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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Os ídolos, o amor a Deus e aos outros

Comentário à Missa deste domingo, XXX tempo comum, 26 outubro de 2014
Neste domingo, a liturgia deixa bem claro que a salvação do mundo ou passa pelo amor ou então andará sempre assim tão desarranjado tal como se apresenta desde sempre e mais ainda no nosso tempo. Os crentes, especialmente, têm esta tarefa essencial, dar testemunho de que se deixam conduzir pela força transformadora do amor.
O Apóstolo São Paulo dá conta à comunidade de Tessalónica a grande alegria que sente, pelo facto de a comunidade se ter tornado exemplar, pois abdicou dos ídolos e converteu-se, sob a acção do Espírito Santo, a Deus.
Esta mensagem encontra um eco muito grande no mundo de hoje, são muitos os ídolos que se fabricam por todo o lado. Por isso, este regozijo de São Paulo em relação à comunidade dos Tessalonicenses, para nós converte-se em apelo. O mundo de hoje precisa de descobrir que os ídolos que se fabricam por todo o lado, são efémeros, não salvam e muito menos conduzem à felicidade verdadeira.
As frequentes modas que a lógica mercantilista que o nosso tempo fabrica, facilmente manipulam as pessoas, especialmente, os jovens, que se encontram perdidos sem oportunidades de emprego e sem puderem dar resposto ao seu anseio de constituírem família.
A felicidade autêntica descobre-se no modo como cada um e cada qual é. O seu modo de ser, pensar e agir são únicos e cada pessoa deve procurar essa idiossincrasia que está em si mesmo e nunca fora de si. Deus criou cada pessoa única e insubstituível no modo de ser e de agir. Por isso, com esta palavra de São Paulo, nós aprendemos a procurar sermos nós próprios com a ajuda de Deus e nisso consiste já à partida o início do caminho da felicidade verdadeira. Nesta integridade de vida descobre-se o amor aos outros como valor essencial, que ajuda a completar o ser pessoa feliz.
No livro do Êxodo Deus deixa bem claro que não aceita de forma alguma que continuem as situações intoleráveis de injustiça, a violência arbitrária, a opressão e o desrespeito pelos direitos e pela dignidade dos mais pobres e dos mais frágeis, vítimas da loucura do poder que se instala nos tronos não ao serviço do bem comum, mas dos interesses familiares e dos grupos que se alaparam aos partidos políticos. Como exemplo, o texto fala dos estrangeiros, dos órfãos, das viúvas e dos pobres vítimas daqueles que só pensam em números e no lucro pelo lucro, sem olhar às pessoas concretas. Do ponto de vista deste texto qualquer injustiça ou gesto arbitrário praticado contra um pobre ou mais frágil é um crime grave contra Deus e contra a humanidade, porque viola a profundidade da existência de Deus que se manifesta no coração de cada pessoa, especialmente, se ela pertence ao rol dos mais frágeis da sociedade.
O Evangelho atesta, então, claramente, que só o amor a Deus e ao próximo faz a vida ser uma felicidade e para a salvação do mundo não há alternativa a esta. Porque pelo amor, a solidariedade vai acontecer, a partilha fará parte da vida e o serviço será condição sine qua non em todas tarefas que venham a ser realizadas.
Tudo o que venha a seguir, é conversa fiada e formas de organização social experimentadas em todos os tempos históricos que não resultaram nem resultarão outras que se inventem, enquanto todos forem geradores de pobreza e de miséria. A salvação não esteve em nenhum deles porque lhes faltou o condimento essencial: «o amor a Deus e aos outros acolhê-los também no amor como irmãos». Podem dizer que isto se trata de um sonho, um idealismo, pois que seja, o certo é que enquanto assim não for a humanidade continuará torta e tonta, porque capaz de realizar as piores atrocidades contra si mesma.    

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