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sexta-feira, 9 de julho de 2010

Comentário à Missa do Próximo Domingo

Domingo XV Tempo Comum
11 de Julho de 2010
Amar a Deus e ao Próximo
A liturgia deste domingo procura definir o caminho para encontrar a vida eterna. É no amor a Deus e aos outros, que encontramos a vida em plenitude.
O Evangelho sugere que essa vida plena não está no cumprimento de determinados ritos, mas no amor (a Deus e aos irmãos). Como exemplo, apresenta-se a figura de um samaritano – um herege, um infiel, segundo os padrões judaicos, mas que é capaz de deixar tudo para estender a mão a um irmão caído na berma da estrada. «Vai e faz o mesmo» – diz Jesus a cada um dos que o querem seguir no caminho da vida plena.
A primeira leitura reflecte, sobretudo, sobre a questão do amor a Deus. É importante a descoberta de Deus para que a consequência do amor aos outros seja uma realidade na nossa vida concreta do dia a dia.
Na segunda leitura, Paulo apresenta-nos um hino que propõe Cristo como a referência fundamental da vida toda. Ele é o centro à volta do qual se constrói a história e a vida de cada crente. Cristo como exemplo de amor a Deus e ao próximo sem acepção de pessoas.
A Liturgia deste domingo, ensina-nos que a vida autêntica, radicada no amor de Deus, não se reduz a ritos herméticos, seguros e anacrónicos. Mas, antes devemos olhar para os outros como caminho para Deus, para a salvação, mesmo que algumas vezes sejam um «inferno», como nos ensina o filósofo Jean Paul-Satre. Não, segundo o ensinamento de Jesus com a Parábola do Bom Samaritano, descobre-se a graça que podem ser os outros no caminho do amor e da salvação, sem fazer acepção de pessoas para que não se fale entre nós em intolerância, xenofobia ou outro mal que despreza o direito da vida para os outros. Porque «quem não ama, já morreu», podemos reproduzir este axioma a partir da primeira Carta de São João: «Quem não ama permanece na morte».
Aqui faz sentido lembrar a escrito de Dostoievskyque diz o seguinte: «o primeiro passo é o mais difícil, quer para o crime quer para a santidade». De facto, basta muitas vezes um primeiro passo para que a vida se encontre entre esse brilho maior de Natália Correia, que se encontrava entre «o sorriso e a paixão».
Pois bem, deixemos os absurdos maquinais das regras vazias, sem carne, para gestos humanos mais de acordo com o ensino sábio de Eduardo Prado Coelho: «Amar os homens é amá-los como eles são – com as suas misérias, as suas cobardias, os seus sonhos obscenos, os seus filmes pornográficos, a sua ferocidade animal, com o que neles é sublime e com o que neles é abjecto. Amar os homens não é conhecê-los, mas conhecê-los até aos limites, naquilo que, de demencial, absurdo ou inumano, eles são capazes. E é nisso que a arte nos ajuda» (in «O Inferno em Papel Bíblia», Público 4/3/1991). Grande desafio este da descoberta de Deus no caminho dos outros. Nisto consiste a vida eterna.
José Luís Rodrigues

1 comentário:

José Ângelo Gonçalves de Paulos disse...

Padre José Luís, hoje entendo que o que está caído no chão é o mundo actual que temos e inseridos numa sociedade altamente corrupta.Tudo está em sofrimento: os homens e mulheres, a familia, a ecologia, os animais selvagens ou domésticos, a noção do ter mais em detrimento de ser mais. Tudo está a precisar de samaritamos de al´guém que estenda a mão da inteligência e da cratividade e a própria esperança para salvar o Mundo da tragédia Universal.