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segunda-feira, 2 de abril de 2012

As armadilhas da Semana Santa

Meditemos nas situações em que Jesus foi sendo armadilhado. Pedro opunha-se à sua ida para Jerusalém para ser preso e morrer; e na sexta-feira negou-o com medo da troça de uma criada.
Os fariseus apertavam o cerco e não aceitavam a evidência do que viam. Jesus discordava deles, era Senhor do Sábado, curava os doentes, perdoava, chamava-os de gente sem fé na sua divindade, e eles chamavam-no de possesso, ao serviço do demónio, de blasfemo por dizer que era o Filho de Deus, e Caifás disse que devia morrer para eles se salvarem de uma chacina dos romanos.
A multidão, do entusiasmo de serem curados e perdoados, de hosanas e gritos de aclamação no Domingo de Ramos, deixou-se manipular como estúpidos anestesiados; e uma das monstruosidades humanas mais incríveis aconteceu: foi preferido a Jesus o facínora assassino Barrabás. A Jesus, Aquele que fazia bem a todos!
Os seus amigos mais chegados pintaram um quadro sujo e indigno: Judas deixou-se levar pelo diabo e traiu Jesus por ambição passando-se para o lado dos assassinos de Jesus. No Jardim das Oliveiras os outros apóstolos fizeram figura de cobardes e medrosos. Jesus foi abandonado pelos três apóstolos mais chegados a Ele, Pedro, Tiago e João, em vez de vigiar adormeceram como os outros, e todos fugiram.
Para Herodes Jesus era um louco com que não valia a pena perder tempo. Pilatos, o cobarde e arranjista, declarou-O inocente, mas castigou-O com a flagelação mais cruel e condenou-O à cruz como desprezível e criminoso escravo. No meio destas armadilhas de cerco inimigo, e vazio de amigos, Jesus ficou cada vez mais só a sofrer. Algumas pessoas sem poder nenhum ainda ousaram levantar a voz para o defender ou por compaixão. Nicodemos disse que era preciso ouvi-lo antes de o condenar; algumas mulheres choraram-no por o verem maltratado mas sem compreenderem o que se passava; três ou quatro seguiram-no e mantiveram-se junto à cruz com Maria sua Mãe e João, a testemunha chave.
E o Pai em quem Jesus estava e a quem era igual? Manteve-se em silêncio! A sua vontade de amor pelos homens de todos os tempos, era que Seu Filho aceitasse morrer e nisso coincidia com a vontade de Jesus que tinha vindo para aquela hora da Cruz.
Ninguém mais disse uma palavra de defesa, ou se manteve junto dEle; nem o Pai que esperou que morresse só, despojado de tudo, como vil escravo, desprezado; só depois de morto o ressuscitou. Tinha de morrer para salvação de todos. Tinha de morrer por amor de nós para tirar da escravatura do pecado e do demónio, os que O aceitam e a Ele se entregam. Ninguém além dEle podia resolver a crise do homem. Quem não acredita que é Ele o único que pode libertar continua em pecado, morto, escravo do demónio e não há esperteza, bruxaria, feitiçaria e satanismo que o liberte do sofrimento, do mal e da crise das crises. A Páscoa é este momento único de cada um dizer sim ou não a Jesus ressuscitado e vivo no meio de nós.
Páscoa de 2012, Aires Gameiro

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