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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

A nossa pequenez diante da violência do mar

Ontem tive ocasião de apreciar a violência do mar que batia impiedoso contra as muralhas da pontinha e contra as obras que decorrem também impiedosas na marginal da nossa cidade. Impressionante a espectacularidade que a violência das ondas faz acontecer se pedir licença aos megalómanos senhores do tempo. A energia misteriosa que ali está concentrada supera qualquer poder deste mundo. Aliás, coisa que se aprende sem ser necessário ir à escola.
Tantas vezes ouvia o meu avô bradar, com o tempo não se brinca. Este homem temente a Deus e à natureza, aficionado estudante da universidade da vida, sabia do que falava e não hesitava uma letra que fosse para ensinar às gerações vindouras as suas convicções e certezas experimentadas na vida. O fazedor de poios, de courelas, das moitas e das magas, sabia melhor do que ninguém o que era emparelhar pedras, carregar a terra, estacar as árvores e tudo o que a natureza todos os anos se encarregava de demolir sem licença. Este poeta dos campos olhava o céu e o horizonte, para arrematar o que vinha seguir, vamos acautelar-nos, com o tempo não se brinca.  
Ninguém de bom senso compreende a teimosia que alguns nutrem ao construírem mar adentro como se pudessem brincar com tudo, especialmente, com o bem comum e com os bens que resultam dos nossos impostos. Estes seguros projectos de homens que se fazem passar por deuses, tiveram ontem mais uma vez a resposta da força da natureza.
Não é preciso muito. Basta contemplar as imagens que circulam por aí e que irão dizer às gerações vindouras aquilo que o meu avô dizia com a convicção da palavra, com o tempo não se brinca. Neste caso parem de brincar com o mar e com as ribeiras. A brincadeira tem custos e quem quer passar a vida a brincar com o tempo que tire do seu bolso e pague o seus devaneios. 

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