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domingo, 31 de julho de 2011

Uma breve visão sobre o povo

O povo simples compreende melhor a mensagem que os 'entendidos'
Tendo em conta a reflexão que faço a seguir começo este escrito com a frase do Teólogo e Biblista Carlos Mesters, Frade Carmelita brasileiro, que no próximo 20 de Setembro celebra 80 anos de vida e que perante as várias homenagens previstas afirmou: «Se alguém merece incenso, este alguém é o povo!». O povo merece incenso e merece todo o respeito. São muitas as mãos que constroem as mais perversas maquinações para manipular e instrumentalizar o povo.
O povo forma-se numa «massa» que, como tal, pensa pouco e quando se fala de «inteligência colectiva», nunca sabemos a que se refere e não é mais do que um singelo eufemismo para justificar opções e caminhos que pouco ou nada servem o colectivo, mas antes, as mais puras megalomanias de algumas cabeças pensantes. Melhor dizendo, interesses pessoais ou grupos dominantes na economia e na sociedade em geral. Se quisermos, partidos e toda a clientela que tais organizações permitem proliferar.
O povo, o nosso povo, é simples e corre pelo bem. É um povo festeiro, alegre e aproveita o mais que pode todos os momentos onde a festa, a borla e a música são ingredientes seguros para seduzir. O pão e o circo sempre foram um meio muito utilizado para cativar o povo ou dominá-lo pela embriaguez da alegria e do enfartamento de que tudo é fácil. Estas frivolidades sempre foram utilizadas pelos poderes que desejam perpetuar-se no tempo. Um povo alegre e farto não é sinónimo de que esteja bem. Antes pode ser que se deixa conduzir por ilusões até ao dia em que realidade lhe bate à porta.
Jesus não teve problemas com as pessoas simples. O povo simples que cultivava as terras para sustentar as suas famílias acolhia a Sua mensagem com alegria e facilmente compreendia que Jesus lhes falava de um Deus Pai, que se compadecia de todos, especialmente, os mais fracos, os pobres, os doentes e os sem lugar e vez na sociedade. Os esquecidos por todas as entidades da época. Será a esses que Jesus vai dar maior atenção. Não só porque são os mais necessitados de libertação, mas porque, sendo os mais humildes, são os que melhor acolhem e compreendem a Boa Nova que Jesus anuncia.Os sem amparo familiar e social acorriam a Jesus onde encontravam um Deus mais próximo e amigo. As mulheres encontravam em Jesus a palavra que as valorizava e dignificava, elas intuíam por aquilo que Jesus dizia que Deus ama os seus filhos com um fundo de mãe. Todos em Jesus podiam experimentar a proximidade salvadora de um Deus Mãe/Pai. A forma de ser e de falar de Jesus encantava os simples e os humildes («os pequeninos»), porque anunciava-lhes o Deus de que eles necessitavam.
A atitude dos simples contrasta com a dos «entendidos». A mensagem de um Deus que alegra e contagia o povo simples indigna solenemente os «entendidos». O Deus Pai/Mãe se é Boa Nova para uns, para os «mestres» é um perigo para a religião e para a doutrina humana mascarada de divina.Esta reacção não surpreende Jesus, até lhe parece o melhor. «Pai, Te dou graças, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as destes aos simples». Assim mesmo, o povo simples no entender de Jesus é sempre mais sábio que todos os que a nomenclatura social determina em parâmetros de sabedoria ou que se fecham em redomas de verdade absoluta. O resultado de tal predominância social é o terrorismo e a intolerância perante tudo o que mexa em sentido contrário. Também hoje o povo simples compreende melhor a mensagem da proximidade de Deus que os «entendidos» em religião. Facilmente entram em sintonia com Jesus, confiam Nele e compreendem a Sua mensagem. Enquanto que muitos «entendidos» na religião afogam-se na burocracia dos papéis e das regras patéticas que ao invés de aproximarem de Deus o afugentam para as calendas do esquecimento e da indiferença.
José Luís Rodrigues
Texto de opinião publicado hoje (31/07/2011) no Diário de Notícias do Funchal, na secção «Sinais dos Tempos».

2 comentários:

Espaço do João disse...

Mas...Será que o povo dito superior merece incenso?
Depois de ouvir dois energúmenos a discursarem no chão da lagoa e vi tanta gente à volta da poncha e do vinho seco, fiquei na dúvida. Até me causaram engulhos.

José Luís Rodrigues disse...

Cuidado amigo, aquele povo da festa da Herdade do Chão da Lagoa, não é o povo da Madeira. Aquilo é a Madeira profunda, algum povo que gosta de festa, que vai a todas... Outro que está sob pressão nos seus empregos e ainda outros que foram pela festa, a borga e a borla. Nada disto é o povo da Madeira. Quanto ao eufemismo «povo superior» não passa de mais uma bacorada no meio de tantas...