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sábado, 21 de abril de 2012

Amar Deus em nós

Quem não se aceita e não se ama a si mesmo, separa-se de Deus. Ora vejamos o que dizia a Velha Abadessa, no «Diálogo das Carmelitas» de Bernanos, quando falava com o jovem Blanche de la Force: «Acima de tudo, nunca se despreze a si mesmo. É muito difícil desprezarmo-nos sem ofender a Deus em nós». Já Fernando Pessoa dirá: «nunca digas mal de ti próprio, porque os outros podem acreditar».
Também com este mesmo sentido descobrimos a interessante passagem no livro de Henri Nouwen «O Regresso do Filho Pródigo». Diz assim: «Durante muito tempo considerei a baixa auto-estima como uma virtude. Tinham-me prevenido tanto contra o orgulho e presunção que cheguei a pensar que desprezar-me era uma coisa boa. Mas agora dou conta de que o verdadeiro pecado é negar o amor que Deus me tem, ignorar o meu valor pessoal. Porque se não reconhecer este amor primeiro e este valor, perco o contacto com o meu verdadeiro eu e começo a procurar em falsos lugares o que se encontra só na casa do Pai».
Então, eis o seguinte desafio: sejamos o que formos, mas que ninguém esteja privado de exercer o direito de ser o que entender ser. Por um lado, a consciência deste direito leva depois à aceitação das limitações, dos erros e dos pecados. Por outro, este direito amansa a loucura de querer ser como os modelos da moda que a cultura actual apresenta.
Sou o que sou e como sou. Nada mais anseio senão viver com esta luz bem presente dentro do meu coração.
José Luís Rodrigues
(imagem Google)

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