Mais um dia para reflexão e celebração da luz... Hoje na Igreja de São Roque às 20 horas.
Oitava
novena
Novena
da Paz

Mário Caeiro e Marc Pottier ensaiam
coordenar uma iniciativa há vários anos, chamada «Luzboa» Bienal Internacional
da Luz. Os dois perguntam-nos: «Qual é o teu sonho?». A resposta radica na luz.
Ora vejamos: «- Oferecer a todos a luz, oferecer as estrelas no céu...» Mais
adiante, acrescentam: «O meu sonho é sonhar. Como tu, transfigurar a noite,
reflectir o dia...». Por isso, «a luz é boa». Porque entendem sair da luz tudo
o que desejam e sonham para o mundo das trevas: «que a luz revela, projecta,
desenha, surpreende e diz. E que a luz é uma espécie de metáfora-conhecimento,
ritual, espiritual, mecânica, lógica e poderosa expressão de que são feitos os
sonhos. Qual é o nosso sonho? Luzboa». Também será por isso que a «toda a luz é
boa» que os adultos ensinam às crianças que perante a perda pela morte de um
familiar estimado (p. ex. o avô, a avó, um tio, um irmão, a mãe ou o pai…)
sempre ensinam que aquelas pessoas são agora uma estrela que brilha no céu,
coisa que faz as crianças ficarem satisfeitas.
Num texto de Sara Pina, descobre-se uma
palavra fortíssima, mas que para a autora se identifica com a luz, falamos da
palavra «eternidade». Pois então, o que é a eternidade? – É o seguinte: «A
noite rendilhada de estrelas. Nada mais». Porém, o buraco não é o fim e a
eternidade não pode existir na escuridão, por isso, «O buraco sem luz não pode
esperar mais. Foram-se as estrelas e nasceu o dia». A luz é o sinal da
eternidade. O nosso horizonte é esse, o da eternidade. Pela luz, porque é já
sinal do eterno, vamos ao encontro da plenitude e da glória. A esperança, que
também significa a luz, tem este horizonte, tem este lugar seguro de que a vida
não pode acabar no buraco escuro da morte.
Mais adiante, encontramos um texto
extraordinário, escrito pela pena de Luís Sepúlveda, onde conta um episódio
curioso do tempo dos Maias, escutemos o curto episódio com atenção: «Nas ruínas
da cidade Maia de Chichén erguem-se várias pirâmides orientadas segundo a
deslocação solar e, todas elas, têm esculpida uma serpente que desce desde a
ponta até à base da construção. Pelo lombo dessa serpente desliza a luz durante
centenas de anos e mal esta tocava no chão os Maias davam o dia por começado.
Todos os seus afazeres estavam determinados pelo preciso momento em que a luz e
a terra se uniam fugazmente. Esse minúsculo momento de união entre o
indiscutível, o insaciável, o incorpóreo, a luz, e o mundo, era para eles a
única eternidade possível, e assim o certifica o Popol-Vuh, o livro sagrado dos
Maias: ‘a luz desce pelas costas da serpente, deixa para trás o já feito, em
sombras e ao acender as suas faces indicar-nos-á o que fazer. Assim será até ao
fim do tempo, que é o fim da luz’». Esta atenção ao jogo da luz entre a noite e
o dia é algo de muito cativante para nós e como os nossos antepassados sabiamente
entendiam a vida a partir desse casamento entre a luz e as trevas.

Mas também sabem bem a escuta dos versos
de Kenzaburo Oe: «Uns dizem que vimos uma grande luz / mas é mentira / vimos a
morte da luz». Os versos rezam assim, porque ressoam do contexto, onde a morte
falou alto, muito alto, mesmo que tenha sido sob o efeito de uma grande luz,
lembramo-nos de Hiroshima. Pois é, é a memória das trevas que continua neste
mundo tão forte como a luz, mas não devia ser assim, claro, se todos os homens
quisessem. Sim, quisessem, porque para a luz basta querer, e logo a luz faz-se.
Já Nossa Senhora, a Mãe de Jesus, ficou conhecida por essa palavra que ao mesmo
tempo significa vontade e luz: Fiat (faça-se) e apareceu o Sol da humanidade
inteira, Jesus Cristo.
Outro autor que nos faz reflectir sobre
a luz termina o seu texto deste modo. A luz «É o discurso da terra, dos
milhares de minerais que se foram formando no decorrer dos milhões de anos, e
fazem-nos lembrar que a vida é efémera, frágil e que este planeta é de todos e
não somente dos donos do dinheiro. Eu ouvi esse discurso e fi-lo meu, graças à
luz que é a voz da vida».
Talvez seja por causa desta forma de
pensar e ver a vida que João Lopes, escreveu o nome Luzia, que é o nome dos
nomes. Porque, acrescenta: «chamo-te Luzia porque és tu que me trazes o sol de
outra galáxia». O sol que embeleza a vida e o mundo. Tudo a partir de um nome
se torna realidade autêntica, cheia de esperança e de eternidade. Eis a luz.

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