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sexta-feira, 24 de junho de 2011

Comentário à Missa do próximo Domingo

Domingo XIII Tempo Comum
26 de Junho de 2011
Quem vos recebe
Na primeira leitura, a mulher Sunamita vai receber «recompensa de profeta». O dom da descendência é, para o Antigo Testamento, a máxima bênção de Iahweh. Este episódio da Sunamita rica que acolhe o profeta em sua casa é exemplar, para além da prática da virtude da hospitalidade, há na atitude da mulher uma motivação superior de fé, «estou convencida de que... é um santo homem de Deus». Por causa da sua fé e da sua prática, faz-se realidade a bênção e gratidão de Deus, «No próximo ano, terás um filho nos braços». Este episódio faz lembrar o de Abraão e Sara que igualmente receberam a bênção de um filho como recompensa pela hospitalidade. Neste relato aprendemos o quanto pode ser rica a nossa vida se a prática da hospitalidade ou do acolhimento dos outros fosse uma constante no mundo. Não existiriam pobres nem marginais, porque todos encontrariam uns braços amigos cheios de amor pelo encontro da amizade e da solidariedade. Todos seriam cientes do Bem-comum.
São Paulo, ensina-nos que pela fé e pelo baptismo, cada cristão estabelece uma compenetração e comunhão com Cristo. De facto, ser cristão é, radicalmente, ser em Cristo e com Cristo. Isso manifesta-se na «vida nova» em que o baptizado é chamado a caminhar. Tem vida de ressuscitado, morreu para o pecado e recebeu vida inteiramente orientada para Deus. Essa «vida nova» é já uma realidade conhecida e possuída pela fé. Desse novo ser deriva uma nova ética, que procura viver no dom e no apelo constante a uma nova ordem de vida para todos.
O Evangelho parece, pôr em causa a legitimidade e, até, o dever de amar os pais (o 4.º Mandamento continua em vigor...) ou os filhos. Não, nada disso. De forma paradoxal, Jesus quer deixar bem claro que os laços familiares não são absolutos, podem chegar a ser um obstáculo ao seguimento de Jesus e, em todo o caso, o discípulo deve dar sempre a primazia à opção pelo Mestre.
O «Apóstolo», portanto, deve ser acolhido não tanto em razão da sua pessoa (motivação humana de hospitalidade), mas em atenção à palavra de que é portador, à missão que lhe foi confiada por Jesus.
A todos nós compete acolher todos os outros como irmãos. Este deve ser a principal regra de educação. Somos todos semelhantes, carne da mesma carne… Esta pedagogia é fundamental para que se construa uma humanidade mais fraterna e amiga.
Daí esta ideia dos «pequeninos», que parece supor que se trata dos Apóstolos, atendendo à motivação dada (“por ele ser meu discípulo”), assim, os «mais pequenos» serão todos os discípulos enquanto testemunhas do Reino de Deus. No entanto esta ideia não nos coíbe de entrever também uma alusão aos mais humildes e desprovidos de entre a comunidade dos discípulos. Em Jesus todos estão convidados para o Banquete da Palavra que nos anuncia o Reino Novo da vida sempre nova.
JLR

1 comentário:

José Ângelo Gonçalves de Paulos disse...

PadreJosé Luís mais um texto riquíssimo de sabedoria literária e teológica. Jesus é o único Deus que faz re-união. Coloca mulheres e homens como o cerne da sua doutrina,o epicentro da sua catequese. Não despreza ninguém . Chama todos nós a uma única Missão, a do Amor a Deus e aos Irmãos . "Ama de faz depois o que quiseres" dizia Santo Agostinho. Mas, infelizmente, isto ficou tudo do avesso. A evangelização dos espaços urbanos está por fazer Esses areópagos, essas praças das grandes discussões foram vilependiadas por epicuristas, sofistas , hoje, economistas , politicos, homens que sem alma que em vez da reurnião (comunidade) dotrinaram a divisão e concomitantemente a desigualdade, a sepração.Vivemos uma sociedade deliquente onde impera o valor dos poderosos e dos grandes do sistema. A marginalização está aí a olhos vistos. Vem, Senhor Jesus!Dá-nos, Senhor, um sinal de esperança . Uma nova Jerusalém