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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

«A corrupção fede!» disse o Papa Francisco

«A corrupção fede, o mal rouba a esperança», disse o Papa Francisco quando visitou a cidade de Nápoles, a 21 de março de 2015.
Por estes dias entre nós a corrupção fede que nos incomoda seriamente. Quer ao nível político quer ao nível religioso. A todos os níveis, quando existe a corrupção, estamos perante desvios éticos que não deviam acontecer e «pecados mortais», como se aprendia antigamente na catequese.
A corrupção existiu desde sempre. Santo Agostinho ensinou que nascemos marcados pelo «pecado original», a partir daquele momento quando Adão seduzido pela serpente, trocou o paraíso pelos prazeres mundanos da carne. Este seria o primeiro desvio ético. A sedução das tentações sempre corromperam a humanidade levando-a a agir imoralmente. Assim, se deduz que todo o mal resulta de uma escolha: «O pecado, ou o mal moral, resulta de uma escolha» (Santo Agostinho). São Tomás de Aquino e Santo Agostinho pensaram muito sobre o livre arbítrio e como todo o ser humano é livre para decidir seguir ou não o caminho do bem ou do mal.
Face a todo o mal relacionado com a corrupção que acontece em todos os domínios da vida humana, só me faz confusão, embrulhar-se tudo e todos na mesma miséria. Faz-nos carregar a tez do rosto de tristeza que, fiquem manchadas todas as pessoas e instituições inteiras, porque dois ou três, tipo gângsteres se instalam nos lugares certos e a partir daí se sintam autorizados a pôr e dispor como lhes interessa, manchando assim todos os demais e a instituição que deviam respeitar e servir com dignidade. Acontece na política, nos partidos políticos, nas Igrejas, nos bancos, nas Câmaras Municipais e em todos os lugares onde há instituições que implicam sempre muitas pessoas.
O Papa Francisco tem sido incansável na denúncia da corrupção. Porém, este mundo tenebroso da corrupção está de tal ordem tão bem instalado que quase ninguém lhe dá ouvidos, a não ser quem verdadeiramente se inquieta com estas questões. Diz Francisco: «Quanta corrupção há no mundo! É uma palavra feia. Porque uma coisa corrupta é uma coisa suja! Se nós encontramos um animal morto que está em decomposição, que está ‘corroído’ é mau e fede. A corrupção fede! A sociedade corrupta fede! Um cristão que deixa entrar em si a corrupção não é cristão, fede!»
Depois o Papa convida a «seguir adiante na limpeza da própria alma, na limpeza da cidade, na limpeza da sociedade para que não haja aquele fedor da corrupção». A ambição corrupta não tem limites e o desejo do poder quanto maior for melhor para subjugar os outros. São estes os alicerces da corrupção.
Estes males são transversais a toda a sociedade, mas nas instituições cristãs não deviam existir, quando existem o pecado é muito maior, porque viola princípios básicos ensinados pelo Mestre Jesus Cristo: «a quem muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá» (Lc 12, 48).
O corrupto é um doente, mas não se julga doente. A sua atitude é de total desprezo sobre os outros, porque precisa de saciar a sua perversa ambição. Os corruptos só pensam em si mesmos. São uma praga social. São os principais responsáveis pela pobreza, pela miséria, pela desigualdade social e pela criminalidade. Mentes corrompidas desviam os objetivos e não se importam com isso, porque o seu poder e a sua desmedida ambição não pode morrer de fome. Com isso prejudicam o mundo inteiro e futuro de várias gerações.
Será necessário chamar os bois pelos nomes. É preciso identificar claramente quem comete tais desvios, para que não se caia tão frequentemente na injustiça de colocar todos nos mesmo saco e manchar irremediavelmente a boa fama e bom nome das instituições. Não pode meia dúzia de agentes que se acham donos disto tudo, tomarem para si o que é de todos, agindo a seu belo prazer contra todos, hipotecando o futuro de realidades que não são suas, mas da comunidade em geral.
Não duvido que será necessário aprender a preocupar-se consigo e com as outras pessoas, pois servir os outros é a maneira mais inteligente de servir-se. A corrupção em todos os domínios, viola os Direitos Humanos e todo o ensinamento que a mensagem cristã nos apresenta quanto à justiça, à igualdade e ao bem comum.

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