Convite a quem nos visita

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

O delfinário católico

Parece esquisito, mas também há um delfinário católico. Todos os organismos da Igreja Católica funcionam a partir desta forma de pensar de alguns dos seus responsáveis. Há uns criadores obcecados de delfins que logo depois lhe obedecerão e estarão sempre de acordo com o que digam e façam. Mesmo que às vezes estejam envoltos nas maiores patifarias. Neste delfinário não há lugar para o contraditório, para o diferente, para a pluralidade de opiniões e muito menos respeito pelas opções. Tudo ao contrário daquilo que o Papa Francisco vai promovendo.
Os denfinários católicos também se combatem entre si embora estejam camuflados, escondidos. A descrição é regra, porque a «guerra» não pode ser aberta, pública. Cada responsável aconchega os seus delfins, protege-os dos outros, que consideram perigosos, porque falam muito, esperneiam, são descrentes e imorais. Os delfins católicos são protegidos por uma redoma, uma auréola imaginária para que não se contaminem e fiquem sempre aí como pintos debaixo da galinha.
Contra as diferenças
Nada disto deve ser surpreendente em parte. Todas as estruturas humanas são assim mesmo. E como temos visto disto até à saciedade entre nós em vários quadrantes da sociedade madeirense. Mas, havendo na Igreja Católica, embora não surpreendendo, é grave, porque sendo uma instituição do desinteressado serviço, sabendo-se que provoca sofrimento e faz alguns serem filhos das varas verdes, não devia existir e devia ser exemplar a sua prática a este nível. Mas não é. Ponto.
Há gente aconselhada a não falar nem muito menos conviver com os outros, os que se considera «inimigos» do delfinário, aconselha-se, é um eufemismo, impõe-se como norma esta pretensa pedagogia, aliás, condição essencial para fazer parte do delfinário e continuar a ter atenção e privilégios. Qualquer delfinário é exclusivista, sectário e despreza sem piedade o diferente. E não se pense que são só os jahidistas que funcionam assim, há um mundo católico com esta prática.
Outro sinal implacável do delfinário deriva do segredo que envolve os poucos que entram nesse círculo. Porque chegados a quem manda, só eles podem saber da vida interna da instituição, só eles é que podem mexer em contas, só eles é que decidem sobre a vida de todos, só eles é que podem aconselhar, só eles é que podem tudo e os outros devem obedecer e calar, porque senão são considerados desfezados (sem fé), imorais e hereges.
Catolicismo anti evangélico
Neste domínio como pode ser credível um catolicismo que imprime uma pedagogia àqueles que se preparam para o sacerdócio a não participarem nas suas respectivas paróquias de onde são originários? Quiçá estão a cer também proibidos de  voltarem às suas famílias se por acaso nelas existir algo que não esteja de acordo com aquilo que paira na cabeça de quem promove o delfinário? – Catolicismo assim é anti evangélico e não serve para nada.
Quanto a estas proteções estranhas. A experiência vai ditando, que no passado revelaram gente emaranhada em misérias graves de teor sexual, maníacos desenfreados à caça de dinheiro e de mordomias clericais… Entre outras patifarias que são mais ou menos conhecidas da opinião pública.
As palavras do Papa Francisco têm sido duras quanto às disputas dos delfins por poder nas hierarquias da Igreja, que levam, os sacerdotes a ceder às «tentações», o que sempre resulta numa perda de sentido da fé e da fraternidade.
Por fim, fica a doutrina do Evangelho, este sim, o verdadeiro sustento do cristianismo, que reclama o Papa contra todos os delfinários cerceadores que em todos os lugares do mundo vão minando a fraternidade e a amizade como um cancro maligno contra os desígnios do Evangelho de Jesus Cristo.
Disse Francisco: «Esta é uma bela imagem. Não somos todos iguais e não devemos sê-lo. Todos somos diferentes, cada um com as próprias qualidades. E esta é a beleza da Igreja (…). A uniformidade mata a vida, os dons do Espírito Santo. Peçamos a Ele que nos torne sempre mais católicos, ou seja, universais». Tomem lá delfins de dentro e de fora da Igreja Católica.

1 comentário:

Gaudêncio Figueira disse...

Dei comigo a pensar: não haverá no delfinário fortes odores a "máfia no bom sentido"?