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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

A TAP do nosso descontentamento

A confusão que eternamente acompanha o processo TAP já cansa por demais, que de tanto ser mexido já fede que se farta por todo o lado. Cada governo imagina uma TAP à sua medida e tenta concretizar o que imagina. Mais uma vez em poucos dias este governo mexeu na TAP e toma para o Estado 50%, fazendo-nos crer que possuir metade (50%) pressupõe mandar na TAP. Vem esta engenharia depois da rocambolesca e à socapa a privatização da TAP levada a efeito nos últimos dias de mandato pelo anterior governo. Melhor não é possível. 
Tudo isto é uma trapalhada que está a deixar os cidadãos contribuintes à beira de um ataque de nervos, sim um verdadeiro desconcerto de nervos, porque estas brincadeiras à medida de cada cabeça que nos (des)governa em cada hora custa sempre muito dinheiro que não vem dos bolsos dos políticos mas dos cidadãos.
A privatização, feita nas condições lesivas para o Estado, como tudo indica, devia ter continuado como estava até ver como seria o comportamento dos privados, após esse período experimental então o governo em funções tomaria a decisão com razoabilidade. Assim não, porque dá a entender claramente que há interesses pouco claros em todo este processo e mais grave ainda leva-nos a considerar que a TAP parece alimentar os desejos e apetites de todos os partidos, tanto à direita como à esquerda.
Há ainda outra confusão nas nossas cabeças. No caminho para a privatização o anterior governo foi vendendo a ideia de que a União Europeia não permitia aos estados nacionais serem donos de empresas de aviação. Muito se ouvia este argumento. Agora já ninguém fala nisso e parece que afinal o Estado pode ser dono. Assim sendo, resta considerar que a TAP devia continuar nas mãos do Estado e ponto final, senão a 100% pelo menos com uma maioria clara e não apenas com esta metade que está lançar a maior das perplexidades.
Dois elementos ainda que a meu ver são graves na confusão do dossier TAP. Os prejudicados são sempre os mesmos. Os cidadãos, que são sangrados com impostos para cobrirem as despesas de milhões que cada mudança na TAP implica. E não esqueço os clientes da TAP. Aquele enorme grupo de pessoas que gostavam de viajar na TAP, porque vendia voos a preços acessíveis e sempre se posicionava entre as várias companhias de aviação avaliadas, nos melhores índices de segurança a nível europeu e mundial. É tudo isto que está em causa. 
Por isso, devemos manifestar a nossa posição e exigir que a TAP continue a ser uma companhia de avião que sirva o país e aproxime as regiões mais recônditas dos centros urbanos nacionais e internacionais. Mais ainda devemos levar a sério esta luta, porque temos uma tão vasta diáspora que precisa de viajar com regularidade ao seu país natal. Não esquecer o que isso implica de movimentação económica entre nós.
Nada mais desejamos senão que a TAP deixe de ser uma empresa joguete das lógicas interesseiras dos partidos políticos e passe a ser uma empresa estimada por todos os portugueses, que se orgulham de possuir uma verdadeira empresa, cujo principal interesse é aproximar os cidadãos. O lucro pelo lucro nunca foi lema que conduza a bom porto, neste caso a bom aeroporto. 

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