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segunda-feira, 25 de março de 2019

Misoginia e fundamentalismo

1. «O Estado das Coisas», foi o título de um filme Wim Wenders, realizador de cinema alemão. Vi este filme magnífico em 2003. Arrecadou o prémio «Leão de Ouro» do Festival de Veneza de 1982. É uma coprodução entre a Alemanha, os EUA e Portugal.

2. O enredo anda à volta de outro filme sem história. O mais interessante do estado das coisas revela-se ao longo das interessantes sequências a preto e branco, onde se vê um grupo de mulheres, homens e crianças totalmente perdidos à procura de uma história que lhes dê sentido ao trabalho que gostariam de realizar. O estado das coisas não é só uma leitura sobre o cinema, mas também é uma visão do estado de desencanto, de perdição e de desorientação da existência nos tempos que correm.

3. Depois desta referência cinematográfica, olho o estado das coisas à minha volta e descubro que mais uma vez ficou provado que não vale mesmo nada lançar-se no fosso dos leões, como nos primeiros séculos aconteceu com os cristãos que eram lançados nas arenas dos coliseus romanos. As garras do fundamentalismo ditam as regras, quem não o venera, morre como bode expiatório. Que o digam professores, médicos, padres, juízes, entre tantos outros…

4. A estupidez comanda a vida em todos os tempos, mas hoje especialmente, se tomarmos em linha de conta a sociedade das dignidades, dos direitos e dos valores democráticos. Para uns tudo, mas para a maioria zero. Porém, o mais grave é a misoginia dos responsáveis por tudo isto, visto terem tomado conta de todos sem provas dadas de saberem tomarem conta de si mesmos. Basta que os seus fiéis executantes bêbedos de fundamentalismo vão fazendo aquele trabalho sujo, de sanear e matar as ovelhas mais atrevidas do rebanho.

5. Perante este estado das coisas, ou acordamos de uma vez por todas ou morremos todos ao frio e à fome, porque o canhão da porta da despensa foi mudando pela calada da noite, e nessa hora nenhuma compaixão se verá nem para carneiros nem para ovelhas.

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