite que se queria de festa. «O que deveria ter sido uma noite para lembrar foi uma noite para esquecer» (Pedro Santos Guerreiro).

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Para o dia da comunicação social que se assinala domingo

Dada a limitação de espaço para a crónica do próximo domingo no Dnotícias, sobrou-me estas letras, por isso, adianto-as como aperitivo...
Hoje o mundo abundantemente bafejado por variada comunicação, facilmente confunde-se educação com informação. O Papa Francisco alerta para esse dado e afirma que o desafio que hoje se nos apresenta, é aprender de novo a narrar, não nos limitando a produzir e consumir informação, embora esta seja a direcção para a qual nos impelem os potentes e preciosos meios da comunicação contemporânea. A informação é importante, mas não é suficiente, porque muitas vezes simplifica, contrapõe as diferenças e as visões diversas, solicitando a tomar partido por uma ou pela outra, em vez de fornecer um olhar de conjunto».
Finalmente, a família é uma «comunidade comunicadora». Uma comunidade que sabe acompanhar, festejar e frutificar». Assim, a «família mais bela, protagonista e não problema, é aquela que, partindo do testemunho, sabe comunicar a beleza e a riqueza do relacionamento entre o homem e a mulher, entre pais e filhos. Não lutemos para defender o passado, mas trabalhemos com paciência e confiança, em todos os ambientes onde diariamente nos encontramos para construir o futuro». As famílias de hoje precisam que o seu «alimento» principal seja a verdade do amor, a bondade da misericórdia e do perdão e a beleza da alegria, para que a felicidade não continue a ser uma utopia inatingível para tanta gente.

sábado, 9 de maio de 2015

O caminho da vida

Singelo poema para o fim de semana... Sejam felizes sem prejudicar ninguém.
Para longe vai a minha palavra,
sem ressonância neste caminho que faço.
Nele morro em cada dia e me despeço,
até ao dia em que definitivamente
dele para sempre desapareço.
Mas como sei que não conta em nada
para ninguém se alguma vez tropeço,
fico sereno e calmo liberto sem freio,
para que brote em força,
a beleza desta via que saboreio.

O caminho da vida,
vai sem que pouco ou nada seja visto.
Nele e por ele fui e sou eu,
transfigurado sob o peso do risco,
que nas curvas existenciais revelaram,
outros cantos e sons pela canção.
Tudo se ouvia na certeza de se ver mortal,
até ao dia em que desta sensação
se mostrou ser sem sentido todo o medo
que nos perverte a criatividade
de ser gente.
Pois é para sempre no coração,
da realidade da luz que cintilou,
que nos deu sem eu saber
o muito infinito porque tanto nos amou.

José Luís Rodrigues

quinta-feira, 7 de maio de 2015

O sentido da vida e a vitória do amor

Comentário à missa deste domingo VI Tempo Pascal, 10 de maio de 2015
A Palavra de Deus é viva e eficaz. Todos os momentos da vida podem ser iluminados por esta Palavra que Deus proclama. Não são estas ou aquelas formas de viver que dão consistência à Palavra de Deus. Isto é, não é este esquema, esta forma de vida ou aquela opção pessoal, que predefine a Palavra que Jesus nos envia. A Palavra de Deus está para a vida toda e para todos os modos de existir assumidos com amor e para o amor. Nada nem ninguém se pode considerar plenamente iluminado ou totalmente consagrado pela Palavra de Deus, porque Deus não permite aprisionamentos ou domínios desta ou daquela opção de vida. Somos chamados a guardar a Palavra com amor e não a possuí-la com arrogância.
O Espírito - o outro nome que também diz o amor - tem a função de nos convocar para o desafio do acreditar, não para a condenação ou para o abismo da morte sem retorno possível. Por isso, o caminho da fé iluminado pelo Espírito Santo, encontrará sempre o sentido pleno, porque, mediante essa luz far-se-á a descoberta do amor a Jesus e a Deus Pai que o Filho nos revela com o Seu ensinamento e com a Sua acção.
"Não fostes vós que me escolhestes; foi eu que vos escolhi e destinei…". Esta frase é muito interessante, porque a nossa vida muitas vezes está inquieta e perturbada com as artimanhas do quotidiano e com a procura de um Deus ao nosso modo. O Deus de Cristo está aí no mais simples da vida a chamar e a convocar para o amor. Dessa forma nos escolhe e nos destina.
Porém, continuam a ser tantos os momentos em que nos sentimos fora do amor, porque julgados pelos olhares desconfiados dos outros, com ar de desprezo e de repúdio, por qualquer razão banal; as palavras sem espírito e ocas que nos dirigem, que nos condenam e nos fazem ficar tristes, revelam-se uma injustiça, muitas vezes, que ao invés de levantarem, ainda fazem sofrer mais; as falsidades de palavras animadoras e elogiosas, mas que por detrás nos afundam numa traição sem escrúpulos e sem qualquer sombra de respeito; o Espírito de vingança que tantas vezes nos ataca como se fosse alimento para viver com o prazer de ver os outros na mais pura miséria; a mesquinhez das aparências, como se isso fosse o mais importante da vida e da fé; a mediocridade do vazio de tantas situações que nos provocam um sorriso de compaixão; as invejas, são outra tendência desumana e anti cristã que poderão perturbar a nossa mente e o nosso coração…
Mas, infelizmente, embora, sendo tantas as coisas da vida que nada têm a ver com o amor e que poderão inquietar e intimidar o nosso coração, a esperança é nesses momentos a melhor das virtudes, porque o amor tudo vence. Não há outro caminho para o sentido da vida e não há outro modo de construir o mundo senão fazer a descoberta do amor apaixonado.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Partiu para a glória de Deus o Padre Sumares

O Padre TOMÉ CÉLIO SUMARES, sacerdote diocesano da Diocese do Funchal, faleceu ontem, dia 05 de Maio, ao início da noite, no Hospital Central do Funchal. Tinha 80 anos de idade, e era natural do Jardim do Mar, concelho da Calheta. Nasceu no dia 01 de Dezembro de 1934, era filho de Manuel João Sumares e de Augusta Jardim Sumares.
Foi ordenado Sacerdote, no dia 15 de Agosto de 1958.
Dentro dos serviços eclesiásticos que desempenhou, na Diocese do Funchal, destacamos os seguintes:
- Prefeito e Professor do Seminário Menor e Maior:
de Outubro de 1958 a Setembro de 1962.
- Pároco da Paróquia do Loreto:
de 25 de Setembro de 1962 a 01 de Outubro de 1968.
- Pároco da Paróquia da Vitória (Santa Rita):
de 2 de Outubro de 1968 a 14 de Setembro de 2008.
Além destes serviços eclesiais, anotamos também o seu empenho e dedicação, durante vários anos, como professor na Escola Horácio Bento de Gouveia.
A sua vida de serviço do Evangelho deixou um testemunho de pastor e de fidelidade à Igreja, nomeadamente no serviço à liturgia através da música, que tão bem cuidava.
Que o Senhor o receba na Sua Paz!
Diocese do Funchal
Nota: Funeral do Sr Pe Tomé Célio Sumares amanhã quinta-feira dia 07 de maio com missa de corpo presente, NA IGREJA PAROQUIAL DE SANTA RITA às 14h30. O corpo fica em câmara ardente na igreja a partir das 11h30. 

Entrevista com Leonardo Boff

Uma grande entrevista. Para ouvir devagar e meditar profundamente sobre o pensamento e fé deste grande pensador, teólogo e filósofo...
"Hoje quase todas as religiões estão doentes, doentes de fundamentalismo e aí, o atraso. Porque as pessoas ficam rígidas, não dialogam, "EXCLUEM"... Leonardo Boff

terça-feira, 5 de maio de 2015

Dez segredos para ser feliz segundo o Papa Francisco

1 – Viva e deixe viver
O Papa citou um ditado romano que diz mais ou menos isto: “Siga em frente e deixe que os outros façam o mesmo”. Também pode-se dizer que esta frase tem o sentido de “cuide da sua vida e deixe que cada um cuide da sua”.
Nada mais justo do que cada um viver da melhor maneira possível, sem palpites de terceiros que querem tomar conta da sua vida, enquanto o seu próprio interior é muito mais sujo que pau de galinheiro. Então, tome conta do que é seu e deixe o que é dos outros em paz, cada um cuida de si. “Deus deu uma vida a cada um para que cada um cuide da sua”.
2 – Dar o melhor de si para os outros
 “Se guardas tudo para ti mesmo, corres o risco de ser egocêntrico. E água parada torna-se podre”, disse Padre Francisco.
3 – Prosseguir com calma
O Papa Francisco, ainda Jorge Mario Bergoglio, ensinava literatura aos alunos do ensino secundário e costumava usar sempre um trecho de um romance argentino, escrito por Ricardo Guiraldes, no qual o personagem principal, um gaúcho chamado Don Segundo Sombra, olha para trás e conta para os leitores como ele viveu a sua vida.
“Ele diz que, na sua juventude, ele era um córrego cheio de pedras que eram levadas consigo. Como adulto, tornou-se um rio com grande fluxo, sempre correndo. E, na velhice, ele ainda estava em movimento, mas lentamente, como uma piscina". O Papa diz gostar da imagem de uma piscina, por ter a capacidade de mover-se com bondade, humildade e calma na vida.
4 – Um sentido saudável de lazer
“Os prazeres da arte, literatura e jogos com as crianças foram perdidos com o passar do tempo”, disse Papa Francisco. “O consumismo trouxe-nos ansiedade e stress, fazendo com que as pessoas percam a cultura saudável do lazer. O seu tempo é engolido, por isso as pessoas não podem e não querem compartilhá-lo com ninguém”.
“Mesmo que muitos pais trabalhem longas horas, eles devem reservar um tempo para brincar com os seus filhos. As famílias também devem desligar a TV quando se sentam para comer, porque, mesmo que a televisão seja útil, é preciso comunicar-se um com o outro durante as refeições”, explicou o Papa Francisco com toda a convicção.
5 – Domingos são sagrados
Os domingos devem ser férias, de acordo com o que diz Papa Francisco. “Os trabalhadores devem ter folga aos domingos porque o domingo é para a família”, explicou.
6 – Oportunidades para os jovens
“Precisamos ser criativos com os jovens. Se eles não têm oportunidades para entrar no mundo das drogas, com certeza não serão vulneráveis ao suicídio”, disse o Papa. “Dar comida não é suficiente. Dignidade é dada quando se pode levar para casa alimentos comprados pelo próprio trabalho”, ele concluiu.
7 – Respeitar e cuidar da natureza
“A degradação ambiental é um dos maiores desafios que temos”, disse Papa Francisco. “Eu acho que é uma questão que nós não estamos nos perguntando: a humanidade não está cometendo suicídio com este uso indiscriminado e tirânico da natureza?”.
8 – Pare de ser negativo
“A necessidade de falar mal sobre os outros indica baixa autoestima. Isso significa: eu me sinto tão baixo que, em vez de me levantar, eu tenho que derrubar os outros”, disse o Papa Francisco. “Deixando de lado as coisas negativas, rapidamente você se torna saudável”.
9 – Diga não ao proselitismo
Devemos sempre respeitar as crenças dos outros. “Nós podemos inspirar as outras pessoas através de testemunhos, de modo que se cresça juntos na comunicação. Mas o pior de tudo é o proselitismo religioso, o que parasita: “Eu estou falando contigo a fim de persuadi-te”. Não. Cada pessoa tem o seu diálogo, a sua própria identidade”, explicou o Papa Francisco. “A igreja cresce por atração, não por proselitismo”, concluiu o Papa.
10 – Trabalhar pela paz
“Estamos vivendo numa época de muitas guerras e o apelo à paz deve ser grito quotidiano. Paz, às vezes, dá a impressão de ser tranquila, mas nunca é calma, a paz é sempre proativa e dinâmica”, disse o Papa. Cada um de nós deve dar tudo de si, fazendo tudo o que for possível para que a paz reine sempre e em todo lugar.
Todas as pessoas podem fazer um pouco para que a paz aconteça, seja no mundo exterior e até mesmo no seu interior. Se todos seguissem os passos acima, com certeza ela estaria presente no dia a dia de cada um e o mundo seria bem melhor. Belas palavras do Papa Francisco, e só nos resta ouvirmos com o coração e praticarmos o bem todos os dias.
 Com base no blogue Mega Curioso

sábado, 2 de maio de 2015

Encaixe de palavras

Para o nosso fim de semana... Sejam felizes sem prejudicar ninguém.
Cavador que amassas pão
na profundidade da terra
diz-nos como se fabrica
a esperança no caminhar deste chão.

Venham à partilha deste dom
sintam como é forte a paz
que o trabalho dignifica
se nesta música a justiça marcar o tom.

Somos um nada no meio da tralha
na solicitude de muita inquietação
mas é certo que em cada hora do tempo
há uma misericórdia que não falha.

No cosmos infinito desta visão
vieram as estrelas cintilantes
e o sol incandescente no dia do desejo
se no teu regaço tomou o silêncio esta oração.
José Luís Rodrigues