Seguimos analisando, reflectindo e celebrando o tema da luz... Hoje será assim às 20 horas na Igreja de São Roque...
Sexta
Novena
Novena da Cruz
Como não poderia deixar de ser para
melhor fundamentarmos e compreendermos esta ideia da luz como consequência do
debate de ideias, vamos à Sagrada Escritura e vemos logo palavras interessantes
sobre o que é e quem é a luz. A luz, como criatura maravilhosa da Natureza, é
símbolo de Deus: «O que foi feito nele era a vida, e a vida era a luz dos
homens; e a luz brilha nas trevas, mas as trevas não a apreenderam» (Jo 1,
4-5).

Somos convidados a ser luz do mundo. Reparemos
no apelo formidável de Mateus: «Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder
uma cidade situada sobre um monte» (Mt 5, 14). Por isso, Lanço-vos um desafio, imaginemos
como seria a nossa cidade sem luz elétrica… Imaginemos a nossa casa sem luz elétrica.
Depois ensaiemos o sentido e o significado de tal escuridão face ao esplendor
da luz.
Passadas as principais citações sobre a
luz nos textos do Novo Testamento, vamos agora ao encontro de outras expressões
e palavras que nos revelam, em síntese, a necessidade da luz ou então de como
devemos aprender que a nossa vida sem luz é um castigo terrível. Uma agonia
insuportável. Porque o diálogo nunca seria possível nem muito menos
saborearíamos o que deriva do debate e do diálogo das ideias.
A definição de Mário Assis Ferreira é
interessante, a luz «é um anseio». Mais acrescenta ainda, como palavra final,
que encerra o desejo da luz para sempre no coração de todos: «E só as trevas
não cabem nessa luz». Porque antes tinha dito que há «...uma luz
necessariamente branca: porque o branco é harmonia, a síntese de todas as
cores». A expressão poética revela que a vida não tem sentido sem a luz. Por
isso, todos precisam da luz interior que conduza para o sentido da vida e com
ele nos revelem o esplendor do prazer que pode ser uma vida em cada pessoa. Com
a luz a vida é uma festa. Sem a luz a vida não tem gosto. É uma perdição.

João Magueijo, engendrou um conto
interessante de um jovem que deseja escrever livros e publicá-los, por isso,
vai para a cidade, «porque na cidade se encontra a luz». Mas na procura
frenética para encontrar um título para o seu livro, encontrou um que lhe diz
tudo e assim ficou sendo chamado o seu primeiro romance: «Dar à luz». O autor
do conto remata finalmente o seguinte, concordando com o título criado pela sua
personagem: «E, mais uma vez, esperaria que a luz singular das suas palavras
cintilasse, por fim, sobre a cegueira universal». Eu também quero crer nisso
mesmo.
Alexandre Melo mostrou como numa sala
escura podemos ouvir a música e como podemos entrar na luz, mesmo que rodeados
pelas mais densas trevas. A luz mais importante não é a exterior, mas a de
dentro, a que vem de dentro e conduz depois para dentro. No interior
descobre-se a luz verdadeira. Por isso, repare-se na beleza das palavras: «Viu
que estava no interior de uma sala ricamente decorada. Olhou para o seu lado
direito e a luz nascente permitiu-lhe distinguir, entre céus azuis, brisas
verdes e suaves arvoredos, um casal de jovens enamorados contemplando uma carta
e um outro rapaz que aliciava uma rapariga com a oferta de uma flor... À medida
que a luz ia revelando a sala, percebeu que podia dar vida, cor e movimento a
todas estas cenas e personagens». E da vida simples do quotidiano, pode nascer
a mais rica e intensa luz. Basta procurar e deixar que dessas coisas da vida
ecoem os brilhos de tudo o que existe de positivo, a luz.

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