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domingo, 9 de agosto de 2015

A luz do Evangelho de Jesus Cristo

Seguimos desenvolvendo a reflexão sobre a Luz nas Novenas de São Roque...
Quarta Novena: Novena dos Emigrantes
O Evangelho, onde resplandece gloriosa a Cruz de Cristo, convida insistentemente à luz da alegria. Apenas alguns exemplos: «Alegra-te» é a saudação do anjo a Maria (Lc 1,28). A visita de Maria a Isabel faz com que João salte de alegria no ventre de sua mãe (cf. Lc 1,41). No seu cântico, Maria proclama: «O meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador» (Lc 1,47). E, quando Jesus começa o seu ministério, João exclama: «Esta é a minha alegria! E tornou-se completa!» (Jo 3,29). O próprio Jesus «estremeceu de alegria sob a ação do Espírito Santo» (Lc 10,21). A sua mensagem é fonte de alegria: «Manifestei-vos estas coisas, para que esteja em vós a minha alegria, e a vossa alegria seja completa» (Jo 15,11). A nossa alegria cristã brota da fonte do seu coração transbordante. Ele promete aos seus discípulos: «Vós haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza há-de converter-se em alegria» (Jo 16,20). E insiste: «Eu hei-de ver-vos de novo! Então, o vosso coração há-de alegrar-se e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria» (Jo 16,22). Depois, ao verem-no ressuscitado, «encheram-se de alegria» (Jo 20,20). O livro dos Atos dos Apóstolos conta que, na primitiva comunidade, «tomavam o alimento com alegria» (2,46). Por onde passaram os discípulos, «houve grande alegria» (8,8); e eles, no meio da perseguição, «estavam cheios de alegria» (13,52). Um eunuco, recém-batizado, «seguiu o seu caminho cheio de alegria» (8,39); e o carcereiro «entregou-se, com a família, à alegria de ter acreditado em Deus» (16,34). Porque não havemos de entrar, também nós, nesta torrente de alegria?
Há cristãos que parecem ter escolhido viver uma Quaresma sem Páscoa. O Papa Francisco na sua Exortação Apostólica sobre «O Evangelho da Alegria» diz: «Chegamos a ser plenamente humanos, quando somos mais do que humanos, quando permitimos a Deus que nos conduza para além de nós mesmos a fim de alcançarmos o nosso ser mais verdadeiro. Aqui está a fonte da acção evangelizadora. Porque, se alguém acolheu este amor que lhe devolve o sentido da vida, como é que pode conter o desejo de o comunicar aos outros?”. Com estas palavras da Evangelii Gaudium (n.8), o Papa Francisco evoca a nossa divinização, essa elevação que nos é concedida como um dom de Deus. Em Cristo descobrimos quem é a pessoa humana e qual a grandeza da sua vocação (cf. Gaudium et Spes , 22). Do encontro com Jesus nasce o desejo de partilhar essa alegria com os outros (cf. EG 3). O Papa Francisco convida-nos a “sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho» (EG20).
Afinal, descobre-se que são tantos os momentos em que Deus vem para a nossa vida. Em cada gesto amigo e fraterno, está o reflexo do amor de Deus. Em cada sinal de partilha, Deus manifesta a Sua presença solidária. O acontecer de Deus está em todos os sinais onde o amor escorre. Daí Jesus se apresentar como "pão da vida", alimento que se enforma no coração, para ser vida que escorre pelas atitudes e palavras que dizemos uns aos outros. Daqui deriva o gesto mais nobre do ser cristão, levantar do chão quem caiu à beira do caminho, vergado ao sofrimento da solidão, da depressão, do desemprego, da incompreensão e da desgraça da pobreza que faz tantas vítimas.  
O cristão não deve temer nada e deve enfrentar toda a vida com a maior das liberdades. Porque viver toda uma vida cheio de medo e com desconfiança parece impossível, mas muitas vezes encontramos pessoas profundamente inquietas com o coração oprimido pelo medo e pelo desespero em relação ao futuro.
A alma vigilante é aquela que está sempre preparada, para a surpresa da chegada do amor de Deus. Assim, a vida torna-se saborosa para todos os que semeiam no terreno dos dias os valores que Paulo nos aponta e que o Papa Francisco equaciona desta forma: «A realidade pode mudar, o homem pode mudar. Procurem ser vocês os primeiros a praticar o bem, a não se acostumarem com o mal e sim vencê-lo». É deveras custoso, mas podemos acabar com o mal. 

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