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quinta-feira, 29 de março de 2012

Tornou-se semelhante à humanidade

Comentário à Missa do Próximo Domingo
Domingo de Ramos
Fil 2, 6-11
São do Apóstolo Paulo as palavras mais densas e fortes sobre Jesus Cristo. Estas palavras sobre a figura de Jesus são dirigidas à comunidade dos Cristãos de Filipos. A cidade de Filipos, era uma cidade importante no Império Romano por causa da sua localização geográfica na região montanhosa entre a Ásia e a Europa.
O Apóstolo Paulo visita Filipos pela primeira vez, por ocasião da sua Segunda viagem missionária, como é descrito em Actos 16. A visão que Paulo teve em Troas, era Deus convocando o apóstolo a passar ao continente europeu, dando-se ali, em Filipos, as primeiras conversões na Europa e, por isso, Filipos tem sido chamada o "berço do cristianismo europeu". A igreja em Filipos cresceu e fortaleceu-se e trouxe muitas alegrias ao coração do Apóstolo. Paulo escreve esta carta, muitos anos mais tarde quando, na prisão em Roma, em condições miseráveis, mas que não puderam tirar a sua alegria. A igreja de Filipos amava muito a seu pai na fé, e mostra-lhe muito afecto, enviando-lhe uma carta viva na pessoa do seu representante Epafrodito. Não esqueceu, também, de enviar-lhe algum dinheiro para alguma necessidade temporal.
Notamos três características principais nesta carta. Primeira, é uma carta bem pessoal, indicando a profundidade da amizade e fraternidade entre o Apóstolo e a comunidade. Outra marca desta carta é a centralidade da pessoa de Jesus Cristo e o Seu senhorio. Nesta carta temos um dos mais belos hinos sobre a humilhação e exaltação de Cristo como Senhor absoluto. Esta passagem a que nos referimos é bem sintomática desta visão.
Mas, sem dúvida, uma outra grande característica de Filipenses é o destaque que o apóstolo dá ao gozo reinante no seu coração, apesar de ele estar em circunstâncias humanas tão tristes na prisão. Só Deus pode, pelo Seu Espírito, colocar "alegria" no coração dos Seus servos em "qualquer tempo" e sob "quaisquer circunstâncias".
A nota dominante desta carta é que estamos perante a mais "alegre" carta do Novo Testamento. Do início ao final a alegria é a nota dominante.
O abismo da dor e da morte são realidades tão frequentes e tão duras nas nossas vidas, que muitas razões encontramos para não sermos alegres e até os mais desanimados de todos, mas se olharmos para Aquele que abdicou de tanto, para ser um como nós, encontramos, afinal, muitas razões para sermos os mais alegres e felizes de todos. A confiança no Pai que Jesus nos mostra, garante-nos uma outra força e libertação para vencer o escuro do abismo da desesperança e o sem sentido deste mundo.
José Luís Rodrigues

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