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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O padre que se tornou cientista e foi pioneiro

«Aceitou ser cientista a pedido do superior. Bateu a uma porta errada nos EUA, foi posto na rua. Tornou-se pioneiro da genética em Portugal. Morreu sábado.
A história do cientista Luís Archer começa com um despedimento de uma universidade, na véspera de completar 38 anos. Chegado aos EUA para frequentar o National Institutes of Health (NIH), onde tinha sido aceite, percebeu que, afinal, o instituto era um laboratório e não uma universidade.Archer, que já era padre jesuíta, morreu sábado, em Lisboa, com 85 anos. No livro Da Genética à Bioética, conta que o NIH leu o "Dr." que precedia o seu nome nas cartas de recomendação como se já fosse doutorado. "E não foi capaz de imaginar que, num país com mais de oito séculos de história, nunca tivesse havido tempo para extrair DNA e utilizá-lo em transformação ou transdução bacterianas." Por isso, ao fim de uma semana, foi convidado a sair e viu-se no meio da rua, sem saber o que fazer...
Publicou 250 trabalhos de investigação e uma dezena de livros. Em 2008, recebeu o Prémio Nacional de Bioética.Na homilia do funeral, domingo, o actual superior dos jesuítas, padre Alberto Brito, dizia do colega que tinha "alma de músico, de humanista e de artista". Não perdeu nunca o gosto pelo cultivo da música, da literatura, das artes. Era, dizia Brito, um homem de ciência que conseguia ser entendido por todos, um padre que levava "uma vida pobre" e que, como os grandes homens, "não fazia sombra"».
António Marujo
Nota: um curto registo para que conste na História do ser padre, que se pode conjugar com sabedoria, arte, ciência e tudo o que a expressão humana é capaz...