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quinta-feira, 17 de setembro de 2015

A pobreza e a exclusão

Este é o tema mais importante do nosso país neste momento. São raros os partidos que têm este tema prioritariamente nos seus discursos e no centro dos seus programas eleitorais. Nos principais partidos então ainda é menos visível. É aflorado pela rama, não como tema central.
Os temas mais comuns têm sido a ver quem foi o responsável pela vinda da Troica, coisa que aliás neste momento não interessada nada depois de, ao abrigo desta entidade Portugal, ter sido submetido a uma austeridade desumana. Mas continuam os temas que dizem pouco à maioria dos cidadãos, salta à vista sempre no debate, a economia e finanças, bancos (BPN e BES), desemprego que para uns desce ou mantém-se e para outros soube maravilhosamente… Ai a realidade como nos desmente tudo isto! Numa frase, para uns o país está melhor, maravilhoso e para outros está sempre tudo mal. Porém, o tema da pobreza e da exclusão não entra, porque é esse que aflige verdadeiramente a maioria do povo português.
Mas porque não entra nos discursos dos partidos este tema de forma clara? O professor Alfredo Bruto da Costa, a figura mais abalizada do nosso país, porque estuda o assunto da pobreza e da exclusão há vários anos, considera que «antes de mais, o problema da pobreza é um problema político». Muitos esquecem este dado, porque consideram que a pobreza e a exclusão, só diz respeito à solidariedade e à caridade. Numa primeira etapa sim, para dar resposta imediata ao drama que assiste o pobre e o excluído, mas depois pertence à política criar mecanismo que permitam fácil acesso ao emprego para que o pobre, o excluído se integre como cidadão de plenos direitos. Daí que se compreenda que este assunto é assunto de Direitos Humanos.
Não admira que se tenha constatado, sob a visão lúcida do presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz, Dr. Bruto da Costa, lamenta ainda que não se tenha «aproveitado a crise para introduzir alterações de fundo para reduzir a desigualdade». E continua a dizer com clareza: «As pessoas muito ricas em Portugal não são atingidas pelas medidas de austeridade na mesma proporção como são as outras famílias, designadamente as famílias de rendimento médio e médio baixo», disse Alfredo Bruto da Costa.
Para o economista e investigador na área da pobreza, a austeridade «é uma expressão que nós ouvimos da boca dos políticos como se realmente todos fossem pagar equitativamente, e isso não é verdade». Se olharmos bem para o descalabro da carga de impostos aplicada impiedosamente, aí já percebemos bem como a austeridade foi profundamente injusta.
Nada disto entra na conversa dos partidos políticos. Ainda mais seguindo honestamente, temos de considerar também que para uns, a maioria do povo português, ouve verdadeira crise, austeridade, especialmente, para quem caiu nas malhas do desemprego e o que isso representa de exclusão, de tristeza, de pobreza e desgraça para tantas famílias. Mais ainda para quem se viu perante cortes desmedidos nas suas pensões, as dificuldades nos serviços de saúde, a confusão no sistema de educação e tantas e tantas outras situações de faltas que levaram muitos portugueses à pobreza e à exclusão. Tudo isto devia ser falado e percebermos bem quais as medidas que cada um propõe, para fazer frente a este flagelo que mata os sonhos e a felicidade a tantas famílias do nosso país.

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