A cidade do Funchal está cheia. Não
falta animação para todos os gostos. Não faltam barracas por todo lado, todas
requintadamente a vender uma variedade enorme de coisas, poncha e mais poncha
de todos os sabores. Lá nisto foram criativos. Poncha, poncha, e mais poncha para
baixo e para cima. A Praça do mar tem uma suposta feira das Casas do Povo com
um monte de barracas para vender produtos tradicionais da Madeira. Todas as barracas
vendem poncha. Outra criatividade impressionante. Pareceu-me ver apenas uma
barraca a vender souvenirs da Madeira, nada de anormal.
Acho que estou enganado sobre a
utilidade desta feira. Será que serve para embriagar os poncheiros «Patas
rapadas» para os fazer militantes do partido mais democrata do mundo? – O tempo
dirá sobre a consistência desta iniciativa e sobre a nossa suspeita.
Mas podemos continuar a caminhada e
encontramos mais ingredientes pela cidade. A Avenida Arriaga também tem barracas.
Todas com enorme criatividade. Vendem poncha. Uma ou outra vende flores importadas.
Mas o melhor estava para vir sobre este
banho de criatividade que delicia turistas e o pessoal aqui do burgo madeirense.

A Aldora enfiou uma série de piadas
sobre o buraco da Madeira que impressiona as árvores e até os turistas se riem
com a bravura da mulher. Nem sei o que pensar destes «patas rapadas» que descem
à cidade para gozarem com isto tudo e manifestarem a sua bravura ingrata diante
do nariz de quem tudo deu a favor da Madeira Nova. São os mesmos que antes andavam
de pata rapada e descalça sobre a terra batida e calçada fria, os que lavavam o
rabiosque nas poças da ribeira uma vez à semana, os que não sabiam o que eram
uma casa de banho e aliviavam-se nas retretes no meio dos poios ou debaixo das paredes
por essas encostas da Madeira velha. A memória é curta neste povo ingrato.
Agora, depois de terem estradas
alcatroadas, água canalizada e energia elétrica e todos os bens providenciais
da Madeira Nova, saem da casca e sob a capa da música manifestam a ingratidão desenfreada
contra os buracos, as obras escaqueiradas pelos temporais que tanto serviram a
meia dúzia de privilegiados do regime chamado Madeira Nova, os empreiteiros
falidos, desgarradas e despiques sobre a crise, os desempregados, a gente
manhosa e um Fum fum fum de cantaroladas que fazem tremer as pedras.
Uma ingratidão impressionante. Não fora
estes ingratos terem descido à cidade, os nossos passeios pelas artérias do
Funchal ficavam mais tristes e só sabiam a poncha e a encontros de gente
perdida de bêbeda. Se os turistas se reduzem a esta Sodoma poncheira dos tempos
modernos não sei o que levam da Madeira. Só espero que comprem uns Cd’s da «Aldora
e Silvestre», pelo menos levam além-fronteiras umas piadas foleiras sobre a
crise. Que as enfiem isso sim bem fundo nas orelhas dos safados dos troiquistas
que andam a tramar o nosso povo, mais os nossos «queridos» providenciais desgovernantes.
Um bom ano para todos e sejam felizes.
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